Mudança pra Haia – Den Haag

E como gosto de voos, lá vou eu mudar de casa outra vez. O motivo é simples. Recebi em casa uma carta da câmara municipal de Breukelen City a dizer que não posso ter esta casa como residência permanente, só posso cá viver se tiver outra casa na Holanda e vir a esta apendas de férias, p’ra pescar, andar de barco, enfim, a recreio. Esta é uma zona chamada Recreative. Eu já sabia, mas apanharam-me porque eu fui a única h(otaria)onesta que se registou na câmara quando p’ra cá veio viver…
Por outro lado também estou um bocadinho mais longe da civilização do que esperava, e sempre que o carro se avariou fiquei completamente “presa” em casa, só podia de cá sair se me viessem buscar…
Enfim, depois de ir a casa do Borges e babar literalmente com a casa que ele tem em Haia, fui visitar um apartamento do mesmo complexo, e cá vou eu mudar-me p’ra uma casinha nova a 10 minutos a pé da Estação Central de Den Haag, e a 15 minutos a pé das lojinhas todas, todas, todas. Também tenho parque de estacionamento por 77 euros por mês. No total acabo por pagar o mesmo que pago nesta casa agora, acreditam?
Amsterdão ainda foi uma hipótese, mas os preços são demasiado exorbitantes e eu tenho mais o que fazer ao dinheiro.
Nesta casa além disso não vou ter de pagar depósito nem dar um mês adiantado. Achei um pouco estranho mas explicaram-me que depende do rendimento. Como é gerida por um fundo de pensões (ADEUS SENHORIOS!! Yeah!!!), eles mantêm a coisa simples e só alugam a quem mostra rendimentos acima de um X e não pedem garantias. Mais pontinhos pra eles! E mais fixe pra mim que não tenho de ter dinheiro preso num senhorio.
Por isso agora, ao jeito de sitcom americana, fico com amigos a 1 minuto da minha casa, com campainha pronta e uma jola p’ra um filme de Domingo à tarde em magote.
Esta casa só tem UM único senão. Não vinha mobilada (excepto a cozinha), logo vou ter de comprar tudo novo, e mais o chão…sim, é que uma casa não mobilada na Holanda significa uma casa sem chão…juro que não entendo, mas sempre é melhor que na vizinha Alemanha onde uma casa não mobilada é sem cozinha!!!
Estas fotos são com a tralha da inquilina anterior (que até aparece de perfil na pelingrafia), e quando tiver a MINHA tralha lá posta ponho novas fotos da casita.
As minhas visitas podem ficar contentes, já não vão ter de alugar carro p’ra me visitar e Haia é uma cidade muito gira!
Aqui vão fotos!

Arrumos:

Sala:

Tenham lá paciência e torçam o pescoço porque as p* das fotos não havia meio de ficarem na horizontal aqui no post e depois de meia hora perdida à volta desta m* não me apetece continuar a insistir…
Mas a sala é ENORME, 40 m2 que até são demais só pra mim e pra boneca, mas com janelas de cima a baixo e vista pro jardim! Cheiinha de luz!


Cozinha:

Quarto 1 (14m2!!):


Quarto 2 (13m2 e assim que eu me livrar da cangalhada TODA que a francesa lá tinha vai parecer um quarto a sério como o outro!):


Ideias muito fixes!

A Rainha Balzaquiana teve uma ideia genial. Fazer rissóis em barda e em vez de se matar sozinha a fazê-los e engordar 15 kilos a comê-los (até porque como ela disse e bem, rissóis ou se faz em muita quantidade, ou não se faz!) convidou 12 amigas p’ra ir até casa dela fazer em dose industrial e depois cada uma leva o seu quinhão p’ra casa.
Adorei a ideia, e Domingo à tarde, com a chuva a bater na janela, lá estaremos!

Foto gamada descaradamente e sem qualquer tipo de autorização, com desde já mil agradecimentos ao autor porque me conseguiu efectivamente dar fome e mais vontade de fazer rissóis!

