hoje cantei o “Sonho de Menino” do Tony Carreira em karaoke e estou com umas saudades dos meus dias de campos da Candeia que não posso com a alma.
Há muito tempo que não maro, há muito tempo que não aparvalho ao máximo, há muito tempo que faço tudo (excepto as férias) com o sentido do “tem que ser”, “é da minha responsabilidade”, há muito tempo que não me dou, que não me entrego, que não recebo doses incomportáveis de amizade, de carinho, de tudo. Há muito tempo que não faço Candeia e ando a ressacar como um verdadeiro toxicodependente.
Há muito tempo que não conheço alguém mais parvo que eu. Hoje dancei ao som do Tony Carreira acompanhada por duas amigas espectaculares, mas uma está temporariamente manca e não pode dançar e por muito muito fixes que elas sejam, um zacaza é algo que não lhes sai da alma. Quis cantar músicas da Candeia à bébé e reparei que só me lembrava de 3.
Candeias, preciso de vocês, venham iluminar os meus dias, venham. Preciso, preciso, preciso, preciso…
Como ser mais feliz
Este artigo do El Mundo está bem escrito e recomenda-se:
http://www.elmundo.es/elmundosalud/2012/04/04/noticias/1333547818.html
No obstante, todos los expertos señalan que lo fundamental está en la cabeza. “Las expectativas son fundamentales a la hora de ser feliz. Van cambiando de dos formas: o nos adaptamos, de manera que éstas son simplemente aquello a lo que estamos acostumbrados, o nos comparamos con los demás, de forma que esperamos conseguir lo que tienen los otros. O dicho de otra manera, la felicidad es igual a lo que tengo hoy menos lo que tenía antes”, explica Manel Baucells, catedrático del departamento de economía y empresa de la Universitat Pompeu Fabra de Barcelona y autor del libro ‘La fórmula de la felicidad’ (Planeta).
Boring!
O meu sábado:
– Ir à farmácia e descobrir que os medicamentos na Holanda deixaram de ser comparticipados desde o dia 1 de Janeiro.
– Comprar champôo pros cães – check
– Compras supermercado – check
– Estudar 3 horas pro CISA – check
– Dar banho aos 3 cães – check
– Conhecer um Professor da Nova enquanto passeava os cães e convidá-lo pra vir jantar a minha casa no Domingo – check
– Fazer lasanha vegetariana pro jantar e deixar o meu inquilino temporário a lamber a travessa – check.
– Ir dormir à meia noite porque estou rota, mesmo sendo sábado – CHECK!
Pronto, eu chibo-me
Só quem é gaja e vive na Holanda é que sabe o difícil que é:
1) encontrar um Holandês charmoso
2) encontrar um Holandês que não seja frio e com medo do toque meigo
3) encontrar um Holandês que nos convide a nós pra sair em vez de esperar que nós gajas demos o primeiro passo.
As culturas são diferentes e o modo de flirtar, conviver, conquistar, até o “levar pra cama” são completamente diferentes.
Em Portugal não temos a cultura do “date”. Vamos tomar um café, com amigos, ou até sozinhos, mas não é um DATE. É um café! É um copo! É uma cena normalíssima à qual se segue muitas vezes umas horas com mais amigos que encontramos pelo caminho e de repente temos “um amigo” e tasse bem.
Pois é. Aqui não funciona assim. Faz-se tudo só a dois, no chamado date. E é um stress. Pra mim pelo menos é um stress! Porque se fui tomar café com alguém ou um copo e passado duas horas já não o posso ouvir não tenho por onde fugir! Em Portugal tinha uma técnica excelente que era mandar uns sms discretos e indagar onde andavam os meus amigos e juntar-me à barda e de certeza que o “chatinho” acabava por engraçar com alguma das minhas amigas, ou passar o resto da noite a falar com um amigo, e pelo menos eu salvava a minha saída! Pronto, eu admito, despachava diplomaticamente a pessoa! E depois era adeusinho, tenho que ir indo, tu apanhas um taxi, certo?
AQUI NÃO É ASSIM!! Até porque se faço algo semelhante, assim que sugiro: vamos ter com uns amigos meus? O date fica com umas trombas do tamanho dum camião e decide bazar pra nunca mais o ver e por-me literalmente um traço em cima. Ora isto tem o mesmo resultado final, vá. O que acontece é que há dias em que se está em dia não, mas já se combinou o copo ou jantar e vai-se na mesma, e até a outra pessoa pode estar em dia não e acabamos por ter uma primeira impressão errada e não ter uma segunda hipótese para recompor a coisa.
