Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 9 – Bai Tu Long Bay

16 de Novembro de 2014, Vietnam

O meu dia de anos estabelece o ritmo do meu ano todo, e os meus 38 anos vão ser um ano de muitas viagens e muito sossego.
Começarem bem, logo só podem correr bem. No ano passado passei a noite do dia 15 com amigos, e o dia enroscada em mantas com a minha comadre Mariana e os miúdos. Já sabia que me vinha embora para Portugal, e a festa foi de despedida. E foi esse o “tom” do meu ano, um grande e enorme adeus ao meu tempo na Holanda.

Este ano vou viajar.

E pra abrir logo a pestana, depois do pequeno almoço fomos andar de bicicleta. Binas todas podres, pareciam as embaladeiras de Amesterdão lol e como o assento mega rebaixado pra mim 😉
Não sei como é que fiz a proeza, mas não é que não malhei?!

A meio paramos numa praia muito bonita, completamente deserta. Estava fresquinho, por isso não fui à àgua, mas sentei-me numa pedra ao pé do mar, a ouvi-lo zangado ao bater nas rochas. Soube-me a mel aquela meia hora.

Pedalamos mais 10 minutos e regressamos ao barco, que nos levou a Bai Tu Long Bay.
As fotos não fazem jus à beleza deste lugar, não há 500 barcos com turistas como em Ha Long Bay, não há senão barcos de pescadores e silêncio.

E eis que finalmente o sol aparece!

Mais duas horas e meia de barco e um repasto francamente delicioso, e estamos novamente no porto. Que pena! Eu agora ficava no barco mais 3 dias na boínha!
E que bem que se come no Vietname…

Oh well, o que é bom acaba depressa, e há toda uma Hanoi à minha espera pra descobrir!!

Highlights

Bai Tu Long Bay
O casal Belga
Hot pot


Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 8 – Hanoi e Bai Tu Long Bay – hoje conto 38

15 de Novembro de 2014, Vietnam

Acordei com os azeites. Tinha dormido pouco e pra azar o meu colega de viagem achou que era engraçado acordar-me mandando-me com uma almofada à cabeça. Escusado será dizer que quase lhe arranco a mona. Eu queria acordar com alguém a dar-me os Parabéns, não assim.
Fui tomar o pequeno-almoço eram sete e meia, e por sorte estavamos no melhor hotel possível, o Hanoi Elegance Ruby e eles foram espectaculares, ligaram pra nossa agência, a Ethnic Travel (que recomendo vivamente pras vossas viagens no vietname, que me foi recomendada pela minha amiga Marcinha – I own you big time girl!) que foram tão eficientes como o hotel e passado 5 minutos de relógio estavam a recolher-nos, passado mais 5 estavamos na agência, e 98 dólares depois estavamos na carrinha em direcção a Ha Long Bay. A viagem dura 5 horas de mini-bus/ van. Deu pra uma cochilada mal dada, e por volta da uma estavamos no barco com mais 2 ingleses, 2 belgas e duas alemãs. O grupo era engraçado e muito simpático.
O barco arrancou e passado hora e meia estavamos num kayak a dar uma voltinha na baía, soberba, sem turistas e sem mais barcos que o nosso.

Encostamos o barco junto a um viveiro de ostras. Aprendi que eles “fabricam pérolas”, basicamente “plantam” uma espécie de semente de coral dentro das ostras, isto depois de as criarem durante 18 meses. Depois esperam mais 18 meses pra poderem colher as pérolas, mas só 30% das ostras dão pérolas, e dessas, só 10% têm uma qualidade aceitável. São 3 anos para meia dúzia de dongs/dólares.
Eu sou doida por ostras, perguntei o preço das que servem pra comer: 50 mil dongs por kilo. Dois euros aproximadamente. E isso são quantas ostras?
Contei 18! Foi basicamente oferecido! Comprei pro grupo, e ofereci-as ao jantar, foi a forma de celebrar os meus anos 😉
O resto do dia passou-se dentro do barco, até que chegamos a um porto e entramos numa carripana que tinha uma mota, e uma caixota onde coubemos 8…assustador pensar que uma motoreta nos estava a levar a todos por uma estrada de terra batida.
Lá chegamos inteiros à homestay, numa ilha onde ainda não há luz elétrica (só chega em Janeiro de 2015). Uma casa da Ethnic Travel onde vivem 4 pessoas, pescadores, que recebem os turistas e os ensinam a fazer spring rolls 🙂 comemos soberbamente, e tão abundantemente nestes dias, que nos sentimos a arrebentar no fim de cada refeição. Come-se brutalmente bem no Vietname.

