Se tás emigrada, afecta-te em quê?

Afecta a minha família que cada vez tem menos dinheiro pro dia a dia, afecta os meus amigos que se vêm numa situação inesperada e que por muito controle de custos que façam o dinheiro pura e simplesmente não chega ao fim do mês. Afecta pessoas de quem gosto e que encontram a solução em emigrar e há uma separação inadiável para todos nós.
Como economista não compreendo, depois de tantos anos de estudo, de tanto tipo de políticas orçamentais e monetárias que estudei, não compreendo como é que o FMI e o BCE não percebem que estão a estrangular completamente uma economia já de si fragilizada.
Não compreendo como é que se tomam medidas tão drásticas quando já foi anunciado que postas estas em prática a derrapagem do défice vai acontecer e nunca vamos chegar aos 4,5% mas sim aos 6,3%, e a pescadinha de rabo na boca continua. E depois vão sacar dinheiro aonde? A quem?
Afecta-me porque tenho cada vez mais amigos desempregados, que estudaram e foram bons alunos e que são pessoas honestas e correctas e não conseguem encontrar sequer um emprego que lhes permita auto-sustentar-se e manter a dignidade que merecem.
Afecta-me porque não posso voltar ao meu País, não só porque está na merda, mas também porque ganho mais dinheiro cá fora que vou acabar por ter de enviar aos meus Pais (que se recusam a recebê-lo) pra os ajudar a compensar esta política insana. Voltamos aos tempos em que os emigrantes têm de suportar a família, e foda-se, eu não ando aqui a trabalhar pra aquecer e gostava de poder ter um pé de meia que me permita a mim, quando eu já não puder trabalhar ou estiver à rasca, suportar as minhas despesas. Sim, porque com certeza que, SE eu chegar à idade da reforma, vou precisar de ter dinheiro que me permita subsistir.
E ainda por cima ainda dão o Nobel da Paz à União Europeia!!! You must be fucking kidding me!!! YOU MUST be fucking kidding me!!!

Coisas que dão jeito, PCKeepers

Quando emigrei ensinei o meu Pai a trabalhar com o Skype. E criei uma conta de gmail. E ele vai-se orientando, mas cada vez que o computador dele “misteriosamente” “morre”, o homem fica desesperado e agarra no monstrengo debaixo do braço e leva-o a uma loja onde lhe cobram o couro e o cabelo às vezes pra fazer reboot. Isto pra não mencionar que o homem está cada vez mais manco e carregar com pesos é cada vez mais complicado.

Então eu e o meu irmão já pensamos em dar-lhe um iPad daqueles fraquinhos, só pra ele poder falar connosco no facetime, e ler uns livros e se entreter. Mas eu não tenho muito tempo disponível pro ir ensinar, é uma gaita.

Um amigo meu pensou nisso e na dificuldade que muita gente tem em consertar os computadores sem os tirar de casa e criou a PcKeepers

https://www.facebook.com/PcKeepers
http://www.pckeepers.com/


Quem está longe de casa como eu e sempre teve quem deitasse a mão ao Pai, à Mãe e ao Avô ou até Avó é uma óptima ajuda.
É  uma boa solução para aqueles problemas informáticos para os quais não têm paciência nem tempo, e não têm que sair de casa.

É uma opção para o Tio ou o Avô, que vos costuma pedir ajuda quando vão jantar lá a casa, porque “aquilo não funciona”, ou gostavam de perceber como se faz.
O Paulo vai ás compras com eles, explica-lhes para que serve, qual melhor opção e depois a decisão é deles.

Para quem tem filhos, os Magalhães aguentam quase tudo, mas para o que não aguentarem, eu ajudo.

E claro, se não ficar resolvido, não tem custos.

Confiem no Paulo como em mim, é um moço honesto, não tem intenções de fazer crescer as media market cá do sítio e para comprovar a sua honestidade e valor não me lembro de nada melhor do que dizer que o Paulo foi Director de acampamentos da Candeia e que é alguém por quem ponho a minha mão no fogo. E eu não sou gaja de pôr a mão no fogo por muita gente.

