Coisas que nunca vão mudar

As minhas chefes dizem que eu sou “hard to manage”.
“We give you a project and we don’t have to worry, it will land perfectly and on time. Which is great! But we don’t see how you are doing it in the meanwhile, so it’s hard to manage someone that never comes to us with problems. You always fix it on your own. And that’s hard to manage.”
E eu abri muito os olhos e disse: tá beeemmm.
Basicamente dizem que eu recorro pouco a elas.

Os holandeses continuam a não entender o conceito de “desenrascar-se sozinho”.

Como diz o Vasco Palmeirim: NÃO PERCEBO!

To my colleague and friend Henk

Ora, descobri, ou melhor, ele contou-me… que o meu Colega e amigo Henk lê o meu blog.
And he actually goes through the trouble to use Google Translator to understand what I write.
Like… seriously?!

How do I know this?

‘Cause he said so this monday, in front of other two other Colleagues, at the same time he said he stop reading it around the time I talked about my hair body…
(Depilação definitiva)

I’m so gonna kick his behind some day.

And I had to laugh. Cause this is why Henk is my favourite person at the office.

He is the only one that has no problems on teaching me bad words (swearing and stuff), he has absolutely no issues in making me say those same words out loud (so that I die out of embarrassment), he tries to frame me every time he can by saying full sentences in Dutch that are senseless, just to get the word Sofia in there and make me loose my concentration leading people to think I can actually speak Dutch!, he sends me funny things that I can post, and he is a reaaaaaally nice person, even when he tries not to be. Even when he tries really hard by listening to hard rock really loud, I still think he is cool.
Parece quase Tuga, entendem? Arrelia-me até à medula só porque sim. It’s like being home.

So this post is for you: THANK YOU HENK for being such a cool guy.
Beijinhos
Sofia

PS1: Este Senhor é casado e Pai de filhos, é um castiço do best e é o meu colega que me atura sempre que preciso de telefonar pra sítios onde não falam corno de inglês tipo a empresa da água, da luz, do gás, da máquina de lavar roupa, e afins. É aquilo que em Português chamamos de:”um porreiro”!!!

PS2: By the way, I’m someones friend cause I got a two plus in my PBC. I don’t mind!!! lol

Coisas que me acontecem desde que vivo na Holanda

A mais frequente é deixar o telemóvel em casa ou abandonado na mala e só me lembrar dele passado 3 horas ou no dia seguinte.
Quem me conhecia antes de eu emigrar acha que o facto de eu não atender só pode querer dizer que eu devo estar entrevada ou com os dedinhos partidos.
Não conhecem esta minha realidade.
O mais incrível é que não acreditam em mim quando lhes digo que não tinha o telemóvel comigo.
Fazem aquela cara de “só podes estar possuída por algum demónio!”
(suspiro)

Animalização

“(…)Se não é feito um esforço no sentido da sensibilização das pessoas, das crianças em particular, para as necessidades e sentimentos dos animais nada irá mudar. O que temos neste momento é uma fornada de gente mal-formada, que quer ter o cão e o filho mas não sabe que tem de educar os dois de forma a que acidentes sejam evitados, a criar uma nova fornada de meninos-que-serão-adultos à imagem do que foram os seus pais. Tenho pena dos animais mas, a um nível mais profundo, tenho ainda mais pena destes adultos e crianças.”

Um cão precisa de ser educado, deve ser treinado para saber conviver em sociedade. Quem tem um cão e não o passeia porque acha que o quintal é grande, é uma besta e nunca deveria ter tido sequer o direito de comprar ou adoptar um bicho, seja ele qual for. O cão é treinado pelo dono. Não se leva o cão pra escola e espera-se que ele venha de lá “prontinho”. A responsabilidade de ensinar o bicho a viver em sociedade é nossa. Só nossa. Se a minha cadela faz chichi onde não deve, a culpa é minha. Se faz asneiras na rua, a culpa é minha. Tudo o que diz respeito à Petzi seja bom ou mau é única e exclusivamente responsabilidade minha. Da mesma forma, a responsabilidade dos bichos dos outros é deles. O resto que me possam dizer é bulshit.

Os prémios

Hoje recebi um prémio da minha empresa. Ou melhor, soube que já o tinha recebido!
A minha Supra-Chefe (a tal que não lava o cabelo, veste Armani e calça Prada) atribuiu-me um prémio a mim e a mais 3 colegas, inclusivamente à minha chefe Holandesa.
O prémio era para aqueles que se mostraram fortes em tempos de adversidade.

“Our clients trust that we will deliver what they expect. Because of you, we could deliver. This has not always been easy, sometimes even hard.
A famous saying is: when the going gets tough, the tough get going. The people in the list below have proven that they belong in this category.”

Prémio: dinner for two.

Fui logo à Chefe Holandesa: onde? até quando? como? Até quanto posso gastar? Cinquenta euros por cabeça, deve ser, pensei eu. E que bela jantarada
Deram-me DUZENTOS E VINTE euros!
C’a ganda restaurante Michelin que eu vou malhar oh pá!!!
E agora, quem é que eu levo comigo?

