
Antes de mais uma definição da Wiki: Peter Pan syndrome is a pop-psychology term used to describe an adult who is socially immature. The term has been used informally by both laypeople and some psychology professionals in popular psychology since the 1983 publication of The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up, by Dr. Dan Kiley. (Kiley also wrote a companion book, The Wendy Dilemma, published in 1984.) It is not listed in the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, and is not recognized by the American Psychiatric Association as a specific mental disorder.
A partir daqui podemos entrar em várias discussões, sobre se é ou não uma doença ou sobre o que é que se considera socialmente imaturo.
Para mim o sindroma do Peter Pan é característico não de imaturos, mas de irresponsáveis.
Uma coisa é sabermo-nos divertir independente da idade que temos, sabermos como continuar a ter o espírito de descoberta e inocência próprio das crianças, saber como continuar a saber comunicar e entender uma criança, fazer coisas que são consideradas “impróprias para a nossa idade” sem qualquer sentimento de embaraço perante os olhares de todos os que nos rodeiam.
Para mim um “adulto” ou “aquele que cresceu” não é o que comprou um carro, comprou ou arrendou uma casa, casou, teve filhos e vive na base das hipotecas e do cartão de crédito, nem aquele que tem uma conta poupança “p’ro caso de acontecer alguma coisinha”.
P’ra mim um adulto é aquele que sabe assumir as consequências dos seus actos e que não conta constantemente com a sua boa estrela e simpatia/caridade/amizade/paciência de todos os que o rodeiam para estarem sempre prontos a ajudar ou dar apoio aos seus actos que insistem em justificar com a frase “mas eu não quero crescer!”
Eu sou aquela que todos os anos e em cada oportunidade vai fazer Candeia e com um grupo de Amigos criar situações em que as “nossos participantes” se “esquecem” do mundo em que vivem para terem a oportunidade de fugir do dia-a-dia e se recordarem de que podem ser crianças. Eu pinto a cara, fantasio-me com perucas e visto-me da forma mais inusitada possível só para poder parecer que naquele dia estamos na Pré-História. E grunho e grito, e salto, e pulo, e saco dum sorriso constante e duma des-conversa que faça com que o dia seja mais alegre e mais divertido.
Isso faz de mim melhor pessoa, capaz de dar e receber amor e amizade, capaz de voltar a ser criança e recordar.
O complexo de Peter Pan, para mim, é algo de que não sofro pese todas as personagens que visto.
Ser responsável é fazer uma viagem e saber a que horas chega o avião e como vou chegar do Porto a Lisboa sem ter de telefonar a seca e meca p’ra me irem buscar às cinco da manhã. Ser responsável é saber que a Amiga aqui vai fazer uma viagem de carro de 3 horas e que, muito embora estejam de férias, alguém deve permanecer quase tão sóbrio como ela para poder partilhar a condução do carro. Talvez porque fosse meia-noite e eu no dia seguinte fosse a única a ter de acordar para trabalhar, não sei, digo eu, a que não compreende a frase do Peter Pan: “eu não quero crescer”.
Ser responsável é fazer uma viagem e dar uma olhadela breve ao que posso fazer no País de visita e não contar que o anfitrião me leve qual criancinha pela mão a todos os sítios onde eu poderia ir. Entender que a pessoa que me recebe o faz de coração e com toda a boa vontade, mas que está no País onde trabalha e que TEM de trabalhar no dia seguinte.
Ser responsável é entender que são precisas horas de sono para no dia seguinte se poder fazer o seu próprio trabalho de forma competente, porque é para isso que nos pagam.
Ser adulto é assumir compromissos, é saber que há outros que contam connosco e que há mundo para lá do nosso umbigo.
Ser adulto é saber respeitar os outros, Pais, amigos, conhecidos. Respeitar a opinião dos outros e acima de tudo, ter consideração por quem está à nossa frente.
Ser adulto é saber que não é pelo número de saídas à noite que se avalia se alguém ainda é “jovem” ou se virou “cota”. Eu não deixo de sair à noite no dia X porque não me sinta bem ou deslocada na discoteca. É porque aprecio outro tipo de momentos, cuja “vetusta” idade e privilégios associados ao mesmo (como saber usar o meu dinheiro pra fazer as coisas de que mais gosto como viajar) saboreio com diferente gosto.
É saber estar bem consigo próprio em cada idade e saber que é bom envelhecer, que é um privilégio.
Aprender com mais novos e mais velhos, aproveitar esta viagem que é a vida e que é uma dádiva que não se repete. É apaixonar-se pela VIDA, não apenas por um companheiro, mas por tudo o que nos rodeia, inclusive o dito companheiro.
A desculpa do “mas eu não quero crescer” p’ra mim não serve. O problema é daqueles que NÃO SABEM CRESCER. Eu sei, e tu? Sabes?







