Dinheiro deitado ao vento.

Devo ser das poucas pessoas que, quando alguém me diz em grande excitex: vou-me casar!!! eu pergunto com os olhos meio fechados “deribado” do franzir das sobrancelhas:

Vais-te casar, porquê?

Repare-se que não digo isto a todos os noivos e noivas, digo-o apenas quando acho que é uma péssima ideia. E acreditem que há ideias muito más…
 E se tenho o desplante de acabar com a felicidade de alguém que me está a entregar um convite pro seu casamento (ao qual naturalmente acabarei por não ir por uma razão ou por outra – Ana B., não foi o teu caso, no teu casamento foi galo, a viagem já estava marcada, sim?), é porque conheço as pessoas em questão o suficientemente bem pra saber que, embora não gostem o suficiente da pessoa com quem vão casar, acham que “está na hora”, que “faz sentido”, que “é lógico”, que “é o normal decorrer das relações”, que “eu (Sofia) sou uma — inserir à vontade: ressabiada, solteirona, amargurada, invejosa`— , que “é o passo a dar se quero ter filhos”, é razão que justifique a belíssima asneira que estão a fazer. A mega cagada que vão pagar caro quando a família vos pedir os presentes de volta.
É por isso que nesses casos maioritariamente não vou, nem sequer invento desculpas. Às vezes lixam-me com as trombas que fazem, mas como vivo na Holanda, consigo sair de fininho. Quando não consigo, é uma bosta. Lá vou eu, a arrastar os sapatos de tacão alto, e a sair o mais cedo que puder pra vir pra casa, pro quentinho rechuncho do meu lar, onde a hipocrisia não mora. E com toda a certeza não mora a solidão e/ou o desespero que assola tanto desgraçado que vive no pavor de estar sozinho, ficar sozinho, viver sozinho. I’ve got news for you honey, todos nós morremos sozinhos. E eu, eu tenho mais o que fazer que ir comprar bilhetes de avião, gastar dinheiro em gasolina e portagens, comprar roupa para ir a um casamento que não vai chegar sequer ao segundo aniversário.

Recapitulemos então: vais casar e és meu amigo(a) e eu perguntei-te: vais casar, porquê? O que é que tu fazes ao convite? Exacto 🙂
E se fores mesmo muito muito esperto, o que é que tu fazes ao casamento? Nem mais.

Estamos conversados, né? 😉 Lindões!!

Querem-se passar da marmita?

Querem ficar de queixo aberto e a pensar, como é que é possível que esta alma tenha tirado estas fotos? Sigam o link para a nova viagem de Diego Arroyo – Etiopia.

ETIÓPIA – PART ONE

Não posso por aqui nenhuma foto dele, não estou autorizada. Mas a minha favorita é a da miúda com os dedinhos na cara, tão pequena e com um ar tão adulto.
Magnífico.
É pura e simplesmente incrível a sensibilidade e a inteligência e a perspicácia deste rapaz, em foto.
Muito, muito bom!

125 likes no Facebook …

… e o facto de a minha foto ser pública anyway, levam-me a escarrapachar aqui uma das minhas melhores fotos, sacada com muito esforço pelo Vasco da Câmara Pereira da LF Eventos.

O Vasco é, diga-se em bom da verdade, o meu fotógrafo oficial (sempre quis dizer isto! As damas da socialite e as modelos é que têm fotógrafos oficiais, daqueles que lhes captam sempre o melhor ângulo e que as perseguem pra fazer só mais uma foto e elas deixam sempre, qual Jacqueline Kenedy Onassis!).

Eu até sou fotogénica, e até estou morena o que ajuda imenso – não parecer uma lula deslavada é sempre um bónus para qualquer foto – mas estava uma p…ventania daquelas que despenteia qualquer alma que não se tenha encharcado em laca, como eu.

