Do MEC – Ser Bracarense

Não resisto a esta vaidade… e pronto: VAI BRAGUINHA!

(confesso que acho que o MEC exagerou. Braga ser comparado a Milão não é um elogio. Fora que está bem longe da riqueza e poderio de tal cidade. Mas asseguro-vos que aqui o último grito da moda é tão imperioso como em Milão. Já cá vieram? Então preparem-se, porque as sopeiras vestem-se melhor que os betos de Cascais!

“Como benfiquista, há muito que me magoa nesta atitude. Pensava que éramos nós os mais inclusivos. Se fosse sportinguista, também me magoaria, pensando que éramos os maiores snobs. Se fosse portista, já sabia (com o mesmo medo e respeito) que Braga e o Sporting de Braga são mesmo assim. Superiores. Gentis. Felizes. Bem-educados. Sinceros. Como português, tiro-lhes o chapéu. E, com toda a sinceridade, rendo-me a eles. Mais do que isto, não posso dizer. Mas já disse. Exijo que o Benfica nomeie uma equipa de investigadores que descubra (inutilmente, de certeza) o que eles têm e nós nunca teremos. Serem bracarenses. É uma das poucas coisas que não se podem fingir: ou se é ou não se é. Eles são. Nós não. Paciência.”
“Acho que o Sporting de Braga é o único clube de que todos os portugueses gostam secretamente. Os benfiquistas acham que eles são do Benfica; os do Sporting apontam para o nome e os portistas, por muito que lhes custe, são nortenhos e não se pode ser nortenho sem gostar de Braga.

Toda a gente tem medo – e com razão – do Sporting de Braga. Há a mania de engraçar com a Académica de Coimbra ou com o Belenenses, mas são amores fáceis, que não fazem medo nem potenciam tragédias.

O Sporting de Braga não se presta a essas condescendências simpáticas. É por ser temido que o admiramos. Mais do que genica, tem brio. É uma atitude com que se nasce; não se pode ensinar nem aprender.

A primeira vez que fui a Braga já estava à espera de encontrar uma cidade grande e diferente de todas as outras. Mas fiquei siderado. Acho que Braga se dá a conhecer a quem lá entra, sem receios ou desejos de impressionar.

A primeira impressão foi a modernidade de Braga – pareceu-me Portugal, mas no futuro. E num futuro feliz. O Porto e Lisboa são mais provincianos do que Braga; tem mais complexos; tem mais manias; tem mais questiúnculas por resolver e mais coisas para provar.

Braga fez-me lembrar Milão. É verdade. Eu adoro Milão mas Milão é (mais ou menos) Italiano, enquanto Braga é descaradamente português. Havia muitas motas; muitas luzes; muita alegria; muito à-vontade.

Lisboa e Porto digladiam-se; confrontam-se; definem-se por oposição uma à outra. Braga está-se nas tintas. E Coimbra – que é outra cidade feliz de Portugal – também é muito gira, mas não tem o poderio e a prosperidade de Braga. …”
excerto DE UM ARTIGO DO MIGUEL ESTEVES CARDOSO.

Falta saber de onde vem a força

 Hoje encontrei na rua uma das minhas amigas de infância. A Mãe dela tinha um olhar divertido, meio envergonhado, meio ausente e não me reconheceu. Conhecia-me há 28 anos. A Mãe da minha amiga está muito doente e eu percebi imediatamente pelo olhar. Tinha uns olhos traquinas, envergonhados. Sorriu muito quando eu lhe disse que ela estava muito bonita e não percebeu que eu comecei a tremer.
Não sei bem como é que se chama a doença, mas é um tipo de esclerose que avança muito rapidamente e causa inclusivamente demência.
A minha querida amiga terá de ver a Mãe passar por uma espécie de Benjamin Button. Nos próximos meses vai deixar de andar, perde a coordenação motora completamente e aos poucos a consciência. É como “morrer em vida” pensei eu.
Quis entender como é possível querer-se continuar a viver, que sentido faz neste caso o que disse no outro dia sobre o impacto na vida dos outros. Pus-me no lugar da minha amiga. A Mãe vai perder toda a independência, vai ter uma morte lenta, mas vai poder continuar a ouvir os sons dos netos, vai poder usufruir do imenso amor e carinho que os filhos lhe dedicam, do toque dos que a amam, vai conscientemente continuar a sentir que a amam e a ser amada. E não há mais que isto. Isto é tudo e é muito.
Novamente pensei nas queixas comezinhas do dia-a-dia e na sorte que tenho. E pensei na força que tem de ter a família dela para conseguir vê-la desaparecer tão rapidamente e tão impotentemente. E tentei mesmo fazer o esforço de me ver em situação idêntica e fritei.
Sem ter pensado ainda em tudo isto entrei na loja onde ia buscar os sapatos e tremia que nem varas verdes. Tinha uma tristeza no peito do tamanho do mundo e telefonei-lhe à minha amiga umas horas mais tarde. Tudo o que tu precisares, disse. E ela é que me disse a mim: não te preocupes, já estou habituada. Não estás nada, ninguém se habitua a isto. E pensei que há forças infindáveis que nem sabemos onde vamos buscar, mas que aparecem na hora necessária e que faz com que algumas mulheres sejam caracterizadas pelo ênfase na frase: Ah Mulher ! Mostra o que vales!
Eu costumo dizer que não tenho amigas do frasco de verniz. E não tenho. Porque não as admiro. Tenho amigas valentes, determinadas, carinhosas, fortes e cheias de garra. E essas não são a barda do frasco de verniz, mesmo quando são iguais à Julia Roberts.

