E lá fui eu com o Senhor no reboque, esperei uma hora que me trocassem o pneu, tive que ir a outro stand pra me arrancarem a porcaria do símbolo que diz Tdci (outra aventura que não me apetece contar agora), e é assim que se perde uma manhã inteira por causa de modernices actuais dos carros.
Já agora, pra que não pensem que sou azelha de todo, os carros novos hoje em dia (pelo menos cá) já não têm pneus suplentes e não consigo comprar os ditos em lado nenhum, só há mesmo a porcaria da bomba de líquido inflamável branco e que só serve caso eu tenha estilo um preguinho no pneu. (alguém me diz QUAL É A PROBABILIDADE DO PREGO?!)
Mas estes fabricantes comem todos gelados com a testa?!
Pronto, já não estou presa outra vez, tenho que deixar o mau humor e a rezinguice de lado porque apesar de tudo eu sou uma grande sortuda por ter carro neste País de bicicletas. Ando sempre quentinha, protegida da chuva, vou visitar amigos a todos os lados, enfim, passeio-me e divirto-me a rodos.
E com isto se vai embora a nuvem cinzentinha que andava a pairar sobre a minha cabeça desde domingo.
(mentaliza-te Sofia, mentaliza-te Sofia, não é hora de partir trombas a holandeses lerdos, mentaliza-te, mentaliza-te, mentaliza-te, mentaliza-te…………..)
O pneu furado II
E eis que hoje de manhã telefono novamente pra assistência automóvel. Chega outro Senhor Reparador. Quando cheguei lá fora já o homem tinha tirado o pneu pra fora e ainda tive o relance de pensamento: o homem tem o pneu pra trocar!
Nahh. – Olá Menina, o seu pneu tem um grande buraco. (obrigadinha, isso já eu sabia!) Por isso vamos ali à Ford comprar um pneu e você tem de pagar porque a culpa foi sua.
– Ah? Mas quanto custa um pneu?
– (depois do telefonema a inquirir o preço) Custa 182 euros.
– QUÊ? Mas o seguro não paga?
– Ai não sei, é melhor telefonar
Liguei novamente, passo o telefone ao holandês que fala em língua de trapos com o outro. O telemóvel passa pra mim novamente e ouço: a companhia de leasing paga o pneu porque a Senhora tem um carro alugado. Fale com o meu colega que ele vai-lhe dizer como proceder.
Inocentemente pensei que o homem ia à Ford comprar o pneu e voltava…
– Olhe Menina, agora vou chamar o reboque, eles vêm cá buscar o carro e você vai com o meu colega até à Ford pra lhe trocarem o pneu.
Nem quero acreditar!!! Agora vou ter de esperar uma hora pela merda do reboque, perder a manhã a acompanhar os senhores pra me mudarem o pneu, e lá pro meio dia devo ter o carro pronto.
Isto é assim em Portugal também?? Tou que nem posso!!!!
O pneu furado
Ontem fui até ao Vondelpark pra um piquenique atendendo a que fazia solinho, muito embora tivesse um frio de rachar. Mas a companhia era bestial e como tinha combinado com a A. tomar café em Amsterdão pra nos conhecermos, ora venha daí ó moça e junte-se a nós. O certo é que a conversa estava tão fixe e o dia tão bonito que só houve razões pra continuar a beber umas bejecas em Leidsplein. Como a fome apertava e eu tinha deixado um dos cães sozinhos em casa (e precisava de deixar a Petzi em casa pra continuarmos a borga elsewhere), convidei-a pra pesticar cá em casa o queijinho da Serra que subsistia e eis se não quando, quase a chegar a minha casa…fura-se o pneu!
Saímos do carro qual mulheres desembaraçadas pra mudar o dito, e em vez do pneu suplente encontramos uma bodega dum líquido que só deve servir pra reparar pneus de bicicletas. Pneu suplente: escafedeu-se! Tá fora de moda, já não se usa. Fenix.