Por esta altura a minha telha já se tinha dissipado há muito, estava era com um camadão de sono inacreditável. Eram 9 e meia quando aterrei na cama, depois de uma boa converseta com o grupo. Dormi até até às sete e meia do dia seguinte!

Happy Birthday to me!!!

Highlights

Bai Tu Long Bay
Ethnic Travel
Hotel Hanoi Elegance Ruby – a eficiência e a simpatia
As ostras por 2 euros
O grupo super simpático
Happy Birthday to me!

Isto são OSTRAS!!




Viajar como quem nasce…

(este texto não é da minha autoria, mas sim da MJL. Mas quis e pedi para publicar porque acho que vão gostar muito de cada palavra. Obrigada à autora por exprimir-se de modo tão claro sobre o que é ser-se sentimento quando se viaja)

…viajar em modo adagio, como quem se deixa nascer para outra realidade, sem juízos de valor, como a atitude das crianças que entram neste mundo, de repente, sem guia turístico ou outro, a abrir os olhos, os ouvidos, a tatear, a captar…Nunca ficamos iguais depois de uma viagem em que o pensamento se exercite a ficar numa atitude de receptividade, de compreensão , de descoberta, de conexão.
É criançar , é ter vivências desmedidas, sentir sem limites de pensamento, como se os sentidos fossem mais de cinco, e um sexto, um sétimo sentido nos arrastasse para além do descritível pelas palavras sensoriais .
As crianças captam, ouvem, expandem a cada minuto, a cada olhar, a cada abrir e fechar de olhos.
Extravasar os limites da fronteira que é a nossa pele , o nosso corpo, e captar o que vibra, o que vive,o que não podemos classificar nem julgar.
Nós vamos sendo condicionados na maneira de olhar, de ouvir, de tocar, de expressão … aprendemos códigos de comportamento, sempre sujeitos à interpretação num espaço e numa comunidade. Morremos aos poucos por inação , por atilhos a prender movimentos, pensamentos. Copiamos , comparamos, não criamos…Deixamos de ser crianças.

Quando viajamos sem preocupações de grandes informações prévias a descoberta interpela-nos mais a nu, sem estarmos nem na defensiva nem na comparação. É bom olhar e ver como as crianças, sem imaginar antes…O quê? O que sente quem nos olha? Temos uma barreira física dentro da qual nos movemos e nos introduz antes de falarmos. Linguagem não verbal .

Sentir não é comparar. Sentir tem as portas dos sentidos e as outras para entreabrir e esperar o que surge. Sentir é expectante. Nascemos de novo, pois quando entramos neste mundo temos o mais difícil exercício de adaptação ao desconhecido de toda a nossa vida. A superar para viver. E viver será sempre superar. Se flutuamos não vivemos, estamos sem sentidos de olhos abertos.
O absoluto e o relativo…Porque é absoluto o que conhecemos e relativo o que é desconhecido?

Viajar relativiza-nos. Recoloca-nos perante nós próprios. O absoluto passa a ser o relativo…É tudo absolutamente relativo. Segurança? No equilíbrio do momento. Quanto mais arrisco mais momentos seguros sinto. Obrigo-me a encarar a fragilidade do momento e a segurá-la para não cair…
As paredes entaipam, limitam, fazem-nos retroceder porque não deixam avançar. Quem não avança recua.

Ir é sempre um futuro …Para onde vais? Para o futuro… nada mais do que isso. 

Dezembro 2013

O melhor das férias?

Os amigos que se fazem, com toda a certeza!

