Hey, que exagero, era agora o Afeganistão!

Dedicado a todos aqueles que viram o meu post a queixar-me das bombas na passagem d’ano na Holanda e aos ouvidos da Luna que deve ter sofrido bem mais que eu já que eu vivo no terceiro andar e passei o ano num 11° com vista sobre a cidade de 360 graus. Os fogos de artifício em Amesterdão são qualquer coisa de extraordinário, mas o resto do povo atira com bombas e petardos. Fazem competição entre vizinhos e chegam a gastar entre 300 e mil euros só nestas coisas.
Esta foto é da autoria dum amigo meu e não é permitido re-publicá-la.
Foi tirada no dia 1 de Janeiro à porta de casa dele.
Um metro quadrado de bombas…. puseram uma corda com 30 metros a rebentar com rastilho uma bomba de meio metro em meio metro.
Eu vi um animal dum vizinho meu a lançar um foguete com outro amigo e com os respectivos filhos com 2 e 3 anos a UM metro do foguete.
Todos os anos estes pirómanos têm queimaduras de primeiro grau, ficam sem mãos, sem dedos, cegos, é um pavor. Ao ponto de terem proibido a venda de foguetes e terem voltado a permitir apenas no dia anterior à passagem do ano. E eles vão à Bélgica buscá-los. É o Texas. É algo que me ultrapassa.
E um amigo meu Holandês comentou no meu FB: “if it’s too loud is because you are too old”.
E se fosses apanhar num sítio que eu cá sei?

O optimismo andou escondido, mas hoje, no primeiro dia do ano, apareceu

No último ano, talvez porque 2011 foi um ano horribilis, parece que me esqueci do meu positivismo aprendido e treinado. 

Talvez também porque 2012 foi um bom ano, com saúde para todos os meus apesar de um ou outro revés (na minha casa nunca ninguém tinha ido à faca e no espaço de um ano foram três, só me safei eu. E como dizia o meu irmão no Natal, não te ponhas fina Sofia que só faltas tu experimentar os deleites dum hospital), tive escondido numa gaveta o meu alto espírito e a sensação de que está tudo bem e vai correr tudo ainda melhor. 
Quisás porque tenho seguido muito de perto a situação em Portugal e fui contagiada pelo espírito negro de Passos Coelho, dos jornais, e da verdadeira realidade de tanta gente que ainda ontem vivia à grande e hoje emigra para escapar à falta de emprego… o certo é que regredi por um ano e passei a estar ansiosa pelo futuro.
A previdência é uma coisa boa e algo a que não estava habituada. Sempre vivi bastante bem e torrei tudo o que podia em viagens, jantares e sapatos. Gastei de mais.
Este ano aprendi a ser mais comedida e a precaver situações inesperadas e comecei um caminho diferente que me vai permitir sentir-me mais confiante no futuro, menos ansiosa se algo corre mal.
Talvez tudo isso se tenha espelhado na sensação que tive ao acordar hoje, dia 1 de Janeiro de 2013. Um feeling enorme de que vai correr tudo bem, que está tudo óptimo e que o futuro não é negro, é estrelado, cheio de estrelas e vias lácteas.
Acordei com um feeling enorme de que vou voltar para Portugal. Não este ano. Mas antes de 2016. E reparem, não disse voltar A Portugal, mas voltar PARA Portugal.
Eu não saí de Portugal desesperada por não poder comportar as contas ou desempregada. Saí pra me especializar e ampliar o meu curriculum. Há dois anos atrás vi as portas a fecharem-se à minha frente com a entrada da Troika e das mil medidas de austeridade. E senti-me encurralada. Isto não estava nos planos.
Faz hoje 4 anos e 8 meses que saí por um máximo de 2 ou 3 anos. De repente vi-me a fazer planos para saltar da Holanda para outro País que não Portugal. Só quem cá vive sabe o que custa este clima e o mal que nos faz ao espírito e o difícil que é aguentar dia após dia a falta da luz de Lisboa, a falta da família, dos amigos, dos petiscos e da vida que tínhamos e que já não existe, e saber que mesmo voltando, nada será igual. E as dúvidas existenciais que se apresentam quando ouço alguém dizer: não posso ter três semanas de férias seguidas, o meu chefe nunca o permitirá. O escândalo na voz das pessoas quando digo que entro às 9 e saio às 17, que trabalho 50% do meu tempo a partir de casa e que jamais terei essa sorte em Portugal.
Hoje, de repente, num sonho, num feeling interior senti que tudo isto vai ser possível, que vou poder voltar, ter as regalias a que tão bem me habituei e que 2013 vai ser o ano em que vou construir esse caminho.
E quis deixar este sentimento por escrito, para mim. Para um dia vir cá e saber o dia em que senti que se virava uma página. Não porque seja o primeiro dia do ano, mas porque depois de dois anos de ansiedade, senti finalmente (e novamente), que tudo tem um propósito. Que construo o meu caminho e que cada passo que dou tem uma direcção, e que tudo se conjuga para que a direcção seja a melhor possível para mim e para os meus três encantos e para a minha família.
Que assim seja.
PS: e para quem precisar de mais um empurrão, fica aqui um blog cheio de energia positiva: http://positiveenergy2.blogspot.nl/

Quem lhes desse juízo é que era!

