Prestes a cortar os pulsinhos

O céu está assim, como na foto do headache.
Agora multipliquem por vários dias.
Percebem?
Nah… só quando experimentarem é que se sabem.
Mas deixem lá, não vale a pena, a sério.
Eu sei que estar cá é uma escolha feita por mim.
Feita por nós, por todos os que escolhemos este País.
E eu gosto do País, e embora às vezes possa parecer que não, eu gosto mesmo das pessoas e acho-os uns castiços. E gosto de muitas outras coisas.
Mas o clima, ESTE clima mata-me e mata-nos.
Vou começar a fazer solário.

Peixinho por cá

No Domingo fui com o colega Bakano dar uma volta até às Ardennes.
O objectivo que coloquei (para mim) era simples: comer peixe.
O Bakano queria ir ver o circuito de Fórmula 1 de SPA.
Ao passar em Maastricht encontramos o restaurante Le Bon Bassin.
Não é fácil encontrar um restaurante por conta própria na Holanda. Aquela coisa tão Portuguesa de telefonar ao beltraninho e ao sicraninho pra nos recomendar um sítio lá na zona/terra dele, não acontece aqui. Em Amsterdão sabemos recomendar, com certeza, mas telefonamos entre Tugas uns aos outros. Agora em Maastricht não conhecia ninguém.
Google: beeste restaurant op Maastricht.
Entre vários, escolhi este porque 1) estava aberto à hora do almoço e 2) servia peixe fresco, ou isso diziam.
Sem saber fomos parar ao que foi considerado o melhor restaurante de ostras de 2010. Escolhemos no aquário o que queríamos, e seguimos a recomendação do Chef e pedimos um linguado para prato principal.
Oh meus amigos! Eu só não lambi o prato porque parecia mal! Mas que maravilha! E as ostras ganharam o prémio com todo o mérito, eram realmente excelentes.
Fica recomendadíssimo para futuras ocasiões que passem “vosmeceses” por lá. É carote, mas vale bem a pena. Vim de lá muito satisfeita. O passeio até SPA (águas termais, quem diria!) foi muito giro, pela estrada nacional. As Ardennes são uma zona bem bonita, cheia de montinhos, de vales, parece um campo de golfe extrapolado ao nível duma região. Lá vimos um bocadinho do circuito, tiramos mais umas fotos, rodamos nos calcanhares e voltamos por Liége, cidade bem bonita onde tenho que voltar com mais tempo.
Um belíssimo domingo, portanto.
Os meus mais sinceros agradecimentos ao “Choffeur”, foi um verdadeiro bacano.

Okura

Fui lá ontem repetir a dose.
O que eu gosto daquele restaurante!
Mas confesso que gostei mais quando lá fui há dois anos.
A escolha do menu foi mais feliz da outra vez, quisás. Tem uma estrelinha Michelin muito bem atribuída.
A barriguinha veio contente e feliz p’ra casa, e vou começar a explorar as redondezas da minha nova casa onde pelos vistos há um Libanês bastante bom, e um Grego muito razoável.
Estou é a ficar gorduchinha…tenho que me por fina, fazer mais exercício e fechar a boquinha no dia-a-dia se quiser continuar armada em gourmet.
Uma coisa que é muito certa: se quiserem experimentar um restaurante bom e possivelmente caro, façam-no com alguém que goste mesmo muito de comer. Não há nada mais frustante do que ir a um sítio onde a comida dá origem a orgasmos múltiplos e levarmos alguém que não goste de comer. Deixem as namoradas, mulheres, maridos e namorados em casa se são pessoas esquisitas de garfo. Mais vale levarem o gato, sempre sentem o dinheiro mais recompensado.
Vão por aí, experimentem, mas por favor, façam-no com uma companhia que verdadeiramente aprecie o momento. Foi o que eu fiz ontem e valeu bem a experiência.
Obrigada my dear inho inho 😉