(Que rico prémio! É que pra mais não estava nada à espera! Só dão um por ano e ó pra mim aqui na fila de S. Receber! Gosto tanto! Obrigada meu Deus! Muito fixe!)

E é o saudosismo Português

Eu estava a escrever um comentário, mas achei que deveria era fazer um post.

Deve-se o texto abaixo, ao meu post exaltado (TPM cof cof) sobre a Holanda e o post ponderado da minha querida Tuxa.

Só agora é que vi os comentários ao post dela e ao meu outro post aka comment lá no canto dela, e foi uma boa “conversa”.
E quis responder à I., que não conheço pessoalmente, mas de quem gosto (vá lá a gente saber porquê, são coisas! 😉 ) e com quem vou falar como se ela estivesse ali sentadinha à minha frente, agorinha mesmo!

Eu estou há “pouco” tempo na Holanda (2 anos e meio) e trabalhei 8 anos em Lisboa. Contrariamente a muita gente nos últimos anos e oriundos de várias carreiras, eu não acabei a faculdade e fiquei “sem saídas”. Eu tinha (e tenho) um excelente emprego. Também não emigrei por estar “zangada” com Portugal seja a nível salarial, social ou político.
Eu emigrei por acaso! Juro!
Estava muito bem sentada no meu lugar e deram-me a oportunidade de virar a minha vida do avesso e eu disse: why not?! E cá estou eu.
Nunca comparei Portugal com outros Países, nunca achei que cá fora fosse melhor que no Cantinho. Assumia e assumo os defeitos dos Portugueses e de Portugal e vivia mesmo bem em Lisboa, mesmo com os carros em cima do passeio e os cócós dos cães, com políticos de merda e gente estúpida. E não chegava a casa todos os dias a queixar-me, até porque eu em Lisboa (excepto talvez nos últimos dois anos) chegava a casa às quinhentas todos os dias porque tinha ido fazer Candeia, ou tomar café com uma amiga, tinha almoçado na praia e compensado horas, tinha ido jantar ao bairro, tinha ido …….. tinha ido fazer qualquer coisa que não implicasse croquetes e cervejas e chegar a casa às dez da noite como um andor, e não tinha tempo pra me queixar muito…
A única coisa de que me queixei sempre foi da quantidade de trabalho exorbitante que me iam dando e da vaca da Espanhola que na altura mandava em mim. Mas pronto, coisas básicas, afinal sou Portuguesa, há que reclamar qualquer coisinha senão acham que fui importada!
É claro que a mim não me cortaram o ordenado nem me mudaram o chefe como te fizeram a ti, por isso não tinha coisas de peso pelas quais chegar a casa irritada, excepto, como disse: a falta de tempo pra mim.
Eu não sou de todo masoquista. Vivo onde gosto de viver e tenho um sexto-sentido inimaginável para saber quando é que está na hora de “alçar a caganita” como diz um amigo meu. Que é como quem diz, de me por na alheta, ou em inglês: alçar a caganaite!
Também sei que depois de me habituar à mama (sim, porque é uma mama) de trabalhar de casa e poder ir e vir pro escritório ao sabor que me dá na real gana, voltar a fazer horários Lisboetas me vai custar um nadita. E quando estiver encravada numa fila de carros no Rato, de certeza que me vai sair um “p@ta que pariu, porque é que esta malta não usa binas?!”
Mas é viável, e tudo é possível se eu quiser mesmo. E não abdico de voltar, mas quero fazê-lo quando achar que pessoalmente e profissionalmente posso continuar a “render”. Não me custa voltar a sair tarde se depois de sair puder fazer “cenas”, jantar, sair, viver e continuar a conhecer pessoas que intelectualmente são giras, e que têm conversa, e que gostam de mudar. E não tem de ser de País!
O que me custaria seria sentir que em termos laborais teria andado de cavalo pra burro. Isso é que não. E não estou a falar de financeiramente, porque se eu ganhar 2/3 do que ganho cá, já vivo mais que bem em Portugal.
Para mim Portugal vs Holanda é uma questão de crescimento pessoal e profissional. Nunca me senti limitada nem num lugar nem no outro. Vou aproveitando a maré, e tudo o que for pra crescer é pra apostar. Seja cá, seja na Holanda, seja na Suíça, seja na Austrália! Eu quero é conhecer, quero experimentar, quero … viver. Com o resto, mesmo o menos positivo como os nossos chico-espertos e os piratas simpáticos holandeses, vivo eu bem 🙂

Quem vem à Holanda de raspão leva esta ideia

Uma ideia lírica.
Vê-se mesmo que tem a visão de quem não saiu de Amsterdão e de quem, obviamente, não tem carro. Que mania de dar a estes gajos o atributo de “ecologistas” por andarem de bicicleta num País plano porque são forretas comó car@lho! Olhe que se lhes dão um carro da empresa eles não se montam na bicicleta! Só se não tiverem carta. O que também acontece com frequência.
Também se nota que nunca teve um problema de saúde na Holanda. Tinha falado no paracetamol de certeza! E a última invenção dos médicos Holandeses? “Google it”, é assim que se chama. A mim um médico mandou-me um email com a página da wikipedia. E a si em Portugal?
Por último, nota-se que não paga rendas de 1200 euros como todos nós. Veria que os senhorios não são bondosas pessoas que nos “emprestam” as casas a troco de pouco.
Caro Senhor a Holanda está pensada ao tostão, nada nesta terra é feito sem ter em conta quanto custa e qual o benefício que pode ser subtraído. Tudo o resto que possa pensar fora do parâmetro custo vs benefício, não é Holandês.