Vá, vou simplificar: eu falo com toda a gente, até com as paredes, mas não tenho empatia imediata (embora todos pensem que sim porque finjo bem) com mais de 50% das pessoas que conheço. Sou muito mais reservada do que aparento, além disso tenho uma capacidade horrível e descomunal de descortinar as pessoas em pouco tempo de conversa. Têm que ter em atenção que vivi 4 anos num lar de freiras a aturar 60 gajas de cada vez, que aturei mais de 300 miúdos na Candeia e mais de 80 animadores, que sou amiga de elementos de duas tunas com mais de 50 gajos cada, que viajei durante 6 anos com grupos de 40 pessoas, e vivi em mais de 4 cidades e 3 Países. Eu conheço gente “como merda”, passo a expressão e embora todas elas sejam diferentes, há uma certa tipificação (ou julgamento, as you wish) que se pode fazer assim logo às primeiras. E eu nestas coisas (agora até tenho medo de dizer isto que o homem anda xéxé) sou tipo Cavaco Silva: nunca me engano e raramente tenho dúvidas!
A Tuxa pode comprovar o que vou dizer pra que vejam que isto não é arrogância, é mesmo verdadinha. Em Kuala Lumpur entramos no metro e conhecemos 4 Portugueses que andam a dar a volta ao mundo. Ah e tal, de onde vem, pra onde vêm, qual a vossa rota, já foram aqui e ali, sim, não, blablabla e há um que diz: nós andamos a viajar há 5 meses e vamos viajar mais 4. E outro diz: fala por ti que eu só vou viajar mais 3, e tal e tal. E nisto há um que diz: sim, porque não somos filhos de Pais ricos. E eu: sim senhora, sorrio, eles saem do metro e digo eu à Tuxa: aposto contigo que daqueles 4 dois deles têm um apelido de metro e meio, com duplo L e apelidos estrangeiros daqueles à betinho Português. E disse as idades e o como tal vez se tivessem conhecido os 4 e tal, fiz uma data de conclusões e só tenho pena não os ter voltado a ver porque teria acertado mais de metade.
Pois foi só chegar ao hotel, ir ao blogue deles e POW!! Limpinho! Dois deles (os que eu disse) tinham os ditos apelidos compostos, cheios de nomes de “aristocracia” Tuga.
Pronto, está dado o exemplo. Eu conheço malta à légua, até porque trabalho com centenas de pessoas e interajo com centenas de pessoas.
O que não quer dizer que seja a melhor “people-person” do mundo, mas normalmente consigo analisar uma pessoa em meia dúzia de passos, é um dos meus passatempos.
Isto é lixado quando se chega à vertente gajos. Às vezes engano-me, já me aldrabaram e bem! Mas normalmente ao fim de 3 ou 4 dias já os “cheirei” e é simples.
Os Holandeses é por aí também, até porque há a vertente cultural que os tipifica e me ajuda a dar umas boas gargalhadas quando conheço um ou outro. E isto só funciona quando eles têm um enorme sentido de humor. E digam o que disserem dos Holandeses, a maioria tem um sentido de humor fantástico e são muito auto-críticos e aceitam-se assim, e brincam com eles próprios e por isso, dizia eu, quando encontro um Holandês e percebo que ele me achou piada já sei que ele vai:
1) querer um date
2) não vai ter coragem pra me convidar
3) que vai querer ir jantar às 6 da tarde
4) um tempo único e isolado de N horas só pra me conhecer e vice-versa.
5) e normalmente vai ser muito awkward!
Pois eu, finalmente, ao fim de MUITO tempo, encontrei um Holandês giro, com charme e que finalmente me ajudou porque vai ser ele a marcar um date, (espero eu!) já que eu sou uma enconada-mor e não consigo, pura e simplesmente não consigo chegar ao pé dum gajo e dizer: bora lá beber copos, ou jantar ou …
Gostava de poder mudar de opinião relativamente ao que é/pode ser um date à Holandesa, e essencialmente, mudar de opinião relativamente ao que vai ser um date com um Holandês.
Principalmente e acima de tudo porque me enchi do chico esperto Português, o engatatão de trazer por casa, o superficial, o pintas que acha sempre que me leva na pandeireta com duas de treta e que depois de levar a tampa pensa: pera lá, esta gaja é das difíceis, dá pica, vou continuar a insistir. Já não há pachorra. Porque continuam a ser superficiais. Continuam a ser básicos. Por muito bonitos e muita piada que tenham. Chega.
Também me enchi do mega-geek técnico enconado (não interessa a nacionalidade) , mesmo quando têm alguma pinta e tal, e pra geek até se safa, mas que é tão control-freak, tão medricas, tão “oh eu sou bom é com máquinas” e que me acham imensa piada mas que não têm salzinho nenhum e me aborrecem ao fim de 20 minutos.
