Elogio ao Amor


O MEC escreve como ninguém quando é preciso chamar os “bois pelos nomes”.
Aqui há dias tentei explicar a um amigo meu que tenho saudades de me apaixonar. Ele não percebeu. Eu expliquei novamente que tenho saudades a sério de ter um coração arrebatado, forte, sem controlo nem rédeas, que seja capaz de se deixar ir, só porque sim.
Ele não percebeu mesmo.
Chamou-me idealista, utópica, disse-me que vivia num mundo de faz de conta, e que a realidade não é assim. Que a vida é boa, mas não é um filme.
E eu continuei: gostava de me apaixonar à séria e que a paixão fosse recíproca. Só pra saber como é que é, a que é que sabe, como será ter alguém VERDADEIRAMENTE apaixonado por nós e vice-versa.
Eu sinto este amor, esta força, esta vontade de dar e de ser quando faço Candeia.
Já tava na hora de ter um Gaijo pro fazer, não?
Ele encolheu os ombros, sorriu e disse-me: boa sorte.

E no dia dos meus Anos o meu amigo António (que também faz Candeia e não só), postou este texto, e eu vi-o hoje, e se eu tivesse em Portugal tinha-lhe ido lá dar um abraço e um beijo repenicado naquela bochecha só por ser capaz de me entender. Sem ter de me explicar.

MEC: Elogio ao Amor

“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

Miguel Esteves Cardoso in Expresso 2007

Pílulas e afins – post pra Gaijas

Eu hoje estou extremamente bem-disposta, aliás, como dá p’ra perceber.
O motivo é simples. Eu tenho uma questão hormonal que uma em cada 5 mulheres tem. Sou poliquistíca. Não é nenhum drama, apenas significa que do ponto de vista hormonal preciso de algum controle. Normalmente as mulheres tomam a pílula e pronto.
Só pra terem uma ideia, quando não estou a tomar a pílula ficou com o TPM…TODOS os dias. Absolutamente insuportável, uma neurose incrível, perco a paciência ao mínimo que me façam, tanto choro como rio, enfim, fico completamente histérica!
Durante anos o meu médico disse-me que, como a minha Avó Materna faleceu de cancro da mama, que eu não deveria tomar a pílula.
Assim fiz.
Quando cheguei à Holanda, o stress da mudança, um novo País, uma nova cidade, sem os meus Amigos, sem a Candeia, sem o meu ambiente, sem a minha língua, sem a minha comida…só não pifei da lâmpada por pouco. Depois duma semana sem dormir, fui ao médico, e depois de 4 sessões (sim, os médicos holandeses, regra geral, há sempre excepções, são um cadito pró lentos…muito lentos…) e duma mamografia, o Senhor decidiu que eu podia tomar a Diane 35 pra ver se púnhamos isto no sítio. Eu assim fiz. Ao fim dum ano, não só já conseguia dormir, como (acho eu!) estou mais estável emocionalmente, a minha pele ficou reluzente e luzidia, o meu cabelo mais bonito, enfim, essas coisas todas que são benefícios de Gajas com o período mais certo que um reloginho e sem problemas de hormonas não direccionadas.
(Havia muito quem me dissesse que o meu problema era arranjar gajo mas é, que tivesse um namorado durante muito tempo que ia ver como a coisa ia lá. Prefiro aturar a pílula. ADIANTE!)

O BIG PROBLEM, como muito boa menina sabe, é que engordei. De 51 passei a 55 kilos.
Dizem vocês: 4 kilos? Isso não é nada!
Pois, não é nada quando se tem mais de 1,70.
Ora aqui a “tarreca” de 1,56 cm ficou logo a parecer um batoque. Um cú como uma cebola, redondinha por todos os lados, umas mamas que quase entravam no prato da sopa (tou a exagerar, mas era só mesmo pra ter a reacção dos gajos-que me conhecem claro-depois nos comments a dizerem: aldrabona!!!), uma balofazinha, portanto.
Mas o meu maior problema não era estar gorda, era estar inchada.
E ainda ouvi as piadinhas do: inchada? Nananana, tu tens é comido bem! O meu Pai deu-me um abraço e disse-me: tás…maciça!!
As minhas calças passaram do 36 pro 38. E mesmo as 38, não era rara a vez que me sentava e punha a camisola ou t-shirt por cima só pra poder desapertar os botões das calças.
Acordava de manhã e os nós dos dedos tavam cheiinhos, e eu sentia-me mal.
Eu fiz dieta: não resultou.
Eu fiz caminhadas e exercício: não resultou.
Eu deixei de beber alcool: não resultou.
Eu que sempre perdi 2 kilos numa semana se quisesse, não consegui perder meia grama.
Eu até aturei um namorado holandês: não resultou.

