Cortinas

Obrigada a todos os que me ajudaram a escolher as ditas cujas, que me deram ideias pra como contornar os problemas de uma janela que não podia perfurar, coladinha à parede na qual não cabia um varão, enfim, 30 mil peripécias que levaram a uma escolha mais completa e, a meu ver, muito bem feita, e que me deixou muito contentinha!
Agora falta a colcha de quilt/patchwork que a Lua de Algodão está a fazer aqui pra menina Andorinha! Vai ficar linda linda, e o meu quarto ficará então: completo!
Sinto-me bem nesta casa tão bonita.
Detalhes:

1) calhas/rails colados ao tecto em vez do varão
2) ganchos pequeninos colocados nas cortinas
3) muito cansaço derivado de ser meia dose de gente e ter andado pendurada numa cadeira pra conseguir chegar ao topo.

Depois de passar a ferro, fazer a bainha, colocar os ganchos e pendurar, estou arrenbentadinha. Mas valeu a pena!





Winter Blues


Eu sei que não tenho escrito os posts animados habituais, mas tou com Winter Blues. É a pseudo-depressão derivada do tempo e do céu cinzentos. Nesta altura questiono sempre o que raio faço eu na Holanda. Eu sei que estou no sítio certo, à hora certa, que sou uma abençoada porque tenho um emprego de que gosto, colegas de trabalho bestiais (mesmo!), uma qualidade de vida que dá inveja a qualquer mortal, que tenho a minha Petzi a preencher-me os dias e a dormir acurrucada a mim à noite, que tenho uma casa perfeita, com amigos bem perto, com cortinas novas (sim, porei aqui o update assim que acabar de as pendurar, a minha casa tá AINDA mais gira), que tenho uns Pais magníficos e com saúde, um irmão que voltou das cinzas porque está apaixonado e feliz e simpático como nunca, que tenho os meus amigos com quem falo horas ao telefone (mesmo quando vou a conduzir debaixo de chuva e a falar incansavelmente sobre a Candeia, ao ponto de enjoar as passageiras. Sorry girls…) e que em cada palavra mostram o quanto gostam de mim, sei que tenho viagens magníficas marcadas e que tenho…tudo, tudo o que podia desejar.
Mas no Inverno, não há hipótese. A Holanda continua ora chuvosa, ora branca, ora fria, ora a graus negativos, ora triste, ora tristonha, e eu sofro da depressão psicológica de que são alvo os nórdicos.
Por isso este ano deixei-me de merdas, e em Fevereiro, mesmo que também esteja a chover, vou a Portugal ver os meus Pais.
Vou chegar ao cabeleireiro da minha Mãe, ser ultrapassada pelas 10 clientes que entram depois de mim e que me moem o juízo com as perguntas de sempre (invariavelmente passo-me com o “quando voltas?” “não tens saudades?” “a Mãezinha tem tantas saudades suas, que raio faz a menina na Holanda?”), pintar o cabelo, fazer madeixas e ficar pendurada hora e meia na descoloração porque entraram mais 3 clientes e elas têm sempre prioridade, pegar-me com o meu Pai e o meu irmão porque não esperaram por mim pra almoçar, sair com o cabelo meio molhado pro restaurante do Centro Comercial e fazer-lhes companhia, voltar ao cabeleireiro e aguentar mais 2 horas de tintas e perguntas chatas e zarpar rumo às lojas e aos cafés onde me encontro com amigos e faço compras idiotas, só porque sim, só porque tudo isto é casa. And I miss home.
Quando voltar, estou pronta pra mais dois meses. Mas agora, deixem-me estar assim, com o meu winter blues. Já só faltam 3 dias.

A neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
(…)

Augusto Gil, Luar de Janeiro

Sinceramente, cá pra mim o amigo Augusto dava-lhe forte na pastilha.
Prefiro neve a chuva, dizia eu no tempo em que era inocente e ainda não tinha visto os holandeses a conduzir.
Sempre que neva fico limitada e não posso ir muito mais longe que ao bairro seguinte porque só posso andar a penantes. Carro nem pensar, bicla, esquece.
Ela bate leve, bate, lá isso bate. A gaita é que bate o dia inteiro.
É lindo!
É, é, é muito bonito, mas já chegava não?
E céu azul e calorzinho bom, que tal? ah? Ah?
Rais parta a neve!

Um Domingo à maneira!