Lá usamos o dito segundo as instruções e … NADA. Conduzi a 20 km/h até casa os 3 kms que faltavam e convidei a A. pra cá ficar, uma vez que leva-la à estação à meia noite não garantia que ela conseguisse apanhar um comboio pra Leiden. Foi uma porreira e olha, perdido por 1, perdido por mil, bora jantar, despeja-se a garrafinha de vinho e tentamos a sorte num bar aqui ao lado onde achamos que tinham entrado uns gajos engraçados. Encontramos uma festa privada duma holandesa que fazia 40 anos, que lá nos deixou beber uma bejeca, mas ficou naturalmente pouco à vontade por ter duas estranhas por lá. A paisagem do bar era de ir às lágrimas, completamente 80’s (não fosse o nome do bar: Dancing Bar) e recheadinha de personagens retiradas do Darty Dancing. Gajos=ZERO.
Bom, tentamos o centro? Sem carro levamos uma boa meia hora e quando lá chegarmos além de geladas ainda batemos com o nariz na porta. Por isso giramos nos calcanhares e voltamos pra minha casa onde a varanda e duas excelentes mantinhas nos receberam.
Hoje de manhã ligo pra assistência pra me trocarem o pneu e eis se não quando o meu espanto… uma hora depois do telefonema aparece-me um holandês que olha pro pneu e me diz: – Ó menina, olhe que eu hoje não posso fazer nada porque não tenho cá um pneu pra substituir esse e pronto, aguente-se e amanhã ligue pro meu colega.
– Mas o seu colega amanhã já trás o pneu com ele porque o Senhor vai colocar os dados no relatório, certo?
– Não, não, ele vem cá amanhã, vai ver como eu, e vai ter de ir à procura dum pneu pra lhe vir aqui substituir.
– Mas, mas… então se o Senhor der os dados hoje, ele amanhã já sabe o que fazer, não é?
– Não, não, ele mesmo com os dados vai cá vir ver e só depois é que vai buscar outro pneu.
Eu nem queria acreditar!!! Isto é muito holandês e absolutamente desesperante!!! Assim não posso levar a A. a casa e agora?
Sensação de isolamento completo. Vivo MESMO no cú do mundo.
Não há autocarros nem trams à minha porta. Pra chegar à cidadezita de Breukelen levo meia hora a pé e mais meia hora pra estação, ou seja, uma hora pra apanhar um comboio. Não tenho bicla (mental note: comprar urgentemente a dita!).
O Taxi levou hora e meia a cá chegar porque só há dois taxistas e um estava de folga porque era Domingo!
A A. foi uma verdadeira bacana, lá teve de ir de taxi até à cidade, arrotar 15 euros (um verdadeiro ROUBO porque fica a 4km de minha casa), mas com certeza ficou com pouca vontade de voltar à bucólica terra do nada onde vivo. &#$%”#$”#$#”$
Amanhã lá vou eu ligar outra vez à assistência e rezar pra que cheguem cá depressa.
Nestas alturas sinto que vivo mesmo, mas mesmo…no Alaska!
Valeu o facto de eu e a A. nos termos dado lindamente, de ter encontrado mais alguém com o mesmo ritmo e pedal que eu (e que bem que soube!), de intuir que facilmente fará parte da lista de Amigos nota 200 que tenho conhecido e que Leiden será uma cidade que visitarei com muito mais frequência.
Aproveitar o momento…
…porque tenho muitas saudades de Portugal sempre que está um frio de rachar e porque nesses dias me pergunto a mim mesma que raio faço eu aqui…procuro aproveitar os momentos de sol e aproveitar para conhecer sítios e recantos que me fazem sentir bem e … just relax.
Quarta, 18 de Março pelas 15:00, a vista da minha varanda:
Quinta, 19 de Março pelas 18:00, praia de Scheveningen (Den Haag):
Desabafo…
Ou o meu inglês é “muita bom” e estes gajos não me acompanham, ou então DEVO FALAR CHINÊS!!!!!!!!!
É, NO MÍNIMO, a quinta vez que digo à besta do chefe de projecto que não pode por e tirar “peças” ao projecto de segurança como bem lhe apraz, precisa duma “risk letter signed by the customer”, mas ele não quer fazer nem uma, nem outra!
Este homem irrita-me. GORDO! BUCHA! ESTÚPIDO! DISSIMULADO! BURROOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!