Antes de me atirar a chorar baba e ranho colada aos colarinhos dum endócrinologista, achei que devia perguntar às amigas e fui ter com uma grande amiga minha que tem uma farmácia em Braga. A Susaninha tinha tido o mesmo problema que eu e recomendou-me a Yasminelle.

Passado uma semana da começar a tomar acordei, pela primeira vez em meses, com as mãos desinchadas, o meu corpo a normalizar, pesei-me e já tinha perdido um kilo.
Eu nem queria acreditar!!! O NATAL CHEGOU MAIS CEDO!!!

Tou numa alegria única. A minha Colega que me viu ainda na terça-feira olhou pra mim e disse-me: o que é que te aconteceu nos últimos dias? Tás mais magra de cara…perdeste peso?
Quando levantei a camisola e lhe mostrei como as calças começavam a assentar-me a moça passou-se.
Eu estive a ponto de explodir de felicidade.
Eu acho que gajo nenhum vai algum dia ser capaz de compreender este post, mas as mulheres que me lêem, de certeza que devem ter na mente uma de duas frases:

– porca de merda!

– que sorte! Também quero!

E pros homens que acham que eu tou a ser injusta, mesmo as minhas meninas e amigas porreiras que eu sei que gostam de mim, nem elas são capazes de sentir simpatia pelo facto de eu ter perdido peso, A NÃO SER, que elas TAMBÉM estejam na mesma situação.
Mesmo assim, mentalmente, vão-me insultar sempre, porque não tive de fazer dieta ou desporto.

Hoje sorri o dia inteiro, andei o dia todo no escritório aos saltinhos, talvez porque finalmente, respirei de alívio: não tenho problemas de banha localizada vinda dos 30, não tenho nada na tiróide, não tenho de pirar da mona por deixar de tomar a maldita, só tenho de continuar porreira da vida e voltar a entrar e caber nas minhas calças e fatos!

OBRIGADA MEU DEUS!!!

E obrigada Susaninha!

E como quero TODA a gente a sorrir hoje, com os cumprimentos do Terminal 19:

Hoje foi dia de Frango no Forno

O Carlos fez frango no forno no sábado. Eu mal me mexia das dores daquela época maldita do mês, e o rapaz todo cuidadoso preparou o jantar. Também era isso ou comia sandes…adiante, o frango ficou muito bom, mesmo. Ele embirrou que tinha água a mais e tal, e eu não consegui compreender a frustação dele. Sim, porque pra mim, no mínimo, tinha vindo sem qualquer esforço (meu) parar ao meu prato, por isso que contentinha eu estava!
Esta semana lembrei-me que era o prato favorito do rapaz e comprei umas pernas de frango p’ra fazermos. Como ele hoje não estava cá pra explicar a receita e a mim me apetecia mesmo fazer a dita cuja, fui à net, escrevi frango no forno, e tirei a receita da “Anona”

1 FRANGO CORTADO AOS PEDAÇOS
2 KNORR DE GALINHA
1 COLHER DE SOPA(RASA) DE COLORAU
4 DENTES DE ALHO
1/2 COPO DE ÓLEO
PIMENTA q.b.
SAL q.b.
2 LIMÕES

COLOCA-SE O FRANGO NUM TABULEIRO. NUM TACHINHO METE-SE OS KNORRS, O COLORAU, OS ALHOS PICADINHOS, O ÓLEO, A PIMENTA E UM BOCADINHO DE SAL. VAI AO LUME ATÉ DERRETER OS KNORRS, MEXENDO SEMPRE. DEITA-SE O PREPARADO POR CIMA DO FRANGO. DESCASCA-SE OS LIMÕES DEIXANDO A PARTE BRANCA, PICAM-SE COM UM GARFO E METEM-SE NO MEIO DO FRANGO (NÃO METAM OS DOIS JUNTOS). E É SÓ POR A ASSAR. O PROPRIO LIMÃO É QUE FAZ O MOLHO.