Ya, tive que mudar o título, só dava em treta de anónimos

…contrariamente à semana passada, hoje fazem uns maravilhosos 27 graus!
Se calhar é disso, e estou extremamente bem disposta. Há amigos que hoje até podem dizer que estive irritantemente bem disposta 🙂
O certo é que hoje à conversa ao telefone com um dos meus melhores amigos disse algo que o espantou, que é: não sinto necessidade de ter um namorado.
Não é de hoje, vem desde o dia em que passei a ser vegetariana. Não sinto vontade de ter alguém com quem partilhar o jantar que não sejam os meus amigos, não sinto a casa menos cheia por chegar e ter a minha Petzi só pra mim, não há tarefa na qual sinta necessidade de ter um namorado a ajudar-me, quando muito peço ajuda a um amigo homem p’ra me ajudar a carregar uns móveis mais pesados, mas 3 ou 4 miúdas conseguem fazê-lo também. Sinto-me bem quando tenho a cama só pra mim e me espalho inteira pra dormir como mais gosto, em cruz de barriga p’ra baixo. Gosto muito do meu fim de tarde na minha varanda com a minha cervejinha gelada e uma pizza, novamente, melhor só quando acompanhada por amigos. Gosto de marcar as minhas viagens p’ra quando me dá na real gana e com quem me dá na vena, e um amigo ou uma amiga é mais que suficiente. Partilho o que me vai na alma com os meus Pais e com as minhas “manas” e com os excelentes amigos que acumulo como tijolos e que no seu conjunto fazem o porto seguro de que preciso.
Porque é que eu tenho de sentir necessidade dum gajo? P’ra um jantar romântico? P’ra uma viagem XPTO que se espera que seja romântica por ser num resort paradisíaco? Mas senhores, se eu sou mais feliz numa mesa com 4 pessoas de quem gosto e umas boas gargalhadas, se eu nem gosto de resorts e abomino a pança pro ar na praia…
Vejo as comédias românticas e penso: que giro. O “quero apaixonar-me” nem me passa pela cabeça!
Enfim, eu gosto, e gosto MUITO de ser solteira, desta vida em que o meu compromisso é comigo, com a minha cadela que me preenche os dias e me lambe a cara quando acordo, com os meus amigos que não param de surpreender-me pela positiva, com as minhas viagens e Candeia que faço com tanto amor, gosto, gosto de mudar de casa como quem muda de camisa só porque gostei mais do apartamento, gosto da minha liberdade para mudar de País quando me apetece e de me sentir bem com as minhas decisões.
Digam-me, tentem até convencer-me se vos apetecer, a estar com um homem.
Não estou anti-gajos, não é isso, mas se tenho uma vida tãoooo fixe assim, se ainda não encontrei um homem que me acompanhe e que goste do que eu gosto, que seja boa onda, interessante, amigo, porreiro, divertido, que me faça rir e sentir-me de bem com o mundo, porque hei-de eu ir à procura ou sequer estar atenta apenas p’ra ter um “Gaijo”?