Este fim de semana vou a outro casamento, mas desta vez vou levar o cabelo solto, e um macacão azul elétrico quais anos 80, daqueles justos, com um sapatão de tacão alto como se impõe, que será (obviamente!) descalçado ainda antes do jantar. E como disseram ontem os responsáveis pelo empréstimo do dito macacão (sim, que eu não ganho pra casamentos e o último vestido que comprei foi a 14 casamentos, fazendo-me compreender que 1) vou a mesmo muitos casamentos 2) os fotógrafos podem ser os mesmos e reconhecerem-te ……. mau, muito mau. Adiante!), vou uma bomba!

Como emagreci e tenho andado a correr, quero acreditar que sim, que vou estar uma bomba, porque se não estiver, como os fotógrafos são os mesmos, e o Vasquinho é um grande fotógrafo mas tem a sensibilidade de um elefante a saltar de nenúfar em nenúfar, bem me pode valer eu estar-lhe aqui a dar graxa pra ele me tirar mais uma foto espectacular, que o gajo não me deixa sair NEM na pelingrafia de dois de paus c’os noivos!!

Entonces, que tal? Nice,ah? Nunca tinha tido 125 likes!

Momento narcisista aproxima-se….

E um bombom pra quem adivinhar o que é que eu estava a dizer ao meu amigo! Esta foto que se segue é a foto que mais me caracteriza, que me apanha a essência, não necessariamente no meu melhor ângulo, mas com toda a certeza no que eu tenho de melhor: a amizade devota às pessoas de quem gosto.
Fim de momento narcisista.

Cú de sorte

É o meu middle name.
– Vão-me emprestar um carro pra eu andar por Amesterdão quando ficar sem o meu em Novembro. Diz o ditado que não se emprestam carros nem mulheres, não é?
Pois a mim emprestaram-me um e eu estou eternamente grata ao bandalho que o vai fazer.
És o M-Á-I-O-R.
– Além disso consegui convencer os gajos da imobiliária a devolver-me o dinheiro que gastei nas fechaduras novas da casa. Como diz a minha amiga Pris, são 260 paus minina!! E isto já não foi sorte, foi persistência, eu sou literalmente um cão de fila, quando agarro o osso não largo. E além de explicar com técnica porque é que este prédio era inseguro, ainda encostei os tipos à parede ameaçando com colocar cartas em todas as caixas de correio a incitar os outros moradores a pedir-lhes uma indemnização por terem níveis de segurança tão ridículos. Coisa que eu era muito menina pra fazer, mas agradeço a quem quer que seja mais que tenha sido assaltado (sim, porque eu não acredito que os tipos me tiveram medo, eles devem ter tido é mais más experiências e foram forçados a mudar de ideias e planos) porque me poupou um ror de trabalho. ‘gradecida!
– Já vos disse que tenho um inquilino novo que é Chef de cozinha e que me ensina truques? Ah pois é bébé, isto depois do Manelinho foi sempre a subir porque escrevi claramente nos requisitos: um que não me pegue fogo à cozinha, por favor! E…. cheeeeck!!
– Ah, e pra somar a esta cereja no topo do bolo, tenho os melhores amigos à face da terra. Quinta vou pra Lisboa e fico com a Joaninha e Sexta vou pro Algarve com mais 2 malotas, ficar numa casa com dois dos meus melhores amigos E com PISCINA!! E sábado casa um amigo do coração e vão estar 25 graus em Faro. E domingo e segunda durmo em casa de outros amigos que também me acolheram de coração, este sem tecto em Lisbon city, ehehe.

Nota-se muito que vou a Lisboa outra vez? Estou um bocadinho pro desconcertadamente histérica, como quando se está apaixonada e se vai ver o dito cujo outra vez. Aquela coisa que se sente, o coração a saltar fora do peito, a boca do estômago a dar voltas da nervoseira, e uma felicidade inexplicável. De tal maneira que hoje quando saí pra passear os cães de cachecol e senti falta dumas luvinhas, nem me chateei nem nada.

E sim, oh pá, eu tenho um cú de sorte que não posso com ele, graças a Deus!

As minhas origens são rock and roll!

