Anúncio que revela

Acho que desde os anos 70 que não ouvia publicidade a apelar à poupança dos emigrantes. Cá está o BES a começar aquilo que parece ser tristemente o início dum recomeço do ritual. E eu não sou nada fatalista, mas neste momento tenho poucos amigos em Portugal e dos que ainda lá estão mais de metade tem um irmão ou família chegada emigrado. Parece que Portugal vai ficando vazio. E isso é sintomático nesta publicidade. Não gosto.

As saudades nunca acabam

Quase que chorei ao ler isto. É realmente assim. Custa tanto estar longe, mas tem que ser.

Estou constantemente em dívida, de arma em riste contra a ausência, e ainda assim falho, porque não consigo melhor.
(…)
A saudade, que só se tem em ausência, é ainda assim um saco que nunca se esvazia, mesmo quando estamos juntos todos os dias, porque são dias contados. Nunca poderei devolver a quem amo os dias que lhes retirei. Posso só tentar que os que partilhamos sejam grandes. Posso só ser mais amor, tentar ser menos falha, e pedir com a humildade da minha pequenez que a vida me permita dar-lhes muito mais.


Da Sónia Balacó

O Romeu Runa dança com os músculos e o Miguel Pereira é louco

Estava completamente esgotado há semanas no Melkweg e por isso pensei que não ia e já me tinha dado por vencida.
Quando a minha amiga (e bailarina) Catarina Félix me consegue arranjar um lugar duas horas antes do espectáculo.
A Catarina, o Miguel Pereira, o Romeu Runa e mais duas pessoas fazem parte duma equipa chamada Útero que cria peças bailadas.
O Miguel é o Director criativo, a Catarina a assistente de direcção (e por vezes intérprete) e o Romeu Runa é o intérprete principal das criações loucas do Miguel.

Eu não percebo nada de arte, de dança, de pintura, mas sofro de ataques de emoções que tais eventos me podem provocar.

Estive angustiada o espectáculo inteiro, o homem nunca mais se “erguia”, saía da depressão do estado em que está e de repente pensava eu que ele estava a lutar contra as adversidades e a conseguir………e não. Não consegue.
E saí da peça completamente deprimida e angustiada, como se tivesse levado três patadas certeiras no estômago. Mas adorei.
Adorei porque o Romeu é de borracha, contorce-se como se o corpo dele fosse feito de esponja ou plastica e faz algo que eu nunca tinha visto antes: dança com os músculos! E transmite a emoção, faz-nos sentir. Sentir. Havia uma senhora que ria o tempo todo, e eu quase que chorava.

No fim tive a MEGA sorte de poder ir jantar com eles e conhecer pessoalmente o Miguel e o Romeu. E foi incrível ouvi-los discutir a peça e o que querem mudar e o que vão inovar e ainda por cima, o mais impressionante, terem tido em conta aquilo que eu disse, na minha mais santa inocência e ingenuidade sobre a peça e o que tinha sentido e visto.

Eles têm estado a trabalhar em conjunto e têm criado várias peças que são quase sempre “compradas” pelo Les Ballets C de la B, que é uma empresa Belga que tem espectáculos de qualidade incrível.
Aconselho-vos vivamente a segui-los.
A próxima chama-se Princesas.

O que é Português É BOM!

O Out Jazz já aí está

Depois não digam que não avisei!
A boa onda é incrível, aproveitem.
No ano passado aproveitei um domingo e foi altamente:http://andorinhaquevoa.blogspot.nl/2011/07/e-quem-nao-for-aos-proximos-out-jazz-em.html

Agora é a MEO e não a Nívea que patrocina, mas dá no mesmo. Eu não ganho nada na mesma com isto, só recomendo porque acho que aproveitar pra ouvir bom jazz À PALA é fantástico e é um domingo muitíssimo bem passado e costuma haver uma boa onda incrível. Podem levar os putos, os cães, piquenique, é altamente, é o mais parecido que há com Amesterdão, mas com SOL!


Este domingo, o MEO OUT JAZZ ’12 abre as portas à música de TGB e do DJ Mike Stellar, às 17h00 no Jardim do Parque Eduardo VII. Espreitem a agenda completa, fotos e vídeos do festival em http://on.fb.me/meo_out_jazz
 
 

Ridículo! Incompetentes de merda!

Ora então é assim:
– tirei o meu cartão de cidadão na Holanda e na Embaixada fiquei registada com a minha morada Holandesa.
– Pra pedir a minha carta de condução nova que me foi roubada em Bali tentei vezes sem conta aceder à SUPOSTAMENTE MEGA(MERDA!) aplicação do portal do cidadão, e eis se não quando descubro que por ter morada Holandesa tinha que trocar de carta de condução portuguesa pra Holandesa e só indo ao IMTT em PT!
– No IMTT deram-me uma MERDA dum papel EM PORTUGUÊS pra entregar às autoridades Holandesas pra trocar a carta.
– Ora as putas das autoridades de cá disseram-me que eu tinha que ir traduzir o documento pra Holandês, e já agora, o relatório da Polícia Balinesa (que está em Indonésio) também.
– Pro caralho! Foi o que lhes respondi, eu vou resolver isto doutra maneira. Vou ao Portal do Cidadão mudar a minha morada!! É simples, básico, tasse bem.