A língua

Aos poucos vou começando a entender o Holandês, mas não o suficiente para seguir uma reunião completa. A dado momento desligo o chip porque fico extremamente cansada de tentar compreender algo de que metade me passa ao lado.
Lembro-me todos os dias da minha colega Winnie de Hong Kong, que ao fim de três anos na empresa em Portugal dizia uns olás, uns tudo bem, somava um obrigada, bom dia e boa tarde e o resto era disparado em Inglês. Na altura achei incrível, como é que era possível ela ainda não falar a nossa língua passado TRÊS anos!?! Um ultraje, ela era muito preguiçosa e realmente não queria aprender, só pode. O marido Português, ainda por cima! Já devia palrear a língua lusa há meses! Quanto mais há anos!
Agora bato na boquinha com muita força e lembro-me da minha Mãe a dizer “elas pagam-se pela língua menina!”, e fico mortificada cada vez que peço a vinte Holandeses que façam uma reunião em inglês por minha causa. Há sempre três ou quatro que suspiram e fazem cara de frete, e outros dois que sorriem desejosos de agradar e traduzem um pouco, e por fim há ainda a grande e enorme vontade que tenho de atirar os quatro marmelos de trombas pro meio dum arraial de Chineses ou Coreanos. O pior é que eu não sei se os sacanas não se safariam e eu ficaria com cara de tacho. O certo é que me apetece atirá-los aos bichos, embora eu ache que eles estão cobertos de razão, e eu devia mesmo já consegui entender um bom pedaço, afinal em Maio perfaço os benditos três anos, e é o que se vê.
Mas eu acho a língua feia, arranha a garganta, não é melódica, não tem o efeito que uma língua italiana provoca em nós.
Eu nunca compreendi aquele pessoal que para ocupar horas vagas vai aprender Mandarim, ou Neerlandês, ou Árabe (como a minha chefe Belga). Penso sempre que deve ser malta mal fodida e com tempo a mais. A sério.
Como é que depois de um dia de trabalho se vai ter aulas duma porra intragável como o Holandês?!
A ver se me pagam o curso das freiras, senão estou aqui, estou no ir pra minha terra. É que já não há desculpa que me valha e eu RECUSO-ME a pagar três mil euros por um curso.
(por favor não me venham com os cursos da Volksuniversiteit que aquilo é mortificador, em mau, em muito mau)
Sendo assim, volta e meia, tenho de aturar alguém que “está com pressa” e não tem paciência, nem tem nível de inglês que me consiga acompanhar. O complexo de inferioridade deles vence.
Aqui pra nós, estes gajos falam inglês mal e porcamente. Só sabe isto quem cá vive. Quem visita acha que eles são craques. Errado. Os tipos são uma nódoa. Se soubessem a quantidade de vezes que vejo os olhos deles crescerem depois de eu falar enquanto vejo com perfeita noção que o gajo deve estar a ficar com o cérebro feito em merda só de me tentar compreender… ui, mãos cheias, pés cheios, mãos do primo, da tia e da avó e não sobravam pra contabilizar!
É fim de dia, estou cansada, amanhã tenho um dia muito grande pela frente, com muitos Cloggies de olhos abertos e cérebro alerta para compreender o inglês que lá terei que debitar.
Abençoados sejam os Portugueses e a língua Portuguesa.
Amén.

Back on the horse

Vou voltar a viver em Amsterdão.