Que neura senhores!! Que neura!!
Sinceramente, o inglês de alguns deixa muito a desejar….
U2 360° Tour
Tá um bonito dia de sol….
…mas alguém me explica porque é que Lisboa tem 24° de temperatura e nós aqui 12?! Ggggreeerrrrrrrrrrrrrr
E…hoje é sexta!!!
Sábado vai ser passado com amigos em Antuérpia enquanto escolho outra “boneca” como a Petzi para oferecer ao meu Pai pelos anos.
Domingo vou passear com a Undutchable e depois ela diz no blog dela onde é que fomos 😀 Até porque ainda não sabemos mesmo, mas vamos laurear a pevide com duas cadelinhas lindas, e tá dito.
Segunda há mais, mas por enquanto….
Are you Portuguese?
Um queridíssimo colega holandês que nunca vi mais gordo deixou-me plantada pra uma reunião hoje às 10 da manhã. Coisa muito pouco habitual, o senhor lá deve ter tido uma emergência, o certo é que dei comigo no edifício principal da IBM, sozinha numa sala, a mandar uns mails enquanto esperava.
De repente ouço um som familiar da sala ao lado, mas pensei: nah, tás-te a passar, é agora português! Tão lá dois homens ainda pra mais um deles é tem o cabelo branco e olhos azuis. Nah.
– E diz-me a esse caralho que mande as peças já!
Não pode!!! Isto é português com certeza!! E da minha terra carago!
Ora pois então conheci o Sr. Mário e o Victor do Porto, ambos muito simpáticos e trabalham aqui há…bem, um desde 71 (chiça que eu ainda nem tinha nascido!), e o outro devia rondar aí uns 30 e muitos muitos, se não tivesse já 40, e estava por cá há uns 15 anos.
Foi castiço. Soube-me bem, foi engraçado pelo pouco habitual que é reuniões tugolesas no escritório. And now, switching back to english, the morning goes on (e os cabrões dos holandeses pra segunda reunião estão também atrasados!! Estes tipos que são mais certinhos que relógios, coisa que tanto aprecio, hoje estão todos virados do avesso!) and on, and on …
A raça Lusitana
Não costumo falar de política, nem da Economia, não por desconhecimento ou falta de atenção ou gosto. Sinceramente é raro discutir este tema a não ser numa tertúlia com amigos onde existe um debate e troca de ideias e não um monólogo, mas hoje vou abrir uma excepção.
Tal como os Pais, achamo-nos no direito de falar mal do nosso País, mas não permitimos que estrangeiros o façam. Quando falamos de Portugal com externos, gabamos sempre a beleza do nosso cantinho à beira mar plantado, a excelsa comida ou a amabilidade dos nossos conterrâneos.
Entre nós, é cortar na casaca até mais não.
Desculpem lá qualquer coisinha, mas vamos deixar de ser arrogantes.
Portugal é um País, como muitos outros, carregadinho de defeitos, de políticos de merda, de políticas orçamentais e monetárias (que desde a UE que não tem muita margem de manobra) defeituosas, de má gestão, de corruptos, de jornalismo sensionalista, de políticas educativas muito sui generis e pouco inteligentes, com uma falta de atenção e aplicação de medidas na Saúde que deixam escandalizados os mais pobres de espírito, mas ORA PORRA! Foi neste País que nasci, foi neste País que cresci, foi este País e as suas opções que fizeram de mim a pessoa que sou hoje, tanto ao nível profissional como pessoal.
Eu emigrei, contrariamente a muita gente, porque quis ver como funcionava o sistema cá fora, e não porque tivesse falta de oportunidades de crescimento de carreira em Portugal.
Estudei um ano em Espanha e posso-vos dizer que vi o ensino universitário mais miserável e mais irrealista em termos de preparação para o mercado de trabalho possível.
