Exactamente onde quero estar, como quero e onde sempre sonhei estar.

Hoje, enquanto preparava o jantar de hoje e o almoço de amanhã, ao som de Bossacucanova, com o sabor do Malbec Argentino nos lábios tive um déja vu.
Há muitos, mesmo muitos anos atrás sonhei ser assim: uma profissional (pensava ser consultora executiva, mas ao fim destes anos todos, ser Project Manager já me deixa feliz), no estrangeiro (ok, era mais NY, mas a Holanda serve (e muito!!) bem), com  um cão (que na altura sonhava ser um Golden Retrevier, mas como sou alérgica, não deu, e Deus me livre trocar a minha Petzi- que tá ali feita parva a rosnar à bola debaixo do móvel da sala, ó Deus dai-me paciência), com um copo de vinho tinto, música de fundo de qualidade, numa casa grande (também era pra ser um Loft, mas como cá não há os que eu desejaria, esta casa é perfeita como é!), viajada (ok, não me estou a safar nada mal tendo em conta que não arranjei o gajo rico!) como i’ll faut, com bons e muito bons amigos,  a minha família intacta, com saúde e bem perto (duas horas e meia de avião não é nada! De Lisboa a Braga são 4 horas de comboio, sim?); com saúde, inteirinha (nunca parti nem um braço nem uma perna sequer) e contentinha da vida.
Basicamente, foi só isto que sempre quis.
Hoje tive a certeza que, se morresse amanhã, já não ia nada insatisfeita.
It doesn’t get much better than this!

Google it

Ainda estou … em choque, acho que se pode dizer assim. Bom, deu-me um ataque de riso porque como diz a Luna, isto é tão mau que é bom.

Recebi os resultados dumas análises ao sangue que fiz aqui na Holanda (por ser doadora de medúla óssea), e tinha lá uma terminologia que não entendi.
Fui ao Google, procurei e achei a resposta, mas como o palavrão que lá estava tinha mais umas coisas que eu não entendi, perguntei ao Senhor do Instituto que me tinha mandado os resultados se me podia explicar o que é que aquilo significava.

Vai o gajo, e manda-me um pdf com…o resultado da Wikipédia!

É um organismo OFICIAL, do ESTADO, cheio de ESPECIALISTAS, o homem é um EXPERT, e manda-me os resultados da wiki!!!

E ainda me perguntam porque é que tenho de seguro de saúde cá e em Portugal.
Are you kidding me?!

Da China

Pelos vistos há 300 Portugueses em Pequim e uns 100 em Xangai…
Comparados com os perto de 30 mil Portugueses na Holanda, achar que 300 é uma grande comunidade num País como a China, digo eu, é um bocadinho sensacionalista “a la jornalista”.
Aqui há um mês atrás, ao passar com a minha amiga Patrícia (que vive cá há 10 anos) na estação central de Den Haag, cruzamo-nos com outras duas Portuguesas que tal como nós, iam cheias de pressa. Ouvimos as 4 a língua comum e olhamo-nos por muitíssimo breves segundos, tal como faríamos num metro em Lisboa, apenas porque quase esbarramos umas nas outras. Seguimos em frente e não dissemos nada umas às outras pelo simples motivo de que: é banal.

Há pessoas que têm fascínio pela China, outros pelo Japão, há quem prefira a Austrália, ou os Estados Unidos, ou até a Índia, e os escolha como casa para viver.
O certo é que, embora me sinta bem num País que não é o meu, viver numa cultura tão diametralmente oposta à minha é algo de que me confesso incapaz.
China, Japão, Tailândia e Índia, não são pra mim.
Já de bom grado passaria 2 ou 3 anos nos EUA ou na Austrália, até pelo Brasil quisás.

Uma coisa é certa, tiro o chapéu ao empreendedorismo, dinamismo e flexibilidade dos Colegas Emigrantes na China. Mais aqui, no ionline.

“Aos 25 anos, começou por estagiar na Câmara do Comércio da União Europeia em Xangai, mas a grande experiência foi na “maior importadora de vinhos da China, a ASC”. Depois de dois anos achou que o seu projecto “tinha potencial” e decidiu, em conjunto com um colega italiano, criar uma empresa de comércio de vinhos. “Importamos vinhos italianos para a China. Mas tenho outros projectos que envolvem também vinhos portugueses.” João está também a sondar as oportunidades noutros mercados emergentes, como o Brasil. Mas tem uma certeza: “Não vou sair da China nos próximos dois anos.””

