Cinco anos de Holanda

Pra quem vinha por dois anos, três no máaaaximo, já cá cantam cinco.
1
2
3
4
5
CINCO. E não me posso queixar, até me tem corrido bem, tenho amigos (dos bons), há saúde em casa, tenho três (1, 2, 3) cães, uma casa fantástica, muitas viagens no pêlo e uma qualidade de vida incomparável.
O que me falta? A esplanada da Graça e o sol e o Tejo. A minha família. Os meus amigos que já estão espalhados pelo mundo inteiro. A minha comida. A minha língua. O meu País, que está em frangalhos, cheio de chico-espertos e corruptos, mas também carregado de boas pessoas, de gente inteligente, de gente afável e telenovelas pirosas, mas que são a minha gente, a minha terra, e o sítio para onde quero ir. Falta saber dentro de quanto tempo. Se calhar ainda conto mais 5, mas espero bem que não.
Mas se contar, tenho a certeza que os contarei feliz. Como sempre 😉 Let the dice roll! E que os meus lemas estejam contigo! Good things are going to happen! Sometimes wrong choices bring us to right places!

E o que chove nesta terra?

Hoje o tempo piorou à séria, mas ainda conseguimos aproveitar a manhã pra ir até Ginetes ver a piscina natural que se forma no mar. A cor da água cristalina é indiscritivelmente azul clara. De lá fomos tentar ver a Lagoa das 7 cidades pela terceira vez, já que na segunda e na terça não se via um palmo à frente do nariz. Tivemos um bocadinho mais de sorte, pelo menos sempre vimos mais qualquer coisinha, mas nada de especial. Lá vamos nós ter que lá voltar novamente!
De lá fomos até aos Mosteiros ver as pedras vulcânicas erigidas no mar há 500 anos pela natureza. E depois … Depois caiu um tromba de água e um temporal tão grande que tivemos que ir almoçar a um tasco e voltar pra casa!
Mas depois de jantar fomos ver a Adriana Calcanhoto e gozamos do privilégio que é ouvir aquela voz com novas músicas e novas letras. Dêem uma vista d’olhos ao último álbum dela que tem uns poemas fantásticos.
À vinda pra casa ainda vimos um niquinho do rally, estava tudo histérico. Como não sou fã de “ajuntamentos” bazamos. Mas amanhã se não chover (duvido muito!) vamos com uns amigos ver o rally de perto num local qualquer atrás do sol posto. A parte mais fixe é que depois vamos malhar uns pregos no pão que dizem ser os melhores da ilha e comer é cá comigo! Gostava de descer a Lagoa do Fogo, mas enquanto houver rally tou lixada. Não falemos da chuva, nãooooo é?

E bacas? Já vos disse que há bacas nos Açores?

Então é assim: os Açores tem o mesmo clima maravilha que Amesterdão. Nada que eu já não soubesse, mas a Joana fica pasma todos os dias com a descontracção com que olho pela janela e digo: ya, nublado. Bem, ‘bamo lá embora Fernandes?
É mais do mesmo, mas como eu no último ano aprendi a fazer tudo seja com que clima for, encaro o nublado como: enquanto não começar a chover “tasse bem” e quando chover, abrigamo-nos e esperamos que passe. E foi assim que no primeiro dia enfiamos 9,17 kms no lombo entre a Vista do Rei e o Pilar da Bretanha e no segundo dia mais 9,33 kms nas Furnas, à volta da Lagoa e na subida ao Pico do Ferro. Era preciso abater o cozido das Furnas que mandamos a baixo (bem bom!! Mais adocicado que o do Continente, mas muito bom mesmo!) E pra não variar, vimos vacas. Bué vacas. E uma paisagem lindíssima de cortar a respiração.
Portugal é mesmo um espanto de País e os Açores têm uma beleza natural que deixa a Suiça a um canto. A chatice é o nevoeiro e a chuva, mas por algum motivo é tudo tão verde, e óbvio, há pastos e vacas. É que é mesmo muita vaca!

