Lidar com a pressão e com o stress

É coisa que não assiste os meus amigos e coleguinhas Holandeses.
(Henk, this is not for you)
A resistência dos Holandeses ao stress e à pressão anda muito perto do menos um.
É só tentar apertar um bocadinho a corda e é vê-los a entrar em pânico, responder torto, falarem mal de vocês até à Mãe, e a meterem baixa por esgotamento passado pouco tempo.

Nunca pressionem um Holandês. Além dele não trabalhar melhor, também vos vai passar a ignorar. Têm uma mola anti-stress, é escusado. E passam a não vos gramar, o que é bem pior. Ficam na listinha negra deles e dão-vos com uma carga nominal de stressados que é encarada de forma muito negativa nesta terra.

Vocês não querem ser os stressados da equipa, da empresa. Ao serem-no são excluídos como se tivessem peçonha porque eles odeiam, mas ODEIAM stress.

Jamais tentem encostá-los à parede. Não funciona. Eles não sabem o que é e não se vão dar por achados. No limite ficam de “burro amarrado” durante umas semanas até se sentirem mais aliviados, como se tivessem acabado de conseguir ir obrar ao fim de 8 dias.

Ora o mundo está diferente, a crise não bateu só à porta da Grécia e de Portugal, da Itália e dos “calaceiros” do sul. A crise também bateu na porta deles. E começa a haver ameaças de despedimentos, e eles não sabem o que é estar no desemprego porque aqui praticamente não existe. E eis algo com que não sabem lidar. Estão portanto a ser pressionados e há muita gente a stressá-los e eles estão-se literalmente a passar.

Eles andam a fritar e eu ando feliz da vida porque adoro trabalhar sobre pressão. Mas há alturas em que a verbalização Portuguesa e até Holandesa me faz muita falta, nomeadamente nas alturas em que metemos a piadinha fácil que descontrai.
E depois há aquelas alturas em que em bom Português dizemos: despacha lá isso e deixa-te mas é de merdas! Ou o bom salutar: já te mexias, não? Isso é pra hoje? Vais levar muito tempo a despachar isso? Aquele gajo não fode nem sai de cima!

E aqui não o posso fazer pura e simplesmente porque ninguém me entende. Ai e a falta que me fazia ultimamente.

Aviso à navegação

Ando mesmo muito aflita com trabalho, mas eu volto pra responder às coisas MAI LINDAS que me deixaram nas caixas de comentários e aos vossos emails. I PROMISE!!
Mas agora tou tão aflita como quando estamos à rasca pra ir mijar.
I’ll be back!!

Eu sou um pouco de vós

Não sei bem quando é que comecei nesta coisa de “bloggar”, mas o Andorinha Des-norteada começou no dia 9 de Março de 2006.
Não costumo celebrar o aniversário do meu diário de viagem, mas hoje apercebo-me que já lá vão 6 anos. E durante estes anos todos nunca fiz questão de conhecer quem me lê, quem me escreve, mas as coisas foram-se sucedendo e quando emigrei conheci pessoalmente a Tuxa e a Luna e a Ceres e ainda a minha querida Undutchable. Através da Luna tive ainda o prazer de conhecer a Sinapse. Estas cinco meninas tornaram-se minhas amigas à primeira vista e ao longo dos últimos anos a amizade vai crescendo e mantendo-se, mesmo que à distância. Gosto muito delas, foram (e são) importantes para mim e apoiaram-me inúmeras vezes e já viajei com a Tuxa e com a Luna, e já passei dias em casa da Ceres e tanto ela como a Undutchable tomaram conta da minha Petzi. A Sinapse é um caso de amizade à primeira vista e gosto dela como gosto de pessoas que já vi resmas de vezes e só nos vimos ainda duas vezes. Com a sua volta a BXL espero poder encontrá-la mais vezes.
Há ainda a do nick esquisito que começou por pensar que eu lhe ia roubar um orgão (isto é uma private) e acabou por se tornar minha amiga, e apoiar-me sempre, mas sempre, mas seeeempre e incondicionalmente em alguns dos momentos mais difíceis que já vivi. É a minha “pitinha” de estimação, de quem gosto aos molhos, por querer mostrar o seu mau feitio em público e em cada email, cada conversa, acabar sempre por ser a melhor dos seres humanos, cheia de coração e carinho e sempre lá. Gosto de ti miúda.
Conheci também pessoalmente a Vera, a “madrinha” das “minhas crianças” que passou 3 semanas cá em casa a limpar mijinhas e a dar muito mimo aos meus bonecos. Não sei como lhe agradecer, um dia hei-de encontrar um jeito.
O amigo Zé do Futebol Clube de Portugal na Holanda foi um Senhor que me apareceu caído do céu aos trambolhões via blog e que acabou por me ajudar imenso ao ajudar-me a desenrascar desde moços que me puseram o chão, pintaram a casa, caixas de mudanças.
Tenho mais sorte que juízo, digo eu muitas vezes, mas o certo é que tive oportunidade de conhecer todas estas pessoas e foram sempre, mas sempre uma benção, uma alegria, uma surpresa.

