É SÓ o melhor restaurante em Amesterdão

Depois de 3 anos e muitos restaurantes, pela primeira vez encontrei (a Tuxa é que encontrou, mas partilha-se o spot) em Amesterdão O restaurante.
Lindíssimo, muito acolhedor, o Chef é Português (Madeirense) e uma simpatia, e a comida é absolutamente SOBERBA. Nada de bacalhau com natas, o menu é de gourmet e diversificado.
Posso-vos dizer que têm a segunda melhor panacota que já comi, e a primeira foi em Itália há 5 anos atrás e nunca mais tinha encontrado parecido.
Tudo bom, mesmo tudo.
Decoração, ambiente, localização, simpatia, comida, o vinho era excelente, era tudo mesmo bom. O preço não é o mais convidativo, mas VALE a PENA!

Restaurante Heerlijk no Joordan: http://www.restaurantheerlijk.nl/

(estas fotos são duma amiga minha, não estão do best, mas servem para ilustrar o que eu quis dizer)

Luta contra o cancro em Amesterdão

A taxa de mortalidade na Holanda devido ao cancro é muito alta, tal como noutros Países. Embora não tenha ido investigar os valores Holandeses, acredito que seja mais alta que em Portugal.
Isto porque a medicina na Holanda é reactiva e pouco preventiva.
Posto isto, escolham qualquer outro País para ficar doente menos este. E nunca mais se queixem das políticas de Saúde em Portugal, vocês não sabem o privilegiados são.
Quando voltei de férias em Junho, à porta de Schiphol estava esta iniciativa e chamou-me a atenção.

É aqui que noto a diferença

Perguntam-me muitas vezes como é que são as chefias Holandesas. Quando tento explicar que, apesar de serem aparentemente frias, são mais humanas que muitos chefes Portugueses, as pessoas ficam intrigadas e depois do “wow, a sério? Ele/ela disse isso?” surgem mais perguntas sobre a cultura em si. 
Esclareçamos que em todos os Países, Culturas e Nacionalidades existem chefes competentes e incompetentes. Chefes que nasceram para ser chefes (os que eu denomino como People Managers) e aqueles que nasceram para serem meros executores de ordens superiores sem qualquer uso de critério (os maus chefes). Eles existem em todos os lados, em todas as organizações, é escusado discutir.
No entanto, embora aqui também existam maus chefes como em todo o lado, existe uma cultura de humanização do chefe:
– Regra geral eles apresentam-se de um modo muito acessível, sem Doutores ou Engenheiros que suportem o cargo. 
– Quando é necessário dirigir-mo-nos a eles, podemos fazê-lo de forma aberta. 
– Se temos um problema pessoal ou familiar e o expomos de forma concreta, dão-nos tempo (por lei temos direito a 15 dias para cuidar de familiares, sendo que têm que ser gozados de uma assentada, e recebemos 75% do valor diário de salário relativamente a esses dias) para o solucionar e não nos telefonam 20 vezes a pedir informações sobre o nosso trabalho.
– Falarmos com eles sobre férias e sobre os filhos são o maior desbloqueador de conversa que existe.
– Não são pessoas de ir a casa da família todas as semanas (nem pouco mais ou menos), mas fazem um esforço por compreender que a nossa (minha) cultura é diferente, e como somos latinos (e “com o sangue mais quente”), temos maior necessidade de estar perto, logo permitem que possamos trabalhar remotamente ou em situações de crise ou em períodos críticos como o Natal.
– Respeitam incondicionalmente o nosso período de férias, e quando vamos de férias, vamos mesmo, ou seja, há alguém que nos substitui e durante as abençoadas 3 semanas que vamos, não há telefonemas, nem pedidos de acesso ao email, nem nos telefonam para o telemóvel pessoal. Que é pessoal, e como tal eles não têm, nem querer ter, acesso ao número.
– E o que eu mais gosto: sabem apreciar as qualidades dos seus recursos e somos reconhecidos pelo que fazemos. Em Portugal multiplicamo-nos em 20 postas e pedaços e mesmo assim o chefe diz: podias ter feito melhor. Isto não foi suficiente. Mas tá bom. Até chega.
Aqui não. Aqui somos reconhecidos quando trabalhamos e pelo esforço que fazemos. E o que é melhor: dizem-nos isso! E sabe muito bem chegar ao final do ano e saber que somos reconhecidos. E nem é pela bela da palmadinha nas costas, é mesmo porque no mínimo, não nos fazem sentir desvalorizados para se valorizarem aos próprios.
Para tentar explicar um bocadinho este texto de uma forma prática, deixo-vos as palavras que recebi esta manhã do meu novo Big Boss. Espero que assim seja mais esclarecedor do que estar aqui apenas a tecer elogios aos Holandeses.
“My name is XXXX, an IBM-er since May 1997, currently living in Haarlem after having moved 27 times in 40 years across 7 countries. The “Francophones” in Belgium will no doubt be happy to hear that due to my French wife, I also speak fluent French, as does our 5 year old son.

