Casa roubada, trancas à porta
Pois é, algum dia teria de me tocar a mim: fui assaltada.
Antes que fiquem em pânico como eu fiquei, ESTÁ TUDO BEM.
Não só assaltaram a casa, como encontraram as chaves suplentes do carro e levaram o dito da garagem. Fiquei sem um portátil, sem algumas peças em ouro, sem umas garrafas de vinho que uma amiga me tinha dado pra guardar e que valiam uma pipa de massa (muito mais que o ouro) e é claro, sem o carro.
Eu não estava em casa, tinha saído pra ir buscar uma amiga, os cães estavam fechados no quarto deles, e os gajos foram tão competentes que os meus vizinhos do lado não ouviram rigorosamente nada e apanharam um susto enorme quando lhes bati à porta em modo histérico.
Eu estou bem, os cães estão bem, apanhei um grande susto, mas desconfio seriamente que maior susto apanhou o irmão do meu vizinho quando eu lhe disse: não fiques aflito que isto aconteceu tudo por um excelente motivo! Ninguém se magoou, os meus cães estão bem, eu também, o resto é completamente acessório.Isto dito enquanto tremia que nem varas verdes.
O moço ficou a olhar pra mim com cara de parvo, com um olhar que oscilava entre “esta miúda é doida!” e o”deve ser do trauma e ainda não percebeu o que lhe aconteceu, coitadinha!”.
Respirei fundo e disse-lhe com toda a calma que consegui manter: o computador não é meu, o carro não é meu, e o resto está coberto pelo seguro de recheio da casa, desconfio que os gajos ainda me fizeram um favor.
Pronto! Só não teve uma apoplexia porque a cabeça dele estava ainda demasiado ocupada a pensar nas quinhentas mil desgraças que me poderiam ter acontecido. Confesso que esta coisa Tuga de ver sempre o horror, a tragédia, de efabular sobre o que poderia ter acontecido, me deixa doente. Se não aconteceu, não façam filmes! Deem graças pelo que aconteceu de bom, minimizem o mau, e sigam pra frente, mas não se percam nos “E SE?”.
Estive até às 3 da manhã a fazer chamadas pros números de emergência da empresa de leasing, a trocar passwords de contas bancárias, emails, blog e facebook, cancelei o cartão de crédito, liguei pro banco pra accionar o seguro, mandei um email pra imobiliária a dar o alerta, e pus um papel no elevador e outro na porta de entrada (pra avisar os vizinhos todos que me tinha roubado e também as chaves do prédio, pra terem cuidado), tomei uma pastilha pra dormir e fechei os olhos 3 horas, ainda de porta aberta e a dar graças a Deus por estar a Nídia cá em casa (estava de visita) e os meus vizinhos serem meus amigos. Estava acompanhadíssima, mas sentia-me super vulnerável, e com uma vontade enorme de partir os dentes todos aos filhos da puta que me roubaram.
No dia seguinte acordei às 7 e meia, às 8 liguei pra empresa de leasing, recebi a polícia forense às 8 e um quarto, às 9 ligaram da imobiliária pra me dizerem que mandavam o serralheiro dentro de uma hora, às 9 e um quarto ligou a minha chefe que ficou a tratar do portátil roubado, às 10 vieram-me entregar-me um carro novo, às 10 e meia chegou o serralheiro com uma fechadura e canhões novos pra minha casa e pro prédio todo, às 11 ligaram do seguro e às 11:30 estava t-u-d-o resolvido e fui à empresa buscar um portátil novo.
Eram três da tarde e estava tudo pronto novamente e eu estava morta. Mesmo assim não fui dormir antes da meia-noite.