Imaginem o que é na primeira noite em que nos vemos de pijama, eu e a minha colega de quarto vermos que os pijamas são iguais, os nossos casacos de viagem só mudam de cor, que quando abertas as malas as camisas são iguais, e que pronto, somos Sisters, ou em “inguelish”: Sistas!

Foi amizade à primeira vista, ou ao primeiro pijama! Somos parecidíssimas, ambas aceleradas, cheias de vida, independentes, pensamos da mesma forma, gostamos mais de viajar que de hotéis de cinco estrelas, chegou ao ponto de falarmos em uníssono! Ganhei uma amiga, uma irmã ao estilo: separadas à nascença.
Ao fim de três dias eu e a Sista já fazíamos ginástica de manhã como a Maria José, sim, que nós queremos todos ser como ela, a mulher mais genial de todos os tempos, que com 78 anos nos deu uma lição de vida a todos, ao mesmo tempo que se esforçava por aprender com todos nós. Quem é que está disposto a aprender com esta idade? Só alguém muito extraordinário.
Destemida, independente, com um positivismo e uma sabedoria na hora de viver que me deixou a mim a um canto, valente, curiosa, ela dança tango, ela dá workshops de alimentação saudável, ela acorda a fazer ginástica, faz tai-chi e shi-kung (depois vejo como se escreve), ela desenha, ela maneja a máquina fotográfica xpto como ninguém, ela ri, ela nunca, mas nunca se queixou de um passeio a pé, fez os kilómetros todos (e foram muitos!) sem um ai, ela anima toda a gente, ela fala pelos cotovelos e conta histórias maiores que as minhas e muito mais giras, ela tem mais 40 anos que eu, mas trata-me como qualquer das minhas amigas da minha idade, sem maternalismos, sem preocupação afogada de mãe e já tem filhos e netos, a Maria José é uma companheirona, e viajar com ela é O privilégio.
Ganhou um “mánágér” que não sabe fazer contas, mas que é um mimo de pessoa, sempre atento, educadíssimo, se não fosse advogado dizia que era um verdadeiro Senhor! Estou a brincar Nuninho! Um fixe, um porreiro, um castiço, com imenso sentido de humor, este moço é um poço de informação sobre literatura e história.
Gostamos do mesmo tipo de livros, dos mesmos filmes, das mesmas séries, e quando chegamos à Necrópolis vibramos com a mesma intensidade quando eu disparei: e ainda há quem não entenda como é que eu gosto mais de vir visitar a Pérsia que de passar três dias esticada ao sol como um bacalhau! Naquele momento o Nuno olhou pra mim e disse-me: eu entendo-te. E descobrimos ali que ambos nos desesperávamos a comprar sapatos e vestíamo-nos na secção de criança! Estava o laço feito, podemos ir juntos às compras da Fnac até à Benetton pra miúdos ou gente baixinha como nós :)) 
O que eu me ri com ele foi incrível, apenas superado (se possível) com o quanto me ri com a Isabel, com especial relevo no dia que levamos 40 minutos a atravessar uma praça que se leva 4 minutos a cruzar. Há fotos minhas de rabo pro ar com um tripé minusculo ao lado dos mega tripés dos chineses que lá estavam, e nossas ajoelhadas no chão de tanto rir. A Isabel que ao fim de uma semana já me lia o olhar e me entendia sem palavras. A sempre atenta, carinhosa, alegre, despachada e decidida moça que comprou um tapete ao mesmo tempo que eu, e sem pestanejar. Ah carago, o que eu gosto de gente decidida, que se manda pra uma viagem sem conhecer ninguém num pulo! Com a Isabel aprendi o que é a solidez, a constância, e a perenidade de uma amizade começada anteontem. 
E da Isabel passo à Vera, que embora não os tenha fisicamente, tem psicologicamente, tomates! Pra frente é que é o caminho, sabendo o que quer e o que não quer, a coerência em pessoa. E tem o mesmo ângulo que eu pra fotos, aliás, tem mais e melhor, ao ponto de eu ter deixado (praticamente) de tirar fotos pra ficar com as dela, assim como assim eram iguais, e a máquina dela era melhor que a minha, why bother? 
A Maria João, que me falou nos interrails dela há mais de 20 anos atrás, sozinha, Europa fora, e que me lembrou imenso da minha Broa, com a mesma forma de falar e de pensar. Que trouxe um tacho pequenino do Irão, com a etiqueta do preço e tudo, só pro por em cima da mesa de modo decorativo, pra se lembrar da viagem e de nós. Não vale a pena repetir que é outro poço de literatura, história e conhecimento, vale? 
Last but not the least, o nosso líder viajante, o Filipe.
Não sei se ele seria capaz de me aturar a mim e ao meu irmão na mesma viagem, mas caramba, nós somos iguais, só muda o sexo, e ele atura um e mete-se numa viagem com o outro? É de herói, pá!
E aturou-me estoicamente, sem nunca me mandar calar. Eu acho que ele já sabia por experiências passadas que não devia valer a pena esforçar-se 😉
O paciente, o calmo, o tranquilo, o porreiro, o castiço, o risonho, o grande coração que é este rapaz que se emociona todos os dias com as nossas alegrias e com o que vê pelas ruas.
Filipe, chegaste ao ponto de eu te deixar fazeres as mesmas piadas que o meu irmão, e como explicar isto: once you go that far, you don’t come back. Os meus amigos são aqueles a quem eu autorizo a piada e ofereço porrada simbólica, e tu conseguiste passar essa linha, e pronto, tás quilhado, agora é Kuoiso e Kuoisa! Mas diz lá, vá lá, eu sou mais fixe que ele não sou? Uma fácil, é o que eu sou!
Como é que podemos conhecer tanta gente parecida conosco numa única viagem? Com as mesmas paixões, pontos de vista, todos tão diferentes, todos tão parecidos, todos tão apaixonantes? 
Sorte a minha!