Sei que há países e universidades onde o ensino é melhor que o que recebi na Universidade de Coimbra, mas na comparação de performance entre mim e os meus amigos oriundos de tantos outros países, a minha estava bem acima da média. Há boas e más universidades e bons e maus professores em todos os lados e nem sempre ser-se inglês quer dizer que se tenha estudado em Oxford. Nem sempre ser-se americano quer dizer que se tenha estudado em Harvard. Nem sempre ser-se espanhol quer dizer que se tenha estudado nos melhores Colégios Mayores. Nem sempre ser-se italiano quer dizer que se tenha tirado o curso na Católica de Milão. Nem sempre ser-se português quer dizer que se tenha tirado o curso no Técnico.
Mesmo assim, todos trabalhamos em conjunto e achamos que o outro tem valor. Só não nos valorizamos é a nós.
Os melhores técnicos informáticos que conheço, para vossa informação, tiraram o curso na Universidade do Minho, na Universidade de Aveiro, no Instituto Superior Técnico de Lisboa ou na Faculdade de Ciências de Lisboa (entre outras). Tenho umas saudades dos Técnicos que deixei em Portugal que vocês nem sonham! Tomara eu ter UM deles aqui a ajudar-me a levar pra frente os meus projectos. Bastava UM para eu me sentir mais confiante quando apresento um deadline. Os holandeses não são despreparados, mas não têm a capacidade de “tocar várias teclas dum piano”, são especializados num ponto único e não é essa especialização que os faz mais produtivos ou eficientes.
Quando vou a um médico na Holanda sei que não tenho listas de espera de 3 anos e que sou atendida às horas em ponto, mas ir lá ou ficar em casa, a diferença é muito pequena pra não dizer nula. São uma autêntica nódoa em conhecimentos, e caso não saibam, a Holanda é dos países com maior taxa de mortalidade de cancro.
Os comboios funcionam que nem relógios e a horas, é certo. Há uma quantidade e qualidade de transportes extraordinária, mas sabiam que as linhas de comboio alemãs mesmo aqui ao lado são miseráveis e que ainda usam comboio de 1800 e troca o passo? Também sabiam certamente que Londres foi das primeiras cidades a ter metro e que nós estivemos 30 anos debaixo duma ditadura e que temos muito que andar. É certo que em cada obra que é feita há sempre um filho da puta que limpa uns milhões e os mete ao bolso. Sabiam que os dividem com os empresários estrangeiros que vão “investir” em Portugal? Ai, se calhar não…é que as Ilhas Caimão e os cofres na Suiça estão cheios é de capital português!!
E a taxa de desemprego em Portugal? Impressionante!
E a quantidade de gente que eu conheço que diz a plenos pulmões: eu em Portugal ganhava 500 euros por mês pra fazer o que faço aqui por 2000. Sim, mas quando pra cá vieste não te importaste de trabalhar como secretária, limpar casas e/ou escritórios, ser barman ou trabalhar num restaurante, mas em Portugal: NEM PENSAR! Isso lá está ao nível da minha educação?! Porque o fizeste aqui então?
Porque aqui é o País das oportunidades!!!E porque ainda não encontrei emprego na minha área, mas vai surgir!
Pró raio que vos parta!
Se dão ao litro CÁ, porque é que não deram ao litro LÁ?
Sabem por acaso quantas pessoas há na Holanda, portuguesinhos da silva, que já emigraram há um ano e que não saíram da cepa torta e estão cá a ganhar trocos mas por cá ficam, porque afinal de contas, eles vivem no estrangeiro e os colegas/amigos ficaram em Portugal a ganhar 500 euros e a ser secretárias?! Mais que as Mães!
Nós somos aquilo que fazemos de nós. Nada cai do céu, o litro dá-se cá dentro e lá fora, não é só lá fora caramba!
Se querem um País melhor, façam por ele!!
Tornem-se empresários individuais, abram as vossas empresas para exportar as vossas ideias e fazer o que mais gostam. É duro? Dá trabalho? Há pois é? Quem foi que disse que trabalhar não dava calos?
Mexam-se! Cá ou lá, não me interessa! Não falem por falar, façam o favor de ter cérebro activo e corpo militante e não apenas língua viperina. Ninguém é mais nosso amigo que nós mesmos.
E quando falarem mal do País onde nasceram, lembrem-se: treinadores de bancadas há muitos, Mourinho há um.


