Ever since the first days on the job, I have been impressed with the Services Delivery team. The level of professionalism, passion to deliver the best  24/7 service to our customers and dedication to IBM’s success, is equal to the best this company has to offer.
It is clear to me too that very few IBM-ers outside this team realize the breadth and depth of what you mean to our customers. It may very well be that you and your capabilities are the best kept secret inside IBM, something we should all work on changing.
“

É por coisas destas que ainda cá estou. É que esta “diferença” em particular, pelo menos para mim, é muito importante.

Resposta a uma pergunta pouco despropositada

A Zoot deixou-me uma pergunta pertinente na caixa de comentários à qual eu vou responder e à qual seria interessante que outros também o fizessem (se quiserem, é claro):
Andorinha, nesta semana tive a oportunidade de falar com alguns colegas estrangeiros que se queixaram que nos países de origem incentivam os jovens a trabalharem noutros países, noutras culturas. É o fenómeno da “mobilidade”. No entanto, todos se queixaram do mesmo: quando acabam os tais projectos lá fora, o país não tem capacidade para os acolher de novo. Também falei com alguns colegas Portugas e o mesmo se passou. A questão que te ponho é a seguinte: Também tens a mesma opinião? Voltar para Portugal é um projecto tortuoso e transcendente?

Obrigada e desculpa lá este comment despropositado.