Além disso, como já sabem, eu ganho cheta, nicks, zero com isto.
Bem-hajam
Sofia

Coisas soltas, pensamentos e ilações quotidianas das últimas semanas

Ultimamente tenho andado num processo de interiorização. Ando a interiorizar que já não sou expatriada, que sou efectivamente emigrante.

A diferença é que neste momento quando volto a Portugal sinto-me como o meu Tio Adolfo que voltava de 8 em 8 anos para ver os amigos e saía de Portugal feliz que nem um cuco pelos que conseguiu ver, mas desgostoso porque uns tinham falecido e muitos tinham partido e tinha-lhes perdido o rastro.

Hoje em dia há internet (abençoadinha seja!!) há skype, há facetime nos iphones e ipads, há chamadas telefónicas a preços mais contidos, há distribuidores de comida Portuguesa por todos os Países e encontrar um vinho Português ou um bom chouriço ou bacalhau já não é um bicho de sete cabeças.

A minha interiorização divide-se em duas partes: trabalho e amigos.

Começando pelo trabalho. Na semana passada soube de alguns colegas da empresa a que pertencia em Portugal que faleceram e outros que estão doentes e fiquei desolada. São pessoas de quem gosto e custa-me não estar lá pra elas, por isso gasto rios de dinheiro em telefone para garantir que mesmo longe estou perto e que as animo. Perco horas no chat para arrancar um sorriso a quem vejo tão entristecido.
Eu sempre fui uma moça bem disposta, sou nortenha, sou disparada, digo tudo o que penso e nunca penso no que digo e no meio dos meus disparates e sorrisos animo o dia a muita gente. E eu sei que não sou salvadora da Pátria nem me pagam pra ser palhacita (que nem é o caso), mas adoro arrancar sorrisos, é como o meu ego se alimenta. Vá lá, podia ser em trapos e maquilhagem, pelo menos dá-me pra isto. Sempre é mais económico, digo eu!
E à distância, com muito mimo, lá vou conseguindo, mas com noção perfeita de que tudo se deve a várias circunstâncias cuja resolução está completamente fora do meu alcance e que como tal, assim como na Candeia, é um sorriso de vez em quando, um dia de vez em quando, mas pelo menos naquele dia vê-se-lhes a cremalheira e sentem-se com mais força. Ou pelo menos é o que me dizem, e eu quero acreditar que sim.

E vai daí e escrevi um post de alma e coração em que expliquei coisas que aqui não posso êxpor mas que se resumem a: o tempo não volta atrás. Foi uma sorte e uma benção ter estado presente nos dias mais felizes de uma casa à qual pertenci com muito orgulho. Estou longe, vou manter-me longe, mas estou eternamente grata a todos quanto me ajudaram a ser feliz durante aqueles 8 anos. E como tal, cá estou eu, longe mas perto, pro que for preciso.
E entre o que chorei a escrever a minha despedida final (levei mais de quatro anos a despedir-me, sou um bocadinho lenta…) e o que chorei ao ler os comentários e a compreensão profunda de tanta outra gente que se reviu nas minhas palavras, lavei a alma e fechei mais um capítulo.

Passando aos Amigos e família.
O certo é que me custou muito voltar de Portugal desta vez porque vi os meus Pais ainda mais envelhecidos (abençoada a hora em que eu e o meu irmão lhes demos o cão que é a alegria daquela casa), os meus amigos cansados de lutar para chegar ao fim do mês, muitos desempregados porque as empresas reduziram imenso pessoal, depois foi a revolta da TSU e a manif na qual não pude estar e agora o aumento de impostos, e uma debandada generalizada dos meus amigos quase todos para imensos Países e cidade, desde Angola, a Moçambique, Alemanha, a Paris de França, Inglaterra, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Bélgica é: you name it!!
E se por um lado o pensamento imediato é: porreiro pa! Mais sítios pra visitar! Por outro reunirmo-nos novamente é cada vez mais complicado e como diz o poeta, a vida pula e avança e dou por ela que não posso nem consigo estar lá nos momentos mais importantes como o dia em que nasceu o filho de qualquer um dos meus melhores amigos, o primeiro aniversário da minha afilhada, ou o dia em que o meu melhor amigo pediu a namorada em casamento, ou que uma grande amiga vai ser operada, ou descobriu que não pode ter filhos, ou que está doente, ou que foi despedida, ou que soube que vai ser Mãe/Pai, ou que compraram um cão ou que pura e simplesmente se apaixonaram e eu não as posso ouvir e conhecer o encantado que as deixou com as borboletas na barriga. Eu quero estar perto.
E não vai poder ser, porque já nenhum de nós está perto uns dos outros.

