“A” Alto Astral

Tenho uma grande amiga que é o maior alto astral possível.
Quem é que pode ficar em baixo com frases como estas?
– sinto mesmo vontade de partilhar a minha vida com ele
– com calma que eu tb não tenho vontade de andar para aí a combinar carpetes com cortinados…
– sabes como é que é o meu síndrome peter pan…
– mas aproveitar a maior aventura de todas que é o amor!!
– claro que dá medo mas a vida é mesmo assim…
– afinal ainda há tanto para descobrir e partilhar
– no outro dia ficou toda a gente espantada porque eu disse que aos 28 estou ansiosa pelo que vem aí
– para além de não querer voltar atrás porque já sei o que é que aconteceu e isso n tem mta piada
– estou ansiosa pelo resto da minha vida
– isso é que é giro
– olho em frente com mil possibilidades e uma grande vontade de ver qual delas é que vai acontecer
– ou mesmo que surpresas é que me esperam que eu nem sequer consigo imaginar agora

Se tivessemos todos METADE do teu alto astral miúda, este mundo era muito mais divertido! Quero ter a tua capacidade de me apaixonar tão intensamente por alguém, por algo, pela vida, nem que seja só por um tempo definido, mas ter essa capacidade de viver intensamente e sempre com alegria, sem drama, com uma boa onda incrível. E venham de lá os que te criticam e a capacidade que tens de lhes mostrar sempre, como dizia o outro, que as observações deles resvalam na couraça da tua indiferença! És linda garota!!

Desabafo…

Ou o meu inglês é “muita bom” e estes gajos não me acompanham, ou então DEVO FALAR CHINÊS!!!!!!!!!
É, NO MÍNIMO, a quinta vez que digo à besta do chefe de projecto que não pode por e tirar “peças” ao projecto de segurança como bem lhe apraz, precisa duma “risk letter signed by the customer”, mas ele não quer fazer nem uma, nem outra!
Este homem irrita-me. GORDO! BUCHA! ESTÚPIDO! DISSIMULADO! BURROOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!
Que neura senhores!! Que neura!!
Sinceramente, o inglês de alguns deixa muito a desejar….

E…hoje é sexta!!!

Sábado vai ser passado com amigos em Antuérpia enquanto escolho outra “boneca” como a Petzi para oferecer ao meu Pai pelos anos.
Domingo vou passear com a Undutchable e depois ela diz no blog dela onde é que fomos 😀 Até porque ainda não sabemos mesmo, mas vamos laurear a pevide com duas cadelinhas lindas, e tá dito.
Segunda há mais, mas por enquanto….

Are you Portuguese?

Um queridíssimo colega holandês que nunca vi mais gordo deixou-me plantada pra uma reunião hoje às 10 da manhã. Coisa muito pouco habitual, o senhor lá deve ter tido uma emergência, o certo é que dei comigo no edifício principal da IBM, sozinha numa sala, a mandar uns mails enquanto esperava.
De repente ouço um som familiar da sala ao lado, mas pensei: nah, tás-te a passar, é agora português! Tão lá dois homens ainda pra mais um deles é tem o cabelo branco e olhos azuis. Nah.

– E diz-me a esse caralho que mande as peças já!

Não pode!!! Isto é português com certeza!! E da minha terra carago!

Ora pois então conheci o Sr. Mário e o Victor do Porto, ambos muito simpáticos e trabalham aqui há…bem, um desde 71 (chiça que eu ainda nem tinha nascido!), e o outro devia rondar aí uns 30 e muitos muitos, se não tivesse já 40, e estava por cá há uns 15 anos.
Foi castiço. Soube-me bem, foi engraçado pelo pouco habitual que é reuniões tugolesas no escritório. And now, switching back to english, the morning goes on (e os cabrões dos holandeses pra segunda reunião estão também atrasados!! Estes tipos que são mais certinhos que relógios, coisa que tanto aprecio, hoje estão todos virados do avesso!) and on, and on …

