O plano é que não há plano (by Tuxa)

Sempre que fiz planos o universo não me fez “ni puto caso”, só aconteceu o que ele queria, e eu até acabei por chegar onde pensava, quase que “by chance“.

O certo é que o “plano normal” de muita gente, não é o meu. Regra geral a malta pensa que há que estudar, começar uma carreira, entretanto encontrar uma cara-metade, depois compra-se um carrito e dali a casar e comprar uma casa é um passo. Depois claro, tem-se o primeiro filho. E se a vida corre bem financeiramente, vem o segundo. E depois…
Depois nada.

Depois há tédio. Há trabalho, há casa, escola, corre-corre, faz jantar, põe a mesa, tira a mesa, ajuda nos deveres, festinha do fulaninho e do beltraninho, uma viagenzita aqui e acoli, dá-se um passeio por Portugal, ou aluga-se uma casa no Algarve por uma temporada e é assim.
É a vida! O que interessa é ter saúdinha!

Pois, este não é, nem nunca foi o meu plano. Só de pensar nele morro de tédio. Os meus amigos fizeram as opções deles, e respeitam as minhas, mas são poucos os que me entendem.
Não me levem a mal, mas se eu olhasse em frente e fosse este o meu horizonte, eu cortava já aqui os pulsinhos. Ainda bem que não gostamos todos do amarelo, certo?

Eu não gosto de rotina, odeio saber o que me vai acontecer amanhã, se tiver 2 dias iguais já fico louca. Cada dia tem que ter um sabor diferente. És muito impulsiva, dizem-me uns.
És muito emotiva, dizem-me outros. Não gostavas de “assentar” perguntam?

Ai que nervos!!! Detesto esta palavra: assentar.
Dá-me comichão, urticáriam, o estômago dá-me 3 voltas e o sorriso desaparece. Lembro-me sempre da minha Mãe atrás de mim quando eu era miúda e dizia: Assenta-me essa cabeça no chão, rapariga!
O equivalente a dizer deixa de sonhar, não penses que tudo te vai sair como queres. Não faz por mal, sempre quis foi que não batêssemos com a cabeça nas paredes, mas eu como sou de gancho e do contra, penso positivo, penso que alcanço e que tudo me sai como eu quero.

E sai mesmo! Sempre que eu sei o que quero. Ora se o plano é que não há plano, nem sempre sei o que quero. Mas uma coisa é certa: sou óptima a tomar decisões rápidas.

E é assim que lá chego. Sempre.

Exactamente onde quero estar, como quero e onde sempre sonhei estar.

Hoje, enquanto preparava o jantar de hoje e o almoço de amanhã, ao som de Bossacucanova, com o sabor do Malbec Argentino nos lábios tive um déja vu.
Há muitos, mesmo muitos anos atrás sonhei ser assim: uma profissional (pensava ser consultora executiva, mas ao fim destes anos todos, ser Project Manager já me deixa feliz), no estrangeiro (ok, era mais NY, mas a Holanda serve (e muito!!) bem), com  um cão (que na altura sonhava ser um Golden Retrevier, mas como sou alérgica, não deu, e Deus me livre trocar a minha Petzi- que tá ali feita parva a rosnar à bola debaixo do móvel da sala, ó Deus dai-me paciência), com um copo de vinho tinto, música de fundo de qualidade, numa casa grande (também era pra ser um Loft, mas como cá não há os que eu desejaria, esta casa é perfeita como é!), viajada (ok, não me estou a safar nada mal tendo em conta que não arranjei o gajo rico!) como i’ll faut, com bons e muito bons amigos,  a minha família intacta, com saúde e bem perto (duas horas e meia de avião não é nada! De Lisboa a Braga são 4 horas de comboio, sim?); com saúde, inteirinha (nunca parti nem um braço nem uma perna sequer) e contentinha da vida.
Basicamente, foi só isto que sempre quis.
Hoje tive a certeza que, se morresse amanhã, já não ia nada insatisfeita.
It doesn’t get much better than this!

Deus é Brasileiro

Se é ou não, não sei.

Só sei que depois deste filme, eu até sou gaja pra me ir benzer e tudo e acreditar assim sem mais!

Quero ir ao RIO de JANEIRO!

E….

Quero ir ao Canadá e conhecer de ponta a ponta, com passagem nos Parques Naturais;
Quero  uma viagem ao deserto em Marrocos em todo o terreno;
Quero fazer a Europa toda em autocaravana;
Quero alugar um carro e palminhar a Croácia de lés a lés;
Quero voltar à Turquia em veleiro mas com amigos;
Quero voltar à Grécia 5 dias e passar um fim de semana inteiro em Hydra;
Quero fazer a rota dos Diários de Che Guevara pela América Latina;
Quero fazer a Route 66;
Quero perder-me durante uma semana no Connecticut;
Quero percorrer a California num descapotável e conhecer San Francisco;
Quero ir um mês e meio conhecer a Austrália, a Nova Zelândia e as Fidji
Quero ir fazer a Irlanda de carro e a Escócia também;
Quero fazer um cruzeiro pelos Fiordes e chegar até à Rússia…..