E tenho sonhado muito, sonho com todas as pessoas que me ligam ou me mandam mensagens e me dizem: estou a morrer de saudades tuas. Tenho saudades de falar contigo, da tua alegria. Anima-me, estou tão triste. E eu arranco bocados da alma, e penso em todas as coisas maravilhosas que tenho e na sorte e saúde e amor, e amizade e telefono-lhes e arrebento-me todinha a tentar tirá-los da tristeza com a minha psicologia de bolso.
Resultado: sonho com eles e …. choro. Tenho chorado baba e ranho de alegria e tristeza, num misto que só se explica com coisas lindíssimas que me fazem por entenderem que me custa muitoooooooooo, mesmo muito estar tão longe dos momentos deles.
Vai daí um dos meus dois melhores amigos pediu a namorada em casamento, à tuno, no meio dum espectáculo. Isso já eu vi fazer dezenas de vezes, não foi isso que me fez chorar que nem uma desalmada. Foi o facto deste meu amigo, que vai partir pra Moçambique no fim do mês e que eu não sei quando volto a ver tão cedo, ter feito o pedido e uma hora depois me ter enviado uma mensagem com um filme do momento, pra que eu pudesse estar lá com eles na altura. Ou fazer de conta que estive! Foi como se tivesse estado, e ouvi-o cantar-lhe uma das minhas músicas favoritas que deixo aqui e só ouve quem quer, mas que eu prometi a mim mesma que, se ALGUM DIA eu me casar, quero entrar na Igreja ou no registo civil ao som desta música, com as vozes todas dos meus amigos a cantar em uníssono e a arrepiar-me tentando manter o passo certo em direcção ao altar onde me espera com certeza a pessoa sem a qual não vou saber viver.

All and all, e pra resumir, ando a interiorizar, e porra que custa, que afinal não vim por 3 ou 4 anos, nem mesmo 5, esta minha condição de residente no estrangeiro é permanente no mínimo nos próximos 20 anos.
E isso é ser emigrante como os meus tios foram. E não se resolve com mais viagens a Portugal.
Tenho é de fazer um planeamento como deve ser e ter uma agenda cheia de alarmes que é pra ver se consigo organizar-me a mim e aos cães pra poder viajar e estar mais presente. (suspiro)

E se gostaram de ouvir os Porto-Riquenhos lá de cima, ficam aqui mais uns links (estes senhores são Tunos PROFISSIONAIS, pagos pelo País deles para vir representar Puerto Rico cá fora e cantam e tocam de carago!)

Enfim, numa nota mais alegre tenho a anunciar que:

– os cães deixaram de roer coisas cá em casa
– que já fiz mais uns extreme make overs que publicarei em breve (quando estiverem terminados)
– que tenho uns amigos fabulosos seja cá seja lá
– que consegui a proeza de ir mudar de casa novamente em Março por um preço que pura e simplesmente não existe em Amesterdão
– que fiz amigos novos muito fixes
– que apesar da lamechice toda lá de cima sou uma gaja muito feliz, só ando com complexo de larva em crescimento, e apesar de achar que não nasci pra ser emigrante, se calhar até tenho jeitinho, é só uma questão de jogo de cintura, e eu chego lá!

