Estão 26 graus na Holanda!!! E amanhã também vão estar 25 graus!
Ah porra, só não sabe o que isto quer dizer quem vive da França pra baixo!!
O Nuno é um amigo suspenso no tempo. Suspenso num tempo que passamos em erasmus há mais de 12 anos.
Não conhecíamos ninguém, os nossos amigos habituais e família não estavam por perto, e fizemo-nos bons amigos não sabemos bem como, porque mais diferentes um do outro, é impossível.
Se não estivéssemos estado juntos em Espanha naquele ano, tenho a certeza absoluta que jamais nos teríamos conhecido.
You see, é que o Nuno é artista plástico e pintor.
Naquele tempo suspenso no tempo o Nuno contou-me que não queria ser arquitecto. O que ele queria mesmo era ser pintor!
Tás louco, pensei e disse.
E mostrou-me uma foto dum quadro que tinha exposto no ano anterior na Alemanha. E eu calei-me.
E foi.
E é.
O Nuno conseguiu ser aquilo que sempre quis e eu incho de alegria e de orgulho de cada vez que recebo um convite para uma exposição dele.
Incho o peito todo (e tou-me a borrifar se acham isto um lugar-comum) porque fico sempre muito feliz quando vejo que alguém de quem gosto muito sentir-se realizado. E eu gosto muito do meu amigo Nuno.
Em 2002 fui convidada pela primeira vez para ir a uma Vernissage. Nunca tinha ido a uma. Fui com a Maria e a Mafalda.
A Mafalda que adora arte ficou vidrada neste quadro.
Eu que não percebo corno de arte, perguntei ao Nuno discretamente o que queria dizer o dito. Frascos e copos é um retrato de Valladolid.
Ahhhhhhhh! Tá certo. Tá muito certo. E eu olhei com atenção e achei: este mocinho é um bocadinho tétrico, realmente há coisas que nunca mudam.
O certo mesmo é que nunca mais me esqueci do quadro, e um quadro que não se esquece só pode ser um bom quadro:
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| Frascos e fracos. Mixed media on canvas. 200×200 cm. 2001 |
Demos a volta à exposição toda e fiquei parada nestas outras duas peças.
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| Picture detail. I Want You. Mixed media on wood. 200×200 cm. 2001 |
Gostei tanto, mas tanto dos quadros que ainda hoje os descrevo e digo: um dia vou ter um destes na minha casa, vou pedir ao Nuno um só pra mim.
Como sou uma tesa e tenho muita lata, e sou uma completa inocente, e novamente, não percebo puto do mundo da arte, perguntei ao Nuno:
– Ouve lá, não me queres dar assim um destes quadros? É que eu gostei mesmo muito!
– Tás maluca! Esse quadro levou meses a fazer, é pra vender Sofia, achas que eu vivo de quê?
Mas fazemos o seguinte: no dia que te casares, se me convidares p’ro teu casamento, eu ofereço-te um quadro meu.
(Sofia fica branca, sem fala e pensa: tou lixada, nunca mais há quadro!)
É a este nível de detalhe meus amigos, a este nível, que o Nuno me conhece!
Não é pra todos.
Foi assim que, até hoje, quadro algum entrou em minha casa, e as perspectivas são de que jamais me venhas a oferecer um dos teus quadros. Graças a Deus, burro nunca foste. Tu sabias. Tu sabes!
Mas Nunito, tu põe-te fino, que eu casar não caso, mas ando a juntar pataquinhos p’ra te poder comprar um destes últimos que fizeste.
Lá chegaremos, sim?
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| Bucherverbrennung. Mixed media on canvas. 200×150 cm. 2003. |
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| Untitled. Mixed media on canvas. 150x135x12 cm. 2006. |
Parabéns Amigo.
do meu caro Amin Malouf e fiz as pazes com ele (depois da seca que foi o Primeiro Século depois de Beatriz, tinha que ser).
Já tinha saudades de ler um BOM livro.
Depois voltei ao Miguel Sousa Tavares e li o “No teu deserto” (oferecido pela minha querida Mary, que sabe sempre sempre do que eu gosto).
Também gostei. Fiquei com tanta, mas tanta, mas TANTA vontade de ir ao deserto…que assim que puder ir a Marrocos, isto é, assim que voltar a ter dias de férias, o que só acontece pro ano… meto-lhe a primeira e não há quem me pare, só quem me acompanhe!
Agora estou na “Ilha debaixo do Mar” da Isabel Allende. Não sei porque é que ela e a Laura Esquível arranjam sempre nomes tão mauzinhos pros livros, palavra que não entendo.
Mas é à pala delas que já desisti de ligar aos nomes nas capas.
Comprei livros de autores que não conhecia no Natal, comprei exactamente 15 livros. Os primeiros 3 que li foram a mais completa desilusão. Tão mauzinhos, que nem tem explicação.
Depois decidi voltar ao meu caríssimo Amin, e pimbas, outra vez, desilusão. Decidi que assim não podia ser! Alguma coisa de jeito devia ter comprado!
Samarcanda (disse-me a Tuxa), é excelente, vais gostar!
Eu li, adorei, e recomendei.
Outro que li há já uns tempos e que foi uma surpresa agradável, que me ensinou muito sobre a história da Turquia no último século, e tem um nome muito piroso mas é muito bom, é o “Palace of Tears” – “O Palácio das Lágrimas” – da Alev Croutier.