E quem nunca dançou um vira não sabe o que perde, e falo muito a sério. Quando andava no liceu tinha uma turma carregada de betos e o nosso Professor de Educação Física decidiu dar-nos uma lição que até hoje agradeço. Ele deu-nos aulas de danças tradicionais Portuguesas, ou seja, Folclore.
Na primeira aula resmungou tudo. Na segunda já só quem tinha faltado à primeira é que resmungava e na terceira aula a malta fugia dos campos de basketball e de futebol pra vir dançar o Vira e o Malhão. Betos, cheios de nove horas, tudo a dançar e a rir com gosto. Toda a minha gente batia o pezinho.
Os Origem Tradicional são um grupo de malta com um espírito muito jovem que percorre o País a cantar músicas tradicionais Minhotas e Senhores, cantam que s’a fartam, animam até um morto!

Oiçam aqui: https://myspace.com/origem?play=1

Então e tu quando é que te casas? Quando eles se acabarem de divorciar.

Esta semana é o segundo amigo meu com quem falo que está em processo de divórcio.
Mas o que mais confusão me faz é a facilidade com que esta gente põe os filhos no mundo e os “oferece” aos ex-maridos pra cuidar porque elas não têm condições.
Se a igualdade entre sexos fez com que ele lá em casa fizesse tanto como ela relativamente à criança (banho, comida, levar e buscar à escola, brincar, etc), por outra conseguiu que na ânsia de cobrar milénios de machismo em atraso, as mulheres conseguissem que os companheiros fizessem tudo e elas nada. Mas mesmo nada. São eles quem vai às compras, quem trata da roupa e do banho das crianças, são eles que estão encarregues das facturas (embora o dinheiro seja a meias), eles pagam a renda, tomam conta dos empréstimos e até da lavandaria. A elas sobra-lhes a limpeza da casa que partilham com a mulher-a-dias e o seu trabalho que é tão esgotante como o dele, mas que é muito mais precário porque as mulheres não têm as mesmas oportunidades de trabalho que os homens, e como tal o melhor é ir ao shopping foder mais umas notas de 50 numa mala, num verniz ou numa merda qualquer pra casa. E já agora querido, pega lá a conta do VISA.
Eu fico doida. Doida!
Mas será que homens e mulheres não compreendem que um casamento é uma relação de respeito, de partilha, de carinho, de consideração e de admiração?! Não me esqueci do amor, não, mas o que é o amor senão isto tudo que acabei de descrever? E obviamente sexo, e se acham que o sexo é secundário desenganem-me, mas não se iludam aqueles que pensam que o sexo é tudo. Mas amor é respeitar o outro. Em tudo.
Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, é muito certo.
Mas que caramba, se as pessoas pensarem em conjunto, partilharem os problemas e juntos fizerem um plano e um compromisso pra pagar dívidas, não será isso muito mais fácil que ir ali à esquina assinar um divórcio e deixar as crianças ao marido? Ou à mulher, tanto faz! Aliás, tanto faz o tanas, porque eu sempre ouvi dizer que eles têm que lhes pagar uma pensão alimentícia mas nunca ouvi ao contrário.
O certo é que me faz muita confusão ouvir que alguém põe os filhos no mundo mas é incapaz de fazer contas sobre quanto é que lhes vai custar caso estejam sozinhos(as) a tomar conta deles. É uma inconsciência, é uma irresponsabilidade. Acima de tudo é de uma falta de consideração por aquele que tomaram como companheiro ou companheira no dia do casamento em que tudo é festa, luz e cor, que me aflige horrores. E que me faz muito mais lúcida como solteira ou sem filhos (reparar que escrevi OU e não E) que muitíssima gente que está dentro do que outros chamam: normal.