Pronto, agora que já casquei em todos os tipos de gajos já perceberam porque é que estou solteira! :))))
A mim vão ter que me apanhar completamente desprevenida, se me derem tempo pra pensar, já foram. Tem que ser algo “vapt, vupt”!! Gosto de estar contigo, sem complicações de dates e não dates, de copos ou sem copos, um amigo, uma coisa que seja FÁCIL, EASY! DIVERTIDA! Venha ele!
Do pragmatismo
Ai, os teus cães são tão giros, mas os meus gatos são mais bonitos!
FIXE!
Significa que gostas de animais.
Então deixa-te de mimimis e sobe as mangas e além de participares divulga à vontade o texto que se segue NO TEU BLOG, NO TEU FB, NO TWITTER, POR EMAIL AOS AMIGOS e consegue o máximo de likes na página do Facebook dos PetmyPet:
Tenho uma amiga blogger que está a participar num concurso de criação de novas empresas e pediu-me ajuda para divulgar o PetmyPet, cujo link do Facebook envia em anexo.
Também existe um microsite do projeto em http://www.petmypet.me/ com os vídeos de apresentação.
Muito resumidamente a ideia é fazer uma web que ajude as pessoas a cuidar melhor os seus animais, oferecendo uma plataforma onde se possam ter todos os dados clínicos do animal, estar em contacto com o veterinário, ter um directório com avaliações de productos e serviços para animais, etc. Ou seja VOCÊS são o target perfeito.
O objetivo é poder mostrar nas semifinais de dia 25 de Abril que há muita gente interessada na ideia, ou seja, precisamos de uns milhares de likes na página do Facebook. Sim, ambicioso, mas se fosse fácil também não tinha piada!
O projeto é para ser lançado em muitos países (a começar por Espanha, Portugal, Holanda, Brasil e Argentina). Como PetLovers por excelência peço-vos ajuda para divulgar a amigos do mundo todo, no FB, no blog, no café, onde puderem! Espero que gostem, e se tiverem sugestões obviamente são muito bem-vindas!
Muito obrigada pela vossa ajuda, este projeto é um sonho e agora que há uma possibilidade real de concretizá-lo, toda a ajuda é preciosa.
CLICAR JÁ NO LINK DO FACEBOOK:
Podem ficar cansados
27 Abril-30 Abril – Queen’s day
9 a 11 de Maio – Bruxelas – curso
12 a 14 de Maio – Portugal -familia
15 de Maio – viagem de carro pra Zurich e depois Suiça Italiana com 3 cães.
16 de Maio – trabalhar na Suiça Italiana até às 16h, e conduzir hora e meia pro Lago di Como.
17 a 20 de Maio – Lago di Como, dolce comer bem, passear mto e ler mais e apanhar sol e ver o George Clooney, com 3 cães.
20 de Maio – volta a Zurich.
21 de Maio – Reunião em Zurich das 9-12 e regresso à Holanda, com 3 cães.
9 de Junho – exame de CISA no qual vou chumbar como um tordo pq nao tive tempo suficiente pra estudar!
Expats chamados a ajudar ó fais favô!
A pedido da Duxa:
Temos uma Mestranda a fazer uma tese sobre os expatriados Portugueses e precisa de respostas ao questionário que colocou em:
https://www.surveymonkey.com/s/ExpatriadosPortugueses2012
Se puderes divulgar a outros Portugueses no estrangeiro, eu e a Patricia-dona-da-tese agradeciamos imenso.
Está o pedido feito.
Eu já respondi! Bora bora!
Quem não está bem muda-se
Andei aqui uns dias mais stressada e irritadiça e com as emoções todas trocadas e nem entendia bem porquê. Até que ontem tudo se compôs na minha mente, no meu estômago, na minha agitação que se finalmente se esfumou.
Em Janeiro deste ano mudei de funções. Tenho finalmente o cargo para que trabalhei durante anos em Portugal, faço algo que adoro, tenho uma equipa fabulosa, os meus chefes (tenho uma pilha deles) gostam imenso do meu trabalho e têm apostado tudo o que podem em mim, independentemente de falar Holandês ou não.
Trabalho que nem uma bestinha, mas não me importo. Gosto, vejo as coisas avançaram, tudo a acontecer, os planos a darem certo, as situações controladas. Absolutamente perfeito, mesmo com todas as desperfeições e stresses associados a cada função.
Trabalho a partir de casa 3 dias por semana, às vezes a semana inteira, vivo a meia hora a pé do emprego, vou ao ginásio dia sim dia não, pagaram-me a minha certificação de CISA, só falta pagarem-me o meu curso de Holandês e é ouro sobre azul.
Pra rematar, esta semana tiveram a ideia de me mandar a França, a Inglaterra e à Suiça como especialista para ajudar os Países a conseguir obter os objectivos previstos.