Eu também quero tudo…graças a Deus!

Ó Deus, faz lá uma perninha e sê Português na Holanda e vem lá ajudar, vá lá! Faz com que os dias de férias e o dinheiro na conta cresçam, cresçam, cresçam!!!

Tem que ser

Quando eu perguntava o porquê de fazer algo, os meus Pais respondiam-me muitas vezes: porque tem de ser.
O Universo às vezes diz-nos o mesmo: é assim porque tem de ser.
Porque é que as pessoas de quem mais gostamos são as primeiras a morrerem? Porque tem de ser.
Porque é que sofremos tantas desilusões com pessoas como família, amigos ou paixões? Porque tem de ser.
Porque é que eu não consigo ter tudo o que quero? Porque tem de ser.
Porque é que eu só consigo ter o que quero muito mais tarde do que esperava/desejava? Porque tem de ser.
E no meio disto tudo às vezes desesperamos (pessimistas), outras vezes apenas esperamos (optimistas).
Meio cheio ou meio vazio?
O certo é que, aos poucos, na minha vida quando sinto que houve e que há sempre muitas coisas que me fogem dos meus planos dou comigo a dizer baixinho: porque tem que ser.
Por isso deixei de fazer planos, e deixei de fazer listas de ano novo ou vida nova. Tomo decisões, aqui, hoje e no momento em que acredito que é o mais correcto. Se me apresentam algo de diferente mesmo à frente dos meus olhos sigo muitas vezes a minha intuição, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, como o outro.
O certo é que raramente me arrependo de decisões tomadas. Mas não vamos ser hipócritas e dizer que voltaríamos a fazer tudo da mesma forma, porque ninguém o faria. Se assim fosse nunca nos diríamos baixinho: porque tem de ser.

As pessoas têm que deixar de me levar tão a sério. Não a mim, mas ao que eu digo.

(E não tem nada a ver com o que aqui escrevi no post anterior ou no outro ou nos comments, ok?)

Tou a falar da minha vida, do meu dia-a-dia.
Eu sou por natureza uma trabalhadora bem disposta, e os meus colegas têm-me como tal, sabendo também que sou profissional.
Só que este respeito veio duma divisão por mim imposta, e que levo muito a sério, de que posso fazer amigos no trabalho, mas as pessoas que trabalham não são minhas amigas, (nem inimigas!), são tão pura e simplesmente: Colegas.
Até aqui, tudo normal, penso eu.
Como dizia hoje um amigo: no trabalho não falo da minha vida pessoal, e na minha vida pessoal não falo de trabalho. Mais de 70% dos meus amigos não faz pálida ideia do que é que eu faço. E eu gosto que assim seja.
Nas terras de sua Majestade Rainha Beatriz, não tenho no entanto onde ser o outro extremo, aquele que depois de utilizado e repetido, me faz chegar ao equilíbrio desejado.
O meu extremo é a Candeia, ou melhor dito, o que pratico com os meus amigos Animadores da Candeia.
Por isso vou tantas vezes a Portugal. A minha insanidade junto da insanidade dos meus amigos faz-me falta!
Faz-me falta aparvalhar com a Yoggi, apetecer-me bater no Lapi depois dos comentários certeiros e way over mais frontais do que deveria, ouvir as histórias do André, da Raquel, fazer-nos de mortos em conjunto, arreliar os putos até à medula, pensar ao som da viola, abraçar muito, receber cafonés, sentar-me em roda até já não ter posição, trabalhar no duro a preparar tudo o que é preciso. Saltar em jogos, em aplausos, ver os olhares perplexos de quem acabou de entrar, exactamente igual ao meu no primeiro fim de semana: estes gajos ou são uma seita, ou são completamente loucos. Completamente chanfrados. Sorrir-lhes e piscar-lhes o olho, baixar o tom de voz para um mais sério e dizer baixinho ao ouvido: eu também pensei o mesmo que tu. Não te preocupes que isso passa.
Eu preciso de passar pra lá de Bagdad como eu costumo dizer. Preciso de descobrir como é que eu faço pra me descompensar nesta terra por momentos, pra depois voltar a estar em equilíbrio. E não são copos ou saídas que me vão ajudar. Eu preciso dum exercício que me extenue, já que falando me levam demasiado a sério ou usam o olhar do: passou-se.
Ou arranjo outro conjunto de doidos, ou:

Vou-me inscrever nas aulas de Zumba.