Depois das 500 mil tarefas executadas ontem (ah e tal, vives na Holanda, isso é uma emoção! Só deves ter aventuras…e viver sozinha e ser dona duma cadela e ter de tratar de casa, roupa, comida, e guito, não é aventura suficiente?!) como:
– ir aos correios,
– lavandaria (4 máquinas de roupa),
– abastecer-me no supermercado,
– organizar o correio e contabilidade caseira
– fazer um bolo de iogurte

– e é claro, pôr a Senhorinha em condições de ser usada

(mais o trabalho que continua a cair a rodos)

hoje achei que merecia o descanso do guerreiro.
Umas horas passadas em boa companhia pareciam-me um início de tarde fantástico. A seguir havia de voltar pra casa e trabalhar um cadito e tal, preparar as coisas da semana.
Em casa da Ceres é impossível!
Ora bem, a ideia era eu ir passear/ser passeada pelo Mozart porque vou ficar com o nosso amigo de 4 patas e 45 kilos durante 15 dias em Março e tenho de saber a rota habitual que ele faz. Cheguei atrasadíssima às 3 da tarde, logo a seguir a ter engolido o empadão.
Lá fui com o Homer da Ceres e a Petzi dar a voltinha e voltamos perto das 4. Não sei que coisa instintiva nos deu, mas decidimos sentarmo-nos na mesa à conversa e teca-teca-teca, abre-se o bolo (um bocado de borracha, mas saborosito), e “ó Homer, trás aí mais umas coisas pra acompanhar, faz-se um chá!”. E veio o chá, e as tostas, e o fiambre, e o queijo, e mais bolo, e muito boa conversa, mais histórias de família, mais umas gargalhadas valentes, e teca-teca-teca…eram 6 da tarde!
Eh pa, tenho de ir embora! “Então e se fizéssemos uma sopinha?” (diz o Homer).
Eh lá, então se calhar espero pela sopinha! (tenho cá uma lata!) e mais teca-teca-teca, a Bimby tratou da sopa, e mais umas gargalhadas e bolas! Já são 8 da noite! É agora que vou nessa!
E assim se passou uma tarde de Domingo cinzenta, que parecia aborrecida, e que prometia filmes no sofá e trombas na segunda de manhã.
Foi no entanto aquilo que eu considero UMA TARDE DE DOMINGO COMO EM CASA!
Eu explico: as minhas melhores recordações de domingo é sempre à volta duma mesa, a petiscar, a fazer o dito: lanche ajantarado!! Um domingo com lanche e petiscos é que era um grande domingo!! Em casa do meu Tio Aprígio, da minha Mãe, dos meus Primos, da minha Família, enfim, o que interessava é que ao Domingo se conversava à volta duma mesa e se cometia o pecado da gula do petisco!!
Nunca me tinha acontecido isso na Holanda, muito menos rematado com uma sopinha. Soube-me mesmo, mesmo muito bem!
Querida Ceres e querido Homer (e Mozart também, obscrosse!): MUITO OBRIGADA!! Tinha tantas saudades!VALEU!

E enquanto o empadão está no forno, uma foto da bicicleta que comprei!

Quando cheguei em Maio de 2008 comprei a imprescindível bicicleta. Ora entretanto deram-me um carro e deixei a dita em águas de bacalhau até que acabei por me mudar pra Breukelen e ofereci a “baixinha” (era uma bicla de crianças) a uma amiga dum amigo porque em Breukelen aquele chaço não tava com nada.
Ao voltar à civilização, entenda-se, Haia (Den Haag), voltei a ter necessidade de uma bicicleta pra acompanhar a malta nas investidas pedaleiras.
Desde que cheguei a esta casa que havia uma no hall, mesmo à frente da minha porta. Pensei que era do holandês que vive em frente. Até que veio uma amiga da antiga inquilina buscar a bina! Afinal era da francesa que cá vivia antes. Perguntei se não ma queria vender, e assim foi. É que esta tinha cestinho e tudo como eu queria pra Petzi lá poder ir. A Patrícia veio cá fazer a inspecção à dita cuja, achou o preço bom, e lá comprei a bicicleta.
Só na quinta-feira é que recebi as chaves do cadeado. Ontem estava um nevoeiro do camandro, mas como tinha muitos recados pra fazer e eram já aqui ao lado, decidi pegar na Senhorinha.
Assim que saio de casa vejo que tem os pneus em baixo. Encontro um vizinho holandês simpatiquíssimo (muito velho pra mim, nada de ideias) que me indica a Station Centraal como o sítio p’ra reparar. Lá fui eu. Levou 45 minutos, mas o senhor “arranjador” deixou a bicla nova, e eu lá pedalei até aos correios e até ao supermercado.
Fiquei morta. Realmente não faço exercício nenhum, é uma vergonha! O certo é que em meia hora tinha despachado as duas tarefas. Até porque como tinha que carregar com as cenas na Senhorinha, só pude trazer exactamente o que estava na lista e despachei-me em poucos minutos.
E voilá a dita, que servirá em algumas situações pra desenrascar e … ok ok ok ok, eu prometi à Patrícia que também vai servir pra pedalarmos até à praia no Verão pra ver se eu mando estes kilinhos extra às urtigas!!

