Cuentame – Conta-me como foi

Já por mais de uma vez falei no “Conta-me como foi” da nossa RTP1. É decididamente a minha série favorita, e nem aqui (onde Judas largou as botas!) perco um episódio.

Confesso que passei a compreender muito melhor os meus Pais e os amigos deles e frases como: “ele é homem e tu és mulher, é diferente!” (quando surge a confrontação sobre o que o meu irmão faz e eu “supostamente” não posso fazer, ou não parece bem que eu faça!) desde que vejo a série.

A série é adaptação da série espanhola “Cuentame”.

O Cuentame é uma versão muito parecida, mas com outras preocupações e reflexões sobre o final da década de 60 e início da de 70.

O que talvez não saibam é que os meus Pais são de uma Aldeia/Vila muito perto da fronteira com Espanha, e que a minha Mãe foi educada a 3 kms apenas da linha que atravessa a antiga divisória.
Hoje vi um episódio, e vai daí…aprendi mais um bocadinho…porque no fundo a minha Mãe foi educada pelo meu Padrinho, e eles viviam não só Portugal, mas também Espanha dada a proximidade.
Além disso tenho muuuitos e bons amigos espanhóis e na sua grande maioria, bem mais velhos que eu, pelo que esta série também me ajuda a entendê-los (e a falta que me faz às vezes!!)
Neste episódio “o puto” pira-se de casa, e enquanto na série portuguesa leva um papo-seco com queijo para se alimentar durante a noite, na série espanhola leva uma barra de chocolate!!!!

Ir a Melgaço quando eu tinha 4 anos (em 80), era sinónimo de comer pão com chocolate e chorizo Revilla. Ai as lembranças boas que tenho do meu Padrinho que “estragava” os netos (e os sobrinhos-netos) com guloseimas e nos ensinava a conduzir num carro com dois volantes enormes…as saudades e o carinho que tenho pelo meu querido Tio Aprígio, que pese o seu mau-feitio com as filhas e a sobrinha (a minha Mãe), era um autêntico mensageiro da Alegria para os netos.
Foi ele que “criou” a minha Mãe, e ela apresenta ainda hoje uma mistura estranha entre o “português típico” daqueles tempos e a “espanhola” que nunca foi. Podia e ia a bailes com as amigas, mas nunca entrou numa bôite, vestia-se segundo a tendência espanhola mais à frente da portuguesa, mas trabalhava numa loja de venda de tecidos que vinham contrabandeados de Espanha. Gostava de Cozido à Portuguesa, mas dias de festa eram aqueles em que tinham Calamares para oferecer às visitas.
Enfim, toda uma tendência que pese a minha casmurrice de miúda em odiar Espanha e tudo o que de lá viesse (excepto os chocolates e o Revilla, tá claro!) me fez viciada em Barriguitas e gomas e calamares e gambas e Pulpo a la Gallega e Tortilla e na revista Hola!até aos dias de hoje 😀
Vá lá a gente perceber estas coisas! Quisás, si me cuentan como te ha ido y como has conocido la felicidad lo pueda entender!
By the way, a cantora da versão espanhola é (se não estou enganada) a vocalista de “La Oreja de Van Gogh” que recomendo vivamente.
Un besote! Beijos e boa semana!

Wall-e – Considerações à minha moda

Let’s look at the trailer!

Só é…o filme mais TERNURENTO que vi nos últimos bons anos.
Como é que é possível que um filme com tão pouco diálogo (pra mais diálogo em “robotês” e que vi sem legendas!) nos agarre durante hora e meia, e ainda consiga ser tão maravilhosamente doce e transparente na mensagem?
O Wall-e faz tudo pela Eve, não é um herói, é apenas um apaixonado. E inocentemente, tudo o que mais deseja é andar de mão-na-mão com a robô com as luzinhas mais expressivas da história do cinema dos desenhos animados!
Cuidemos a Terra, as plantas, façamos dela a nossa Casa. Somos privilegiados.
Aquilo para que fomos “concebidos” é distinto daquilo para que estamos “destinados”.
Ele até tem uma baratinha como animal de estimação! Um emprego, uma rotina, um hobby, e de repente…apaixona-se.
Este filme é delicioso, aqui, do meu ponto de vista, não falha nada, é uma obra-de-arte da Disney, e deixa com certeza o Senhor Walt Disney orgulhoso do seu séquito.
Perfeito para um dia de S.Valentim 🙂

PS: eu quero um robô assim!