Só pra vos dar um cheirinho da viagem ao Irão…

Enquanto publico a da Indochina, aqui vai um cheirinho da viagem ao Irão pela pena de Filipe Morato Gomes, o nosso líder da Nomad nesta viagem, e hoje meu amigo a quem estou eternamente grata por me ter proporcionado a viagem com que sonhei durante mais de vinte anos enquanto lia o Samarcanda do Amin Maalouf.
Agora vão ter de esperar pelos meus relatos e fotos, mas nada supera a experiência e a vivência, mesmo tendo de usar um lenço na cabeça como as meninas do Albert Heijn.
É só usarem os links.

Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 5 – De Phu Quoc a Siem Reap

12 de Novembro de 2014, Cambodia

Há umas senhoras a vender fruta na praia, com os seus chapéus em bico. Sempre muito queridas, e acima de tudo, nada chatas (o que na Ásia é raríssimo!), por euro e meio preparam-nos a fruta pro pequeno-almoço que mais parece tirada dum restaurante. Uma melancia só pra mim, prq compensar os copos de ontem. Ah, vida fácil!
E de repente descubro que sao precisos dólares e uma foto pro visto do Camboja.
Toca a passar num fotografo a correr, bater umas chapas, imprimir a cores, e bazar de taxi.
Mais um carimbo no visa, e toca a entrar no Camboja.
Super organizados, muito mal equipados, a entrada faz-se em carneirada, e há uma fila de agentes, uns 6 ou 7, que fazem cada um a sua validação até que nos entregam o passaporte novamente, altamente carimbado e com mais umas estampilhas pra
minha colecção.
O Leng é o nosso condutor de cyclo/tuktuk. Por 2 dólares cada um fomos do aeroporto ao hotel. Contratamo-lo por 20 dólares ao dia. Se calhar (e com certeza) estamos a ser levados na certa, mas ele tem cara de boa pessoa, e bom coração. O que viemos a descobrir depois, que é hábito no Camboja.
Jantamos perto do hotel e o dono do spot, um moço de 29 anos, explica-nos que trabalha numa organização que tira miúdos da rua, e das 16-23 gere o restaurante. Não me parece treta, mas no Camboja há imensa gente a trabalhar com organizações pra proteger crianças. Muitos serão corruptos e lançam mão de esquemas, mas se cada um contribuir com alguma coisa…ao menos isso.
O que é certo é que 85% da população vive na mais extrema miséria, basta dar 3 passos na rua pro comprovar. E são muito, muito simpáticos, e adoram dólares 🙂 Os ordenados mais elevados são os das pessoas que trabalham nos hotéis, e rondam entre 70-80 dólares por mês. Os outros sobrevivem a sacar “one dolar” a turistas. E quando são as crianças que nos pedem…se ao menos fossem feiosos, mas este miudos são giros à brava pa! Dá logo vontade de dar uma de Angelina Jolie e trazer 6 pra casa!
Adiante, como já era muito tarde, não dava pra ir ao night market, e fomos beber uma cerveja ao que parecia ser um restaurante local muito simples, e eis se não quando me apercebo que estamos dentro dum bordel…. Não, não se distingue bem, tem de se
reparar em certos pormenores, e o meu companheiro de viagem e eu estavamos a curtir à grande observar como é quefuncionava aquele cenário. Não se vê nada, há uma espécie de private rooms com umas cortinas, mas sem tecto, e ouve-se tudo, mas nós não ouvimos nada de especial. Tínhamos um dos miúdos que servia à mesa, colado a nós pra ver se recebia uma gorja no fim, e de repente vemos uma miúda sair de lá de uma das casinhas cheia de espuma de barbear na cara, atrás do malfeitor. O certo é que não vi nada, a não ser umas moças demasiado produzidas na entrada, e não consegui perceber a idade delas, mas criancinhas de todo nao eram, talvez de 13 pra cima? Sim, sim, ainda são crianças/adolescentes, mas nós vimos uma série de bares iguais a este no dia seguinte também, e perante a pobreza a que assisti, com não acreditar que há milhares
de crianças a venderem o corpo? Não morri estúpida, e agora sei qual é “o formato habitual” desta miséria extrema esta presente nas ruas.
Não é que não me tenha apetecido salvar umas quantas crianças desta vida, mas elas não têm quem as sustente e regressam sempre à vida de rua.

Highlights
O restaurante do Vannakyoem
A entrada marada no Camboja

And I’m back!!

Está tudo escrito e relatado em pormenor sobre este tempo no Irão com a Nomad, mas antes quero acabar o relato do Vietname e do Cambodja, por isso vão ter de esperar mais um bocadinho.

Deixo mais uma foto, que me custou a escolher no meio de mais de três mil fotos, da Andorinha no Irão.
Bom ano 2015 pra todos!!!
Sofia

Dá Deus nozes a quem não tem dentes

Neste momento estou sentada junto ao gate 43 do aeroporto de Lisboa. Dentro de hora e meia vou embarcar para a última e maior viagem deste ano: Irão.