Scary, mas verídico

Aqui há um ano atrás conheci um inglês que é amigo duns amigos. Super boa pessoa. É tão grande que parece um porteiro duma discoteca em largura. Daqueles rapazinhos que nós vemos na rua e pensamos: dasse, que se este gajo me dá um estalo até rodo nos calcanhares! E depois fala-se com ele e é uma doçura de rapaz, mesmo um amor. Uma simpatia. E é informático, nem sequer é portas.
Ora este moço achou-me piada e vai de me convidar pra um date da forma mais trapalhona possível tadito, ao telefone, depois de alguns dos meus amigos lhe terem dito: força, força! Continuo sem entender porque é que fizeram tal coisa sem me perguntar. Acho que estavam um bocadinho pro desesperados comigo. Mas foi com a melhor das intenções que eu sei.
O rapaz lá me telefona, eu fico à rasca, lá consigo dizer um “eh pah, agora não me dá jeito nenhum fica pra uma próxima” e pronto, despachei o rapaz com pouca elegância, mas lá foi ele, não muito contente, mas paciência. Not my style, temos pena.
Ora há coisa de uns 6 meses atrás ele começa a postar com veemência no FB passagens da Bíblia. Coisas ao estilo “o Senhor é o meu pastor, nada me faltará”, “aquele que não crê Nele jamás conhecerá o reino dos Céus”, uma coisa assim fervorosa e de tal forma séria que os amigos comentaram: já viste os posts do fulaninho sobre Deus e Satanás? O gajo virou ferrenho da Religião (nem sei qual delas, suponho que a Evangélica, mas não tenho bem a certeza) XPTO e agora é só disto! Ah e tal, foi depois do acidente que ele sofreu, virou-se praí, mas pronto, deixa-o andar, com quanto que não nos venha pregar pros ouvidos, é tranquilo. E é verdade, tem sido tranquilo.
Aqui há pouquíssimo tempo começaram a aparecer fotos dele com uma moça e o puto dele (adolescente, que os ingleses não deixam por menos), tudo só “lobe” e há coisa de uma semana atrás vê-se a foto da festa de noivado!
Eu fiquei muito contente por ele!
Ao mesmo tempo cheia de pena porque pensei: o Senhor realmente deu-lhe tudo, tudo ao mesmo tempo. Espero que não lhe dê um divórcio na volta da precipitação!
Oh minha gente, tenham lá calma convosco e com os casamentos instantâneos, que o amor é muito bonito mas não é uma corrida e lá ao fundo não há meta, sim?
Pronto, era isto, vou voltar ao bules que isto tem andado muito complicado. Mas eu volto. Tá tá!!

Uma horta na varanda

O meu Pai é o que se designa por “um personagem”. É um castiço. Quando o meu irmão comprou a casa dele teve que fazer imensas reformas e foi o meu Paizinho que andou a orientar as obras junto dos contratados e à socapa foi plantando umas ervas aromáticas e depois uma couve, e depois mais uns tomatinhos, e depois mais isto e mais aquilo. E com muita graça contava-me ao telefone as suas façanhas todo contente seguido dum: mas não digas nada ao teu irmão que ele rifa-me!
Ora a casa foi reconstruída, o meu irmão descobriu a horta e achou-lhe um piadão ao ver o meu Pai tão feliz e deixou-o plantar o que quisesse, mas só num bocadinho do seu jardim de design!
Por esta altura ele já tem um oitavo do terreno ocupado!
E eu fiquei cheia de vontade de ter uma também.
Com a sorte do céu que me caracteriza, conheci um mecinho Holandês cujo hobby é montar hortas sustentáveis em varandas ou jardins e pedi-lhe para me vir cá fazer uma.
Ficou-me por 35 euros (porque ele me emprestou as caixas), já com plantas, terra e apetrechos.

E agora tenho: tomates, uma beringela, menta, basilico, coentros, salsa, morangos (o que eu me ri com esta, se aqui quase não há sol como é que é suposto eles crescerem gordos e sumarentos? Mas veremos!), pimentos e malagueta. E se eu me portar bem, daqui pra frente hei-de ter mais coisas, estou morta por semear couve Portuguesa! E umas alfaces!