Tá SOL!!!!!!!

Frio comó caraças, mas SOL!
Anima logo a alma ver o céu azul!

Programa pra sábado:
Limpar ligeiramente o esterco acumulado na casinha de Breukelen.
Ir rifar os tipos da UPC q me andam a cobrar indecentemente a net da casa anterior.
Ir rifar os tipos da Nuon que me andam a cobrar a luz da casa anterior.
Ir rifar os gajos da Waternet que me andam a cobrar a água da casa anterior.
Dar banho à cadela que tá quase preta.
Tomar cafezinho com uma moça italiana e outra do Liechenstein.
Ir ao supermercado comprar papel higiénico antes que comece a limpar o rabo aos dedos.
E o que mais me der na bolha! Talvez um cineminha…

E siga a marinha!

O meu Pai

O meu Pai é que chamamos: uma grande personagem!
Basicamente, é único!
E de vez em quando faz-nos umas surpresas que nos arrebatam.
Antes de me vir embora para cá, mandou fazer uma montagem com fotos a preto e branco dele, da minha Mãe, do meu irmão quando ambos tinhamos 5 anos.
O quadro ficou espectacular, e a moldura era perfeita e claro, quase abro a fonte até às goelas quando vi o presente.
Desta vez mandou-me uma encomenda com uns medicamentos de que precisava e…5 CD’s cheeinhos de Fados de que ele gosta, e uma foto dos 3 quando os manos eram “pescaninos” e íamos para Afife passar férias.
Esta foto tá no escritório dele há muuuuitos anos, e era assim bem pequenina. Ele agora mandou ampliar e… lamechas como sou, recebi o pacote e desatei a choramingar porque achei o gesto lindíssimo, mesmo à Sr. João!
Digam lá que não tá o máximo?
Grande Paizão!!!

Expressões nortenhas II E quê??

Tipicamente nortenho também é amar ou odiar o FCP (Futebol Clube do Porto).
Quem não é do FCP ou é do Vitória de Guimarães ou é do Braguinha e muitas vezes Benfiquista só pela raiva ao FCP! Pronto, antes que me espanquem, também há quem seja do Benfica porque acham que é um grande Clube.
Eu cá sou atípica porque não sou de nenhum dos dois, e sou simpatizante do Sporting. Coisa rara, acreditem.
Entretanto os meus amigos Bracarenses deixaram no post lá de baixo mais umas expressões e retiro (sem a permissão deles porque não tive tempo de lha pedir) umas quantas mais para nunca mais dizerem que morrem estúpidos!

By Lélé:

– ficar “empiçalhado” (atrapalhado);
– “broeiro” (tosco);
– “badalhoco” (não precisa tradução);
– “bufar” (soprar)
– “canalha” (garotada)
– “Ó mãnhee” (ó mãe)
– “Sei é que, normalmente, quando passamos por alguém, que está a conversar com outro alguém e captamos 5 palavras, duas ou três são, de certeza, “caralho”… mesmo que estejam a falar de flores…”

By Nuska:

– “Eu foi..” “ele fui…”
– “Também temos aquela especial maneira de cumprimentar “E quê??”, tão difícil de entender para a maior parte das pessoas que não são de Braga que, com razão, diga-se, não entendem o porquê dum “e quê” num inicio de frase!”

(desta já nem eu me lembrava, mas é um must da linguagem bracarense, absolutamente deliciosa! E eu se calhar também uso e nem dou por ela…)

– “Faz-me espécie…” =faz-me impressão
– “tamparuere” =taparuwer
– “não é da minha mão” = não fui eu que fiz!
(esta última também é uma pérola!)