NOTA: PARA QUEM NÃO GOSTA MUITO DE LIMÃO NÃO SE PREOCUPE, POIS NÃO FICA UM SABOR MUITO ACENTUADO.

Ver em Petiscos.com

O resultado final saiu-me melhor que a encomenda! Só não comi as duas coxas de frango porque:

1) tou um pote
2) o Carlos ia gostar de experimentar

Finalmente percebi a tristeza do moço! É que esta receita não tem água nenhuma, e o limão deu o sabor e “água” toda necessária.
Claro que tive que inventar um bocadinho…pus um caldo knoor de galinha e ainda um caldo knoor de alho e salsa.
Como não me apetecia aquecer o óleo e sujar um tacho, pus o molho todo numa tigela e pus no microondas a aquecer um minuto. Perfect! Misturei tudo, adicionei um bocadinho de piri-piri ao molho, reguei o frango, cortei umas batatas, e siga pra bingo no forno durante uma horinha. Fui regando de quarto em quarto de hora e voilá!


Meninas na Holanda, adorei este blog: Lua de Algodão

A Mariana tem coisas muitoooo giras!


http://luadealgodao.wordpress.com

Gaijas, não me digam que não acham esta mala uma tara?


Eu tou a pensar pedir-lhe uma manta de patchwork que sempre foi o meu sonho.
Mariana, aceitas o repto?

Eu nunca vi a Mariana mais gorda, não faço ideia de quem seja, nem onde vive, mas eu sempre gostei mesmo MUITO deste tipo de trabalho e achei que era excelente divulgar. Ela vive na Holanda e faz coisas espectaculares.

Este vou comprar pro meu afilhado, mas se ele se atreve a babar em cima, acho que lhe deixo o rabo como um bolo! Mariana, me aguarde!

Preciso de comprar uma Televisão – conselhos agradecem-se!


Preciso de comprar uma TV. Como sou gaja e não percebo um cú destas coisas, vou dar os meus únicos requisitos e espero as opiniões de toda a gente, mas TODA mesmo!! Mesmo quem não costuma comentar, que me diga pelas alminhas qual é a que escolheu lá pra casa, se tá satisfeito, se comprou um ferrari e só precisava dum opel corsa, tudo, tudo, tudo.
Requisitos de Sofia Maria:

– Menos de 1 metro de largura que eu não preciso duma TV q seja quase do meu tamanho.
– Fininha que eu não quero um mastodonte.
– Que possa ligar ao meu portátil (que é um chato de merda e aceita muito poucos tipos de entradas de cabos, é um T61 da IBM), não precisa de fazer 500 mil funções, eu só quero mesmo poder ver/projectar uns filmes à maneira.
– Que dê p’ra lhe ligar uma TV satélite que é p’ra eu poder virar emigra de todo e por cá TV Cabo.
– Preço razoável pelo amor da Santa que eu não ando a nadar dele e nunca fui gaja muito dada a dar muito dinheiro por gadgets, até porque depois não uso metade das funcionalidades.

No limite, que eu consiga por uma página na net a aparecer no belo do Televisor como se se tratasse dum monitor muito grande e assim posso ver filmes que tão online, na TV.

E agora que CHOVAM IDEIAS, OPINIÕES, PERGUNTEM AO TIO, AO PRIMO, AO IRMÃO, AO MARIDO, AO PAI, AO PERIQUITO, mas dêem-me ideias!!! Eu prometo que as vou explorar todas!

Obrigadinha!!!

PS: Também aceito nomes de sites onde possa comprar mais barato o que quer que me recomendem, lojas de segunda-mão, o que se lembrarem!

Maria João Pires em Amsterdão

A Maria João Pires veio pela quarta vez (este ano!) à Holanda, e ontem, graças às diligências da Joana, conseguimos finalmente ir ver a Senhora em concerto. Eu nunca a tinha ouvido ao vivo.
Ficaram-me duas sensações:

Primeira – senti a minha alma a cantar inexplicavelmente. A música era alegre e encheu-me de coisas boas, senti-me bem. Fechei os olhos e fui transportada. Nunca tinha sentido verdadeiramente o piano, a orquestra, o todo. Ao vivo. Foi excepcional.

Segunda – Gosto muito mais de música clássica do que o que alguma vez pensei.