Feita ao bife

E hoje passei na Bertrand e descobri que a Editora Leya criou uma edição dos clássicos a 7 euros e meio e cinco euros cada livro….
Lá tive eu que trazer a Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera (por 6 euros e 75, oh yeah!).
Aproveitei e açambarquei o Bússola para Navegadores Emocionais da Elsa Punset e O Mundo É Fácil – Aprenda a Viajar do Gonçalo Cadilhe.
E agora tenho de estudar muito bem estudadinho como é que vou levar tanto livro comigo de volta pra Holanda… cheira-me que em mochila às costas…vai custar, mas vale a pena!

As violetas do Daniel

Quando mudei p’ra Amesterdão fiz a bela da housewarmingparty e o mê amigo Daniel ofereceu-me um vaso de violetas. 
Chegado lá casa, olha em redor e repara que eu só tinha plantas mortas. 
Nem uma sãzinha p’ra contar a história….
A sua alma de Engenheiro Agrónomo não pode com tanta miséria.
Ó Sofia, tu vais tomar conta das minhas violetas, não vais? Olha que se as deixas morrer não respondo por mim!
Perante semelhante ameaça, vendo eu a integridade da minha “mona” ameaçada, achei por bem ir regando as violetas e rezando p’ra que dessem flor que se visse!
E assim foi, e por isso publico aqui com muito gosto as fotos que tirei às violetas do Daniel pra ele poder ver (antes que ele volte lá casa e elas estejam murchas) que eu respondo tremendamente bem a ameaças de amigos.


O resultado do Desafio Literário de tanta boa alma foi este…

Por coincidência, a feira do livro de Braga é esta semana e acaba este Domingo. Não tinha tanta coisa como gostaria, mas deu pro gasto… hehehe
Só não trouxe mais livros porque depois tenho de carregar com eles e é um frete andar a deixar coisas pra trás que não cabem na mala por causa do peso adicional. Senão a colecção inteira da Jane Austen (que estava a 5 euros o livro) tinha marchado todinha.
Não consegui comprar com muita pena minha, A Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera, mas fica pra próxima ronda, assim como “O Conde de Monte Cristo” e o “Último Cais”. 
Lá chegaremos, lá chegaremos! De momento com estes acho que tenho q.b., não?
O meu mais sincero obrigada a quem participou no desafio literário e recomendou estes e outros portentos da literatura universal. I like you!!

Ali em baixo faltou nomear (eu sabia que me ia esquecer de autores importantes)

O GRANDE Gabriel Garcia Marquez de quem sou grande grande fã (graças à minha Maria que passa por aqui e que se tiver paciência também pode responder ao desafio, que esta mulher é uma enciclopédia!) e de quem li os 100 anos de Solidão (e adorei, embora as primeiras 50 páginas sejam um bocadinho seca) e o Amor em Tempos de Cólera, e ainda o excelente Memórias de mis putas tristes. E mais o resto… 
Também li muito Isabel Allende, mas ultimamente a Senhora anda a encher chouriços e nota-se que é obrigada a escrever um livro de dois em dois anos, porque o livro A Ilha debaixo do Mar é um bocadinho um flop.. no entanto o Cuentos de Eva Luna, A Casa dos Espíritos e a saga da Filha da Fortuna e do Retrato a Sépia, e por último, os fabulosos O Plano Infinito e o De amor y de sombra (que se não leram ainda, leiam, por favor), são livros que bem podem ser de culto de tão bem escritos que estão. Se puderem leiam em Espanhol. A versão original não é comparável à tradução, por muito bem feitas que estejam a maioria. A beleza e a riqueza das palavras espanholas usadas para descrever emoções e sentimentos é … inigualável, não conheço mais autores de habla española como eles.
Há outra autora de que gosto muito mas que tem sempre uns livros com uns nomes muitíssimo pirosos (rais parta os tradutores) que é a Laura Esquível (outra para ler em Espanhol) e que escreveu livros como: Como água para chocolate (se não leram podem ir a correr comprar, sim?) e o Tan veloz como el deseo que falam sobre o início do século XX.

E tenho a certeza que me esqueci de muitos outros,  mas se eu começo a desbobinar aquilo tudo que li, nunca mais de cá saio!

(depois se quiserem assim livros mesmo muito densos e a puxar pro intelectualóide, o Tolan recomenda umas cenas e tal, ok? E o tipo do Controversa Maresia também. A Luna Maria também sabe umas coisas, eu cá sou assim basicasinha e gosto mto de literatura espanhola, que é que se vai fazer?)