Desde ontem que tenho o estômago às voltas, e não conseguia identificar o porquê. Pensei várias vezes que devia ser de estar farta de andar de avião nos últimos meses. Gostei muito da viagem pelo Sudoeste Asiático, mas foi muito desgastante em termos de vôos (apanhei 7 vôos em 15 dias e fiz 32 horas de regresso) e fazer mais 12 horas de avião logo um mês depois…se calhar era por isso que estava com cara de quem está a fazer um frete…se calhar era por isso que não me estava a apetecer embarcar novamente…
Dá Deus nozes a quem não tem dentes, pensei.
Até que passei nos controles e comecei a observar e a observar-me. E descobri finalmente o motivo: deja vu.
Deja vu dos últimos seis anos em que depois do Natal tinha que embalar as trouxas e voltar pra Amesterdão. Um sentimento bem conhecido: “ainda não me apetece ir embora”.
E uma vez identificado o sacana, a purga: este texto.
É curioso como acções que tomamos naturalmente no decorrer do dia-a-dia nos marcam a ferros sem notarmos.
Eu nunca fui infeliz na Holanda, muito menos em Amesterdão. Eu sou anti-sofrimento, sou totalmente a favor de epidurais e anestesias, analgésicos e qualquer tipo de medicamento ou acção que evite dores. Advogo-me como anti-masoquista há anos.
Nunca fiz nada que me provocasse intencionalmente qualquer dor, e por isso nunca me apercebi de que me custava regressar todos os Natais.
Sabia que às vezes me custava meter-me no avião de volta e há-de haver por aí um post sobre isso. 
Mas nunca, nem nos meus sonhos mais remotos me passou pela cabeça que esta sensação estivesse ficada marcada a ferros, qual trauma.
Eu entendo aqueles que estão fora e adoptaram o País que os acolheu, aqueles que amam as emoções e experiências diárias noutros Países. Acima de tudo, e contrariamente ao que possa parecer, respeito-os muito nas suas escolhas e confesso-me invejosa desta capacidade de se apaixonarem diariamente pelos sítios e pessoas que conhecem.
Eu sou uma mulher de poucas e fortes paixões, sou apaixonada por Lisboa e por este rectângulo à beira-mar, pelos meus cães, pela minha família e pelos meus amigos, pela Candeia, e em 38 anos apaixonei-me por três homens. 
Embora seja de Braga, nunca fui apaixonada pela cidade, sabiam?
A mim as coisas ou batem ou não batem. E eu fui pra Amesterdão com o mesmo sentimento que se tem quando se conhece um tipo que se acha fascinante, há a paixoneta, the crush, mas depois começam a surgir aqueles pequenos apontamentos diários que de início são apenas inconvenientes, e anos passados dão origem a divórcios.
É isso, divorciei-me da Holanda. Nas me arrependo de me ter “casado” com ela, até porque como muita gente, tem coisas maravilhosas e com ela aprendi imenso, mas afinal não é ela o meu “par” ideal. E isto é algo extremamente pessoal, não é uma explicação ou justificação da minha maior decisão de 2014. É a purga de que preciso, o ordenar de pensamentos e acima de tudo de sentimentos, que me permite avançar, tal e qual como numa separação, passo a passo, de regresso ao melhor de mim, sem sentir que estou a cuspir no pratp que me alimentou a vida nos últimos anos.
E agora sim, estou pronta pra visitar a Pérsia, aquela porque me apaixonei quando li o Samarcanda do Amin Maalouf, e que já não existe senão no meu imaginário, mas que com certeza vai superar as minhas expectativas.
Desejo-vos um excelente 2015, cheio de saúde e alegrias, e que nele se tornem realidade os vossos sonhos, mas acima de tudo, que 2015 vos traga a vocês, e a mim, a capacidade de assumir as nossas paixões, sejam elas quais sejam, estejam elas onde estiverem, porque é isso que é ser feliz: seguir o nosso coração a cada instante.

Não é justo…

Hoje é feriado em Portugal, mas na Holanda não. Logo eu acordei às 7 da manhã pra começar a bulir, enquanto cá em casa toda a minha gente roncava: Pai, Mãe, cães (os 4!), até os vizinhos… and it’s so not fair! Eu também não quero trabalhar, humpft!

Eu não tenho escrito muito, porque tenho viajado muito (não estou a reclamar!) e trabalhado mais ainda, e não me sobra muito tempo.

Aqui vai um sumário:

  • Assumi responsabilidades novas no emprego, estou mesmo muito satisfeita, mas tenho trabalho a triplicar.
  • Fui à Serra da Estrela com 4 amigas: há 20 anos que não ia à Serra da Estrela, há 11 anos que não nos juntavamos as 5. E foi tãoooo fixe.

Ficamos nesta casa maravilhosa, que recomendo vivamente: Chão do Rio.

  • Apercebi-me que estou “demasiado Holandesa” e não no bom sentido. 

A minha honestidade e franqueza já chegou ao mal-educado. Tenho de começar a cortar a minha língua um bocado, principalmente entre outras nacionalidades que não a Holandesa, porque efectivamente, passei de bestinha, a rude. E não pode ser. Embora continue a achar que há momentos em que tal se torna produtivo, como ser capaz de dizer ao meu colega que está ao meu lado a falar no alta-voz, que mude pra uma sala de reuniões para que eu possa fazer o meu trabalho. Ao ser directa e fazê-lo frontalmente, embora o elemento do lado possa ficar amuado, eu vou poder continuar o meu trabalho e sair às 17 em vez de às 19 horas.
Mas moderação e bom-senso é o que me anda a fazer falta.