So, becoming as Dutch as possible… a Senhorinha:


Agora tenho que ir que o empadão tá pronto!

Nada como um bocadinho de concorrência…

… os cabrões da TAP acabaram FINALMENTE de baixar os preços dos voos Amsterdam-Porto!

150 euros, ida e volta e DIRECTO, sem ter de passar por Madrid!

É que com o bilhete de comboio Eindhoven -Den Haag ou Amsterdão e as taxas da Ryan Air, acaba por ficar muito próximo desse valor, mais 40 ou 50 euros, também não é por aí que o cântaro vai à fonte.

E assim se vive bem no reino de Sua Majestade Dona Beatriz da Holanda. Obrigada Rainha!

Obrigada Ryan Air!!

Saber dizer que não

Os holandeses dão-nos um NÃO redondo sem qualquer desculpa.
No Natal fui oferecer coscorões no meu andar, e alguns deles disseram: não.
Eu, como boa tuga, perguntei: mas tá de dieta?
E veio outro: não.
E lá tive eu que virar as costas a magicar aqui na minha cabecinha: este gajo é mesmo bruto ou mal-educado! Ao mesmo tempo que dizia: quem me dera saber fazer o mesmo.

Uma amiga portuguesa que viveu cá muitos anos e namorou anos com um holandês, explicou-me que o NÃO holandês não é rude. Apenas não tem explicações a seguir que é pra pessoa não poder pegar na desculpa e voltar a perguntar.
Aí eu pensei: filhos da mãe! Muito bem pensado!

Bolo?
Não quero, obrigado, tou de dieta.
Mas é só hoje que salta a dieta, vá lá, faça-me lá esse gosto!
Não posso comer chantily.
Põe pro lado, come só o bolinho!

Queres vir comigo à Baixa?
Não posso, obrigado, combinei com a Rita.
Podemos passar lá e apanhamos a Rita!
Mas eu quero estar sozinho com ela.
Eh pa, tão sempre juntos, vá lá, faz-me lá companhia! Não sejas assim!

E posso continuar on and on and on and on and on de conversas que temos, nas quais perdemos tempo precioso, só pra acabar a dizer que SIM pro(a) amigo (a) não ficar chateado connosco, o colega não achar que estamos a ser brutos ou mal educados, a Mãe do António Maria não pensar mal de nós, and so on and so on and so on and so on.
O mais giro é que dispendemos tempo e esforço duas vezes: a conseguir dizer que não que acaba em sim e depois a fazer algo que não queriamos efectivamente fazer, desviando-nos dos nossos planos originais.
Como sempre fui muito mazinha a dizer que não, depois desta lição dos colegas holandeses, este ano avisei a minha Chefe que o meu maior defeito é não saber dizer que não. Em Portugal seria comum, ela aqui tomou-me como uma ave rara nesse sentido, acha imensa graça, mas entende e diz que ok, eu tenho que melhorar sozinha, mas que, caso necessário me apoiará. É uma forma de ter alguém, que não eu, a dar o dito NÃO. (ponto).
Agora tenho de conseguir fazer o mesmo na minha vida pessoal. Essa é que vão ser elas… mas eu chego lá!! Ai chego pois!
Agora passem ao outro e não ao mesmo.

(obrigada à Walker Woman pela imagem)

Luxemburgo 2010

O Luxemburgo é pequenino, mas mesmo muito bonito. Não vou aqui falar da sua história ou contextualizar, até porque se clicarem ali na palavrinha vão dar aos dados da Wiki.
Vou falar sobre as minhas impressões que são de alguém que vive a apenas 4 horas de lá e é emigrante como 2/3 da população do Luxemburgo.

O êxtase em que entrei quando vi colinas e montanhas só é explicável quando se vive num País tão aborrecidamente plano como a Holanda.

Perdi o medo da neve, e conduzimos independentemente do boletim meteorológico, agradecendo a cada momento tal facto. A beleza da paisagem pintada de branco foi de cortar a respiração e fez-me entrar numa “mood” de férias em apenas duas horas.




Chegar a uma cidade que tem um vale e um castelo bem cuidados e repletos de neve, com casas que não são monocromáticas como na Holanda, foi uma verdadeira benção!