O esquema, se quiserem montar em casa, é simples:
– uma caixa em baixo e outra em cima
– a caixa de baixo leva água
– a caixa de cima tem o fundo furado com buraquinhos pequeninos e um buraco central com o diâmetro duma garrafa de litro e meio de água.
– nesse buraco central coloca-se uma garrafa de litro e meio sem o topo, e com buracos da “cintura” para baixo
– depois de colocada a garrafa na caixa de cima, põe-se a caixa de topo em cima
– põe-se terra na caixa de cima, inclusive dentro da garrafa e enterra-se as plantinhas já compradas.
– a caixa de cima e de baixo estão ainda ligadas por um tubinho (um pau de esfregona oco serve) cortado e com uma tampinha que vai server para abastecer de água com um funil a caixa de baixo.
– nas primeiras duas semanas é preciso regar as plantas uma vez por dia para manter a terra molhada.
– a partir das duas semanas, rega-se apenas quando a terra estiver já seca, ou seja, uma vez por semana, já que a água da caixa de baixo mantém as plantas.
– colocar as caixas na direcção da exposição solar, mas contra o vento de modo a que elas cresçam na direcção do sol mas o vento as empurre na contrária que é pros meus vizinhos não terem os tomates antes de mim!

Toda uma invenção, ah?

E o resultado final foi este:

À medida que a minha horta for reproduzindo vou postando mais 😉


Gosto de viver aqui!

Ontem comecei a trabalhar às 8 e meia, e eram 4 e meia da tarde e fechei o tasco. Tenho trabalhado muito, achei que merecia acabar cedo.
Equipei-me e fui ao ginásio fazer 7 quilómetros de passadeira (a Tuxa ameaçou que não me deixa subir à montanha com ela na Colômbia e eu achei melhor pôr-me fina).
No gym encontrei uma vizinha que conheci há umas semanas no ginásio, uma cachopita de 17 anos com Mãe Colombiana e Pai Espanhol de Burgos. Chama-se Teresita. É um amor e é adolescente. E eu gosto imenso de falar com adolescentes entre os 16 e os 18, farto-me de rir, de me lembrar como é que era quando tinha a idade deles, e posso fazer um “bocadinho-inho” de Candeia sempre que palheto com eles, mais na base do ser “um exemplo” pros miúdos.
Sei das coisas que eles não contam aos Pais, sou a cota fixe (muitas vezes pensam que eu tenho 26 ou 28 anos, são uns fofuruscos), e tenho a oportunidade de me tornar amiga deles. É giro, é fixe, é algo de que tenho saudades e a Teresita é a minha “Candeia” local, e ontem veio com outra amiga Colombiana também ela com 17 aninhos e estiveram-me a contar as suas aventuras dentro do gym, como quando diziam: ay que rico, ay que bueno que está el chico, ay que cuerpo e depois os tipos passavam por elas e diziam: hola señoritas! E morriam de vergonha por terem sido apanhadas “ah e tal, falamos espanhol e os gajos não percebem!”. Foi um fartote de rir durante meia hora.
À saída da passadeira encontrei um dos meus amigos do SEF e falamos mais 15 minutos, soube que a Susana Gateira.NL está a fazer o seu furor no meio dos Cloggies, bebemos um chazinho, e lá fomos cada um à sua vida, ele pro treino e eu pra casa.
Venho a pé pra casa (são mesmo 5 minutos) e encontro a minha vizinha e amiga Portuguesa com a sua filhota linda de 8 meses. Vinham de bicicleta vindas do infantário. Viemos as duas a comentar o quão giro, agradável e “quentinho” é encontrar amigos pela rua no dia-a-dia.
Nisto aparece o Pai da criança e mariduncho da minha amiga, e juntamo-nos mais 5 minutos de como adoramos viver neste bairro, onde é tudo tão limpo, tão organizado e simpático, cheio de lojas e sítios giros.
Enquanto brincamos com a Matilde aparece o Manelinho de bicicleta em direcção ao supermercado pra se reabastecer de ovos. Os meus vizinhos lêem o meu blog e brincaram com o moço, e pronto, lá nos separamos todos à porta de casa, felizes e muito contentes por esta meia hora de fim de dia em que nos encontramos, demos umas beijocas e uns abracinhos bons à Tuga, e falamos do quão bom é viver num sítio onde se gosta, não só da casa, como da vizinhança, e onde, qual aldeia, tropeçamos uns nos outros e jantamos ou almoçamos juntos, conhecemos os filhos e os cães dos outros e vamos vendo a vida avançar num País tão remoto como se estivéssemos efectivamente em casa.
É mesmo BOM!

