Tenho uma frase na ponta da língua….

Há vários dias que tenho uma frase na ponta da língua que me apoquenta não poder dizer em voz alta, sob pena de sofrer severas consequências.
Já que não a posso dizer, ao menos posso escrevê-la?

“A Senhora é burra, muito burra.”

Falta de respeito, falta de educação da minha parte, absolutamente imperdoável.
Falta de inteligência de qualquer tipo da contra-parte.

E coitados dos burros, que são mais inteligentes que a dita Senhora, e não merecem.

Pronto, já disse. Já me sinto melhor.

Must read

Este texto é magnífico.

Obrigada Inês Marto.

“Foca-te, já viste quanto tempo perdes com merdas que não interessam? Já basta de fraquezas, não? Há por aí gente com problemas sérios… e tu a queixares-te disso, mulher. Do Carlos do Carmo, pois era… Encontra-te! Parecem bandos de pardais à solta… E estás à espera que te agarrem para quê? Ora se tens fado, como dizem, agarra-te tu! Uma mulher com fado na alma basta-se a si própria, é bonito de ouvir, pois é… mas está na hora de fazeres jus, ou então manda-os calar. São como índios, capitães da malta…Arregaça as mangas, rapariga! Estás à espera de quê? De olhar para trás e não haver mais tempo? Afinal de que é que és feita? Ora porra, tanta filosofia… age, mas é.”

Play it smart

Umas imagens que têm ressoado em mim, nas minhas últimas decisões e sentimentos, nas minhas emoções mais preementes. A previsão da mudança, de todo um mundo novo, o medo e o terror de falhar, de não me levantar. A insanidade mental que se apodera de mim e me enche de forças e adrenalina pura nos momentos mais duros e que não me deixa nunca sentir-me derrotada. Triste, desiludida ou frustada até posso estar, mas derrotada, nunca.
Tudo tem solução menos a morte. Com pouco se faz muito. O que é preciso é ter tomates pra tomar uma decisão e nunca desistir de encontrar uma saída brilhante.
Nada funciona melhor que o Universo a mandar-nos mensagens claras de: ou mudas ou te entalas. É como um espeto no rabo, primeiro gritas, e depois desatas a correr, sempre em frente….. até que encontras uma porta, e está aberta, e lá está: a luz.

Persia, a dream come true in Iran – DAY 3 – Teerão

29 de Dezembro de 2014, Iran

Com 9 horas de sono restablecidas, “amandamo-nos” pra dentro do metro, que como disse a Maria João, foi tão rápido que nem deu pra comprar umas cuecas! Literalmente, neste País, tal seria possível em escassas 3 ou 4 paragens de metro. Passamos outra vez pelo parque Shar em direcção ao Museu Nacional.
Só que estava fechado naquela segunda-feira, não que a gente entendesse porquê, mas era assim. Sem stress, trocamos logo pelo Palácio Golestan.

O Palácio Golestan escondidinho

 

O Palácio está meio escondido, quem vê de fora, entaipado que está entre horrorosos edifícios do ministério, ninguém diz o que ali está.

Uma pequena parte do interior do Palácio Golestan

A sala mais espectacular é sem dúvida a sala do trono, construída para que o Sha pudesse receber os chefes de estado estrangeiros, celebrar casamentos e recepções e inclusivamente coroar-se pela segunda vez em 1967, passado 25 anos de ter sido coroado pela primeira vez.
Cá pra mim ele achava que assim a coroa se lhe colava à cabeça. Adiantou-lhe muito! Só não lha arrancaram em 79 porque fugiu a tempo!
O certo é que, embora não tenha fotos da sala de espelhos, aquele tecto e até as paredes, coincidiram ipsis verbis com o meu imaginário duma sala das mil e uma noites. Os espelhos todos pequeninos a formar composições delicadas tanto nas paredes como nos tectos, foi das coisas mais bonitas que vi e vou continuar a ver nos meus sonhos. Que beleza.

Uma selfie numa das sala de espelhos (armada em intelectual com “gafas”)

Passamos a manhã toda no Palácio, onde vimos como viveram os Shas desde 1837, as peças extraordinárias que lhes foram oferecidas desde os tempos de Napoleão e da Rainha Vitória, e os quadros e estátuas de cera que representam esses seres feiosos que cagavam em sanitas de ouro enquanto o seu povo morria de fome.
Valeu a pena pra termos uma noção de porque é que houve uma revolução em 79, de porque é que os sacanas dos Ayatolas e dos militares conseguiram o poder (até hoje) e trouxeram o País pra trás mais de 50 anos, e hoje, quando o visito, sou obrigada a andar com um hijab.

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

I look like freaken royalty! 😀

 

Num é fácil andar por aí com uma camilha por cima do lombo…

 

A sério, não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan, AS salas dos espelhos eram qualquer coisa do outro mundo!

 

Who is the selfie master? I am!!! Esta vou pô-la cá em casa num “passepartuuuu”!