  • Ainda não fiz uma única compra de Natal, e estou completamente desinspirada. Não faço pálida ideia do que oferecer aos meus Pais e ao mano…

  • Já tenho o visto do Irão, e é espectacular, tem a minha foto e tudo! Brutal. E vou com a Nomad outra vez, por isso a esta altura do campeonato a única coisa que me preocupa é: mas que raio hei-de eu vestir durante 17 dias? Isto porque eles trataram de tudo, e eu só tenho que ir córtir, mai nada!

Tem que ser roupa que não fique justa, pelo menos que não revele as formas do corpo. E vou ter de usar o lenço na cabeça assim que sair do avião. Mas como é que se põe o bendito na cabeça? Ai a minha vida… pode-se mostrar alguma coisa do cabelo, ou é tipo os Marroquinos e nem um fio ao descoberto posso ter?

  • Além do Samarcanda do Amin Malouf, que outros livros me recomendam sobre a antiga Pérsia? Por favor, não me recomendem livros sobre como é que elas tiveram que fugir aos maridos ou aos Ayatolas, eu repito: ANTIGA PÉRSIA. Obrigada.

  • O Bitoque, a Juicy e a Petzi, estão óptimos, e eu continuo a morrer de inveja das sonecas deles. Gordinhos e bem mantidos pela senhora minha Mãe, estão cada vez mais bem comportados. Estou ainda a analisar o efeito que a ingestão de 7 comprimidos de Centrum possam ter tido no Bitoque, mas ele parece-me fino. Muito vitaminado, com certeza! E não, é claro que não lhes dei os comprimidos, foram eles que assaltaram o necessáire do meu primo que ficou lá em casa.

Isto pra sumário vai muito longo, vou-me masé fazer útil e bulir. Ai… vontadinha zero….

Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 4 – Phu Quoc Island – Vietname

