Afecta a minha família que cada vez tem menos dinheiro pro dia a dia, afecta os meus amigos que se vêm numa situação inesperada e que por muito controle de custos que façam o dinheiro pura e simplesmente não chega ao fim do mês. Afecta pessoas de quem gosto e que encontram a solução em emigrar e há uma separação inadiável para todos nós.
Como economista não compreendo, depois de tantos anos de estudo, de tanto tipo de políticas orçamentais e monetárias que estudei, não compreendo como é que o FMI e o BCE não percebem que estão a estrangular completamente uma economia já de si fragilizada.
Não compreendo como é que se tomam medidas tão drásticas quando já foi anunciado que postas estas em prática a derrapagem do défice vai acontecer e nunca vamos chegar aos 4,5% mas sim aos 6,3%, e a pescadinha de rabo na boca continua. E depois vão sacar dinheiro aonde? A quem?
Afecta-me porque tenho cada vez mais amigos desempregados, que estudaram e foram bons alunos e que são pessoas honestas e correctas e não conseguem encontrar sequer um emprego que lhes permita auto-sustentar-se e manter a dignidade que merecem.
Afecta-me porque não posso voltar ao meu País, não só porque está na merda, mas também porque ganho mais dinheiro cá fora que vou acabar por ter de enviar aos meus Pais (que se recusam a recebê-lo) pra os ajudar a compensar esta política insana. Voltamos aos tempos em que os emigrantes têm de suportar a família, e foda-se, eu não ando aqui a trabalhar pra aquecer e gostava de poder ter um pé de meia que me permita a mim, quando eu já não puder trabalhar ou estiver à rasca, suportar as minhas despesas. Sim, porque com certeza que, SE eu chegar à idade da reforma, vou precisar de ter dinheiro que me permita subsistir.
E ainda por cima ainda dão o Nobel da Paz à União Europeia!!! You must be fucking kidding me!!! YOU MUST be fucking kidding me!!!
Gosto de gente com “tomates”
Gosto de gente que não se fica, que não está ali à espera que a oportunidade lhe caia do tecto e que vai atrás do seu lugar ao sol.
Eu não conheço o Luís Marques.
Ele mandou-me o CV dele num formato sui generis, e eu gostei. É pena estar em Português, deveria estar em inglês, mas vale a pena ver onde a imaginação e a criatividade nos levam pra seguirmos o sonho tão simples de sermos um bocadinho mais felizes.
Já agora, aqui estão add-ons mais convencionais:
– o vídeo “em inglês”: http://youtu.be/P-
Se quiseres publicar nos vossos blogs e divulgar, estejam à vontade, autorizo plenamente o copy paste, e acredito que ele também.
Adoraria saber que deste post surgiu uma oportunidade para o Luís, seja em que lado do mundo for. Adoraria imaginar que um blog pode ser um impulsionador e ajudar alguém e não apenas um saco de desabafos.
Luis, desejo-te e auguro-te toda a sorte do mundo!
A minha amiga Inés Legemaate, também fez um CV muito especial online. Ela é restauradora de obras de arte e criativa e fez algo que também considero interessante:
http://ineslegemaate.com/
É a Holandesa mais Catalã que conheço!
Suerte Inés!
PS: escusam de me mandar CVs docs que eu não sou página de empregos e não tenho “connections”.
Coisas soltas, pensamentos e ilações quotidianas das últimas semanas
Ultimamente tenho andado num processo de interiorização. Ando a interiorizar que já não sou expatriada, que sou efectivamente emigrante.
A diferença é que neste momento quando volto a Portugal sinto-me como o meu Tio Adolfo que voltava de 8 em 8 anos para ver os amigos e saía de Portugal feliz que nem um cuco pelos que conseguiu ver, mas desgostoso porque uns tinham falecido e muitos tinham partido e tinha-lhes perdido o rastro.
Hoje em dia há internet (abençoadinha seja!!) há skype, há facetime nos iphones e ipads, há chamadas telefónicas a preços mais contidos, há distribuidores de comida Portuguesa por todos os Países e encontrar um vinho Português ou um bom chouriço ou bacalhau já não é um bicho de sete cabeças.
A minha interiorização divide-se em duas partes: trabalho e amigos.
Começando pelo trabalho. Na semana passada soube de alguns colegas da empresa a que pertencia em Portugal que faleceram e outros que estão doentes e fiquei desolada. São pessoas de quem gosto e custa-me não estar lá pra elas, por isso gasto rios de dinheiro em telefone para garantir que mesmo longe estou perto e que as animo. Perco horas no chat para arrancar um sorriso a quem vejo tão entristecido.