Eu gostava de saber qual é a p…da piada de atirarem foguetes dias inteiros e estouram de tal maneira que mais parecem bombas a aterrar na Palestina. 
Seriously!
Pra mais são as crianças que o fazem porque os paizinhos lhes compram fogo de artifício. São 3 dias desta m… non-stop!!!!
O que me vale é que os meus cães não entram em pânico, senão estava bem lixada.
Estou preparada pra um cenário de guerra.

O “berdadeiro” emigrante

Traz consigo uma mala a mais so pra poder fazer chegar ao Pais de acolhimento as delicatessens da santa terrinha, a saber: um belissimo queijo da serra, um kilo de presunto, couves Portuguesas e tronchudas pra congelar nao va apetecer um cozidinho a Portuguesa, 4 ou mais chouricos e alheiras e se ainda conseguir traz vinho e aguardente feita pelo Primo, Tio ou Avo.
Eu, alem disto tudo (excepto o vinho) porque ja nao havia peso que aguente ainda trouxe: um mini-aspirador, uma maquina pra cortar o pelo aos caes e outra pra secar os xuxus e 5 livros novoa. E la estao 21 kilinhos e uma emigra muito satisfeita!

Comparação do custo de vida em cidades pelo mundo

Estou a pensar em emigrar, quanto é que custa a vida na Holanda?
Quanto é que eu tenho que ganhar pra ter o mesmo nível que aqui em Portugal?
Será que neste emprego me estão a oferecer muito ou pouco?
Heeeeeeeeey, os gajos pagam dois mil euros limpos por mês! Isso é altamente! Pois é, depende é em que cidade e em que País.

Verdadeiro serviço público: http://www.numbeo.com/cost-of-living/comparison.jsp

Neste link podem comparar até o preço do leite de cidade para cidade de País para País.

Eu vou guardar o link para quando escolher o próximo destino e acho que vocês deviam fazer o mesmo. Serve até pras férias para saberem quanto custa a vida no sítio aonde querem ir.

As novas medidas de austeridade Holandesas

Leiam, pensem, comentem.
Vejam até o detalhe de se reduzir os impostos, banir animais selvagens dos circos e o facto de cada vez que eu for ao médico e “estiver tudo bem” ter que pagar 50 euros.
Entre o óptimo e o ridículo, há de tudo.

O que mais me vai doer é o Healthcare benefit. Tenho que me informar seriamente se não haverá alguma forma de eu deixar de ter médico de cabeceira aqui ou tê-lo com um seguro internacional em Portugal.
Como residente há mais de 2 anos, sou obrigada a ter seguro de saúde na Holanda, penso eu.
Mas se alguém souber como contornar a regra, que me avise por favor.

E o motivo é simples: a medicina na Holanda é uma valentíssima merda. Terei eu que pagar 50 euros por estar a arder em febre, ir às urgências e o gajo me dar paracetamol?

Este é o meu comentário, espero os vossos.

Está tudo aqui: http://www.dutchnews.nl/news/archives/2012/10/coalition_accord_the_main_poin.php