Tenho muitos amigos e conhecidos que já voltaram para Portugal ou que já emigraram para outros Países depois da sua temporada na Holanda. Em nenhum dos casos a volta foi tortuosa, pelo menos pelo que eles me contaram. E isto foi independentemente da área a que se dedicam profissionalmente. Conheço quem tenha ido para condições ainda melhores que as oferecidas na Holanda, e outros que pura e simplesmente se encheram e fizeram as malas e optaram por regressar mesmo sem emprego. Pouco tempo depois estavam a trabalhar.
Destes que voltaram “sem rede” as condições profissionais não pioraram, na sua maioria melhoraram, mas também há quem tenha chegado à conclusão que a proximidade da família e o clima solarengo ou cidade do seu coração pesavam mais que mais uns trocos no bolso.
Do meu ponto de vista muito pessoal, para mim a volta pode ser feita a qualquer momento, mas terei obviamente que abdicar de um conforto que tenho actualmente e não estou preparada para tal. 
Eu tenho o meu sonho e esse passa por poder ter um emprego que me permita tirar 6 meses de licença sem vencimento para ir até a um País da América do Sul fazer 3 meses de voluntariado e viajar outros 3. Isto é algo que eu sei que em Portugal não aceitariam de bom grado e como tal mantenho-me no Estrangeiro até o concretizar.
Também é certo que estou a 4 horas e meia de avião e transportes para chegar a minha casa, que é o mesmo tempo que levo a chegar de Lisboa a Braga de carro ou comboio. É bem mais caro, é certo, mas não me sinto distante.
Por outro lado, também tenho consciência que segundo as minhas ambições profissionais e a área a que me dedico, voltar a Portugal implica que o País dispusesse de empresas com uma determinada dimensão e mentalidade, e isso não se encontra facilmente. E não digo isto a atirar pro ar, digo porque conheço bem o tecido empresarial e sei que não existem essas ditas condições. Ora isto não limita o meu regresso, mas condiciona-o. Eu posso voltar a qualquer momento, eu sei que tenho emprego. Mas talvez noutra área ligeiramente “ao lado” da minha, onde a posição não é tão elevada e o salário é ligeiramente abaixo do actual. E só para que fique bem claro, Portugal nunca deixou de ter capacidade para me acolher depois de eu estar fora. Esta situação de falta de posições ao meu nível já se dava antes de eu emigrar. Antes de eu sair de Portugal (há três anos atrás) já não havia muitos lugares de Chief Information Security Officer nas empresas Portuguesas, motivo pelo qual mudar de emprego já não era pêra doce. Nos últimos três anos o tecido empresarial não mudou muito, e infelizmente a mentalidade dos dirigentes das empresas também não, pelo que existem meia dúzia de cargos, mas todos eles atribuídos a homens e com idade superior a 40 anos. Aqui é certo que tenho mais oportunidades, não porque esteja no Estrangeiro, mas porque estou especificamente na Holanda que é a base europeia de muitas empresas Australianas, Americanas, Japonesas, Coreanas e afins. Enquanto Portugal não tiver a mesma capacidade de captação de empresas e não apresentar competitividade a nível salarial e isenções fiscais para estas multinacionais, eu vou continuar a ter mais oportunidades na minha área aqui.
Mas podes ter a certeza que se me der na pataleta voltar para Portugal amanhã, que sem emprego não fico e que o regresso não vai ser sentido como “tortuoso”. Voltar a casa, aos Pais, aos irmãos, aos sobrinhos, ao trânsito de Lisboa, às esplanadas da Graça e à minha casa, aos meus amigos, à minha comida e ao meu clima, te garanto: não tem nada de tortuoso.
Ressalvo no entanto que para que o regresso não seja difícil, é preciso ter a certeza de que queremos voltar.

Agora dou audiência aos outros amigos que por cá passam, emigrantes ou amigos e familiares de emigrantes, e que queiram deixar o testemunho deles. It’s all yours!

25 maneiras de usar um lenço

Quem vive na Holanda como eu aprende a usar lenços ao pescoço. É normal eu entrar numa loja em Portugal e ir direitinha às écharpes. Quando as minhas amigas me vêem experimentar as ditas, invariavelmente perguntam: mas como é que tu fazes isso tão bem??
Pura e simplesmente: out of necessity!
Se rapassem o frio que eu rapo quando saio sem écharpe, seja verão ou inverno, iam ver se não aprendiam logo a pôr o lenço ao pescoço!
Como, felizmente, nem toda a gente precisa de viver num País frio, deixo-vos um vídeo com 25 maneiras de usar um lenço.
Agora já não têm desculpas!

(gamei o vídeo do post da Margarida, mas acho que como é serviço público, ela não se deve importar 😉 )

Oscilações

Sabem aquela coisa muito Portuguesa de que a hora do almoço é a hora de mais calor? Na Holanda ultimamente não funciona bem assim….De manhã está um frio que não se pode, aí uns 14 a 16 graus. À hora do almoço ficam uns excelsos 17, e aí por volta das cinco da tarde a temperatura começa a subir e chega aos 19 ou 20 (é a loucura!).
O que me escapa aqui é que a subida de temperatura deveria estar associada ao pico do sol, certo? O sol sobe, os graus célsios também. O sol desce, desce a temperatura. Mas aqui chega a estar mais quente a partir das 4 da tarde!!

Estou oficialmente muito loira.