11 de Novembro de 2014, Cambodia

Acordar e dar um mergulho. A água é quente, tipo caldo, e não refresca, mas é muito limpa. O ar é quente e constantemente abafado da humidade e o céu tem nuvens carregadas e soltas que vão e vêm, tal como a chuva. Esta podia ser a casa do rouxinol, a chover e a dar sol.
Há vários chiringuitos, todos eles com uma ou duas barraquinhas coladas de massagens. São as massagistas residentes. Cem mil dongs, e fiz uma massagem completa. Uma hora de deleite por 4 euros, nem isso. As senhoras esfregam-nos em óleo e a massagem é forte. São todos tão simpáticos e tão doces nesta terra que nem tenho coragem pra negociar e pedir descontos como é meu apanágio.
Alugamos uma mota e fomos conhecer a ilha que é muitíssimo maior que o que esperava.
Não é fácil conduzir no meio desta malta, mas o condutor já viveu em Angola e está habituado ao caos. Acho que o meu coração andava aí pela zona da boca de cada vez que passávamos num cruzamento!
Há muitos cães por todo o lado, não sei se é por serem iguais aos donos, mas têm todos um ar meigo, e aproximam-se tímidos e simpáticos. O focinho parece sempre meio arraçado de chau chau, com pelinho que lhes confere um ar arredondado. São bem tratados, mas livres.
Por isso quando se anda na estrada tem que se ter atenção pra não os atropelar, porque eles passam e é tudo deles.
No meio da “via-rápida” há vacas a pastar e bezerros a mamar. Há pastores de lambreta que reúnem o gado com a ajuda duma vara, e há vacas que regressam a casa pelo meio da estrada, guiadas como se estivessem na montanha e o dono andasse a pé.
Nos rios amontoam-se barcos, pequenos e médios, cheios de gente que descansa nas redes. Também vi barracas miseráveis, no meio do mato, mas agora junto à estrada, sempre com redes e malta que arroxa ao calor.
Fizemos meia ilha até pararmos de mota algures, e almoçamos. Marisco, como sempre. Há muito, bom, e barato. O sítio era bonito, visivelmente pobre, mas a cor do mar ilumina e compensa.
O Vietname tem um turista de mochila, há pouco turista de luxo, porque abençoado seja, ainda não chegaram cá os resorts de luxo. Pelo menos não a Phu Quoc. Há um ou outro, mas não é como em Seminyak em Bali. As pessoas são por isso mais originais, os sítios embora simples, menos falsos e fictícios. E os Vietnameses muito mais queridos que os Indonésios.
O regresso a casa não foi pêra doce…há muita malta que não fala inglês, parecia tudo igual, e havia motas e bicicletas dos miúdos saídos da escola por tudo quanto é sítio! Aprendi que quando não percebem o que estou a dizer, fazem um gesto com a mão que parece que estão a acenar :))) Mão com os 5 dedos espetados pra cima e a palma da mão virada pro céu. Faz-me lembrar a música do “doidas, doidas, doidas andam as galinhas…”
