O Século Primeiro depois de Beatriz de Amin Maalouf, afinal é realista

Tenho lido bastante ultimamente, nem sempre livros de qualidade porque fiz umas opções um pouco sui generis. Do Amin Maalouf (de quem gosto imenso) comprei o “O Século Primeiro depois de Beatriz” e o Samarcanda.

Acabei de ler o primeiro há duas semanas atrás e confesso que não gostei lá muito. Pela primeira vez em quase 10 anos acabei um livro dele a pensar: ouve lá, e se te continuasses a dedicar à História passada em vez de tentares o futuro? É que isto não tem jeitinho nenhum!
É todo escrito com base na hipótese de os seres humanos estarem a manipular a fertilidade para que as mulheres tivessem só filhos do sexo masculino. Com base nas tradições orientais e chinesas, e inclusivamente as retrógadas ocidentais, em que o primeiro filho deveria ser um Homem. A partir daí começa uma espiral de “e se?” que achei um pouco descabida. Falou de adopções feitas pelos “Países do Norte” aos “Países do Sul”, e do facto de um Padre Protestante tentar vender as crianças do Sul ao Norte, o que promove um conflito sem precedentes por toda a Europa e EUA.
Que grande disparate, pensei. Como se fosse possível que o Estado de Direito actual permitisse uma venda de uma criança! E hoje, leio isto, onde muito possívelmente Maalouf se inspirou:


Sem esquecer o turvo assunto da compra e venda de crianças para adopção, que ficou em evidência com o escândalo da ONG francesa L’Arche de Zoe, no Chade. No Haiti, segundo o chefe da sua polícia judicial, existem desde há tempo muitos orfanatos que são agências de organizações criminosas dedicadas ao tráfico de crianças, das quais, segundo a Unicef, se vendem por ano 2.000 apenas na República Dominicana. A rentabilidade do negócio é demonstrada pelo facto de uma organização caritativa que actua na Etiópia ter ganho, em 2008, seis milhões de dólares vendendo supostos órfãos a 15 mil dólares por unidade.

(in Jugular by Rui Herbon)

Ainda assim, sou muito inocente Senhores! Afinal Amin Maalouf não é futurista. É realista.

Quando for grande, juro que quero ser como ela!

A Tuxa é a maior máquina de concentração e de organização que já conheci.
No dia 13 de Maio fomos todos a Munique e ela ainda não tinha SEQUER começado a escrever a Tese de Mestrado. Estamos a 9 de Junho e ela não só já a escreveu, como já a entregou ao Júri.
Isto sem férias! Ou seja, ela fez a Tese durante a semana e fins de semana, enquanto trabalha e ainda põe a casa em ordem, dando atenção e carinho pelo meio ao seu Meia-Laranja. E este Domingo ainda deu um saltinho ao Westerpark pros anos dum amigo nosso.
Vão-me desculpar a franqueza, mas p@ta que pariu! Esta Miúda é uma máquina!!
Eu adorava, juro, adorava ter só METADE da capacidade de concentração, dedicação e organização dela. Sem invejas, é mesmo admiração.
Se ela for tão boa como eu a aceitar elogios, vai-me rifar após este post: temos pena!
É que a sério, eu quando for “grande” (pra mais a moça é alta e eu ao pé dela sou mesmo 2 tostões de gente) quero ser assim. Mesmo. Quero.