Eu sempre fui uma moça bem disposta, sou nortenha, sou disparada, digo tudo o que penso e nunca penso no que digo e no meio dos meus disparates e sorrisos animo o dia a muita gente. E eu sei que não sou salvadora da Pátria nem me pagam pra ser palhacita (que nem é o caso), mas adoro arrancar sorrisos, é como o meu ego se alimenta. Vá lá, podia ser em trapos e maquilhagem, pelo menos dá-me pra isto. Sempre é mais económico, digo eu!
E à distância, com muito mimo, lá vou conseguindo, mas com noção perfeita de que tudo se deve a várias circunstâncias cuja resolução está completamente fora do meu alcance e que como tal, assim como na Candeia, é um sorriso de vez em quando, um dia de vez em quando, mas pelo menos naquele dia vê-se-lhes a cremalheira e sentem-se com mais força. Ou pelo menos é o que me dizem, e eu quero acreditar que sim.
E vai daí e escrevi um post de alma e coração em que expliquei coisas que aqui não posso êxpor mas que se resumem a: o tempo não volta atrás. Foi uma sorte e uma benção ter estado presente nos dias mais felizes de uma casa à qual pertenci com muito orgulho. Estou longe, vou manter-me longe, mas estou eternamente grata a todos quanto me ajudaram a ser feliz durante aqueles 8 anos. E como tal, cá estou eu, longe mas perto, pro que for preciso.
E entre o que chorei a escrever a minha despedida final (levei mais de quatro anos a despedir-me, sou um bocadinho lenta…) e o que chorei ao ler os comentários e a compreensão profunda de tanta outra gente que se reviu nas minhas palavras, lavei a alma e fechei mais um capítulo.
Passando aos Amigos e família.
O certo é que me custou muito voltar de Portugal desta vez porque vi os meus Pais ainda mais envelhecidos (abençoada a hora em que eu e o meu irmão lhes demos o cão que é a alegria daquela casa), os meus amigos cansados de lutar para chegar ao fim do mês, muitos desempregados porque as empresas reduziram imenso pessoal, depois foi a revolta da TSU e a manif na qual não pude estar e agora o aumento de impostos, e uma debandada generalizada dos meus amigos quase todos para imensos Países e cidade, desde Angola, a Moçambique, Alemanha, a Paris de França, Inglaterra, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Bélgica é: you name it!!
E se por um lado o pensamento imediato é: porreiro pa! Mais sítios pra visitar! Por outro reunirmo-nos novamente é cada vez mais complicado e como diz o poeta, a vida pula e avança e dou por ela que não posso nem consigo estar lá nos momentos mais importantes como o dia em que nasceu o filho de qualquer um dos meus melhores amigos, o primeiro aniversário da minha afilhada, ou o dia em que o meu melhor amigo pediu a namorada em casamento, ou que uma grande amiga vai ser operada, ou descobriu que não pode ter filhos, ou que está doente, ou que foi despedida, ou que soube que vai ser Mãe/Pai, ou que compraram um cão ou que pura e simplesmente se apaixonaram e eu não as posso ouvir e conhecer o encantado que as deixou com as borboletas na barriga. Eu quero estar perto.
E não vai poder ser, porque já nenhum de nós está perto uns dos outros.
E tenho sonhado muito, sonho com todas as pessoas que me ligam ou me mandam mensagens e me dizem: estou a morrer de saudades tuas. Tenho saudades de falar contigo, da tua alegria. Anima-me, estou tão triste. E eu arranco bocados da alma, e penso em todas as coisas maravilhosas que tenho e na sorte e saúde e amor, e amizade e telefono-lhes e arrebento-me todinha a tentar tirá-los da tristeza com a minha psicologia de bolso.
Resultado: sonho com eles e …. choro. Tenho chorado baba e ranho de alegria e tristeza, num misto que só se explica com coisas lindíssimas que me fazem por entenderem que me custa muitoooooooooo, mesmo muito estar tão longe dos momentos deles.
Vai daí um dos meus dois melhores amigos pediu a namorada em casamento, à tuno, no meio dum espectáculo. Isso já eu vi fazer dezenas de vezes, não foi isso que me fez chorar que nem uma desalmada. Foi o facto deste meu amigo, que vai partir pra Moçambique no fim do mês e que eu não sei quando volto a ver tão cedo, ter feito o pedido e uma hora depois me ter enviado uma mensagem com um filme do momento, pra que eu pudesse estar lá com eles na altura. Ou fazer de conta que estive! Foi como se tivesse estado, e ouvi-o cantar-lhe uma das minhas músicas favoritas que deixo aqui e só ouve quem quer, mas que eu prometi a mim mesma que, se ALGUM DIA eu me casar, quero entrar na Igreja ou no registo civil ao som desta música, com as vozes todas dos meus amigos a cantar em uníssono e a arrepiar-me tentando manter o passo certo em direcção ao altar onde me espera com certeza a pessoa sem a qual não vou saber viver.