Como dizia o rapaz que está à frente do The Star Tracker, e acho que com muita razão, os Portugueses continuam a ter nos genes a força e o sentido de aventura dos antepassados das naus que cruzaram oceanos nos Descobrimentos.

Coffee and Company

Esta menina diz, e eu subscrevo!


“(…)O que vos aconselho é o muffin ou croissant com um latte – galão com espuma – da Coffe Company. Há várias pela cidade, na Dam, em Spui, perto da Rembrandtplein, entre a Heineken e o mercado Albert Cuyp, etc.. Sendo caro – não gastam menos de 5€ em cada pequeno-almoço – é preço médio para estas paragens e não ficam nada mal, que estes lattes são uma coisa do outro mundo.(…)” 

Quero lá saber do Starbucks!

A minha casa em Den Haag, finalmente pronta. Família e amigos, podem afiar o dente, toca a comprar o bilhete de abión.

O quarto de hóspedes:

O meu quarto (antes do quilt):

O corredor, cheio de fotos de viagens anteriores:

A minha sala, com bagunça generalizada também, que isto é casa de gente, não de bibelôs:

Cozinha:

E já tá. Desde Novembro até agora, acho que não ficou nada mal. Já tem quadros, tem plantas, tem cortinas, sofás e colchas e até as visitas agora têm direito a uma cama como i’ll faut em vez do colchão de encher ou do sofá desdobrável.

Mas o mais importante é que realmente me sinto em casa. Na MINHA casa.

LET’S ZUMBA! Então basicamente é assim:

do calcanhar até ao fundo das costas sinto os músculos todos. A esses posso juntar os novos que encontrei ali por volta dos ombros e do pescoço.

Para ser mais exacta: sou uma kamikase. Vejamos:

– Fui à aula de High Impact, ou seja, fiz aula com quem já fazia zumba há mais de 2 anos, com os prós todos.

– Isto porque achei que a aula de iniciado em que nos ensinam os passinhos de salsa, mambo e tretas era um tédio. E é. Imaginem-se no meio de 20 Holandeses completamente descoordenados por natureza, e exasperem.

– Deixei de fumar há um mês – good for me! – mas ainda tenho os resquícios da falta de ar… e as pastilhas dão-me imensa sede. O nível de desidratação é alto, muito alto.

– Há exactamente TREZE anos que não fazia uma aula de aeróbica à séria.

Eu não sei como é que cheguei ao fim da aula. Ao fim de 20 minutos eu já suava em bica e olhava pro relógio e pensava: esta aula é de 45 minutos, tu consegues! tu consegues!
Aos 30 minutos pergunto à colega do lado (que já ia na segunda aula seguida e tinha aspecto de quem estava no ginásio batida todos os dias): isto é mesmo quanto tempo?
Uma hora!
Nessa altura sentei-me e pus a cabeça entre as pernas pra ver se recuperava pelo menos a tensão e não me dava ali um badagaio.

Na minha cabeça só giravam frases como: és Portuguesa pá! Isto pra ti é como se fosse uma sessão de dança dum casamento!! Tá é condensado numa hora, mas tu já fizeste esta merda 50 vezes!
Não podes deixar ficar mal o teu Povo pá! Vá, dá aí ao Mambo! Tás a ver? Tás a ver? Tu sabes! Tu consegues!! Vá, nada de fanicos! Foi pra isto que tu vieste! Dá-lhe! É pra gastar energia, é pra gastá-la toda! Vam’bora! Tu eras pró, só tás é destreinada! Tás a conseguir, vês? É a tua primeira aula e tás a fazer os movimentos todos certos à primeira! E tens direito a estar quase a morrer, é a primeira aula, há anos que não fazias isto! Dasse que eu sou uma besta, porque é que eu tenho que escolher a mais difícil? A outra era básica, tu na outra nem ias suar. Aqui já perdeste uns 3 kilos só em meia hora. Dá-lhe carago, dá-lhe que tu és Portuguesa pá!! Olha a Shakira! Olha, olha, a lambada, que cena pirosa! Canta, canta que enquanto cantas não pensas. Não pára, não pára que é pior! Mexe-me sempre essas pernas, tás a dançar, isto pra ti é fichinha! Olha olha, sou a única que sabe as letras! Samba, samba Maria Sofia que foi pra isto que vieste. Canta, tu canta!

