Tu é que a levas direita!

A malta do “tu é que a levas direita” é, regra geral, aquele pessoal que gosta intensamente de reclamar da vida que levam.
Acham-na aborrecida, nos filmes é que é!, porque é que eu tenho que viver aqui? no estrangeiro é que eu estava bem! assim como a Sofia, por exemplo.
Senhores, tenho big news: sim, aqui vive-se bem mas adivinhem lá porque é que sou eu que cá estou e vocês não?
Porque eu acho que reclamar sem agir é inútil.
Porque me ensinaram que não é bonito ser-se invejoso, tem é que se ser ambicioso.
E também porque sei que o que se passa nos filmes é ficção. Sim, essa palavra difícil que há que repetir comigo: ficção!
Aqui la realidad!
Logo, estar sentado em casa, em frente ao computador a achar que eu é que tenho uma vida porreira e que a vossa é uma grande treta, não vale nada, não compensa, não traz felicidade.
Façam-se “ao mar”, mudem o que acham que não está bem, e não, não é suposto mudarem as cortinas lá de casa!
Mudem de rotinas, troquem horários, obriguem-se a não ficar no sofá amouchados porque afinal tá frio lá fora ou a chover, façam coisas que sejam grátis e levem a mochila cheia de cerveja ali pro Adamastor e deixem de dizer que a vida tá cara e achar que é piroso “trazer coisas de casa”.
Actualizem o curriculum e passem umas boas horas colados ao écran à procura de novos empregos e novos desafios, seja em Portugal, seja cá fora. Não me venham com o “a vida tá difícil”, vocês fazem-na difícil!
Ah, mas tu não tens filhos! Pois não, mas conheço muito boa gente que tem e pegou nos putos às costas e mudou de vida. Se foi fácil? Ó amigos, quem acha que mudar de País é fácil que acorde pra dita “realidad”! É lixado, com filhos e sem filhos!
Se compensa? Ora bolas, então não compensa!!
Mudem de mentalidade, passem ao lado da grande vivenda, do carro com 2 mil de cilindrada e da roupa de 300 euros a camisa! Acreditem que fazer um casamento com 400 pessoas não vos vai deixar mais felizes que se o dito tiver 100 que vos amam.
Porquê esta p@ta desta mania Portuguesa de MOSTRAR que se está bem, que se está feliz com 500 aquisições?!
A casa onde vivo não é minha, e quê? Qual é o problema? Não posso fazer buracos na parede! Posso pois! Só tenho de os tapar quando sair. E não tem 300 m2! Pois não! Pra que raio quero eu passar o fim de semana a limpar 300 m2?!?! E será que eu preciso desses 300 metros? E dos 3 andares? E do móvel XPTO pra vida feito de encomenda que me custou 3 mil euros?!
Não conduzo um Audi ou um BMW, ohhhh mas porquê? Porque de momento não preciso dele pra nada quando o que quero é ir de A para B e que o carro pegue todos os dias de manhã e ande benzinho e não mame muita gasolina. Chama-se pragmatismo! E quando fores a um casamento? Vais nesse chaço?! Ó gentinha!!
E não vestes Burberry’s nem Fred Perry ou Lacoste? Não. Monto-me nos 300 euros por camisola e vou até Paris, até NY, até Munique, até….
E vestir os filhos? Tu sabes quanto custa? Sei pois, tenho afilhados e primos pequenos e sei que comprar D&G pra uma criança de 3 anos É ESTÚPIDO e deitar dinheiro fora.
E os colégios? Sabes quanto é que custa?! Ouçam lá, o meu Paizinho e a minha Mãezinha puseram-me num Colégio durante anos e foram sempre criticados pelos colegas e amigos, mas nunca me atiraram a mim ou ao meu irmão isso à cara, porque consideraram-no um investimento. É isso que têm que ver. Se não querem, há muito boa escolinha pública onde muitos e bons amigos meus estudaram e sem pagar cheta.
Já viram quanto dinheiro pouparam em 3 ou 4 coisas?
E já pensaram que se mudarem de País até podem continuar a ter as mesmas coisas? E que o que interessa é quem está convosco nesta aventura e sejam companheiro (a)? E que podem vender o carro que está à porta, por a casa a alugar, pegar nos móveis e trazê-los convosco, escolher escolas pros miúdos, e pelo amor de Deus:

DEIXAR DE RECLAMAR?!

PAREM DE FALAR, AJAM, FAÇAM, Levem-na direita vocês também. Eu falo muito, mas faço pela vida, ora bolas.

Arranged marriage

Ontem fui ao encontro mensal de estrangeiros patrocinado pela minha empresa.
Já não aparecia num há talvez mais de um ano.
Não éramos muitos. Começamos 2 Tugas, uma miúda da Nova Zelândia, duas Francesas, depois apareceram 2 Indianos, mais tarde um inglês e rematamos com um Australiano e uma Polaca, todos extremamente simpáticos.
Os Indianos chegaram juntos, um rapaz e uma rapariga, e pelos vistos já conheciam os outros. Talvez por isso quando eu perguntei: mas vocês conheceram-se cá, ou já vieram pra cá como casal? obtive uma resposta tão sincera e inesperada que não caí pra trás por um triz:

“Ele veio primeiro, e eu vim depois quando nos casamos. Foi um casamento arranjado. Não o conhecia.”