Durante o dia matutei e cheguei à seguinte conclusão: apesar do dito azar, porque é uma merda ser-se assaltado, tive uma sorte do caneco como só a mim me acontece. Senão vejamos:
1) o meu carro é da empresa de leasing e ia ter de o devolver à procedência em Novembro. Como lhe tinha mandado umas tronchadas discretas a estacionar e outra menos discreta aqui mesmo à porta de casa, ia ter de pagar 250 euros (pelo menos) de franquia por cada pancada que mandasse arranjar. Mais o cinto de segurança que o amigo Bitoque tinha destruído completamente, mais uma limpeza de estofos (150 aéreos)… assim não tenho que pagar nadinha, tenho um carro novo, e livrei-me de uma despesa de mais de 500 euros à vontadinha! Senhor ladrão, se não estivesse tão danada consigo agora, ainda era gaja pra lhe agradecer. Mas pedir isso agora, é pedir muito.
2) o portátil tinha backup que não foi roubado, graças a Deus. Podia estar mais actual, mas fora as fotos de Nova York, não perdi assim mais nada de especial. Perdi atalhos, links e coisas da empresa que me davam um jeitaço!! Mas eu cá me arranjo e começar do zero dá mais power ao computador e à minha pessoa. O meu ipad (e a máquina fotogrática também!) safou-se milagrosamente porque os gajos não tiveram tempo pra levar mais porque eu só demorei meia hora (desde que eles entraram até que cheguei) e eles tiveram que fugir.
3) O resto vai pro seguro de recheio da casa que cobre até 28 mil euros em bens da casa e 5 mil euros em jóias, logo vou conseguir recuperar uma muito boa parte do que perdi e assim até consigo comprar umas peças mais actuais e ainda ganho uns cobres extra pra gastar noutras coisas como num ipad pros meus Pais poderem falar comigo via facetime.
All and all, acho que me correu muito bem!!
Optimismo à parte, cá vai a parte do serviço público – O QUE EU APRENDI:
– A fechadura da casa deve ser destas que na Holanda se chamam kerntrekbeveiliging, porque evitam que os gajos consigam abrir a fechadura como me abriram a mim. Ficam a saber que se abre assim:
Então a fechadura deve ser destas com um reforço na parte da frente E com um canhão com 3 estrelas (o canhão tem 3 estrelas desenhadas como na imagem abaixo):
![]() |
| Estão a ver as estrelinhas por baixo de onde diz Mauer? |
– o valor que se paga por um seguro de recheio na Holanda é de 3 euros por mês, é ridiculamente barato e vale imenso a pena. Tenho que fazer um pra casa de Portugal também urgentemente. A paz de espírito que me deu saber que não tinha ficado a arder, foi fabulosa e não tem preço.
– Comprei uns autocolantes pra porta a dizer que tenho alarme e câmaras. Os ladrões não sabem se é verdadeiro ou falso, e não arriscam. Há também à venda câmaras e alarmes falsos na net, fica ao critério de cada um colocar ou não, eu decidi pôr porque passo muito tempo fora.
Tudo isto foram recomendações da polícia que eu segui. Além disto tudo, os meus cães ganharam um free pass para poderem ir a correr ladrar pra porta sempre que ouvirem barulhos estranhos, a partir de agora ninguém os manda calar, sobre pena de levarem um belíssimo murro nos dentes!!
Novamente, está tudo óptimo, e agora que escrevi o post de descompressão, melhor ainda.
Ah, já agora, eu não contei à minha Mãe, por isso agradeço a quem a conhece que não lhe conte, por favor. É que a minha Mãe é a campeã do “E SE?” e fica já sem dormir um mês, fora o quanto me vai dar cabo da mioleira, por isso eu agradeço que não lhe contem, sim? Se o fizerem, ficam a saber que não parti os dentes ao ladrão mas que fiquei com as vontades… just saying.
Já agora, antes que comecem com a lenga-lenga de: até parece Portugal! Ficam a saber que o número de assaltos a casas na Holanda é bem superior ao de Portugal (também são 16 milhões e tal de pessoas num quadrado que é um terço de Portugal, há muito mais casas…logo mais assaltos).
Segurem-se e assegurem-se que a vossa casa está em segurança. Por 200 euros fazem a festa toda e ficam muitíssimo mais descansados quando forem de férias ou deixarem os miúdos em casa com família ou empregada. E pensamento positivo malta e tudo a correr bem, sim?