Coalition accord: the main points

Monday 29 October 2012

The coalition agreement drawn up by the right-wing VVD and Labour party (PvdA) sets out the new alliance’s strategy to 2017.
The main points, including those already leaked over the past few days, include:
Taxes and finance
• The highest tax band will be cut from 52% to 49%
• The third tax band will go down from 42% to 38%
• All workers to get an extra tax-free allowance of €500 a year by 2017
Housing market
• Mortgage tax relief will be reduced by 0.5% a year from 2014 for both new and current mortgages
• Social housing rents to rise: 1.5% plus inflation for those earning below €33,000, more for higher earners
• Housing corporations to focus again on social housing
Education
• Student grants will be replaced by loans and the fine for slow students will be scrapped.
• Free travel for students to be replaced by discount card
• Tougher standards for teachers, more practical teaching
• Free school books to be scrapped
Healthcare
• Healthcare benefit will be scrapped
• Health insurance premiums will become income-dependent
• Own-risk to become income-dependent from 2014
• €50 fee for ‘unnecessary visits’ to hospital A&E departments
• Pay freeze for health sector staff
Employment and social security
• Earnings-dependent unemployment benefit (WW) to be cut from 38 to 24 months
• Quotas to be introduced on employing the handicapped
• Golden handshakes to be restricted to €75,000
Finance sector
• Performance-related pay in financial sector to be capped at 20% of basic salary
• Bankers to swear an oath of integrity
• ABN Amro to be privatised when financial markets are stable
• Bank staff screening to be extended to all involved in major transactions
Equality
• Civil servants will no longer be able to refuse to marry gay couples
• Local councils will have the right to decide whether or not to allow Sunday shopping
Immigration and integration
• An amnesty for refugee children who lived in the Netherlands for more than five years
• Restrictions on workers from Bulgaria and Romania to be lifted in 2014
• Residency requirement to vote in local elections to be increased from five to seven years
• Immigrants to be excluded from welfare (bijstand) for first seven years of residency
• Residency requirement for nationalisation to increase from five to seven years
Public sector
• Organisations funded by public money to be banned from derivative trading
• Local government to be overhauled
• Noord Holland, Utrecht and Flevoland provincial government to be merged
Infrastructure
• Old-timers will no longer be exempt from road tax
• Regional airports to be developed
• Hedwige polder to be flooded
Other
• Plans to win the 2028 Olympics scrapped due to ‘lack of support in society’
• A ban on wild animals in circuses
• Holland Casino to be sold
• The legal drinking age for all alcohol to be increased to 18
• The cannabis card (wietpas) to be dropped, admission restrictions to remain
• Taxes to go up on alcoholic drinks and tobacco
• Prisoners to pay a contribution towards their upkeep
• Face-covering clothing banned in public buildings and on public transport
• €1bn will be cut from the development aid budget

O Inverno já é mais que certo

E as árvores cheias de cor do Outono estão claramente a ficar cada vez mais depenadas depois destes “ventinhos” e “bonanças” que nos têm assolado.
Este fim de semana esteve um sábado radioso. Frio, mas muito solarengo e peguei na família canídea e fui até Breukelen.
Pela primeira vez num ano a Petzi pode correr à solta, sem trela. Correram os três e eu também.
Ficaram ainda mais sujos, mas curiosamente, não sei se era da alegria ou da paz que nos invadia às duas, a Petzi não ladrou a cão nenhum, não foi dominante, territorial, não se sentiu possivelmente ameaçada por vacas e pastos. E os mais pequenos também não.
Tenho a sensação que este stress, esta necessidade de territorialidade só apareceu quando nos mudamos para Amesterdão. Até então nunca ninguém tinha ouvido a voz da cadela, pensavamos até que não ladrava.
A cidade não lhe faz realmente bem, mas eu não posso voltar a viver nas berças. Dava em louca.
Por isso ontem fui assinar o contracto da minha quinta casa desde que cá vivo.
Vou-me mudar em Maio do próximo ano, que a dita cuja ainda está em construção.
Consegui uma casa igual (ou melhor) que a minha actual, apenas uns metros ao lado da minha, pelo que me fico pelo mesmo bairro, mas que, como tem uma mesquita em frente, me custa menos 600 euros por mês!
É o rooftop, só é pena não ter acesso ao terraço da casa…mas é o último andar e espero que tendo uma varanda tão elevada lhe passem as manias de que é a maior da cantareira cá do bairro. Afinal, que visão vai ela ter dum sétimo ou nono andar?
A coisa que mais me aborrece é pensar que vou ter que empacotar tudo novamente, colocar um chão novamente, pintar uma casa novamente, enfim, mudar-me: novamente. Mas é só daqui a sete meses, não vou pensar nisso. Embora não me importasse de me mudar já amanhã, que 600 mocas, são 600 mocas!

A outra parte boa é que os meus vizinhos do lado vão ser um casal amigo e os vizinhos do rés-do-chão também. Conseguimos os melhores apartamentos do prédio graças à minha persistência e à rapidez com que eles disponibilizaram os documentos às agências.
Fui tão chata, mas tão chata, mas tãooo chata com os senhores da agência que eles até já sabem o meu nome e acharam o máximo que os amigos fossem todos viver pro mesmo prédio. E nós também 🙂

E enfim, um dia enrolado no outro, cheia de trabalho ao ponto dos meus chefes me terem obrigado a tirar férias por verem que eu estava a fritar da lula, cá a coisa vai andando, um dia atrás do outro, uns realmente bons como no sábado ou o domingo enroscadinha nas mantas do sofá a ver “The Wire”, outros realmente merdosos como a passada segunda-feira em que literalmente me rebentou a bolha.
Quando se está realmente cansado, por muitíssimo bem que a vida nos corra (que corre!), às vezes fica-se sem forças, sem vontade de fazer muito mais que o obrigatório e é nessa altura em que temos que ser conscientes e: parar.

Que é o que vou fazer a partir de quinta-feira. NADA. E que bem que me vai saber!