PÁRÔ, PÁRÔ, PÁRÔ!!! PAROU TUDO!!!

Como é que é?!?!
Ambos os membros do casal deviam ter no máximo 30 anos, possivelmente menos.
Tanto ela como ele eram giros, notava-se que deviam ser de boas famílias, de castas mais altas.
Não aguentei e pedi-lhe pra explicar como é que eram feitos casamentos assim.
“Isso pra nós é muito natural. A minha Mãe escolhe.”

PAROU TUDO OUTRA VEZ!

Tava bem lixada se fosse a minha Mãe a escolher! É que ela diz preto e eu digo branco. Temos gostos opostos, e nunca acerta em nada do que me fica bem.

“Ah, sim, mas eu tinha direito a recusar!”
“Aliás, eu fui o 11°!”  – diz ele todo contente

“Sim, eu queria um homem de acordo com uma lista de requisitos. Tinha de ser charmoso, deixar-me trabalhar e ser moderno, e simpático, e agradável e bla bla bla”

E os meu olhos cresciam. Isto é como ir buscar um gajo à prateleira da loja! Como quem compra um sobretudo, estás a imaginar? Exacto: pelo joelho, justo na cinta, cor creme, …
Mesmo assim, wtf, alguém escolher um marido pra mim?!?!
Não me consigo imaginar nessa opção. O certo é que talvez fosse mais fácil…ou não.

Realmente isto é mesmo algo cultural com uma força que chega aos dias de hoje. Eles acham que o nosso sistema de relações é muito complicado e stressante. E é. Mas deixar a minha Mãezinha escolher-me o gajo com quem eu vou dormir à noite? NO WAY!

Aí uns 80%!!

Hoje entrei numa sala de reunião e estavam lá ONZE Holandeses e eu. Já conhecia metade deles. Os outros tinham o aspecto habitual: farmers simpáticos e cabelos tirados dum filme dos anos 60.
Quando entro o Chair da reunião vira-se e solta o habitual ar de frete amarelo, como quem está prestes a dar um peido mas está entalado: English, right Sofia?
Eu olho à volta…. tou quilhada. Se fosse em Portugal, onze tugas e um bife, era já ver o bife acabar mal passado com um ovo a cavalo.

No, it can be in Dutch.

REALLY?
É tão fácil agradar estes tipos pensei eu.

Do you follow us completely?

Nah, about 80%. (C’a ganda aldrabona!!!) I’ll ask Bjorn in case I don’t know.

GREAT!! Todos contentes, como se lhes tivesse saído a lotaria,  desatam em Holandês a grande speed e eu muuuuito concentrada e apanhei aí uns…50%.

Entretanto faço uma pergunta, em inglês claro. Vai o Senhor, super simpático, e claro, como eu disse que era 80, pimbas, toma lá disto, e arranca em segunda em Holandês enquanto eu aceno a cabeça com ar muito concentrado e de quem entende perfeitamente a problemática e penso: aquilo eram 18 meses ou 36? $%#$&$%. Se isto falhar dou uma actriz do carago!

Mentir não compensa, ser exagerada ainda menos, não querer admitir que ainda não falo esta porra ao fim de 2 anos e meio é mesmo vergonhoso (pra mim!) e a gaita é que tou MESMO a ver os emails a cairem-me em Dutch. I’m sooo screwed!

Porque até pros mandar pro c@ralho é preciso classe

Hoje uma Holandesa disse-me que se eu precisasse de ajuda pra voltar pro meu País que lhe dissesse, ela teria todo o gosto. Disse-o com um sorriso no rostro.
Com um sorriso meu ela levou a resposta: tou cá muito bem, mas hei-me lembrar da tua ajuda quando me perguntarem se os Holandeses são racistas.

PS: atenção que nem todos são assim e isto não é batuta que paute o comportamento geral de 99% das pessoas que me rodeiam.

E foi sol de pouca dura

eu juro que só não dou em tolinha neste País porque posso trabalhar a partir de casa. É que poucas coisas me dão maior prazer que ter a chuva a bater nas vidraças e eu confortável dentro das minhas 4 paredes.
Não fosse esse o caso, e depois deste “verão”, estava pronta a cortar os pulsinhos.
Lá fora chove torrencialmente embora estejam 20 graus. Os ventos são ciclónicos e o barulho que fazem faz-me acreditar que os Deuses estão zangados.

É mais ou menos isto

Retirado daqui

“Holanda é um país de amor-ódio, onde a par de uma localização geográfica central, segurança, organização, excelente horário de trabalho e bom ambiente profissional, mentalidade optimista e um salário que proporciona uma extensa qualidade de vida, poderá também existir monotomia, falta de calor humano nas relações inter-pessoais, aversão à língua e um clima por vezes detestável. Não seria um país para uma residência a longo prazo, mas em dois anos boas amizades foram feitas e adquiri hábitos e uma rotina que gosto.”

E quem tiver de acordo que levante o braço se faz favor!