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=457137

Deolinda – eu (ainda não) tenho um melro

Melro é uma expressão que o meu Pai usa muito pra falar de “namorados” ou “rapazes”: quem é aquele melro? Ah, ela tem lá um melro! Ela foi aos melros!
E esta música lembra-me o meu Pai e o meu Avô.

A culpa é da Elsa que me lembrou dos Deolinda, e hoje tou nesta…
Aqui há um mês atrás, talvez, passei um dos dias mais giros e mais simples que já tive em Amsterdão.
Fui às compras com a Tuxa para ir a um casamento, coisa fixe porque além de bom gosto, ela gosta de se despachar nas lojas como eu. Foi sempre a abrir e comprei pouco e acertado. Fui uma brasa pro casamento, é o que vos digo!
Depois fomos ter com o meia-laranja dela, bebemos uma cervejinha, descansamos um bocadinho e fomos ter com mais um molho de amigos que estavam à nossa espera para jantar. A Tuxa não teve muita sorte com o prato dela, mas eu lambi os beiços com o meu, e fui refasteladinha com a malta ver Deolinda. SÓ éramos TRÊS FILAS de amigos e conhecidos, cada fila com 10 pessoas, mais ou menos.
O concerto é giro. Porque a Ana Bacalhau é uma pessoa gira. Não foi um concerto que me fizesse delirar, mas foi um serão MUITO bem passado.
Fechei os olhos ao ouvir esta música e desde ontem que ela não me sai da cabeça.

Neste dia senti-me em casa. Senti-me quentinha por dentro e senti muito orgulho na minha língua, só que não senti saudades. Senti conforto. Acho que essa é a palavra. Senti-me muito confortável, como quando se está alapado no sofá de casa dos Pais no Natal. É isso.

Viver cá fora não é glamour. Eu vejo sempre o meu copo meio cheio porque fiz bons amigos. Mesmo assim a Elite tem, a meu ver, razão.

Além das festas, e dos saltos e dos cosmos e toda essa futilidade que vos obceca, já pensaram nas horas que se passa sozinho com um livro numa lavandaria, a ver as pessoas passar, sem ninguém com quem conversar? pensaram no que é viver numa cidade na qual não conhecem ninguém? Em que trabalham 12 horas, andam a pé porque não têm um carrinho ou lugar para parquear o carrinho ou apenas porque ter um carrinho é caro que doi? Pensaram no tempo que se passa em transportes apertados para gastar 75% do salário no aluguer um quarto de um apartamento que partilham com cinco pessoas estranhas, que não falam com vocês, a não ser hello-goodbye e post-its no frigorifico a perguntar QUEM ROUBOU A M* DA MINHA SALADA SEUS FDP? Sabem o que é ir ao cinema sozinho? Gastar tanto dinheiro em take away porque vamos comer sozinhos e nem temos vontade de cozinhar para uma pessoa? Ter encontros esporádicos, conhecer muita gente, ter muitos números no telefone mas não ter ninguém com quem falar a sério, a quem expor os nossos problemas, apenas porque queremos ser cool? A Carrie não existe, a Amélie não existe.

LEGENDARY

É tudo o que se me apraz dizer sobre a melhor festa que já dei. Ontem foi a minha (muito tardia) housewarmingparty e festa de pré-aniversário (este termo acaba de ser inventado por mim, tipo, agora).
Os meus amigos são uns fixes inacreditáveis.
Mesmo.
Eu tenho muita, muita sorte.
Vieram 30 e pico pessoas das quais apenas 8 vivem em Haia, por isso mais de 20 pessoas vieram de Amsterdão e Utrecht e … de propósito para conhecer a minha mansão e beber um copo e espalhar boa disposição. E foi mesmo muito giro. Eu sei que sou suspeita, mas eu acho que toda a gente se divertiu bastante, pelo menos a avaliar pelo estado da casa hoje de manhã. Quando acordei e cheguei à sala e o chão colava aos pés e os copos estavam em sítios inimagináveis, pensei: LEGENDARY!
E ainda por cima deram-me prendas! Até a Petzi teve sorte porque agora tem uma malinha específica pra eu a transportar ao colo que é pura e simplesmente deliciosa!
Como eles todos.
Já disse que tenho muita, muita sorte? É que tenho mesmo.