Mas este post é também para quatro meninas e um menino que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente mas com quem falo por email esporadicamente, às vezes uma vez por mês, outras vezes duas, outras vezes só de longe a longe e que gostava tanto, mas tanto de, não só as conhecer, como de lhes dar um abraço sentido pelo conforto, pelo carinho, pelo mimo, pela doçura, pela partilha, por tudo o que me fazem sentir. Waterfall, Patrícia, Izzie, margarida e Zôzô, vocês realmente não existem, parecem inventados, já que nunca vos conheci mas são mais reais que muito bom amigo que tenho.
Não desfazendo no “menino”, mas estas 4 ladies têm sido uma caixa de surpresas, uma fonte de ânimo, de entrega, de pura amizade que eu nunca esperei encontrar desta forma. Como é que é possível gostar tanto de vocês e nem sequer vos conhecer?!

É por estas pessoas que blogo, é por este carinho que continuo, é com a força delas que me inspiro, é com as histórias delas que rio, me enterneço, que choro, que tomo decisões e sigo em frente com um sorriso de orelha a orelha.

Mais aparecerão, com certeza, (Analu estás na calha), mas estas pessoas vindas sempre via blog, vão ser sempre especiais. Porque não é preciso tocar-vos, não é preciso tomar café convosco todos os dias, não é preciso telefonar-vos para que sejam especiais na minha vida.

A todos, o meu bem-hajam e o meu mais sincero obrigada.

Sofia, Petzi, Juicy e Bitoque

A nossa casa é um reflexo de quem somos

Espalhadas pela casa estão um sem número de recordações da minha vida, acima de tudo família, amigos, viagens e cães.

Andei a colocar os quadros e recordações que trouxe das minhas últimas viagens. Ainda me falta a secção de fotografia que tenho que colocar no corredor, mas tenho que mandar imprimir as fotos antes (se alguém quiser recomendar um site onde se possa encomendar online, agradeço de coração).

A juntar aos quadros de Buda, a um prato com a minha tromba que de tão kitsch é fantástico, aos pratos de madrepérola balineses, tenho uma reprodução dum artista Croata e uma colecção de “magnets/imans” das cidades onde estive, e é claro, a minha colecção de livros infindáveis.
Como o meu frigorífico cá de casa tem uma porta e não permite lá por os magnets, fui ao IKEA, comprei duas pranchas magnéticas e armada de berbequim dei comigo a furar as paredes de betão qual profissional e a ir rematando aos poucos a minha casa. E não abri nem uma cratera na parede!

Falta-me comprar cortinas novas porque as antigas estão estragadas e as que vi custavam 1800 euros e achei que era melhor não. E aos poucos os cães vão deixando de roer coisas e fazer asneiras, e vou poder comprar uma carpete nova, e continuar a coleccionar mais recordações, mais viagens, mais amigos.

E a decoração vai mudando, mas ficando cada vez mais pessoal e este é cada vez mais o meu lugar e a minha casa. O ano passado por esta altura só pensava em mudar de casa. Este ano completo-a como posso já que não penso arredar pé daqui tão depressa. Mas nunca se sabe o dia de amanhã 🙂

Quadro de Bali, candeeiro da Bósnia, rolo de papel higiénico da Euroshop.

Quadro com fotos da Toscana e o chaveiro com as chaves de toda a gente, menos as minhas. Ceres, reconheces as tuas? 😉
O quarto das “crianças” e meu escritório, quadro magnético à direita e tábua de passar a ferro à esquerda

Quadro de cortiça com coisas que me dizem, como por exemplo, que sou a cor amarela ou que sou amor 🙂 A Candeia é assim.

Quadro magnético à esquerda e roupeiro atrás da porta cheio de mil e duzentas e trinta e cinco echarpes.

As trelas penduradas (finalmente!) na parede e uma cena que trouxe da Malásia pra colocar cartas e chaves, e o que me apetecer.

A parede da minha sala com mais quadros dum lado que outro à espera que eu faça mais viagens e compense o lado esquerdo. E tralhas em cima da mesa que não deviam lá estar.