Em suma, estou encantadíssima.
Ora aqui há coisa de dois meses mudei o nome da minha função no linkedin, isto porque tinha lá uma nomenclatura que induzia os headhunters em erro e há 6 anos que tinha crises de nervos por só me contactarem para a área de vendas, área à qual prometi a mim mesma nunca mais voltar a não ser que estivesse literalmente a passar fome.
Pois então mudei o título no linkedin para algo reconhecido no mercado e tem sido “uma festa”. Semana sim semana não sou contactada por headhunters e empresas de recrutamento. Again, o sonho de muito boa gente.
E ainda por cima oferecem-me empregos que se coadunam finalmente com o que eu faço. E eu, curiosa, aceitei uma entrevista para algo que me pareceu interessante. E andei uma pilha durante duas semanas.
E estava assim porque o único motivo que me poderia fazer mudar de emprego seria o oferecerem-me um balde de guito. E estamos a falar de um balde muitoooo grande! Coisa que deixaria muito boa gente feliz.
Mas a mim não.
Fui pra lá contrariadíssima. Pra mais era uma fábrica. Enorme, mas um ambiente fabril. E eu fico deprimida nesses sítios.
Fui uma hora antes, estava com uma neura enorme e não conseguia definir o porquê.
Se querem saber como correu, eu acho que uma valente merda porque eu tinha 10 vezes mais experiência do que o próprio chefe e não tinha background técnico. O tipo queria alguém diferente e eu não queria nitidamente ir pra lá.
Saí de lá com uma neura ainda maior.
Porque senti que estava a trair a confiança de tanta gente que tem estado a apostar em mim, porque SOU feliz, porque tenho uma qualidade de vida EXTRAORDINÁRIA, porque tenho tempo pros meus 3 cães, luzes (e mijinhas) da minha vida, porque tenho TUDO e estava a ter mais olhos que barriga e last but not the least, não estava a ser leal para com pessoas que têm sido correctas comigo.
Não nos enganemos, no dia em que a minha empresa me quiser dar um pontapé no traseiro, estão-se a borrifar pra minha lealdade. Trigo limpo, farinha amparo.
Mas mesmo assim, porquê mudar se estou bem?
Porque tenho finalmente uma vida “rotineira”?
Eu sou sempre pró-mudança, sair da zona de conforto. Estive o dia todo em confronto interior, se realmente estava a ser uma “acomodada” e medricas, com medo de experimentar outros mundos fora da minha empresa, ou se pura e simplesmente estava a ser gananciosa e burra ao deitar pela janela as regalias que tenho e uma vida finalmente mais estável.
Graças a muito bons amigos e conselhos, limpei a cabecinha e disse-me a mim mesma: mas ó minha grande bacoca! Afinal de contas tu não és obrigada a aceitar nada, nem que te deem o balde de guito. Deixa-te de merdas Sofia Maria, siga a marinha, mantém-te onde estás, e segue o teu instinto. Se a tua barriga se contorce de dores e nervos não é do medo; é porque ias fazer merda.
Assim que segui os meus instintos a neura esfumou-se, a irritação também e voltei a ter a cabeça no sítio e a alegria nos lábios. E agora vou ali trabalhar mais um bocadinho, que afinal de contas é pro que me pagam!
Coisas que se aprendem na Candeia, ou como ser uma Mãe e um Pai especiais
A Rita é uma das fundadoras da Candeia. Infelizmente não tive oportunidade de fazer Campos com ela e com o marido (na altura namorado), mas quando os conheci foi simpatia à primeira vista.
Eu conheço pouco a Rita, com pena minha, mas ultimamente tenho seguido o blog dela onde ela conta as suas aventuras como Mãe.
É giro ver como é que eles se deslindam para fazer com que o seu filhote Rambinho cresça com a melhor pedagogia do mundo. Eu diria que foram anos e anos de treino intenso! 😉
O certo é que a história que arranjaram para tirar a chucha ao rebento é das coisas mais deliciosas que li nos últimos tempos.
Se UM DIA for Mãe, quero decididamente lembrar-me destas técnicas e amor e por isso publico aqui os dois posts da Ritxinha Big Mama:
http://omeufilhoeorambo.blogspot.com.es/2012/03/estrelinha-que-nao-conseguia-brilhar.html
http://omeufilhoeorambo.blogspot.com/2012/03/adeus-nicotetina-o-dia-d.html
Obrigada Rita por me lembrares de tudo quanto aprendi com vocês. Obrigada por terem começado algo que foi uma das “coisas” mais especiais da minha vida e me lembrarem todos os dias de porque é que vale tanto a pena ter dedicado 6 anos à Candeia.
Para ti e pro teu “Gaijo” e pro teu Rambinho, um beijinho muito grande.
Sofia