A minha sanidade mental

Quando se sai de Portugal com 35 graus e se chega à Holanda com 18, manter a sanidade mental torna-se por vezes complicado. Deixar os amigos “pra trás” e voltar ao desterro custa. A minha sanidade mental é mantida à custa de muitas chamadas pra Portugal, muitos emails trocados, muitos chats…
A todos, todos os que me aturam, o meu mais sincero obrigada. Vocês nem sabem como me ajudam a superar aqueles dias em que me pergunto porque raio estou eu tão longe? Será que vale tudo a pena? Como estão vocês? Sei que querem trocar comigo porque acham que a minha vida deve ser mais divertida (e muitas vezes há que dizer que até é…), mas será que entendem o que é estar tão longe de todos vocês, num País onde não entendo a língua, tão longe dos meus Pais que não caminham pra novos, tão longe….?
Só posso ter um sim como resposta quando alguém me aguenta uma hora de chat (sim Guiducha, é pra ti) ou uma hora de telefone (sim Dina, é pra ti) a tentar falar de outras coisas que não sejam o tempo ou as tropelias da Petzi.
Eu olho pra trás e não me arrependo de nada, fazia tudo outra vez de novo, não sou de second thoughts, mas há dias em que o sol não brilha, que os amigos de cá estão (quase) todos fora, e eu reclamo nem sei bem do quê e fico com vontade de estar mais perto. Nada de me recomendar Espanha que pra lá não vou viver nem depois de morta!
Depois olho pra minha vida cá e gosto. Gosto das pessoas que me rodeiam, das amizades que fiz e faço, das pessoas novas que conheço, da minha casa nova (vou-me mudar pra Haia – Den Haag), gosto dos meus colegas no emprego que são umas jóias, até gosto da minha Manager de cabelo oleoso. O sol é que podia ser um cadito mais forte, ser um bocadinho mais quente…a viagem Lisboa-Amsterdão podia ser um bocadinho mais barata…
E no meio destes desabafos faço o exercício mental e penso e digo: ainda não está na hora de voltar.

Recordações de Verão

Quando era miúda fazia férias em Vila Praia de Âncora, essa bela localidade com praias bonitas e familiares e a vizinha Caminha onde a noite fazia estremecer o Minho com pessoas bonitas e bons bares e discotecas. Era o sítio perfeito para adolescentes.
Fiz bons amigos nessa altura, alguns que ainda hoje conservo. Num dos verões apareceu um menino de Lisboa todo pintas, de cabelo comprido, bem vestido, cheirosinho e com um carro que como dizia o meu irmão, era um Opel Corsa com chasis de Ferrari porque o beto tinha substituído tudo o que podia no carro para que fosse uma bomba e não um mero Opel Corsa. Era amigo dos meus primos, e todos os dias faziamos em conjunto o mesmo ritual: de manhã ficavamos por Âncora ou íamos p’ra praia de Afife, almoço em casa com a família que tinha ido à praça buscar peixinho, café nos Verdes Lírios até às 3, praia em Moledo até às 4 e pico, hora em que se levantava (e ainda hoje levanta) uma ventania monumental e fugiamos para a Marginal p’ro momento gelado e lanche. Banhoca em casa, jantarinho, café novamente nos Verdes Lírios e um copo até à uma em Caminha. Quando os Pais dos Primos permitiam e nos conseguíamos livrar do melga do irmão mais novo da minha Prima (que por sinal casou ontem já com 28 anos..tive que deixar de lhe chamar atilho/empecilho, uma pena! Pshhhhh O tempo passa…), esticavamo-nos um bocadinho até ao Alfândega ou à Indústria em Cerveira onde outro Primo tinha a exploração dum dos bares da Disco. Tenho saudades deste ritmo bom, mas já não tenho 17 anos, não é? Pshhh…o tempo passa…
E há um dia em que voltamos de carro com o beto, e eu vim sozinha no carro com o artista e ele põe uma música que mal se conhecia em altos berros no carro, com as colunas a fazer bater o coração, e…nada, o beijo não saiu (na altura ele tinha namorada e as coisas pareciam todas extremamente complicadas como sempre parecem quando somos adolescentes), mas o momento ficou como um dos mais giros da minha adolescência. Ainda hoje me lembro dele quando ouço Hedonism dos Skunk Anansie

Só voltei a ver o dito beto 5 anos mais tarde quando me mudei p’ra Lisboa. Zangamo-nos e não nos falamos durante 7 anos. Assim teria continuado não fosse o caso do dito cujo me aparecer como Cliente num dos meus Projectos na IBM. Quando o projecto acabou deixamos de nos falar outra vez, mas sempre que ouço esta música sou incapaz de não me lembrar da minha adolescência.