A raça Lusitana

Não costumo falar de política, nem da Economia, não por desconhecimento ou falta de atenção ou gosto. Sinceramente é raro discutir este tema a não ser numa tertúlia com amigos onde existe um debate e troca de ideias e não um monólogo, mas hoje vou abrir uma excepção.
Tal como os Pais, achamo-nos no direito de falar mal do nosso País, mas não permitimos que estrangeiros o façam. Quando falamos de Portugal com externos, gabamos sempre a beleza do nosso cantinho à beira mar plantado, a excelsa comida ou a amabilidade dos nossos conterrâneos.
Entre nós, é cortar na casaca até mais não.
Desculpem lá qualquer coisinha, mas vamos deixar de ser arrogantes.
Portugal é um País, como muitos outros, carregadinho de defeitos, de políticos de merda, de políticas orçamentais e monetárias (que desde a UE que não tem muita margem de manobra) defeituosas, de má gestão, de corruptos, de jornalismo sensionalista, de políticas educativas muito sui generis e pouco inteligentes, com uma falta de atenção e aplicação de medidas na Saúde que deixam escandalizados os mais pobres de espírito, mas ORA PORRA! Foi neste País que nasci, foi neste País que cresci, foi este País e as suas opções que fizeram de mim a pessoa que sou hoje, tanto ao nível profissional como pessoal.
Eu emigrei, contrariamente a muita gente, porque quis ver como funcionava o sistema cá fora, e não porque tivesse falta de oportunidades de crescimento de carreira em Portugal.
Estudei um ano em Espanha e posso-vos dizer que vi o ensino universitário mais miserável e mais irrealista em termos de preparação para o mercado de trabalho possível.
Sei que há países e universidades onde o ensino é melhor que o que recebi na Universidade de Coimbra, mas na comparação de performance entre mim e os meus amigos oriundos de tantos outros países, a minha estava bem acima da média. Há boas e más universidades e bons e maus professores em todos os lados e nem sempre ser-se inglês quer dizer que se tenha estudado em Oxford. Nem sempre ser-se americano quer dizer que se tenha estudado em Harvard. Nem sempre ser-se espanhol quer dizer que se tenha estudado nos melhores Colégios Mayores. Nem sempre ser-se italiano quer dizer que se tenha tirado o curso na Católica de Milão. Nem sempre ser-se português quer dizer que se tenha tirado o curso no Técnico.
Mesmo assim, todos trabalhamos em conjunto e achamos que o outro tem valor. Só não nos valorizamos é a nós.
Os melhores técnicos informáticos que conheço, para vossa informação, tiraram o curso na Universidade do Minho, na Universidade de Aveiro, no Instituto Superior Técnico de Lisboa ou na Faculdade de Ciências de Lisboa (entre outras). Tenho umas saudades dos Técnicos que deixei em Portugal que vocês nem sonham! Tomara eu ter UM deles aqui a ajudar-me a levar pra frente os meus projectos. Bastava UM para eu me sentir mais confiante quando apresento um deadline. Os holandeses não são despreparados, mas não têm a capacidade de “tocar várias teclas dum piano”, são especializados num ponto único e não é essa especialização que os faz mais produtivos ou eficientes.
Quando vou a um médico na Holanda sei que não tenho listas de espera de 3 anos e que sou atendida às horas em ponto, mas ir lá ou ficar em casa, a diferença é muito pequena pra não dizer nula. São uma autêntica nódoa em conhecimentos, e caso não saibam, a Holanda é dos países com maior taxa de mortalidade de cancro.
Os comboios funcionam que nem relógios e a horas, é certo. Há uma quantidade e qualidade de transportes extraordinária, mas sabiam que as linhas de comboio alemãs mesmo aqui ao lado são miseráveis e que ainda usam comboio de 1800 e troca o passo? Também sabiam certamente que Londres foi das primeiras cidades a ter metro e que nós estivemos 30 anos debaixo duma ditadura e que temos muito que andar. É certo que em cada obra que é feita há sempre um filho da puta que limpa uns milhões e os mete ao bolso. Sabiam que os dividem com os empresários estrangeiros que vão “investir” em Portugal? Ai, se calhar não…é que as Ilhas Caimão e os cofres na Suiça estão cheios é de capital português!!
E a taxa de desemprego em Portugal? Impressionante!
E a quantidade de gente que eu conheço que diz a plenos pulmões: eu em Portugal ganhava 500 euros por mês pra fazer o que faço aqui por 2000. Sim, mas quando pra cá vieste não te importaste de trabalhar como secretária, limpar casas e/ou escritórios, ser barman ou trabalhar num restaurante, mas em Portugal: NEM PENSAR! Isso lá está ao nível da minha educação?! Porque o fizeste aqui então?
Porque aqui é o País das oportunidades!!!E porque ainda não encontrei emprego na minha área, mas vai surgir!
Pró raio que vos parta!
Se dão ao litro CÁ, porque é que não deram ao litro LÁ?
Sabem por acaso quantas pessoas há na Holanda, portuguesinhos da silva, que já emigraram há um ano e que não saíram da cepa torta e estão cá a ganhar trocos mas por cá ficam, porque afinal de contas, eles vivem no estrangeiro e os colegas/amigos ficaram em Portugal a ganhar 500 euros e a ser secretárias?! Mais que as Mães!
Nós somos aquilo que fazemos de nós. Nada cai do céu, o litro dá-se cá dentro e lá fora, não é só lá fora caramba!
Se querem um País melhor, façam por ele!!
Tornem-se empresários individuais, abram as vossas empresas para exportar as vossas ideias e fazer o que mais gostam. É duro? Dá trabalho? Há pois é? Quem foi que disse que trabalhar não dava calos?
Mexam-se! Cá ou lá, não me interessa! Não falem por falar, façam o favor de ter cérebro activo e corpo militante e não apenas língua viperina. Ninguém é mais nosso amigo que nós mesmos.
E quando falarem mal do País onde nasceram, lembrem-se: treinadores de bancadas há muitos, Mourinho há um.