Eu sou um pouco de vós

Não sei bem quando é que comecei nesta coisa de “bloggar”, mas o Andorinha Des-norteada começou no dia 9 de Março de 2006.
Não costumo celebrar o aniversário do meu diário de viagem, mas hoje apercebo-me que já lá vão 6 anos. E durante estes anos todos nunca fiz questão de conhecer quem me lê, quem me escreve, mas as coisas foram-se sucedendo e quando emigrei conheci pessoalmente a Tuxa e a Luna e a Ceres e ainda a minha querida Undutchable. Através da Luna tive ainda o prazer de conhecer a Sinapse. Estas cinco meninas tornaram-se minhas amigas à primeira vista e ao longo dos últimos anos a amizade vai crescendo e mantendo-se, mesmo que à distância. Gosto muito delas, foram (e são) importantes para mim e apoiaram-me inúmeras vezes e já viajei com a Tuxa e com a Luna, e já passei dias em casa da Ceres e tanto ela como a Undutchable tomaram conta da minha Petzi. A Sinapse é um caso de amizade à primeira vista e gosto dela como gosto de pessoas que já vi resmas de vezes e só nos vimos ainda duas vezes. Com a sua volta a BXL espero poder encontrá-la mais vezes.
Há ainda a do nick esquisito que começou por pensar que eu lhe ia roubar um orgão (isto é uma private) e acabou por se tornar minha amiga, e apoiar-me sempre, mas sempre, mas seeeempre e incondicionalmente em alguns dos momentos mais difíceis que já vivi. É a minha “pitinha” de estimação, de quem gosto aos molhos, por querer mostrar o seu mau feitio em público e em cada email, cada conversa, acabar sempre por ser a melhor dos seres humanos, cheia de coração e carinho e sempre lá. Gosto de ti miúda.
Conheci também pessoalmente a Vera, a “madrinha” das “minhas crianças” que passou 3 semanas cá em casa a limpar mijinhas e a dar muito mimo aos meus bonecos. Não sei como lhe agradecer, um dia hei-de encontrar um jeito.
O amigo Zé do Futebol Clube de Portugal na Holanda foi um Senhor que me apareceu caído do céu aos trambolhões via blog e que acabou por me ajudar imenso ao ajudar-me a desenrascar desde moços que me puseram o chão, pintaram a casa, caixas de mudanças.
Tenho mais sorte que juízo, digo eu muitas vezes, mas o certo é que tive oportunidade de conhecer todas estas pessoas e foram sempre, mas sempre uma benção, uma alegria, uma surpresa.

Mas este post é também para quatro meninas e um menino que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente mas com quem falo por email esporadicamente, às vezes uma vez por mês, outras vezes duas, outras vezes só de longe a longe e que gostava tanto, mas tanto de, não só as conhecer, como de lhes dar um abraço sentido pelo conforto, pelo carinho, pelo mimo, pela doçura, pela partilha, por tudo o que me fazem sentir. Waterfall, Patrícia, Izzie, margarida e Zôzô, vocês realmente não existem, parecem inventados, já que nunca vos conheci mas são mais reais que muito bom amigo que tenho.
Não desfazendo no “menino”, mas estas 4 ladies têm sido uma caixa de surpresas, uma fonte de ânimo, de entrega, de pura amizade que eu nunca esperei encontrar desta forma. Como é que é possível gostar tanto de vocês e nem sequer vos conhecer?!

É por estas pessoas que blogo, é por este carinho que continuo, é com a força delas que me inspiro, é com as histórias delas que rio, me enterneço, que choro, que tomo decisões e sigo em frente com um sorriso de orelha a orelha.

Mais aparecerão, com certeza, (Analu estás na calha), mas estas pessoas vindas sempre via blog, vão ser sempre especiais. Porque não é preciso tocar-vos, não é preciso tomar café convosco todos os dias, não é preciso telefonar-vos para que sejam especiais na minha vida.

A todos, o meu bem-hajam e o meu mais sincero obrigada.