A teoria das Enjoadinhas

Vera kolodzig, um sorriso ficava-lhe bem….

Hoje dizia-me um amigo que os portugueses são uns preconceituosos porque em Portugal não cabe na cabeça de ninguém estares num bar e meteres conversa com alguém, “se metes conversa com uma rapariga ela vai pensar que lhe queres saltar pra cueca, se falares com um gajo ele pensa que és panasca”.
Reflectindo sobre isto aquilo que se me apraz dizer sobre a lado feminino, é que a culpa é dos homens portugueses que gostam das enjoadinhas e criticam aquilo que considero como as fixes, por serem “muito independentes”. No outro dia dizia-me a Luna: as minhas amigas mais porreiras são aquelas que não têm namorado.
Não me entendam mal que eu cá de ressabiada tenho muito pouco ou quase nada, se não tenho namorado é porque não tenho vontade. Como me considero orgulhosamente uma gaja independente e gosto de homens e mulheres independentes, vou aqui em contraposição expor o que é uma Enjoadinha, seres que abomino:
A enjoadinha é regra geral uma gaja dependente.
Só conhece as amigas de há 500 mil anos pq nao confia em ninguém novo e depende delas até pra por as cuecas no estendal.
Só vê o namorado à frente, e caso ele a mande pastar, ou vá apenas sair com os amigos dele, o mundo dela ruiu, a vida é uma grande merda, a felicidade dela depende da companhia dele.
Os Pais continuam a dar-lhe de comer porque tadinha da menina, ela tá agora em inicio de vida, e o dinheiro que ganha é mesmo pra foder em roupas multicolores com bandoletes a condizer com o verniz, tadita, nao precisa neste estágio da vida de saber quanto custa um mês de água, luz e gás. Lá chegará a altura em que virá um otário, perdão, Menino pra tomar conta dela e fazê-la feliz.
As enjoadinhas estão depois casadas uma média de 6 meses e regra geral levam um grande chuto no cú e crescem e aparecem, fazem-lhe mulheres independentes e perdem as outras amigas enjoadas.
Nos piores dos casos, os maridos começam a encorná-las ao fim de 3 meses de casamento e elas calam-se…sim, porque senão ficam sem a luz da vida delas, que as encorna com outra, mas pronto, ele é a razão da felicidade dela! Vai lá ela abandonar tal princípio de vida por causa de um, vá, dois pequenos deslizes…
Quando já têm 3 filhos pendurados às saias e acham que o marido ganha o suficiente p’ra pensão divorciam-se e mudam-se p’ra casa da Mãe com os rebentos atrás e vivem às custas de todos.
Continuam de trombas, a vida é mesmo uma injustiça, que infeliz que eu sou, porque é que será que ninguém me ajuda?!

Posto isto, Maria Sofia la independente, a gaja que fala até com as pedras da calçada, pergunta: dizei-me ó homens Tugas, porque raio é que vocês insistem em cultivar as enjoadas?!?! Deixai-as morrer, sê-de generosos!

The Sneak Preview

A Sneak Preview era algo que eu desconhecia que existia. É uma sessão de cinema em que não escolhemos o filme, é a ante-estreia de um filme que o Cinema Pathé vai lançar mas cujo nome desconhecemos até sentar o rabiosque na cadeira.
Desafiaram-me hoje e eu, confesso que cheeinha de medo que me saísse um daqueles filmes de terror que abomino, arrisquei.
Este é um filme que caso visse em cartaz jamais escolheria. É no entanto uma boa comédia inglesa, com produção e “representação” do nosso amigo Cantona futebolista. É óbvio que o Senhor não tem jeitinho nenhum pra representar, mas digamos que o facto de estar a ser ele mesmo não lhe saiu nada mal. As filosofias de Cantona com pronúncia francesa bastante carregada são de ir às lágrimas, o filme está bem feito e é muito engraçado.

Recomendo-vos vivamente o Looking for Eric