Inté já.
Então e tu quando é que te casas? Quando eles se acabarem de divorciar.
Esta semana é o segundo amigo meu com quem falo que está em processo de divórcio.
Mas o que mais confusão me faz é a facilidade com que esta gente põe os filhos no mundo e os “oferece” aos ex-maridos pra cuidar porque elas não têm condições.
Se a igualdade entre sexos fez com que ele lá em casa fizesse tanto como ela relativamente à criança (banho, comida, levar e buscar à escola, brincar, etc), por outra conseguiu que na ânsia de cobrar milénios de machismo em atraso, as mulheres conseguissem que os companheiros fizessem tudo e elas nada. Mas mesmo nada. São eles quem vai às compras, quem trata da roupa e do banho das crianças, são eles que estão encarregues das facturas (embora o dinheiro seja a meias), eles pagam a renda, tomam conta dos empréstimos e até da lavandaria. A elas sobra-lhes a limpeza da casa que partilham com a mulher-a-dias e o seu trabalho que é tão esgotante como o dele, mas que é muito mais precário porque as mulheres não têm as mesmas oportunidades de trabalho que os homens, e como tal o melhor é ir ao shopping foder mais umas notas de 50 numa mala, num verniz ou numa merda qualquer pra casa. E já agora querido, pega lá a conta do VISA.
Eu fico doida. Doida!
Mas será que homens e mulheres não compreendem que um casamento é uma relação de respeito, de partilha, de carinho, de consideração e de admiração?! Não me esqueci do amor, não, mas o que é o amor senão isto tudo que acabei de descrever? E obviamente sexo, e se acham que o sexo é secundário desenganem-me, mas não se iludam aqueles que pensam que o sexo é tudo. Mas amor é respeitar o outro. Em tudo.
Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, é muito certo.
Mas que caramba, se as pessoas pensarem em conjunto, partilharem os problemas e juntos fizerem um plano e um compromisso pra pagar dívidas, não será isso muito mais fácil que ir ali à esquina assinar um divórcio e deixar as crianças ao marido? Ou à mulher, tanto faz! Aliás, tanto faz o tanas, porque eu sempre ouvi dizer que eles têm que lhes pagar uma pensão alimentícia mas nunca ouvi ao contrário.
O certo é que me faz muita confusão ouvir que alguém põe os filhos no mundo mas é incapaz de fazer contas sobre quanto é que lhes vai custar caso estejam sozinhos(as) a tomar conta deles. É uma inconsciência, é uma irresponsabilidade. Acima de tudo é de uma falta de consideração por aquele que tomaram como companheiro ou companheira no dia do casamento em que tudo é festa, luz e cor, que me aflige horrores. E que me faz muito mais lúcida como solteira ou sem filhos (reparar que escrevi OU e não E) que muitíssima gente que está dentro do que outros chamam: normal.
Ou porque é que os recibos verdes não ajudam a malta a poupar.
Extremamente interessante!
O sentido do confortável
Esta noite acordei para mudar de posição e vejo a Juicy repimpada em cima duma das minhas almofadas, encostadinha à minha cabeça!! Era o que mais me faltava! Não só dorme em cima da cama como se estica e me rouba a almofada!
Rais parta…
Porque é que os Holandeses numa bicicleta são os reis cá do pedaço?
Aqui está a tão procurada explicação: http://www.bbc.co.uk/news/magazine-23587916
Curiosidade de quem emigra: saber o que pensam de nós os imigrantes!
Sempre tive curiosidade em saber o que pensam dos Portugueses aqueles estrangeiros que vivem no nosso País. Hoje partilharam isto comigo no FB e não pude deixar passar em branco esta frase que para mim diz mesmo muito:
9. The Portuguese tend to underestimate their own country. They will tell you that it is always in crisis, that it is badly managed, their bureaucracy is a nightmare, everything is so expensive, and so on. But actually, despite the current crisis, it compares very well to most other countries I’ve spent time in, so much so that I’d quite happily see out the course of my natural life here. You can buy fantastic bottles of wine for a few euros, the transport system is well-designed and aesthetically pleasing, it is constantly sunny over summer, and people are very polite and helpful. The result of all this is that many Portuguese want to escape to another country, while everyone else seems to want in!