Saí da aula com um sorriso de orelha a orelha, as minhas pernas tremiam todinhas, tive uma hora (depois da aula) a respirar fundo continuamente só pra recuperar o fôlego.
Tomei banho de água fria e continuei vermelha que nem um pimento durante mais uma hora.

E cá pra mim pensava: no dia em que eu conseguir fazer uma aulinha destas inteira, sou gaja pra aguentar 3 de seguida numa noite!

Quem cá vive e gostava de experimentar pode ter aulas em Den Haag ou em Amsterdão. A primeira aula é grátis. O dono da Escola e Professor é brutal, alto profissional, e realmente tem qualidade. Ainda não consigo pronunciar o nome dele, mas acho que se diz Raja (escreve-se diferente).
Cada aula custa 5 euros, e pode-se comprar pacotes de 10 sessões.
Tá tudo aqui, inclusive o local onde vai ser a próxima aula, é só inscreverem-se online. E façam a High, não vão pra de iniciados.

A aulinha é assim:

As pessoas têm que deixar de me levar tão a sério. Não a mim, mas ao que eu digo.

(E não tem nada a ver com o que aqui escrevi no post anterior ou no outro ou nos comments, ok?)

Tou a falar da minha vida, do meu dia-a-dia.
Eu sou por natureza uma trabalhadora bem disposta, e os meus colegas têm-me como tal, sabendo também que sou profissional.
Só que este respeito veio duma divisão por mim imposta, e que levo muito a sério, de que posso fazer amigos no trabalho, mas as pessoas que trabalham não são minhas amigas, (nem inimigas!), são tão pura e simplesmente: Colegas.
Até aqui, tudo normal, penso eu.
Como dizia hoje um amigo: no trabalho não falo da minha vida pessoal, e na minha vida pessoal não falo de trabalho. Mais de 70% dos meus amigos não faz pálida ideia do que é que eu faço. E eu gosto que assim seja.
Nas terras de sua Majestade Rainha Beatriz, não tenho no entanto onde ser o outro extremo, aquele que depois de utilizado e repetido, me faz chegar ao equilíbrio desejado.
O meu extremo é a Candeia, ou melhor dito, o que pratico com os meus amigos Animadores da Candeia.
Por isso vou tantas vezes a Portugal. A minha insanidade junto da insanidade dos meus amigos faz-me falta!
Faz-me falta aparvalhar com a Yoggi, apetecer-me bater no Lapi depois dos comentários certeiros e way over mais frontais do que deveria, ouvir as histórias do André, da Raquel, fazer-nos de mortos em conjunto, arreliar os putos até à medula, pensar ao som da viola, abraçar muito, receber cafonés, sentar-me em roda até já não ter posição, trabalhar no duro a preparar tudo o que é preciso. Saltar em jogos, em aplausos, ver os olhares perplexos de quem acabou de entrar, exactamente igual ao meu no primeiro fim de semana: estes gajos ou são uma seita, ou são completamente loucos. Completamente chanfrados. Sorrir-lhes e piscar-lhes o olho, baixar o tom de voz para um mais sério e dizer baixinho ao ouvido: eu também pensei o mesmo que tu. Não te preocupes que isso passa.
Eu preciso de passar pra lá de Bagdad como eu costumo dizer. Preciso de descobrir como é que eu faço pra me descompensar nesta terra por momentos, pra depois voltar a estar em equilíbrio. E não são copos ou saídas que me vão ajudar. Eu preciso dum exercício que me extenue, já que falando me levam demasiado a sério ou usam o olhar do: passou-se.
Ou arranjo outro conjunto de doidos, ou:

Vou-me inscrever nas aulas de Zumba.