Lobotomia

Há 15 anos atrás entrei na Universidade de Coimbra. Comigo entraram 3 raparigas do Norte, duas de Valença e uma de Viana do Castelo. Como éramos todas muito nortenhas e andávamos no mesmo curso, juntamo-nos. No meu primeiro ano passávamos muito tempo juntas, e íamos juntas de casa pra Faculdade todos os dias.
No fim do ano houve uma grande bronca entre as 3 e a melhor amiga da minha então colega de quarto. Pelos vistos, a Joana gritava a pulmões, furiosa mesmo, que a Lita se tinha metido com o namorado dela. As outras duas nortenhas defenderam a Joana durante duas semanas e depois foi o descalabro. Zangaram-se as comadres. Quando perguntei o porquê as nortenhas não quiseram falar e a Lita e a minha colega de quarto contaram-me uma história mirabolante de como a Joana teria dito que tinha um namorado que era um moço de quem tinham ficado amigas há pouco tempo. O moço dizia que não conhecia a Joana e fugia dela como o diabo da cruz.
Achei aquilo tudo muito natural: o gajo era um g’anda cabrão!!
Como a Joana não era assim propriamente um deslumbre de rapariga, o fdp evitava-a! Dizia que tinha vergonha dela! Inacreditável, pensei eu. Grande fdp.
No ano seguinte mudaram-se todas de casa, mas eu continuei a viver na mesma.
No segundo ano da Faculdade, a Joana passou a dividir o quarto com a Xana, uma miúda com a qual na altura eu não podia nem com molho de tomate. Eu continuei a ir com a Joana pra Faculdade todos os santos dias, e a voltar, hora de almoço e hora de jantar, mas nunca mais falei com as meninas lá de casa. Raramente lá estava, diga-se a verdade.
Em Fevereiro do meu terceiro ano há uma discussão entre duas das miúdas do grupo delas, e uma delas passa a aparecer no meu quarto com frequência. Na primeira visita, conta-me tudo o que me tinha escapado e fala-me do “menino” da Joana. Eu conhecia o dito menino e expliquei à Olga que a outra não o conhecia, quanto mais ser namorado dela. O Luís era o melhor amigo do Artur, o amigo meu de infância e liceu que estava também em Coimbra na mesma Faculdade que nós. Lembro-me de no final do primeiro ano estar no Cortejo da Queima das Fitas e ela ir comigo atrás do carro de Economia e dizer: aquele gajo ali é muuuuito giro.
A Olga não acreditou em mim. Achou que o Luís devia ser outro cabrão como o fulano do nosso ano de caloiras.
Apresentei-lhe o Artur, e na frente dele perguntei se algum dia tinha visto a Joana.
Sim, na Faculdade, com a Sofia. Fora isso, ela nunca saiu connosco, não conhece o Luís, nunca sequer falou com ele.
A Olga começou então a prova dos nove:
– mas ele não vai almoçar a casa da Tia ali aos Olivais todas as terças?
– Vai. Como é que sabes que a Tia vive nos Olivais?
(tinha-o seguido durante semanas)
– mas e à quarta-feira não jantam juntos?
– à quarta é noite de póker lá em casa, aliás, à 4° e nos outros dias todos!
(ela ia jantar todas as quartas-feiras sozinha à cantina menos frequentada por nós)
– então e à sexta, não almoça com vocês?
(a esta respondi eu: não! Almoça sempre com umas amigas de Viana na cantina do ISCA!)
– e na Queima do ano passado? Não estavam zangados? É que estivemos ao pé de vocês a dançar uma noite inteira e ele olhava pra ela!
(devia ser o ar de vou-te comer com batatas fritas! Se te apanho ó bom, és todo meu!)

Continuamos a juntar peças durante mais 2 dias e a má-disposição ia crescendo à medida que nos apercebíamos de cada mentira, de cada passo que deu, de toda a premeditação, da qualidade e entreteia das mentiras. Era muito filme.
Nunca me mentiu porque sabia que eu nunca acreditaria. Louca, mas não burra.
A Xana fritou quando soube de tudo. Uma tipa como ela, com mais de 7 anos de Coimbra, não tinha percebido nada!! (Oh pra mim cheia de pena, snif snif)
No dia dos namorados perguntou à Joana qual o plano das festas. Ir almoçar a um sítio surpresa, “tinha dito ele”.
A Xana esperou e à hora do almoço apareceu na Faculdade. Viu-a por lá, obviamente. A Joana ficou uma vara verde, mas sem nunca se descair, disse que tinham ido almoçar a casa dele, com o irmão dele e a namorada, que ele tinha casa vazia porque a Tia tinha saído de propósito, mas que lhes tinha deixado bacalhau à espiritual (todos os pormenores) preparado e depois tinham ido dar uns amassos pro quarto. Tinha-a deixado à porta da Faculdade há uns míseros minutos porque disse que lhe queria fazer outra surpresa.
A Xana fez de conta que se foi embora, e juntamente com a Eduarda seguiu-a discretamente.
A Joana foi a uma florista, comprou um ramo com 24 rosas, e voltou pra Faculdade.
As outras duas foram pra casa a bater mal.
Quando a Joana chegou a casa disse-lhes que depois de elas terem saído, ele tinha aparecido com aquele ramo magnífico! Era ela a mulher mais afortunada do mundo, or what?!
Confrontada com a verdade e com o ror de mentiras que se prolongava há quase ano e meio, jurava a pés juntos que era verdade, que namorava com o Luís. Chorava copiosamente, era a cara da verdade, da pureza, da tristeza, do desentendimento. Só quem viu é que é capaz de entender o novo nome que ganhou a loucura no meu dicionário.
Eu falei pessoalmente com o Luís que apanhou o cagaço da vida dele e que só não foi falar com ela porque eu interferi e lhe expliquei que ela não fazia mal a uma mosca.
Era só uma pessoa tremendamente infeliz.
A Joana mudou de casa.
Eu acabei a Faculdade e nunca mais a vi.
Passados uns anos encontrei outra Colega da Faculdade no autocarro de Coimbra por Porto pra casa de quem a Joana se tinha mudado.
As histórias mirabolantes eram semelhantes, mas desta vez com contas de telefone astronómicas (com quem falaria ela nunca percebemos) e metia idas ao Porto e relatos de sexo escaldante com um suposto namorado que novamente, ninguém conheceu.
Os Pais dela só descobriram o que se passava (e mesmo assim duvido que saibam da missa a metade) passados 6 anos de termos entrado em Coimbra. Foram lá buscá-la porque ela nunca tinha acabado o curso, e há 2 anos que dizia que só lhe faltavam duas cadeiras.
Um mentiroso é sempre apanhado.
Será possível curar-se um doente? Alguém que recria o seu mundo de fantasia ao ponto de acreditar verdadeiramente nele? Eu acho que não.
No anos 50 (e hoje em dia) chamavam a esta gente maníaco-depressivos, mas nos fiftie’s faziam-lhes lobotomias. It’s just a thought you know. Just a thought.