Um CD para mim

Hoje um amigo meu ofereceu-me um CD que ele compilou p’ra ele próprio e como achou que eu ia gostar, ofereceu-me uma cópia.
Acho que foi um mimo porque quando estive em Portugal me lembrei dele e lhe comprei uma pulseirita de pulso, e pronto, o moço ficou todo encantado com o gesto e lá decidiu retribuir.
A verdade é que as amizades se constrõem muitas vezes destes pequenos gestos e é fixe.
A primeira música do CD é muito bonita e pouco conhecida. A única coisa que encontrei no youtube foi este self-movie feito pelo tal Jay. É o que há enquanto não aparece um produtor que o projecte na carreira que ele merece. Ele explica. Um cadito demorado…se tiverem com pressa, passem à frente e apanhem a música por volta do minuto 2.

Jay Brannan:

O resto do CD está brilhante e as músicas são as que se seguem caso queiram fazer um para vocês também. Já que me deixou tão bem disposta, acho que devo partilhar:

1. Half-Boyfriend – Jay Brannan
2. Californication – String Tribute to The Red Hot Chili Peppers
3. Appetite (For Lightin’ Dynamit) – Citizen Cope
4. Ur so Gay – Kate Perry
5. Ulysses – Franz Ferdinand
6. Lies – McFly
7. Spiraling – Keane
8. Human – The Killers
9. I’m Yours – Jason Mraz
10. You Found Me – The Fray
11. Breakeven – The Script
12. Take Back The City – Snow Patrol
13. Long Division – Death Cab For Cutie
14. Them vs You vs Me – Finger Eleven
15. Sex On Fire – Kings Of Leon
16. Sweet Child of Mine – String Tribute
17. Sometime Around Midnight – The Airborne Toxic Event
18. You’re My Star – Stereophonics
19. Shadow Of The Day – Linkin Park

Claramente, o meu amigo tem muito bom gosto musical.
Have fun!

Copo meio cheio ou meio vazio?

Depois de 6 horas de reunião seguidinha e 3 horas de carro, cheguei a casa às 5 e meia da tarde e consegui apanhar o pôr do sol.
Os dias cresceram finalmente, e agora é sempre em contínuo até ao pino do verão em que passa a amanhecer às 5 da manhã e anoitecer às dez e meia da noite.
Confesso à malta que já cá estava e a quem disse que não me afectaria a falta de luz que … estavam certos. Em Janeiro quase que começo a bater mal com a falta de luz de dia. Eu pensei que a malta falava em sol…disso nem nos podemos queixar este ano porque tem estado bem bom. Frio, mas dias de sol bonitos.
O que me transcendeu completamente foi ver o sol a nascer às 8 e meia da manhã e a pôr-se às 5 da tarde….aí sim, ia pirando da batatinha!Dou a mão à palmatória ao Frankie, à Tuxa, à R., à T., e a todos os que tanto me alertaram e aos quais disse: nahhh! Tásse bem!

E o tanas!!Pro ano em Janeiro tou fora daqui podem ter a certezinha!