O quadro da direita do topo é uma foto de Lisboa antiga a preto e branco comprada em Alfama, o quadro com o senhor de chapéu preto é dum artista Croata que faz umas serigrafias fabulosas, e ao centro está uma aguarela de Melaka, na Malásia. Depois temos o quadro do beijo que é um poster e fica lá bem, e um quadro do Escher oferecido pelo meu melhor amigo.

Uma boneca de madeira Hungara oferecida pelo Filipe, fotos de amigos, fotos de família e uma borracha que trouxe da Croácia do Museum of Broken Relationships que diz: bad memories eraser. Esta estante foi realmente uma verdadeira odisseia e foi montada pela Luna e por mim, depois de termos desesperado a limpá-la de gordura pó e afins. Mais memories 😉

Dois quadros pintados à MÃO, feitos com AREIA e comprados a um artista local em Bali, no monte Batur. Buda em baixo e BabaGanesha à esquerda em cima. Filhos de amigos nas fotos, uns alemães e outros americanos.

Quadro comprado em Alfama e os livros do Jaiminho Oliveira. Passarinhos oferecidos por uma amiga muito querida. Supostamente tenho que fazer um pedido por passarinho, mas não o fiz ainda.

Quadro de cortiça à esquerda cheio de notas e postais enviados. Tenho uma planta de coentros, outra de rosmaninho, e uma de basílico que cresce freneticamente, assim como a de menta do lado direito. Tenho zero jeito pra plantas, mas estas sobrevivem-me heróicamente.
Os meus livros, a minha família, os meus amigos em diferentes estágios da minha vida e da deles: em casamentos, em viagens, no meu rasganço, quando eu tinha um ano, e um dedal que me trouxeram da Rússia como recordação.

Os três pratos de madrepérola Balineses negociados por 10 dólares (os 3) porque contei ao vendedor a história do Rui Costa que chorou quando marcou o golo pelo Fiorentina contra o Benfica. Foi a única coisa que consegui comprar mais barata que os meus amigos todos.

Quando fui viver pra Lisboa dividi a casa com a Martinha e a Mafaldinha. Como éramos as três escorpião o meu Pai mandou fazer este azulejo lá pra casa. Ainda hoje esta é uma toca, a minha toca.

Esta parede vai ter fotos de todos os amigos que já me visitaram e vai ser no quarto de visitas. Começou por ter no centro aquele que é o meu lema e o meu modo de vida e que podem ler em detalhe na foto que se segue. Do lado esquerdo está a prenda que a Azeituna me deu quando cá veio (com o pequeno pormenor que me deram uma foto onde nem o meu irmão nem outros dois grandes amigos estão…touços!)

To remember always

Vamos fazer limpeza

Vamos fazer limpeza, mas geral
e vamos deitar fora as coisas todas
que não nos servem para nada, essas
coisas que não usamos já e essas
que nada fazem mais que apanhar pó,
as que evitamos encontrar porquanto
nos trazem as lembranças mais amargas,
as que nos fazem mal, enchem espaço
ou não quisemos nunca ter por perto.
vamos fazer limpeza, mas geral,
talvez melhor ainda uma mudança
que nos permita abandonar as coisas
sem sequer lhes tocar, sem nos sujarmos,
que fiquem onde sempre têm estado;
vamos embora só nós, vida minha,
para voltar a acumular de novo.
Ou vamos deitar fogo ao que nos cerca
e ficarmos em paz com essa imagem
do braseiro do mundo face aos olhos
e com o coração desabitado.

Amalia Bautista

Foi-me enviado pela Vera que encontra estas pérolas e tem a bondade de as partilhar.

Cada um à sua maneira, hoje a minha limpeza começou por fora, mas revela-se por dentro. Foi feita ao limpar tudo o que tinha pendente, algumas coisas há mais de 6 meses.
Tenho finalmente as encomendas enviadas, as contas tratadas, os cães brincaram uma hora no parque, terminei trabalho que tinha pendente e pra finalizar fui ao IKEA e trouxe não só umas molduras como também um berbequim e iniciei-me nas bricolages. Correu-me bem. A minha casa é cada vez mais o espelho da minha vida, acima de tudo dos meus amigos e das minhas viagens. Quando isto estiver composto volto a postar umas fotos. Estou satisfeita. Emoldurei finalmente quadros que já tinha comprado há mais de dois anos.
Para quem não sabe, a ansiedade é gerada muitas vezes pela procrastinação, acto no qual sou especialista e que tento contrariar ao máximo.  Sempre que coloco coisas no lugar, coloco a minha mente no lugar também e sinto-me bem melhor.
Amanhã, depois do ginásio que se tornou já obrigatório, vou fazer questão de colocar o resto no lugar e orgulhar-me das minhas decisões e da minha vida que se reflete nas paredes da minha casa e relembrar-me constantemente do afortunada que sou e não das que me faltam.
Morrer pra renascer, é assim que sei fazer. E faço o melhor que posso e sei.