By Zé Carlos:

– “ia eu Ó PRA BAIXO e encontrei…”
– “vinha eu Ó PRA CIMA…”

Podem continuar, o resto de Portugal também está convidado!!

Expressões Nortenhas

Ora sendo eu uma moçoila do Norte, des-norteada, mas boa rapariga, sou também conhecida por mandar “pró ar” umas expressões nortenhas desconhecidas da malta abaixo…eh pa, ali pra baixo de Santa Maria da Feira!
Hoje na minha sessão “domingal” de Telerural lembrei-me de algumas, e peço aos amigos e “blogantes” que por aqui passam que acrescentem algumas das suas favoritas.
Lélé, deves ter algumas em carteira “made in” Braga, não?
Primas do Porto e arrabaldes, deixem cá também as vossas favoritas.
Anuska, deves ter umas aí debaixo na língua também não?
And so on and so on, nortenhos, afirmem-se!
Não quer dizer que as usemos, mas sim que sejam características.
O meu best of vai para:

– “Eu namoro pra ele ou ela namora pra mim” – namora-se PRA alguém e não com alguém. É o acto de namorar para…

– “A bola num éntrE” – a bola não entra, com pronúncia bracarense acaba em E em vez de A. Também usado quando se bate à porta e alguém diz: ÉNTREEEEE

– “Música de ir ao cú debagarinho” – música muito lenta, um slow muito apagaducho.

– “Andar de trusses” – andar de cuecas (masculinas)

– “Tens chuço ou chusso?” – Tens um chapéu-de-chuva?

– “Ela bota isso na sopa” – Ela deita isso na sopa

– “Enerbei-me com isto e cum ele, e num quis mais saber!” – chateei-me com isto e com ele, e nunca mais quis saber. A malta “enerba-se” com muita coisa!

– “Ele é um gandim ou ele é um gandulo!” – Ele é um vadio!

– “Fodi a boca a dois gajos e mandei 4 putas a outro” – precisam de tradução? Pronto…parti a boca a dois gajos e mandei 4 bofetadas/estalos a outro.

– “Bocê deve ser tolo!” – Você deve ser maluco!

– “Eu inclusibe já falei com ela!” – Eu até ja falei com ela! O “inclusibe” inclui-se em várias frases e fazem-nas mais ricas…

– “Eu num tenho mão nele!” – Eu não o consigo controlar! Não se consegue por a mão “portantos”

E deixo-vos com a “bíblia de linguagem nortenha”, o Telerural no seu melhor episódio:

Agora “deixem-me só preguntar ao meu cunhado” se há melhor que o Zeca Estacionâncio e o Quim Roscas na divulgação do melhor do nosso vocabulário de Braga e arredores!
E tenham uma boa semana!

Benjamin Button … considerações à minha moda

– Pra início de conversa, o cinema estava à pinha de mulheres aos pulinhos como se 13 anos tivessem, só pra ver o Brad. Uma que estava 4 filas à frente desatou a bater palminhas numa das cenas em q o homem apareceu. Foi das cenas mais ridículas que já vi numa sala de cinema. Foi vê-las literalmente com o pito aos saltos! Oh senhoras, o homem é da Jolie e não vai sair do écran só pra vossa baba lhe escorrer por cima!

– A actuação da Cate Blanchett é EXTRAORDINÁRIA.

– O Brad Pitt escolhe sempre filmes a dedo, e como ancião tá fabuloso no que toca a interpretação. No resto também, mas não sei como é que foi na onda da venda de bilhetes e se deixou apanhar em cenas como homem solitário em veleiro e na mota que mais não são do que clichés e brilhantes desculpas pra close-ups e suspiros mil na sala.

– Tenho de confessar q o homem é tão bonito aos 40 que até a mim me faltou o ar umas 3 vezes nessa altura, mas não guinchei nem saltei na cadeira como as minhas colegas de cadeira. Mas que o gajo tá bom: está!