Full story:
http://popanth.com/article/ten-things-ive-learned-about-the-portuguese/
Já agora, eu jamais vou ter uma bimby ou deixar que essa maquineta me defina como de nacionalidade Portuguesa! Humpft!
Têm livros a mais?
Que tal doá-los pra ajudar a Catarina? A Patrícia está a movimentar malta pra oferecer livros que possam ser rifados ou leilados para ajudar a Catarina, uma menina pequenina com síndrome de Rett.
É uma espécie de autismo causada por uma deformação genética.
Eu vou oferecer uma caixa deles que tenho na casa de Lisboa, agora com o e-reader e a mudar de País como quem muda de camisa, não faz muito sentido andar a carregar com eles pra frente e pra trás.
Tenho a certeza que vocês também têm uma série deles que podem dispensar.
É por uma boa causa e a Patrícia é uma miúda muito séria, podem ter a certeza que os livros são entregues no sítio certo.
Se tiveres livros que possam doar, escrevam à Patrícia para o: patricia.ler.por.ai@gmail.com
com o título e o autor dos livros.
A história completa aqui, no Ler por Aí: http://ler-por-ai.blogspot.nl/2013/08/ajudar-com-livros-fase-1.html
Bem-hajam e obrigada!!
Lágrimas e arrepios
Normalmente vejo um episódio (ou meio) duma série Portuguesa enquanto almoço, invariavelmente “O Depois do Adeus” ou o “Bem-vindos a Beirais”.
Hoje foi a vez do Depois do Adeus e com as pressas não reparei que era o último episódio da série. Estava escrito no canto esquerdo superior, mas não liguei.
Na altura em que estão todos à porta do Kuanza a seguir ao baptizado e o miúdo os filma um a um arrepiei-me inteirinha.
Estavam ali tantas recordações associadas aos sorrisos, aos penteados, às roupas, aos bigodes, que de repente vi os meus Pais, os amigos do meu Pai do Banco, as clientes da minha Mãe, familiares que viveram connosco quando eu nasci, a minha Tia Zé, os filhos dos amigos, tudo. O Senhor Ilídio, a Dona Fernanda, o Victor, o Barricas, o Zé Miguel, a Dona Camilinha que me fazia as roupas de carnaval exactamente como as sonhei e de quem herdei uma caixa de costura encastoada com marfim, o Senhor Loures e a Dona Olímpia, que tinham uma loja de roupas de desporto que eu pensava que se chamava Le Coq Sportif (algum dia eu sabia que era uma marca!), a Dona Maria e o Senhor Fernando que foram donos da Loja Sete Anões por baixo da minha casa durante 36 anos. Todos eles vieram de África, todos retornados, todos na casa dos 30, 35 nessa altura. Cheios de dificuldades, a começar do zero, a querer educar os filhos, todos iguais àquele grupo que aparece em frente ao Kuanza.
Desse momento pra frente até lágrimas me vieram aos olhos. Não porque fosse o último episódio, mas porque esta série além de estar brilhantemente bem escrita e ter um elenco maravilhoso, era tão, mas TÃO real.
Quem quiser ver o último episódio, quem for filho de Retornados como eu e quiser saber mais sobre o que terá sido a vida dos nossos Pais quando chegaram de Luanda e de Maputo, fica aqui o link:
http://www.rtp.pt/play/p1035/e124681/depois-do-adeus-2013
E já agora, estava a ver que me lembrava do Carlos Lopes a ganhar a medalha de ouro, mas depois reparei que em Junho de 1976 eu ainda nem era nascida! Afinal foi quando ele ganhou a primeira medalha Olímpica de Portugal! Ufa!