Pra ser ainda mais clara pro caso de quem tenha ficado com dúvidas e correndo o caso de ser a blogger mais arrogante do planeta.

Pra ser mais clara, um tipo com a minha idade raramente ganha mais que eu, raramente viajou mais que eu, raramente não é casado, divorciado e cheio de problemas e afins às costas (coisa com a qual não tenho afinidade), raramente tem as possibilidades de mudar de País, cidade, emprego que eu tenho, e raramente, mas mesmo muito raramente tem a mesma capacidade de renascer das cinzas se for preciso todos os dias, que eu tenho. E isso, pra qualquer homem, por muito pouco machista que seja, é fodido.
É um complexo de falta de pedalada, de estaleca, de força, de experiência de vida, de capacidade de decisão, de valores, de personalidade.

Há dias assim

Em que se tem conversas que nos fazem repensar a nossa evolução. Sinto que me desenvolvi emocionalmente e profissionalmente de um modo, talvez, desmesurado, mas certamente coadjuvante com a minha idade e com a minha experiência de vida.
O certo é que, salvo raras excepções, me sinto anos luz à frente de tanta gente que dou comigo a ser mestre de quem não quero. Ou melhor dito, eu não faço questão de orientar ninguém na vida, mas tenho sempre a mania de ter uma opinião e de acabar por dar conselhos. Uns pedidos, outros não. E sei, porque mo disseram, que ajudei muito boa gente a elevar-se a um novo patamar na forma como encaram a vida. Nunca o fiz propositadamente, pura e simplesmente aconteceu.
Nada disto é encarado como uma desvantagem uma vez que já me valeu muitos e bons amigos e amizades genuínas. Algumas com pessoas que raramente vejo mas por quem nutro um carinho enorme e que sei que me têm outro tanto numa dimensão tão grandiosa que por vezes me custa acreditar até que é real. Afinal não me lembro de ter feito assim tanto, de os ter apoiado, ajudado a esse ponto. O certo é que sou bruta que nem uma porta, digo tudo o que penso, tenho o coração na boca e falo demais. E quando quem está do outro lado me aceita dessa forma, me ouve, me entende, melhora: ganho um amigo.
No entanto, a nível sentimental é uma valentíssima merda.
Acontece-me frequentemente conhecer alguém que me interessa e dar comigo a sentir, pensar, reviver uma vida inteira à frente deles. Dizem-me (muito) frequentemente que os homens me têm medo. Sou tão independente, tenho uma personalidade tão forte, sei tão bem o que quero e o que não quero que não sentem que possam acrescentar mais à minha pessoa. E sentem-se inseguros perante mim. Sentem que não me vão conseguir acompanhar e vão-se embora antes que eu os ponha a andar. Não sou uma criatura submissa. Uso a arrogância para me defender de quem se aproxima. Ficam aqueles que compreendem e vêm mais do que o evidente. Mas aqueles que o fazem, aqueles que me vêm, compreendem-me como um ser tão mais forte, e quisás, tão mais evoluído que eles, tão a anos luz do ponto em que se encontram…também se vão. Escolhem alguém diferente, mais calma, menos acelerado, menos desenrascado, alguém que lhes mostre que precisa deles para ir comprar um simples vaso de flores. A minha capacidade de decisão espontânea e eficaz (nem sempre necessariamente eficiente), as minhas ideias tão concretas e tão definidas servem como “aulas de vida” que em seguida abandonam, como se abandona um ginásio ao fim de dois meses. É too much. Sou too much.
Pior que isso é notar e saber que efectivamente sou “demasiado” para 99% da população e não conseguir vislumbrar no meu futuro um homem que seja o suficiente para me ajudar a evoluir mais, ser mais, ir mais longe. Porque na verdade consigo fazê-lo sozinha. Sempre o fiz. Arranjei um trabalho sozinha, comprei uma casa sozinha, tenho grupos de amigos conquistados por mim (sozinha), emigrei sozinha, vivo sozinha e cresço profissionalmente por minha conta. Sempre por mim, sempre pela minha mão. Nunca dependendo de ninguém e nunca tendo a oportunidade sequer de o partilhar com um gajo porque estou sempre 3 passos mais à frente. E pelos vistos vou ter de continuar a fazê-lo. E isso, ISSO, é uma merda.
Há dias assim.