DEVES!!! Depois de uma semana a telefonar pra linha de atendimento QUE NÃO FUNCIONA e à espera do PIN de confirmação de alteração de morada, descubro que o meu processo foi considerado MORADA INVÁLIDA!!

Ora acontece que por ter morada estrangeira, tenho que ir a uma loja do cidadão ou então à Embaixada pra fazer lá localmente a alteração, mas o melhor ainda é que tenho que lá ir DUAS VEZES, pq nem qdo receber o pin em minha casa posso ser eu a fazer a confirmação com o meu leitor de smart-card.

ISTO É UMA VERGONHA!!!!! Foda-se, pagamos um dinheirão pra ter uma merda dum CU e é isto??? Mas tá tudo parvo ou sou eu que tenho cérebro a mais?

Que vontadinha de passar a picadinho o cartão do cidadão!!!

Pra mais fui apanhada a conduzir pela Polícia Holandesa com a dita guia Portuguesa e lixei-me, fui parar à esquadra e agora tenho que contratar um advogado e tudo por causa desta merda. A sério, furiosa é pouco, é FORA DE MIM!!! ESTOU FORA DE MIM!!!!!

Ao rubro nos Lusitanos de Amesterdão

E Portugal ganhou, e os Lusitanos estavam ao rubro, cheio que nem um ovo, e eu ainda fiz amigos novos.
Sempre que lá vou é uma festa. Muito eu gosto daquilo! Nos dias dos jogos da selecção falamos todos uns com os outros e entre muitas super bocks e sagres, bifanas, franguinho da mamã assado no forno ou uma boa jardineira, está tudo bem disposto e quando o Ronaldo se atira pra baliza é a loucura. Desata tudo a cantar ao mesmo tempo, como se os jogadores na Ucrânia nos pudessem ouvir, desde o hino Português cantado cheio de sentimento e cachecóis no ar, até ao Portugal allez allez, olé olé.
E eu, que normalmente não ligo corno a futebol pareço uma carroceira, mando umas caralhadas e uns gritos de ânimo e exclamo bem alto: estamo-vos a pagar, façam alguma coisa carago! E de repente há 10 pessoas a olhar pra mim com cara de: mas quem é esta gaja?! E riem-se. E rio-me eu, e continuo a saltitar entre grupos de amigos e pessoas que vou conhecendo.
Os Lusitanos em dia da Selecção são O pedaço de Portugal na Holanda, e vale mesmo a pena lá ir.
Não tenho fotos de ontem, mas deixo-vos um video do Euro 2008, e vejam por vocês mesmos como se pode ser tão Português só porque se está emigrado, e em breves segundos nos aproximamos da família, dos amigos, dos santos e dos caracóis e das sardinhas quando fechamos os olhos e bradamos pelos heróis do mar, nação valente e imortal.

PS: Tenho saudades do Deco.

A arrebentar de orgulho

Estou siderada com o show do Anthony Bourdain em Lisboa (S08E04 – Season 8, episódio 4)  porque levaram o Senhor aos meus sítios favoritos todos, só faltou mais umas quantas esplanadas, mas à falta de sol, esteve lá.
Quando o vi comer marisco no Ramiro baba escorria-me pelos queixos. Quando ouvi o Lobo Antunes lembrei-me que não consigo ler um único livro do homem mas senti a revolta interior de tanta gente em Portugal do antigamente.
Arrepiei-me a ouvir a Carminho, rais parta a miúda que é amorosa e ainda por cima canta que se farta. E é humilde. E é doce. E educada. E tem força e sentimento nas palavras, gosto mesmo da moça.
Quase me atirei pra dentro do écran quando vi o elétrico a passar em Alfama e na Graça e vi Lisboa, a Lisboa de que eu gosto, de que tenho saudades e onde um dia acabarei por viver.
Não sabia quem eram os Dead Combo mas rebentei de orgulho por ver que a nossa música não precisa de ser Fado para chegar ao mundo inteiro.
Gostei que se mostrasse um Portugal evoluído e não do século passado, cheio de restaurantes e chefes novos que ao mesmo tempo mantém as raízes Portuguesas mas apostam num futuro.
A cena de pesca e as palavras do Tozé Brito resumiram a minha ideia sobre a destruição causada pela UE na nossa frota pesqueira e na nossa agricultura, e aquele polvo tinha um aspecto…
O Diogo Quintela esteve bem, foi bem encaixado no momento certo.
Era escusado bater tanto no Salazar e no antes e pós 25 de Abril, mas fora isso, quem quer que tenha feito a selecção de pessoas para acompanhar o Bourdain, fê-lo bem feito. Tão bem feito que deixou o homem a comer o prato favorito dele: uma boa bifana.
Juro, palavra de honra, que me vieram as lágrimas aos olhos, num misto de saudosismo e duma raiva surda por não poder voltar com as condições que quero para viver naquela casa, mesmo em frente ao Chapitô, com vista pro Tejo e um jardim com uma palmeira com mais de cem anos.
Ainda não é agora, mas lá chegaremos. Por enquanto aproveito cada minuto do meu presente, e absorvi pelos poros cada minuto do No Reservations em Lisboa.