Quisás por isso hoje vibrei tanto com o pôr-do-sol às 6 e meia da tarde e reparei em coisas em que nunca tinha reparado, como que os canais no meio dos campos ficam completamente vermelhos com o reflexo do sol. Ai…fosse eu fotógrafa!! Divinal é o que tenho pra vos dizer. Passei com a Petzi até bem mais longe que o normal, e só não me estiquei mais porque estavam uns belos 4 graus…bem melhor que o -1 que estava hoje quando saí de casa!

Enfim, cheguei a casa e fui reparando como sempre nas actividades dos meus vizinhos (têm as janelas abertas: temos pena!): na menina organizadinha sentada à secretária (hoje não é dia de namorado, nem dia de passar a ferro), no Senhor que vive sozinho e que cozinhava um bom jantar, todo ele armado de avental, colher de pau na mão, e um copo de vinho em cima da mesa…..e vai daí, achei que ele é que tinha razão, e quando cheguei a casa abri uma garrafa, servi-me e fui pra minha varanda acabar de contemplar.
Belo dia!
E tot ziens, que amanhã vou pra Colónia fazer companhia à Ariadne no Carnaval de lá.
Dizem que é bombástico…!

Cuentame – Conta-me como foi

Já por mais de uma vez falei no “Conta-me como foi” da nossa RTP1. É decididamente a minha série favorita, e nem aqui (onde Judas largou as botas!) perco um episódio.

Confesso que passei a compreender muito melhor os meus Pais e os amigos deles e frases como: “ele é homem e tu és mulher, é diferente!” (quando surge a confrontação sobre o que o meu irmão faz e eu “supostamente” não posso fazer, ou não parece bem que eu faça!) desde que vejo a série.

A série é adaptação da série espanhola “Cuentame”.

O Cuentame é uma versão muito parecida, mas com outras preocupações e reflexões sobre o final da década de 60 e início da de 70.

O que talvez não saibam é que os meus Pais são de uma Aldeia/Vila muito perto da fronteira com Espanha, e que a minha Mãe foi educada a 3 kms apenas da linha que atravessa a antiga divisória.
Hoje vi um episódio, e vai daí…aprendi mais um bocadinho…porque no fundo a minha Mãe foi educada pelo meu Padrinho, e eles viviam não só Portugal, mas também Espanha dada a proximidade.
Além disso tenho muuuitos e bons amigos espanhóis e na sua grande maioria, bem mais velhos que eu, pelo que esta série também me ajuda a entendê-los (e a falta que me faz às vezes!!)
Neste episódio “o puto” pira-se de casa, e enquanto na série portuguesa leva um papo-seco com queijo para se alimentar durante a noite, na série espanhola leva uma barra de chocolate!!!!

Ir a Melgaço quando eu tinha 4 anos (em 80), era sinónimo de comer pão com chocolate e chorizo Revilla. Ai as lembranças boas que tenho do meu Padrinho que “estragava” os netos (e os sobrinhos-netos) com guloseimas e nos ensinava a conduzir num carro com dois volantes enormes…as saudades e o carinho que tenho pelo meu querido Tio Aprígio, que pese o seu mau-feitio com as filhas e a sobrinha (a minha Mãe), era um autêntico mensageiro da Alegria para os netos.
Foi ele que “criou” a minha Mãe, e ela apresenta ainda hoje uma mistura estranha entre o “português típico” daqueles tempos e a “espanhola” que nunca foi. Podia e ia a bailes com as amigas, mas nunca entrou numa bôite, vestia-se segundo a tendência espanhola mais à frente da portuguesa, mas trabalhava numa loja de venda de tecidos que vinham contrabandeados de Espanha. Gostava de Cozido à Portuguesa, mas dias de festa eram aqueles em que tinham Calamares para oferecer às visitas.
Enfim, toda uma tendência que pese a minha casmurrice de miúda em odiar Espanha e tudo o que de lá viesse (excepto os chocolates e o Revilla, tá claro!) me fez viciada em Barriguitas e gomas e calamares e gambas e Pulpo a la Gallega e Tortilla e na revista Hola!até aos dias de hoje 😀
Vá lá a gente perceber estas coisas! Quisás, si me cuentan como te ha ido y como has conocido la felicidad lo pueda entender!
By the way, a cantora da versão espanhola é (se não estou enganada) a vocalista de “La Oreja de Van Gogh” que recomendo vivamente.
Un besote! Beijos e boa semana!