Sofia, Petzi, Juicy e Bitoque

Parecemos uma família de ciganos

ou então aquelas sitcoms americanas em que aparecem todos de repente no mesmo Hotel no Hawai, tipo Friends.
Eu bem digo que às vezes parece que vivo dentro de uma novela, uma série, mas sem verem não é fácil acreditarem.
Movemo-nos em manada, e nem sequer planeamos tal coisa.
É inacreditável.
Cada um fez o seu plano e decidiu pra onde ia.
DOZE Portugueses decidiram vir pra Bali.
É que Bali não é já ali, é mesmo na Indonésia!
Desses SETE vivemos em Amesterdão, dois na Austrália e três em Portugal.
Cada um decidiu por si, o mês, o País, a data em que queríamos encontrar a Thessa e o Fred que andam a viajar pelo mundo e de quem, notoriamente, morremos de saudades.
Já agora, os desgraçados quando deram por ela já tinham 4 amigos à espera deles na Indonésia e depois aparecemos mais 4.
Graças a Deus ninguém sofre do coração!
Eu sei que era suposto estar nas Filipinas, mas eu e a Tuxa achamos que viajar com mais DEZ malotas ia ser muuuuuito mais divertido!
SURPRISE!

Trabalhar à Espanhola?

Ora bem, a minha amiga Laura que aparece neste vídeo foi uma das maiores promotores das mudanças levadas a cabo na empresa em que trabalha. Uma empresa Catalã, de médio porte, que se tem expandido e crescido bastante nos últimos 5 anos contrariamente à maré normal “de la crisis”.
Na Vanguardia online publicaram um artigo que pretende ser motivador para outras empresas em Espanha, e porque não, no resto do mundo (com quanto que os entendam em Espanhol).

Eu não sei se eles efectivamente dançam antes de cada reunião ou quando a reunião se torna tensa (porque não estou lá pra ver), mas sei que são práticas de Team Building que têm resultados comprovados.
Eu fiz um curso há muitos anos em que no início de cada sessão tínhamos que dançar todos ou fazer um jogo, e só depois é que continuávamos. E a verdade é que aumentou a camaradagem entre nós e trabalhavamos muito melhor. E se seguíssemos o exemplo deles? Seria isto “trabalhar à Espanhola”? Ou à “Catalã”? Ou pura e simplesmente adoptar uma postura diferente e aprender a gostar de ir para o local de trabalho?
Como diz o outro: vale a pena pensar nisto.

O artigo completo encontra-se aqui: http://www.lavanguardia.com/vida/20120202/54248189678/empresa-catalana-incorpora-juego-trabajo.html

Verdades de La Palice


Cheguei à conclusão que as pessoas se ligam às outras por anos infinitos, mesmo quando já não estão apaixonados, porque acham que aquele ser algures no tempo é que foi o correcto, e é que é o tal e o mais que tudo.
Este sentimento, não nos enganemos, é regra geral algo unilateral, porque quando é bilateral as pessoas continuam juntas, ou pelo menos tentam. E conheço casos desses, e acreditem que acabaram unidos e foi muito bonito. Depois veio o dia-a-dia em que descobriram que o outro não era perfeito, mas isso são outros 500 😉 Os verdadeiros amores sobrevivem. Acredito.
Quanto mais me contam, quanto mais vivo, mais chego à conclusão que (infelizmente) há pouca gente que saiba amar, que acredite e entenda que a felicidade deles aparece ao fazer o outro feliz. As pessoas querem quem as faça feliz a elas e não se lembram de querer fazer feliz o outro.
Conheço paletes de casais como devem imaginar e aqueles que se separaram normalmente dizem-me: porque ela/ele não me fazia feliz porque nunca pensava em mim e nas minhas necessidades, só havia as dele/dela.
Ora aqui vem a parte do eu e do nós. Eu faço-me feliz a mim mesma e posso fazer outrém muito feliz sem me anular. Aliás, eu só posso fazer alguém feliz se EU for feliz em primeira instância.
Mas voltando à vaca fria, no dia em que eu encontrar algum das minhas ex-paixões que não esteja comigo pra MEU bem, eu venho cá reportar-vos.
E abençoados sejam aqueles que têm alguém algures que se separou porque achou que não os conseguia fazer felizes, porque continuam a ser amados, mesmo que à distância.