Dos maus, não vale a pena falar, tenho vergonha de dizer que li aquilo até ao fim.
A partir de agora (e quando acabar os outros 9 que ali tenho, que também é espirrar e já voaram) só compro livros que me recomendem. Nunca mais me meto em aventuras e me ponho a comprar o top 10 da Fnac. Aprende-se a tropeçar, certo?
Por isso, vá, toca aí a recomendarem os melhores livros que já gostaram, pelas alminhas façam-me feliz. Vale tudo, desde Nóbeis a literatura infantil!
Só Nicholas Sparks é que não, ok?
Siga a marinha!!
As duas piores coisas que me podem fazer é:
1) tomar-me por lorpa
2) empatar-me e fazer-me perder tempo
Perco o sentido, a noção, o temperamento latino e o nortenho saltam e só tenho vontade de correr tudo à bofatada!
Eu por acaso tenho cara de burra?! Acham que eu ao fim destes anos todos não sei como é que se fazem as merdas?! Tentarem-me enganar não é boa onda meus caros, e não vos sai barato!!
O meu irmão não tem facebook. Diz que não tem tempo.
O certo é que temos muitos amigos em comum, até porque andamos sempre nas mesmas escolas e a diferença de idades não é assim tão grande.
Com o tempo então, dois anos e meio esbateram-se completamente e os amigos dum e do outro misturaram-se, resultando numa quantidade de gente, confesso, perfeitamente absurda.
A diferença entre os dois, é que ele é o Mister Popular. Everybody likes him. E eu pura e simplesmente falo pelos cotovelos (e rótulas, e cartilagens e isso tudo, sim sim, a piada já tá gasta, ok?) e as pessoas invariavelmente, lembram-se de mim. Fora o facto de que sou “boa pessoínha” como diz um senhor da terra do meu Pai, e como tal granjeio afectos, hehehehe
Os amigos do meu maninho têm sempre altas fotos: com ele. Como não conseguem por uma “tag” no rapaz, falam com quem? Comigo. E eu pego nas fotos, e mando por email pro sô Carlos.
Aqui há uns tempos houve um rapaz que pôs fotos do tempo do Colégio, os putos tinham uns 12 anos, coisa do género. Pediu-me o email dele, falei com o malota mano, e siga a marinha.
Quando lhe perguntei quem era… eh pá, esse gajo tinha uma pancada filha da p@ta. E pelos vistos continua a não fechar bem a mala!
Mas ele era fixe, parece ser boa pessoa, eu lembro-me dele.
É…mas é tolo. Inteligência não é o forte dele e é assim meio maluco.
Meio maluco como?!
Na segunda-feira recebo uma mensagem do gajo. Estava em Lisboa e queria ver o meu irmão, há uns 15 anos que não se vêem, diz ele.
Como o meu irmão tem uma sorte descomunal, o rapaz só lhe tentou ligar quando ele já ia a caminho do Brasil (somos uma família muito viajada, sim sim, e o meu irmão passa-me a perna a passos largos, e óóóó família! é escusado dizerem que ah e tal temos sorte porque não é sorte, sim? ).
Entre trocas e baldrocas, a última mensagem que recebo do tal moço dizia:
okok geres ardeu muito doido
vou passar porto braga e chaves ao voltar da praia
okok goza muito lol
um abraço
E eu pensei… fooonix!
Eliminadinho do FB num fósforo!!!
A Candeia é magia feita por poucos privilegiados. É a “seita” a que com orgulho pertenço e da qual quero fazer parte até ser velhinha (o que não será bem possível, já que a artrose não combina com acampamentos, mas sonhar é pra todos, certo?).
Embora cada um dos membros saiba que é absolutamente impossível conseguir explicar a outrém que nunca fez, o que é a Candeia, nós continuamos a tentar porque é mais forte que nós. A emoção e o brilho nos olhos é incandescente e … temos, temos que contar aquela história do puto que deu três traques p’ro ar quando lhe pregamos um susto, dando sentido à frase “borrar-se de medo”; temos que ensinar os amigos a fazer um aplauso, não conseguimos esconder a alegria quando falamos de outros animadores que passaram a ser nossos amigos num fósforo e pra vida, e … e somos uns chatos tão grandes, mas tão felizes, tão felizes, que os nossos amigos nos pedem p’ra virem connosco só pra poderem sentir o coração a bombar com um terço da força do nosso.
Daqui a exactamente 10 dias vou estar com eles. E vou dizer coisas assim e ter fotos assim:
Cheguei de onde o banho era gelado e só de sabão azul e branco, de onde as picadas de insectos e as comichões várias, de onde não havia televisão nem net e a rede de telemóvel era praticamente nula, de onde o pó era muito e às vezes se via no cimo do leite branco do pequeno almoço. Vim de onde nada de isto era importante e nem se lembrava que fazia falta. Vim de sítio onde o realmente importante eram as pessoas. Pessoas grandes e pessoas pequeninas. Pessoas grandes que o que mais queriam dar eram coisas boas às pequeninas. E valeu. Valeu mesmo.
E eu hoje grito alto,
que levo a mochila cheia,
de tanto pra amar e para ser,
de tanto pra dar aqui na Candeia.