Escolhemos um restaurante ao calhas perto do hotel, com bom aspecto. Era mais caro que os outros, mas valia a pena experimentar. A comida estava fabulosa, noodles com marisco e com carne no wok. Limão, coentros e malagueta em dose perfeita. O senhor cozinhava virado pra rua, foi isso que nos chamou a atenção. No fim do jantar começamos a falar com a moça que nos atendeu. O restaurante era do noivo dela, um Francês que tinha vindo ao Vietname há 3 anos atrás e a tinha conhecido na recepção do hotel. Ela era a recepcionista e ele o cliente. Antes de se ir embora, pediu-lhe o número e o email e durante um ano trocaram mensagens e namoraram à distância, até que ele, Chef de cozinha de um sítio conhecido no sul de França, mudou-se de armas e bagagens pra Phu Quoc e abriu um restaurante pra eles. Há nove meses que estavam abertos, e ela era agora a dona do estaminé, e tinha uma pedra no dedo maior que um dente meu.
Estava muito feliz, ia casar pro ano. Ela tinha 30 anos e ele 52. Nada parvo o gajo, ah?
Dei dois beijinhos à Nga (lê-se Nhá), um abraço e votos de boa sorte, e saímos pra ver o que se fazia por aqui. Um copo no Coco-bar, e uma boa noite de sono.
Pelo caminho (antes do jantar) apercebi-me que tinha deixado o cartão visa na porcaria do multibanco no aeroporto. Coisas à Sofia, que como já se conhece, já tinha mais dois cartões a postos pro caso de um deles falhar. Toca a cancelar o bicho, trocar 20 emails com o Visa pra fazerem o pagamento dos hotéis pendentes, e respirar fundo. Está tudo bem. Como disse a Marta quando soube:
Sophie being Sophie.

Highlights

Uma hora de massagem!!
Os pastores de mota a guiar rebanhos no meio da estrada
Perder o visa pela milionésima vez!
Fazer a ilha de mota e sobreviver ao trânsito
A noiva do Francês
O jantar do Francês

Viet Thanh Resort Phu Quoc

Viet Thanh Resort Phu Quoc

Phu Quoc Island – Long beach

Phu Quoc Island – Long beach

Esta foto dá dez a zero a qualquer uma dos cadeados de Paris

Phu Quoc Island – Long beach

Gosto muito desta foto

O céu super carregado que numa questão de horas desabou durante uma hora. E as imagens decorativas mais feias do universo…

Phu Quoc Island – Long beach

As vendedoras de fruta, todas cobertas, com meias e luvas e camisolas compridas, pra que o sol não as torne mais morenas, e na opinião delas, mais feias.

Pescadores tradicionais, dentro de uma cesta que é uma canoa considerada barco….

O descanso

Norte da ilha de Phu Quoc

Norte da Ilha de Phu Quoc

Norte da ilha de Phu Quoc

Norte da ilha de Phu Quoc

Casas e mercado flutuante, junto ao night market, em Phu Quoc.

Casas e mercado flutuante, junto ao night market, em Phu Quoc.

O jantar do francês – noodles com marisco – foi talvez a melhor refeição que fiz no Vietname.