– O argumento por detrás do filme é brilhante. Faz-nos pensar, pelo menos a mim fez, no esforço que as pessoas fazem pra não envelhecer e no quanto queremos ser “crescidos” muito depressa quando somos pequenos ou jovens.

– Coisa incrível foi a grandessissima paiosa do Pai do Benjamim que o foi deixar sem ter noção, mesmo à porta dum lar de terceira idade!! Ganda pontaria, ah? Onde mais saberia e teriam todo o material pra tratar dum velho?

– Giro foi ver como um velhote pode ter a idade dos porquês e a inocência própria das crianças. Ele nasce velho…mas sem qq experiência. Nunca tinha pensado nisto…

– Não foi à escola, por isso também não sei como aprender a escrever ou fazer contas…

– Os idosos que o acompanham geram cenas muito engraçadas, mas acima de tudo mostram o abandono a que são entregues muitas pessoas com a idade. Deixa-se o resmungão/resmungona lá no lar, e a família põe-se ao fresco.

– As coisas que eles têm pra nos ensinar são valiosas e o Benjamim aproveita cada uma delas enquanto é “pequeno”.

– A Daisy está no auge da juventude e é uma bailarina belíssima, e o choque entre os 23 anos dela e os 26 (mas com imagem de 60 e picos) do Benjamim nada tem a ver com diferenças de idades. Apenas com diferentes vivências. Se a malta crescesse sem a possibilidade de fazer coisas próprias da idade que lhe poderia acontecer? Parecer um velho muito cedo, ou pura e simplesmente absorver tudo o que pode numa altura desenquadrada dos demais?

– A história de amor de Daisy e Benjamim está muito bem feita e enquadrada.

– O tufão que levou New Orleans pela frente é alguma metáfora ou está lá só pra dar o ar de Titanic?

Resumindo: eu gostei mas falta ali qualquer coisa naquele filme que ainda não consegui discernir o que é…?! Uma colazinha qualquer que faça com que o filme seja inesquecível…será a clareza da mensagem?

A ternura dos 40

Tenho uma grande amiga que faz 40 anos este ano. Somos amigas há…acho que perdi a conta…6 anos talvez…
Amigas daquelas pra uma vida inteira. Ela é espanhola, catalã pra ser mais exacta. Mandou-me um email a dizer que fazia 40 anos este ano e que quando era miúda e se imaginava “crescida” a imaginação só ia até aos 30, nunca pensou nos 40.
Mas tava bem animada, e eu lembrei-me duma música de que a minha Mãe gostava muito e que cantava sempre quando eu era catraia: A ternura dos 40 do Paco Bandeira. Quando eu nasci a minha Mãe já tinha 34 anos, algo pouco usual p’ra época. Por isso quando eu tinha 6 ela cantarolava esta música que eu na altura não compreendi, mas que hoje me faz todo o sentido.

Letra e música de Paco Bandeira:
Quando penso o que passei
Fronteiras de solidão
Tinha prá dar e não dei
Olhei para mim e pensei

Não tenho nada na mão
Tive o tempo e não senti
Tive amores e não amei
Os amigos que perdi
E as loucuras que vivi
São tantas que já não sei

[refrão]

Quem eu era, quem sou eu e quem pareço
Se alguém hoje me espera, com certeza que mereço
Mereço ainda ,amor a tua presença
Para enfrentar a vida, com a ternura dos quarenta

Foram tantas as idades
Da vida que atrás deixei
Não quero sentir saudades
Vou em outras amizades

Amar o que não amei
Os copos que não bebi
Os discos que não toquei
Os poemas que não li
Os filmes que nunca vi
As canções que não cantei

[refrão]

Meus amigos, importante é o sorriso
Para seguir viagem
Com a coragem, que é preciso
Não adianta ,deitar contas a vida
A ternura dos quarenta
Não tem conta, nem medida