O Irão está a mudar graças a Deus e espero, sinceramente, que este País se mantenha em paz durante muitos anos, mas com um outro tipo de poder, mais permissivo, mais justo, muitísimo mais equalitário.
Almoçamos num tasco, muito concorrido e muito conhecido pela truta frita. Eu como enjooei de truta na Holanda, comi uma espécie de lentilhas, carne e beringela em molho de tomate e limão, e babei. Que delícia! E lambi os dedos com a beringela, com tomate, alho, e pimento que comi de entrada com pão Iraniano. Eu quero aprender a fazer aquilo em casa, tenho que ter a receita!!! Não sei o nome ainda, mas nos próximos dias vou descobrir e depois digo-vos!

A foto é da João, descobri há coisa de um mês que ela fotografou os pratos todos, por isso cá está a bela da truta frita.

 

E esta cena com ar de vomitado, é a tal cena de beringela, tomate, alho e pimento, que eu juro pela minha saúde que era maravilhoso, mas não consegui saber o nome, se alguma alma caridosa quiser deixar nos comentários, está à vontadinha!

Depois do almoço apanhamos um autocarro pra Kashan, e a estação central de autocarros é surreal, tenho que explicar isto que é muito engraçado: ainda dentro do taxi o Filipe disse-nos pra cada vez que falassem conosco respondermos “Kashan”, que assim eles desamparavam a loja.
Não percebi o porquê, mas fizemos o que ele nos disse, e seguimos de malas às costas atrás dele. E realmente sempre que se dirigiam a nós e dizíamos Kashan, os tipos bazavam…excepto um deles que me disse “Kashan” de volta e me mandou segui-lo.
Ora pois tá claro que me borrifei pro homem, mas isto foi ao mesmo tempo que chegamos ao interior da estação e percebo finalmente como é que isto funciona! Há uma série de homens cá fora a perguntar pra onde vais, porque há várias empresas a irem pro mesmo sítio, e os tipos vêm cá pra fora pra arranjarem clientes. Imaginem que uma rede de expressos, a rodonorte, a renex e outras que tal, tinham à porta das estações uma pessoa pra vos desafiar a escolher uma delas, que cena marada, ah!
Embora haja guichets, até onde eles vos acompanham pra comprar o dito cujo, são sete cães a um osso a tentar encher os autocarros. Essa é outra, mandaram-nos logo logo pro autocarro, e depois ficaram à espera de mais clientes pro acabar de encher. O que eu não consegui perceber bem é se os autocarros saem constantemente, ou se têm um horário pra sair, o Filipe riu-se quando lhe perguntei e disse que sim, que têm um horário, pode é ser um horário flexível…. :)))
É só rir neste País.

Kashan here we go. O autocarro é bem nice, há que dizer, até nos deram lanche e tudo! Lindo :))
São 3 horas, podiam aparecer aí as senhoras da lingerie, de certeza que fazíamos negócio!

PS: o caravensai onde ficamos em Kashan é lindíssimo! Chegados a Kashan saímos pra uma volta mínima de reconhecimento depois de jantarmos maravilhosamente no caravensai, e passamos numa frutaria e o dono vê o Filipe e faz-lhe uma festa enorme. Manda-nos entrar, oferece-nos laranjas cortadas aos quartos, (e não se esqueçam que éramos 11 pessoas!), e convida-nos A TODOS pra jantar lá em casa no dia seguinte. Era a primeira prova da afamada hospitalidade Iraniana, que assim que te conhecem oferecem-te comida e até te convidam pra ficar a dormir lá em casa. Eu que já tinha lido sobre isto, não queria acreditar.

Mais uma foto da João, e ali está o frango carregado de alecrim, o melhor da viagem, sem dúvida.

 

O Filipe vai-me rifar, mas eu vou por aqui uma foto do spot onde ficamos, sempre quero ver-vos encontrá-lo na Booking.com !

Highlights

Palácio Golestan
A sala do trono e dos espelhos
O caravensai de Kashan
O frango com molho de tomate e alecrim

Cão ou Gato?

Eu acho que pouca gente sabe que eu tive um gato 22 anos, e que sei muito bem a diferença entre ter um gato e um cão.

Uma semana dura

Não só porque tive muito trabalho, isso já é o habitual, mas porque a burocracia também me bate à porta para fazer mossa e me deixar com os nervos em franja. E não foi do Estado Português. Nem do Holandês.

O que é certo é que também passo por momentos em que desespero e parece que a luz teima em não aparecer. 
Repito mentalmente o mantra: tudo o que é mau acontece por uma excelente razão, isto é bom pra ti Sofia.
E elaboro 3 backup plans de cabeca e comeco a escrever sobre o que poderei fazer caso o que quero que se concretize, não se concretize.
E depois tomo sempre a melhor atitude, que é sem sombra de dúvidas, por a boca no trombone e pedir ajuda.
Nunca falha.
E espero que desta vez também assim seja.
Foi assim há dois anos quando me deram com a porta na cara quando quis fazer o regresso. E há-de ser assim desta vez.
Pelo meio ficam dias de nervos e tensão acumulada nas costas e momentos simples e bons que nos retornam à realidade como o bitoque caseiro que comi hoje ao pé da minha casa, que reconfortou a alma para que ela tivesse o valor de falar acertivamente no momento mais preciso.
Este fim de semana é novamente prolongado e espera-se cheio de estudos de Holandês (há teste dia 28), de tosquia de caes, de roda de livros e almoco em casa do Pedro e da Jana. 
E muita confianca de que tudo está bem, mesmo quando tudo parece torto.
Pra semana há mais.
Bom fim de semana!