All and all, e pra resumir, ando a interiorizar, e porra que custa, que afinal não vim por 3 ou 4 anos, nem mesmo 5, esta minha condição de residente no estrangeiro é permanente no mínimo nos próximos 20 anos.
E isso é ser emigrante como os meus tios foram. E não se resolve com mais viagens a Portugal.
Tenho é de fazer um planeamento como deve ser e ter uma agenda cheia de alarmes que é pra ver se consigo organizar-me a mim e aos cães pra poder viajar e estar mais presente. (suspiro)
E se gostaram de ouvir os Porto-Riquenhos lá de cima, ficam aqui mais uns links (estes senhores são Tunos PROFISSIONAIS, pagos pelo País deles para vir representar Puerto Rico cá fora e cantam e tocam de carago!)
Enfim, numa nota mais alegre tenho a anunciar que:
– os cães deixaram de roer coisas cá em casa
– que já fiz mais uns extreme make overs que publicarei em breve (quando estiverem terminados)
– que tenho uns amigos fabulosos seja cá seja lá
– que consegui a proeza de ir mudar de casa novamente em Março por um preço que pura e simplesmente não existe em Amesterdão
– que fiz amigos novos muito fixes
– que apesar da lamechice toda lá de cima sou uma gaja muito feliz, só ando com complexo de larva em crescimento, e apesar de achar que não nasci pra ser emigrante, se calhar até tenho jeitinho, é só uma questão de jogo de cintura, e eu chego lá!
O País está no lodo, mas continua a ser o mais bonito do mundo!
Esta dificil
A confirmar o meu post pre-ferias, esta semana e meia em Portugal soube-me a pouco e confirmou as minhas previsoes: e’ cada vez mais dificil voltar atras.
Entenda-se: nao e’ dificil voltar para Portugal, e’ dificil sim voltar pra um ritmo que ja nao e’ o meu, pra um suportar “histoico” ou cobarde de situacoes que se apresentam diariamente e que eu ja nao consigo nem quero engolir.
Nao admito que me liguem por motivos profissionais depois das 19:30 e nao tolero de modo algum ou a chefe algum que se sinta no direito de dispor da minha vida pessoal, como se o facto de eu receber um salario fosse sinonimo de disponibilidade completa 24×24.
Posto isto, and pardon my french,estou fodida. Porque a mentalidade nao muda.
A austeridade nao me assusta. Da-me calafrios. Chorei de emocao quando vi milhares de pessoas pelas ruas a clamar o fim de uma politica que nos vai levar a miseria. Chorei porque nao houve um unico dos meus amigos esta semana que nao me tenha dito que esta a fazer esforcos concretos para emigrar e zarpar noutra nau pra bem longe.Chorei porque esses mesmos amigos sairam a rua pra mostrar que nao querem partir: estao a ser obrigados a faze-lo.
Nao me lembro de ter o coracao tao pesado como neste voo de regresso, talvez apenas e so no primeiro voo que fiz quando vim pra ca viver.
Sinto-me uma ratazana em debandada dum navio a afundar. E sinto-me assim porque nunca vi tanta loja fechada, tanto predio abandonado, tanto controle de contas e custos em minha propria casa, tanta desilusao no rosto dos mais animados. Senti nitidamente que meter-me num aviao para regressar ao meu terreno seguro era um enorme acto de cobardia, nao de valentia. E eu que sempre achei que era “uma gaja com tomates”. Que belissima desilusao que eu me sai.
O que fazem os emigrantes como eu na Tugo
As minhas parcas férias chegaram finalmente
Hoje é o último dia de trabalho durante os próximos 10 dias. Já estou mal habituada porque “à Holandesa” já acho que são poucos dias, abaixo de 15 dias é coisa pouca, mas com 3 canitos pequenos em casa é pro que dá e não me posso queixar. Mas que me sabia bem mais 5 dias, lá isso sabia.
Começa a arrefecer na Holanda, o Outono está aí e ainda estamos no início de Setembro, e isso aborrece-me. Outono é a partir de 1 de Outubro, Setembro devia ser ainda um mês quentinho. Como não é, vou voar até paragens mais quentes: Portugal.