Já agora e antes de por as fotos, nós ontem esquecemo-nos de contar que os Pais do bebé Jorge que nos deram boleia eram agricultores e pastores. Nós tocamos à campainha duma vivenda com bastante bom aspecto mas os senhores eram muito simples. O carro era aparentemente novo (ou bem cuidado) e era um carro normalíssimo, nada de bms ou audis. Vai daí numa de fazer conversa com os senhores perguntamos o que é que faziam e eles disseram-nos: temos vacas. E nós fomos falando sobre animais e tal, mantendo a conversa simples, pra nao ofender os senhores e comunicarmos decentemente com os nossos salvadores. Eu fiz montes de perguntas sobre vacas, a Joana sobre os tipos de comida que se dáo às bichas, e nisto diz-nos o Pai do bebé Jorge: (ler com carregada pronúncia Açoreana) mas como é que se perderam? As meninas não têm um smartphone? Tem os mapas da TMN e o googlemaps.

Juro-vos que nos enterramos no banco do carro com a vergonha. Fenix, o pastor sabia perfeitamente de tecnologia e nós a fazer conversa sobre vacas!
Será que os gajos que inventaram a publicidade do “touxim? É pra minhe!” também se perderam nos Açores?

Post a duas patas

Os Acores têm muitas vacas. Bué vacas. Paletes, resmas, contentores de vacas! Também tem lagoas, mas nós não as vimos porque pura e simplesmente o nevoeiro cerrado não deixou. Aliás, a expressão não se vê a ponta dum corno aqui não se aplica. Vimos montes de cornos, não vimos foi mais nada.
Tambem não se aplica a expressao ‘não se vê um boi’ porque esses veem-se e de que maneira… Felizmente hoje, o nevoeiro levantou e assim, alem de bois e vacas, tambem ja comecamos a ver nativos.
A caminhada era de 2 horas e sete kilómetros, coisa que se faz com uma perna às costas, mas 7 kms depois estavamos no meio de nenhures. Gracas ao iphone conseguimos ubicar-nos no meio dum monte e longe pra cacete do nosso carro. Eram 8 e meia da noite e comecava a nao ter grande graca ver bois e vacas. Ate porque, na verdade, comecamos a nao ver nada porque a noite eatava a chegar e percebemos que estavamos bastante longe da eatrada mais proxima… Como o que não tem remedio, remediado está, descemos durante uns infinitos 20 minutos, até chegarmos a uma coisa que se aproximava bastante de uma estrada regional… Mas, para espanto dos senhores ouvintes, nao tinha carros…e o que passou por nós ignorou brutalmente o nosso pedido de boleia.
Vai daí, não havendo outro remédio, tocamos à campainha mais próxima e tivemos sorte. Os senhores em cuja cabecinha há-de sempre brilhar uma estrelinha, perceberam que as meninas do “contenente” eram boas pessoas e levaram-nos até ao nosso dirigível. Migos, fizemos mais de 20 kms de carro pra chegar ao local. O bébé Jorge adormeceu ao kilómetro 5. Sabiamos que nao tinhamos muita gasolina no carro e por isso perguntamos aos nossos companheiros de viagem qual era o posto mais proximo. A resposta deixou-nos em panico: ‘Ponta Delgada!’ E portanto, ja nao bastava fazer uma estrada de serra no meio da noite escura e sem ver um palmo à frente do nariz com o nevoeiro e em ponto morto, porque o carro ficou na reserva ao fim dos primeiros 100 metros! O que vale é que a nossa convivencia de perto com vidas muito dificeis nos fez perceber que tudo tem solucao, mesmo no meio do maior desespero, e, por isso, la fomos nos, todas contentes, sem gasolina e sem saber onde estavamos, a cantar animadamente e a bater palmas!
Next stop: um bife à favorita na Cervejeira Melo Abreu!

Escrito por Andorinha e Joana Fernandes (www.cafesnopateo.wordpress.com)

Going Abroad: It’s a State of Mind – retirado do Internations.

Going Abroad: It’s a State of Mind!