Vivo en Torre España

Bem diz a minha Mãe que se pagam pela boquinha…
O ano passado depois da viagem à Costa Amalfitana fiquei fartinha até à raiz dos cabelos de Espanhóis e jurei que nunca mais viajava com eles. Fora os amigos que já tenho (e que adoro de todo o coração), já chega de Flamenquitos na minha vida.
Há umas 3 semanas atrás fui à lavandaria e passou por mim um moço que me disse Hello e a quem respondi Hola, porque era tão obviamente Espanhol que teria sido ridículo (e uma tortura p’ra mim) tê-lo deixado falar inglês. Assim que ouvi o Hola seguiu-se o típico: eres española? No, no, yo soy Portuguesa. blablabla, vou pra cima que tenho o arroz no fogão, até qualquer dia, e pirei-me. Este sábado que esteve un sol radioso volto ao jardim a passear a Petzi e atiro-me desenfreadamente pra relva, papo pro ar a apanhar sol e calor, e passa um puto por mim a correr com outro atrás dele: mira, mira! Aqui tenemos pistas! Podemos indentificar el DNA! Pimbas, mais do mesmo. No outro dia foi a moça da cadela que ladrava desalmadamente. Também Espanhola.
Hoje tava a passear a Petzi e no parque estava uma rapariga e um puto pequenino com ano e pouco, dois anos. A criancinha diz Hola, eu respondo Hola, e zuca: eres española? No, no, soy Portuguesa.
Ah! Pero como hablas Español!
Muchas gracias, vivi en España.
Y vives ahi en Torre España?
Perdón?
É que na semana passada, diz ela, vim ao parque com o meu filho e estavam aqui 4 raparigas, todas com os filhos, parecia que tava em Espanha! E elas disseram que vivem todas ali naquele prédio (o meu!), elas e um monte de espanhóis. É o mais perto de Espanha que podes estar en Den Haag. As casas são muito parecidas com as nossas e metade do prédio é Espanhol.

(#”$#%#$&%#$&%)

(o casal era muito simpático, muito Espanhol, mas queridos e adivinhem lá onde é que andam a ver uma casa pra alugar?! Pois.)

Cenas de um casamento

Na sexta ao jantar o namorado americano da Ni disse que se estava a preparar pro próximo casamento em Portugal. Duas semanas antes ia começar a comer gradualmente mais e mais pra alargar o estômago. Assim ia poder acomodar a quantidade absurda de comida que há nos casamentos Portugueses e que ele adora.
Já aqui há uns tempos tinha dado umas dicas à minha “bizinha” Grega que também vai a casamentos Tugas.
Há certas coisas que é fundamental saber, e atendendo a que tenho uma boda dia 19 duma grande amiga, decidi postar aqui a sabedoria de La Palisse de Sofs Maria sobre:

COMO SOBREVIVER A UM CASAMENTO PORTUGUÊS

– Chegar à Igreja a tempo de ver a noiva entrar, mas sentar o mais próximo possível da porta. De preferência, não sentar. Passados os 10 minutos iniciais e de avaliada a qualidade do coro (se tiver uma bateria e muitas violas, vale a pena), pisguem-se de mansinho pro barzinho mais próximo e comecem a dar-lhe nos martinis.