———————-

Eu assumo

 

Assumo que gosto de dançar música pindérica.
A mim dêem-me uma Shakira, um Robbie Williams, um Bisbal, uma Jennifer Lopez, uns Black Eye Peas, Xutos, uma merda qualquer comercial que eu danço até ao amanhecer!
Em Espanha saía todas as noites e isto ouvia-se em tudo o que era bar e discoteca e eu dançava da meia-noite às 6 da manhã. Duracell era o meu middle name, e porra, justificado!
Em Portugal tinha 4 hipóteses basicamente: Docas, Expo, Santos ou Cais do Sodré. As duas primeiras carregavam-se de Ladies Nights, cena que eu abomino e acho deplorável, é o cúmulo do desespero. Lembro-me de dizer a uns amigos numa das poucas noites que tive o azar de ir pras Docas, bem claramente: vocês prometam-me, que nem que eu vos suplique, quando eu chegar aos 30 e pico, jamais me deixaram fazer estas figuras!! Graças a Deus, até hoje, nunca foi preciso. Nunca mais lá pus os pés.
Santos é só putos. Não há pachorra pra aturar putos de 17 anos bêbados porque beberam 2 shots (yuuuhhhuuu! ah! DOIS! É leões!). Passo.
Cais do Sodré: Jamaica, sou fã, só é pena não me conseguir mexer lá muito porque está sempre à pinha…tipo sardinha em lata. Mas encontro sempre amigos e danço até cair!
Como nem sempre tenho estaleca (pra não dizer pouquíssimas vezes) pra chegar aos horários do Jamaica sem estar podre de sono, também não é algo que eu faça assim repetidamente.

Dançar na Holanda … o que se me apraz dizer …ahahahahaha, ohohohohoh, ehehehehe, olha eu de rojo no chão a chorar a rir! Aqui é só Tecno ou 80’s. Os anos 80 até são porreiros, já me habituei a dançar Michael Jackson outra vez e tudo, mas se à terceira vez já chega…imaginem às vigésima quinta! Tecno não suporto.

Eu gosto de dançar, gosto mesmo muito de me desmelenar toda a curtir a alegria da música, as letras que sei de cor e que não me dizem nada, gosto de sambar, gosto de merengue, gosto de salsa, gosto de Hip Hop, de Funk, R & B, eu danço sozinha HORAS! Acabo uma sopa, com as calças e a t-shirt coladas ao corpo, o cabelo todo colado à cabeça num rabo de cavalo e com um sorriso de orelha a orelha. Gosto de dançar com as minhas amigas, fazer par com os meus amigos, sou gaja pra dançar música pimba Portuguesa num bailarico até ficar com bolhas nos pés, é só ter companhia!

Fi-lo no Santo António, embora com a cambada de gente que nos aperta nunca dê lá muito jeito, e fi-lo hoje na festa de Expats. Há muito tempo que não o fazia, tinha tantas saudades pá!

Mas sinceramente, no meio desta história toda, mais que as saudades, aborrece-me que as pessoas pensem que eu sou uma nhónhó, ou uma pacata, ou uma velha sem tempo e que já não gosto de sair, e que pronto, sou uma gaja fixe, mas muito controladinha e tal, que até posso ser uma condutora 100% cool e tudo, boa rapariga, mas enfim …

Nem 8, nem 80, não preciso de ser a ganda maluca, não é?
Só que durante anos fui a alma de muita saída, de muita festa, porque eu dançava o tempo todo, nunca esmorecia, puxava os outros pra dançar, ninguém queria ficar pra trás! E estava sempre bem-disposta, comigo nunca havia tédio, também nunca havia chatice, e ……..porra, julgam que é à toa que me pagam viagens pra eu ir a uma festa?! Sin la Sofi no hay fiesta!  E agora? Agora nunca conseguem ver essa faceta, e não é só porque eu já não aprecio trocar o dia pela noite, é acima de tudo porque eu não gosto de dançar nesta puta desta terra.

Mas hoje, só por HOJE, fui eu e hoje dancei outra vez.

E agora se me dão licencinha, vou ali tomar um banho pra tirar o cheiro a sovaco, sim?

Bem me parecia que me estava a dar um fanico!

A mim e à Petzi, tadinha, que com aquele casaco tá a morrer de calor.
Tou zonza desde manhã, não dormi nadinha, tou mal disposta mesmo. Inchada que só visto, pareço um balão.
Tão 34 graus lá fora.

HOLANDA E TRINTA E QUATRO GRAUS!! Foi coisa que nunca pensei escrever na mesma frase.

Agora o giro é que estes tipos não têm ar condicionado como nós…..não há fome que não dê em fartura, porra!!