Going Abroad: It’s a State of Mind! Fotolia

Emotional Preparations

Go for the Right Reasons

Examine Your Motivations


Vale a pena pensar nisto 🙂

É com cada ave rara…

… eu não sei como é o vosso local de trabalho, mas o meu é certamente dos mais … estranhos? será um bom adjectivo? com que já me deparei.
Trabalhar com geeks é sempre uma caixinha de surpresas, até porque a maioria relaciona-se melhor com máquinas que com seres humanos, e dá-me a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, muito mais genuínas e sinceras que o normal que se encontra por aí.
Normalmente sinto-me dentro de um “Big Bang Theory” ao vivo e a cores em que eu nitidamente sou a “loira”, mas não me importo. Até porque, tal como ela, acabo por fazer amigos extraordinários. Sui generis, com toda a certeza, mas muito, muito boas pessoas.
Se em Portugal era banal eu “fazer amigos entre os animais”, aqui na Holanda é raro. Vamos lá a ver, eu gosto das pessoas com quem trabalho, tenho uma equipa mesmo porreira, cinco estrelas, mas depois há toda uma amálgama de gente que me rodeia e que são capazes de dar com o mais santo em tolinho, tudo porque pura e simplesmente ultrapassam o limite da razoabilidade do geek.
É com cada ave rara que vocês nem imaginam. Nem os filmes os conseguem reproduzir, camandro!
É claro que se a ave rara não interagir comigo, eu limito-me a observar e sorrir e seguir em frente. Às vezes faço reparos mentais, como quando vi um colega tão mal vestido que pensei que era um trolha, ou outro que parecia um lenhador, ou até quando passei por uma colega que era tão grande mas tão grande que a minha cabeça lhe dava pela anca! Quer dizer, nesta última ia ao telefone com o meu Pai e pude exclamar, como se o meu Pai a pudesse ver, tshiii Papá, ca ganda besta que passou por mim! Parecia um poste, não tás bem a ver! Dasse, que ela dava três de mim, cada mão parecia uma raquete!
Mas pronto, fora esta vez, normalmente não digo nada, até porque se há coisa que aprendi na Holanda foi que neste País cada um é como cada qual e além de ninguém ter nada a ver com isso, eles estão bem a borrifar pra minha opinião, por isso mais vale calar.
Agora, se interagem comigo e são mais esquisitos que um Hobitt, pera lá que a coisa muda de figura!
É que aí não é esquisito de aspecto, é mais como sentir que está a falar com alguém doutro planeta, “man”, a sério, é gente muito estranha. Muito mesmo.
Então se fazem caras estranhas e incompreensíveis depois de eu lhes fazer uma pergunta e ainda se remetem ao silêncio em vez de me responder decentemente, E AINDA POR CIMA olham pra mim como eu é que fosse a “esquisitóide”, então aí, eu que fervo em pouca água dou comigo a respirar uma, duas, três vezes, até que me sai entre dentes e em bom Português, e bem baixinho “também nunca percebes nada, car@lho”.
Juro, juro juradinho que às vezes até tenho que fechar os meus dedinhos em punho e agarrar-me à cadeira e manter os olhos no teclado que é pra não verem os meus olhares que alternam entre o “vou-te furar os olhinhos!”, o “ca ganda anormal” ou o mais comum, “meu, tu não és desta dimensão de certezinha”!
Loira, eu devo ser é loira….

E não é que não se enganaram? Roubada, eu fui roubada! Eu não, a companhia de seguros, vá lá.

Ora pois que ligo outra vez e me explicam que o valor de NOVECENTOS E CINQUENTA E UM EUROS E NOVENTA E NOVE CÊNTIMOS é o valor de tabela do Estado Holandês pra uma consulta de ADN. Se tivesse feito exames, cada exame custava MIL euros.
Eu estou incrédula, completamente pasma, gaja, até fiquei sem fala ao telefone com a Senhora que me atendeu (e que desta vez era uma simpática).
Eu bem disse à senhora, mas foi só uma consulta, só blábláblá, eu não fiz exame nenhum.
Sim minha senhora, mas as consultas de ADN custam isso.
Até estou a andar de lado, porra, ainda dizem que a saúde em Portugal é cara. Tenham juizinho.
Ah, e atenção, o AMC é o Hospital Universitário de Amesterdão, é público, não é privado.
A única coisa que me consola é que esta foi a primeira vez que vi que pagar o seguro de saúde me compensou porque normalmente dou-lhes 1200 euros a comer todos os anos e nunca percebo pra quê.
Pra mais tive que pagar “own risico” de 160 euros porque no ano passado não tinha gasto praticamente nada, por isso cobraram-mo, mas eu ia ter de o pagar de qualquer modo, paciência.
A sério 952 euros?