– Após aproximadamente hora e 20, voltem à porta da Igreja e juntem-se à malta do arroz que está à porta. É favor atirar o arroz pro ar e não pro cabelo da noiva ou pras mamas da dita. Se bem que esta última fica sempre por conta das criancinhas de 2 anos que querem ser felizes.

– Abracem a noiva e o noivo e pirem-se o mais rapidamente possível. Não fiquem à espera que os outros convidados se dirijam à quinta. Ah, a quinta. Quanto mais difícil for de encontrar, maior o casamento.

– Chegados à quinta, as meninas tiram os sapatos usados durante a cerimónia e trocam por uns ligeiramente mais baixos, e NUNCA por uns de salto agulha. Salto agulha é sinónimo de fazer figura de ursa de 2 em 2 metros porque ficarão sempre enterrados na erva. É infalível.

– Preparem-se para umas 3 horas de espera. Pra sobreviver a estas, o vinho branco e os gins tónicos são a melhor opção. Geladinhos de preferência.
Para não apanharem seca, fujam da terceira idade, mas coloquem-se debaixo duma árvore à sombra. Uma que esteja perto da saída dos empregados da cozinha e perto (não muito) da mesa das bebidas. Comam croquetes e pastéis de bacalhau que forram o estômago. O resto regra geral dá azia se misturado com álcool.

– Ao almoço/jantar: se a sopa não for de peixe, ou sopa fria de melão com presunto: esqueçam. Enche lugar e não dá alegria.

– Não tentem comer 2 pratos ( carne e peixe) fica-te por um e guarda a pança pro marisco.

– Depois de almoçar/jantar, venham até cá fora dar um passeio nos jardins da quinta. Ajuda a digerir, dá pra fumar um cigarrinho longe da tia, do primo e da Mãe.

– Vão até ao carro e troquem pelo terceiro par de sapatos: umas sabrinas ou uns sapatinhos rasos, mas com estilo. Nada de Havaianas. Não é uma questão de estética, é uma questão de sobrevivência: a probabilidade de serem pisadas por um bêbado a estas horas são altamente elevadas, e os vossos dedinhos não merecem!

– Levem sempre de casa as chaves suplentes do carro pra evitar as fitas do costume com o namorado ou marido sobre quem vai levar o chiante pra casa.

E se tiverem mais dúvidas, estou às ordens de suas excelências!

Despeço-me com Amizade, Sofia Vá Com os Casamentos

É assustador

Eu sei que a escolha de ter um blog e escrevermos as nossas vidas, coisas pessoais, menos pessoais, colocarmos fotos e afins, é única e exclusivamente nossa.
Mas isto e isto e mais isto revela sérios desequilíbrios emocionais, mentais, psíquicos e de identidade, passíveis de serem apenas tratados por psiquiatras, e são de pessoas que por cá andam.
E isso assusta-me. Mesmo.
Comecei este blog em 2006, em 2008 vim p’ra Holanda e fiz dele o meu diário e o meu veio de comunicação com os amigos e a família que estão em Portugal ou espalhados pelo mundo. Passei de 150 para quase 400 visitas diárias porque a Luna colocou um link no blog dela a dizer que íamos as duas para NY. Uns ficaram, outros foram. Bem-vindos sejam e fiquem se for por bem, foi o que vos disse. Mas hoje penso que esta Titinha pode ter por cá passado também e isso: assusta-me. Mesmo.
Quando vi o primeiro post da Luna sobre este assunto comecei a pensar para com os meus botões na divulgação e exposição a que nos predispomos nesta era. A era do Hi5, do Facebook, dos blogs, do google. Os loucos sempre existiram, agora são é mais visíveis. E nós somos mais visíveis para eles também. E isso assusta-me. Mesmo.
Vou continuar a escrever o que me passa pela bolha, vou continuar-me a expôr, até porque não há muita volta atrás e este blog aproxima-me efectivamente de pessoas de quem gosto, mas se algum dia eu imaginar que algo parecido me aconteceu, não vou ser tão boa como foi a Ana. Mando-lhe dar uma farda de porrada ao louco(a) e aí ele (a): assusta-se. Mesmo.