Ver família, amigos, conhecer pessoas que há muito quero conhecer, e acima de tudo, ver o Tejo. As saudades que eu tenho de ver o Tejo…
Não há forma nem maneira, sempre que volto a Lisboa apetece-me voltar de vez. Sempre.
Mas depois penso que cá posso trabalhar a partir de casa e entrar às 9 e sair às 5 e passear os meus cães, e ir ao ginásio, e jantar com amigos, e ler livros, estudar outras coisas e esvai-se-me a vontade. Qual balão cheio de ar que se esvazia rapidamente e fica murcho e tristonho, é assim que o meu peito fica sempre que garanto a mim mesma que esta é a melhor opção: Amesterdão.
E custa-me que assim seja.
No outro dia o Tolan publicou um texto em que perguntava porque é que os nossos governantes e jornalistas não faziam reportagens que atraíssem os jovens a ficar em Portugal em vez de fazer programas como o Portugueses pelo mundo em que mostram o bem que se está cá fora.
Não vou entrar na discussão que se gerou na caixa de comentários do post dele, vou apenas relembrar que o que mais custa no regresso não é a falta de oportunidades, nem o facto de nos descerem o ordenado, é a falta de qualidade de vida.
Eu estaria disposta a voltar por metade do que ganho mas ia ter de abdicar de tudo o que consigo e posso fazer agora. Apesar da distância, hoje em dia tenho mais tempo para os meus Pais. Falo com eles todos os dias e quando eles me telefonam não me estão a incomodar ou a interromper a jornada porque às 17 ou 18 já acabei e posso falar sobre a minha horta, sobre as tropelias dos cães, sobre o maravilhoso jantar que preparei.
Apesar da distância tenho mais tempo pra combinar coisas com os meus amigos porque não estou enfiada no trânsito durante hora e meia pra fazer o regresso a casa. Lembro-me sempre que saía às 20 em vez das 17 para não apanhar a carga de trânsito Tagus-Lisboa. São 3 horas da minha vida diárias que dedico a um trabalho que vai-se a ver e daqui a 8 ou 10 anos dão-me um chuto no rabo e dizem: obrigadinha pelo esforço mas agora dá a vez a outro, sim?
Eu quero voltar, mas não quero voltar pra um ambiente (seja qual for a empresa) em que acham que sair às 17 é tirar a tarde, em que acham que só se trabalha se estiver “debaixo de olho”, em que o meu trabalho e esforço não é tido em conta pela quantidade de trabalho produzido e entregue a tempo, mas pelo número estúpido de horas que passei dentro dum escritório.
Quero voltar pra poder disfrutar tranquilamente duma esplanada das 18 em diante sem estar preocupada que nas próximas 4 horas o meu email vai crescer exponencialmente e que vou ser tida como pouco esforçarda ou até incompetente por não ter respondido na hora, no acto, no minuto do MEU tempo livre.
Enquanto as mentalidades dos chefes deste País não mudarem, enquanto as pessoas não deixarem de passar 3 horas de pé na sala do café a fumar cigarros na varanda enquanto discutem filosoficamente merdas que podiam fazer sentadas numa call em 15 minutos, não volto.
Não preciso do big fat car, nem da vivenda construída em tamanho ultradimensional com lugar pra 3 carros e um jardim no qual não passo tempo nenhum. Não preciso do cartão dourado nem de fazer viagens ao México e à República pra dizer que estive e que fui e que vivi.
Preciso de ter tempo de qualidade pra mim, pra aproveitar o que posso enquanto a minha saúde o permite, não é depois de velha ou depois de reformada. Quero poder passar tempo com a minha família e os meus amigos e os meus cães e a minha horta orgânica no quintal, na minha casa a ouvir música, a ler um livro ou a ver um filme, de preferência antes das dez da noite.
Enquanto as coisas não mudarem, não volto. O mundo é a minha casa e serei feliz em qualquer sítio onde estejam e tenha ao alcance os meus bens mais preciosos. O mais importante deles todos: o meu tempo.
Esta sexta vou até Lisboa comer caracóis, apanhar muito solinho e ver o Tejo…
Uma broazinha de Avintes com sardinha assada….marchava, marchava!
Então e esta política, tem defeitos?
É que eu cá acho-a perfeita!!
Se recebem o RSI fazem muito bem em trabalhar pra sociedade, limpar matas, ajudar os outros.
Vá, sempre quero ouvir argumentos beca-beca contra.
Vá, vá!! Surpreendam-me.
Nock me out and make my day, que eu hoje tou mesmo prontinha pra sacar do meu célebre mau feitio.

