A decisão foi tomada depois do meu post depressivo.
Na sequência do comentário da Tuxa, fui ao funda.nl com um único pensamento: se houver uma casa no Pijp assim toda piti como eu gosto, alugo e não se fala mais nisso, até deixo que me depenem 1500 euros! É sinal que tenho que mudar. Quero um sinal!!
Não consegui ver se havia casas no Pijp porque o motor de busca não me obedecia, não aparecia resultado algum a não ser o desta casa que aluguei. Tudo ia lá chegar. Tudo o que eu pesquisava abria ali.
Tanto bateu na mesma tecla o motor, que acabei por espreitar as fotos e localização da casa.
Já devias ter aprendido a não contrariar estas coisas ó Sofia Maria!
Hoje fui visitá-la, já com a ideia de preços de empresas de mudanças, com contactos de pessoas para pintar e para colocar o chão, e com a ideia de realmente há coisas que têm muita força. 
Motivos mais que racionais para mudar extra “instinto” e “intuição mais que extraordinária” (que já me trouxe à quarta casa em menos de 3 anos... todas perfeitas para mim, é certo, e em momentos de vida distintos, cof cof cof):
– A mama de só ir al despacho três vezes por semana acabou quando houve a tal “promoção”…. Há 3 semanas que andava a passar no mínimo duas horas por dia dentro do carro, e isso não é p’ra mim, claramente. Não ter vida pessoal e dispensar duas horas do meu dia dentro de um automóvel é pra quem vive, sei lá, na Baixa da Banheira (como a Pipi, carai) e não quer ter vida pessoal. Não é p’ra mim.
– Consegui uma casa perto da IBM, mas próxima do centro da cidade, com garagem por um preço que considero mesmo muito razoável. E eu nunca achei os preços em Amsterdão razoáveis. Em quinze minutos de bina estou no centro, noutros quinze estou na IBM. No verão a viagem a pedal vai acontecer sempre que não chover (cof cof cof, são cinco minutos de carro, de relógio…!). Vou acordar às oito e meia para estar no escritório às nove, em hora de ponta. You must be kidding me.
– É uma casa novinha em folha tal como a minha casa de Den Haag, moderna, cheia de janelas, e uma varanda enorme com vista para um lago. Notam que há aqui algo que claramente se repete, ou sou só eu?
– Tem banheira. Nunca menosprezem a importância duma banheira na vida duma mulher.
– Tem uma vizinhança simpática como eu gosto, e fica mesmo ao fundo da rua de que mais gosto em Amsterdão.
Basicamente encaixa em todos os requisitos que eu pretendia quando dizia: só volto p’ra Amsterdão se A, mais B, mais C, mais D!!
E assim foi. 
Juntaram-se as letras todas, e lá vou eu aviada novamente, reclamar do cheiro da erva, e dos tróleis dos turistas e andar de bicicleta como é bom p’ra tosse. Dizem que dá carácter!
É muito bom o carinho de tanta gente que me escreveu, que me telefonou, que comentou, eu tenho mesmo muita sorte.
Se calhar é porque sou sempre tão animada que um dia de blues causa mesmo muito impacto.
Eu sou naturalmente bem-disposta. Quem me conhece sabe que me auto-animo, me auto-convenço de que as coisas vão correr bem e que dificilmente me vou abaixo.
Mas quem me conhece mesmo muito bem sabe que a facilidade com que eu dou a volta por cima é … no mínimo espantosa.
Como diz um autor de que agora não me recordo o nome, quando se toma uma atitude ou uma decisão, não há fracassos, há resultados. Uma acção não produz coisas boas ou más, produz coisas. Como dizemos na Candeia, produz cenas.
Dia um de Abril mudo de casa, e tenho consciência plena de que todas as casas onde estive me serviram para aprender a saber o que quero hoje. A de Amsterdão (inicial) ensinou-me a escolher o bairro, a de Breukelen ensinou-me a escolher sítios perto de gente amiga e a privilegiar a escolha duma casa perto de estações de comboio para fácil locomoção, a de Den Haag ensinou-me que há casas grandes na Holanda e a estar atenta a este tipo de edifícios para… poder encontrar a nova de Amsterdão.
É assim que penso, é assim que me auto-regenero: na mudança.
É claro que não sei se fico por aqui, ora essa, que pergunta!!
Eu sei lá bem o que vou comer amanhã, quanto mais se esta casa é a última!

A casa dos meus sonhos continua a estar em Lisboa, mas a minha casa é onde ela estiver.

Tou cá com umas saudades de Lisboa

Peguei no vídeo anterior e mandei-o para todos os Colegas com quem tenho mais confiança no escritório. Já que Portugal está mais do que de tanga, receber estrangeiros nunca foi tão importante, logo é favor divulgarem o vídeo pelos vossos amigos e colegas estrangeiros também, sim?
E recebi várias respostas entusiastas a dizer: conheço e adoro o teu País, já lá fui duas ou 3 ou … n vezes e conheço Porto, Lisboa, Coimbra, um dos meus Colegas até Braga conhece!
E Lisboa, e Lisboa, e Lisboa, e… é inevitável não ficar cheia de saudades da cidade e da luz de Lisboa.
Esta foto e este azul do Tejo entrou-me pelos olhos dentros e suspirei.
Quando é que será que me toca a mim voltar? Quero tanto voltar a viver na Graça…

(esta foto foi tirada por moi même)