Brincamos na neve e vimos os trenós a deslizarem encosta abaixo, mas gelamos até aos ossos! Mesmo assim, foi impossível não me sentir dentro dum conto de fadas (deve ser de andar a ler as Brumas de Avalon…!)










Conseguir comer peixe fresco e uma dourada grelhada à portuguesa a apenas 4 horas de Den Haag revitalizou-me e originou um gozo pegado por parte do Carlos que cá estava novamente de visita (em busca do seu lugar ao “sol”): emigraaaaa!

Saímos pra ir ao Casino, mas ouvimos uma música conhecida umas ruas mais abaixo e aterramos, com um cú de sorte monumental, no bar que é considerado por quem vive no Luxemburgo, como o melhor das redondezas, aquele em que passa melhor música.
Recomendo vivamente o d:quliq, que fica na Rue du St-Esprit, 17.
Primeiras impressões do bar:

1) consegui ver as caras das pessoas em vez de apenas as costas dos holandeses. Ter metro e meio mais sete centímetros nos Países Baixos consegue ser verdadeiramente frustante quando se entra num bar ou discoteca. Levo com o cheiro da sovacada da malta, e estabelecer contacto visual ou falar com alguém custa sempre um toquezito no ombro alto do “amigo”, seguido dum esticar de pescoço doloroso. Uma seca, portanto! A emoção foi tanta que até tirei uma foto só pra vos poder mostrar!



2) Je veux un bierre e … como é se diz água com gás? – Com certeza minha senhora, uma cerveja e uma água com gás, não é?
Confesso que foi agradável poder pedir em português, e soube-me bem ser sempre atendida antes do resto da maralha toda que estava no bar. Além disso só tinha de esticar a mão e dizer: são mais duas! Acompanhado dos dois dedinhos esticados e um sorriso que era retribuído.

3) pensei que tínhamos ido parar a uma festa de erasmus. As pessoas eram todas muito novas (daí o “minha senhora”!!!!) e ouvia-se claramente mais de 5 línguas nos 2 andares do bar. Fiz uma aposta que perdi sobre donde viriam os italianos que lá estavam, e uma que nem pude ganhar, porque nem valia a pena apostar, sobre uma inglesa de top, colar dourado a condizer com as sandálias (??? Tava a NEVAR!) douradas e (por milagre) calças, com um penteado muito “Fergie” que nos valeu umas boas gargalhadas. Na casa de banho encontrei umas alemãs a quem perguntei se aquele bar era um bar de erasmus. Em troca recebi um enorme sorriso e a resposta: não! Isto é mesmo assim! O Luxemburgo tem 44% de estrangeiros (só uma alemã pra me vir de lá com um número estatístico àquela hora da noite, ó valha-me Deus!).

Pois é, o Luxemburgo tem muita emigração pra lá da portuguesa dos anos 60 a 90. É certo que mais de metade da malta fala português e diz: o senhor “marcha” sempre em frente e vai lá ter. Mas também tem muita emigração jovem, e curiosamente, nem Universidade tem. Curioso, não?
Conheci uma rapariga do Porto, que estudou em Gestão na Universidade do Minho, trabalha na Ernst & Young e está lá a trabalhar há 3 anos, tal como eu aqui. Chama-se Andreia, tem 32 anos, é auditora financeira e ela e o namorado espanhol foram uma verdadeira simpatia!
Há muito tempo que não tinha uma saída há noite tão divertida, que não ouvia e dançava TÃO boa música (Tuxa, tu e o teu Meia-laranja tinham adorado!).

No dia seguinte, ressacados obviamente, mas contentes, fomos à Casa Lisboa buscar…LEITÃO DA BAIRRADA!! É tão bom como o da Meta dos Leitões, ou o Pinheiro, eu diria que superior. Mesmo muito, muito bom! No Restaurante Lisboa II (clicar pra obter indicações) em Bonevoie.
Fui às compras a um armazém tuga e atestei o carro “até às orelhas” com azeite, atum, pão ralado, vinhaça, e mais e tal, o que me valeu de novo o gozo: emigraaaaaaaa!
E almocei (o leitão ficou pra noite) no restaurante ao lado um franguinho do churrasco e uma canjinha.

SEE IF I CARE!!!

Emigrante, pois então, chamem-me. Mas que lambi os beiços e matei saudades, lá isso matei.

Se lá vivia? Não me parece. Não tenho feitio pro emigrante que “marcha”, já tenho os que tenho na família e chegam-me. Mas não digo “jamais”.

Pra rematar, A FOTO, porque foi tirada lá, e valeu-me uma boa gargalhada, e porque é que o Luxemburgo devia mudar de nome pra: TUGOLÂNDIA!!!