Viajar por palavras

Não posso viajar tudo o que quero, mas viajo sempre que posso. Mesmo que seja nas descrições de viagens que leio.
A Joana conhece o Rio de Janeiro como a palma da mão (embora não viva lá) e descreveu a viagem que fez, que recomendo vivamente a leitura aqui: http://cafesnopateo.wordpress.com/category/viagens/rio/

Também deu um pulo a São Paulo, cidade já não tão amada por ela, mas cuja descrição e aventuras vale a pena ler aqui: http://cafesnopateo.wordpress.com/category/viagens/sao-paulo/

Eu gostei muito, espero que gostem também. Viajem vocês também um pouco 🙂

Não partilho da paixão

Não consigo partilhar da paixão dos meus amigos pela Índia.
Pelo contrário, irrita-me a paixão deles.
Chateia-me porque as pessoas ficam cheias de compaixão da miséria humana que vêem pelas ruas e esquecem-se de ter compaixão quando voltam aos seus Países. Talvez a miséria não seja tão visível, mas existe, e é grande. E a mesma pessoa que andou de mãos dadas com crianças que não tomam banho há meses na Índia, foge de miúdos na rua em Portugal ou nas aldeias com um esgar quando vê que não está limpinho.
Mas que hipocrisia é esta que faz com que encontrem beleza nos Indianos e sujidade nos outros?
Chateia-me porque de repente é como se todos sofressem duma lavagem ao cérebro e vêm de lá entregues ao Yoga e à Meditação e à protecção das baratas e dos ratos e da vida e do ser vivo, e a permacultura e o camandro e deixa tudo de comer vaca e porco.
Como dizia a Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua.
E eu não tenho nada a ver com o facto de agora andarem todos a comer merdas cruas, se são felizes, força!  Mas não me lixem e não me digam que agora é que é, que o mundo tem outra cor, como se estivessem completamente pedrados.
Sejam coerentes.
Mas coerentes em tudo!
Por exemplo, já que a filosofia Indiana é o supra-sumo da barbatana e o País altamente fabuloso, então passem a viver numa barraca, tomem banhos de rio em vez de chuveirinho (é só pra vos ajudar, porque o cheirinho a caril e a incenso leva uns meses a impregnar-se!), comam com as mãos, deixem de usar papel higiénico e passem a cagar na rua, peçam à vossa Mãezinha que vos arranje uma noiva ou um noivo, melhor, façam uma cirurgia pra recuperar a virgindade senão o noivo corre-vos à pedrada e é uma chatice! Vistam saris e sarons ou então roupinha esfarrapada ou comprada na feira em contrafacção, e trabalhem 14 horas por dia por 10 euros por mês.
Vão ver que ao fim de 6 meses estão todos iluminados!!
Ah, não se esqueçam de arranjar uns intocáveis pra vos limpar a casa e puxar o lustro à vossa bicicleta.
Mas vejam bem, que pra se ser Indiano é preciso ser-se um todo, ou vocês pensam que é só começar a fazer Yoga e meditação e usar roupas de hippies pra se lá chegar? Nananananana!
Há todo um sacrifício cuja beleza me assombra, olha, quase tanto como o Taj Mahal!

Eu nunca fui à Índia e não faço questão nenhuma de ir. Zero, bola.
E não é por querer ser ignorante, é porque é um País que não me fascina de todo pelo que expliquei acima. Tenho tanto direito de me irritar com as paixões dos outros como de atirar pessoas pelas janelas: nenhum. Mas mexe comigo e com o meu sistema nervoso que esta malta vá à Índia e venha de lá a debitar frases como se fossem Buda na terra quando não pensam em tudo pelo que os Indianos têm que passar pra poderem ser como são.
Enfim.

Eu nunca tenho azar!

No outro dia disse isto ao Jorge, o meu amigo responsável pelo chão e pelas pinturas da minha casa, e ele achou que eu era doida 🙂 O certo é que eu estou certa.

 Depois de passar um sábado com 9 magníficas pessoas que me ajudaram a pintar uma casa e que vieram até de Bruxelas pra me vir safar deste aperto, eu só de posso sentir imensamente abençoada pelos amigos que faço.
Obrigada Monica, Ana,Cris,Rogerio, Daniel,Jorge,Anocas, Joao, Fernando, outra Anocas, Ed, Xana, Carlos, Iris, Andre V, Andre G, Alex, Miguel, Em, Manelinho, Pedrocas,,e todos aqueles que me ajudaram nesta cruzada que foi mudar de casa, não tenho palavras pra vos agradecer. Mesmo. O meu coração é vosso!