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Ídolos – cenas que eu não entendo


Há uns anos atrás conheci numa viagem uma rapariga cinco estrelas. Uma bacana. Ela e os outros 4 amigos que a acompanhavam salvaram-nos as férias (a mim e a uma amiga) que prometiam ser um tédio.
A moça, diga-se em bom da verdade, como dizem os gajos, é boa comó milho. Bem feita, podre mesmo. Bonita, morena, com um cabelão preto lindíssimo, grande sorriso, sabe falar, gosta de se divertir e tem cérebro.
(parece que vos estou a ouvir: e nunca apresentaste porquê?! É assim que és amiga? E mimimi mimimi mimimi)
Dois anos passados da dita viagem, encontramo-nos novamente e ela conta-me toda frenética que é a vice-presidente dum clube de fãs dum cantor (famoso e com quem simpatizo até, mas há que ver…). Eu pensei que aquilo era temporário, achei piada, brinquei com ela, e não liguei.
Com o tempo, através do Hi5, do MSN e do Facebook apercebo-me que aquilo era realmente p’ra durar. Se não estou em erro, ela neste momento é Presidente do dito Clube em Portugal.
O Clube deve existir há uns 4 anos talvez.
Eu gosto muito dela, acho que é uma rapariga impecável, amorosa, uma verdadeira jóia, mas não compreendo esta pancada, esta obsessão por um cantor. Aqui há uns tempos acho que tinha um namorado. Como é que ele reagirá a estas coisas?! É que o ídolo está acima de tudo, dele, da família, de tudo!
Eu sempre pensei que as presidentes destes clubes eram uns camaféus, tótózinhas de todo, sem vida, enfim.
Como é que é possível que esta rapariga que é um monumento, vá a todos os concertos do homem na Europa, corra seca e meca e faça tudo o que esteja ao alcance da carteira dela, e dos dias de férias que tem, pra estar presente. Dá tudo por tudo por esta paixão. Tudo! Eu não compreendo, juro.
E quem diz cantor diz actor, professor, o que quiserem. É algo que me ultrapassa. Eu nunca idolatrei ninguém e nunca fui capaz de entender esta coisa de se achar que alguém, um mero mortal, é o supra-sumo da barbatana.
Sempre que vejo as fotos dela com o cantor ou o comentários no FB lembro-me duma grande amiga que viveu comigo em Coimbra, a Eduarda.
A Eduarda adorava o Elvis Presley. Tinha um poster do tamanho da porta do quarto que beijava religiosamente todos os dias. Falava dele com um carinho e uma reverência que eram enternecedoras. Sempre achei um piadão à Eduarda. Ela é de Santo Tirso e tem uma pronúncia mais forte que a minha, é o máximo. Tenho mesmo muitas saudades dela.
Mas o melhor da Eduarda, foi quando levou a irmã (que na altura tinha 16 anos) ao concerto dos Back Street Boys no Campo Pequeno em Lisboa.
Eu chorei a rir no dia em que ela voltou com o relato. Ela dizia que a irmã estava louca e isto era demais, que ela nunca tinha sido assim, e que se a Mãe delas soubesse que ia ser do bom e do bonito.

“Tu nem imaginas o que aquilo foi! Fomos pra Lisboa no dia anterior, e sabe Deus o que me custou, mas lá consegui convencer a minha irmã a dormir na minha Tia. Ela queria ficar à porta do Campo Pequeno! Olha eu, ia ficar uma noite ao relento, com uma data de canalha maluca, só pra ficar mais perto! Como se lhe conseguisse tocar!
No dia seguinte fomos muito cedo e conseguimo-nos sentar naquelas “paredes de madeira” das praças de touros, sabes? Uma hora antes do concerto deu-lhe! Queria ir pra frente, pro meio das outras todas! Muito eu respirei fundo e pensei – ai se o meu Elvis fosse vivo! Lá lhe fiz ver que se descesse não ia vê-los sequer, e que dali de cima conseguia ver perfeitamente o palco. Pronto, lá ficou.
Aquilo foi um horror, tu não tens noção! Elas e eles! Havia lá uma data de rapazes, eu juro que não entendo! Gritaaaavam, gritaaaavam: Nickeeeeeee! Nickeeeeeee!
Não se ouvia nada do concerto, só os gritos delas.
A meio do concerto, Nickeeeeeeeeee, Nickeeeeeeee, olho pro lado e vejo a minha irmã abraçada a chorar que nem uma madalena, agarrada à gaja do lado que nunca tinha visto mais gorda!
Pró que eu estava guardada!! Puxei-lhe por um braço – ó rapariga, quem é essa?
Não sei… Nickeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!! “

Ai, as saudades que eu tenho da Eduarda!

Nickeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

Lobotomia

Há 15 anos atrás entrei na Universidade de Coimbra. Comigo entraram 3 raparigas do Norte, duas de Valença e uma de Viana do Castelo. Como éramos todas muito nortenhas e andávamos no mesmo curso, juntamo-nos. No meu primeiro ano passávamos muito tempo juntas, e íamos juntas de casa pra Faculdade todos os dias.
No fim do ano houve uma grande bronca entre as 3 e a melhor amiga da minha então colega de quarto. Pelos vistos, a Joana gritava a pulmões, furiosa mesmo, que a Lita se tinha metido com o namorado dela. As outras duas nortenhas defenderam a Joana durante duas semanas e depois foi o descalabro. Zangaram-se as comadres. Quando perguntei o porquê as nortenhas não quiseram falar e a Lita e a minha colega de quarto contaram-me uma história mirabolante de como a Joana teria dito que tinha um namorado que era um moço de quem tinham ficado amigas há pouco tempo. O moço dizia que não conhecia a Joana e fugia dela como o diabo da cruz.
Achei aquilo tudo muito natural: o gajo era um g’anda cabrão!!
Como a Joana não era assim propriamente um deslumbre de rapariga, o fdp evitava-a! Dizia que tinha vergonha dela! Inacreditável, pensei eu. Grande fdp.
No ano seguinte mudaram-se todas de casa, mas eu continuei a viver na mesma.
No segundo ano da Faculdade, a Joana passou a dividir o quarto com a Xana, uma miúda com a qual na altura eu não podia nem com molho de tomate. Eu continuei a ir com a Joana pra Faculdade todos os santos dias, e a voltar, hora de almoço e hora de jantar, mas nunca mais falei com as meninas lá de casa. Raramente lá estava, diga-se a verdade.
Em Fevereiro do meu terceiro ano há uma discussão entre duas das miúdas do grupo delas, e uma delas passa a aparecer no meu quarto com frequência. Na primeira visita, conta-me tudo o que me tinha escapado e fala-me do “menino” da Joana. Eu conhecia o dito menino e expliquei à Olga que a outra não o conhecia, quanto mais ser namorado dela. O Luís era o melhor amigo do Artur, o amigo meu de infância e liceu que estava também em Coimbra na mesma Faculdade que nós. Lembro-me de no final do primeiro ano estar no Cortejo da Queima das Fitas e ela ir comigo atrás do carro de Economia e dizer: aquele gajo ali é muuuuito giro.
A Olga não acreditou em mim. Achou que o Luís devia ser outro cabrão como o fulano do nosso ano de caloiras.
Apresentei-lhe o Artur, e na frente dele perguntei se algum dia tinha visto a Joana.
Sim, na Faculdade, com a Sofia. Fora isso, ela nunca saiu connosco, não conhece o Luís, nunca sequer falou com ele.
A Olga começou então a prova dos nove:
– mas ele não vai almoçar a casa da Tia ali aos Olivais todas as terças?
– Vai. Como é que sabes que a Tia vive nos Olivais?
(tinha-o seguido durante semanas)
– mas e à quarta-feira não jantam juntos?
– à quarta é noite de póker lá em casa, aliás, à 4° e nos outros dias todos!
(ela ia jantar todas as quartas-feiras sozinha à cantina menos frequentada por nós)
– então e à sexta, não almoça com vocês?
(a esta respondi eu: não! Almoça sempre com umas amigas de Viana na cantina do ISCA!)
– e na Queima do ano passado? Não estavam zangados? É que estivemos ao pé de vocês a dançar uma noite inteira e ele olhava pra ela!
(devia ser o ar de vou-te comer com batatas fritas! Se te apanho ó bom, és todo meu!)

Continuamos a juntar peças durante mais 2 dias e a má-disposição ia crescendo à medida que nos apercebíamos de cada mentira, de cada passo que deu, de toda a premeditação, da qualidade e entreteia das mentiras. Era muito filme.
Nunca me mentiu porque sabia que eu nunca acreditaria. Louca, mas não burra.
A Xana fritou quando soube de tudo. Uma tipa como ela, com mais de 7 anos de Coimbra, não tinha percebido nada!! (Oh pra mim cheia de pena, snif snif)
No dia dos namorados perguntou à Joana qual o plano das festas. Ir almoçar a um sítio surpresa, “tinha dito ele”.
A Xana esperou e à hora do almoço apareceu na Faculdade. Viu-a por lá, obviamente. A Joana ficou uma vara verde, mas sem nunca se descair, disse que tinham ido almoçar a casa dele, com o irmão dele e a namorada, que ele tinha casa vazia porque a Tia tinha saído de propósito, mas que lhes tinha deixado bacalhau à espiritual (todos os pormenores) preparado e depois tinham ido dar uns amassos pro quarto. Tinha-a deixado à porta da Faculdade há uns míseros minutos porque disse que lhe queria fazer outra surpresa.
A Xana fez de conta que se foi embora, e juntamente com a Eduarda seguiu-a discretamente.
A Joana foi a uma florista, comprou um ramo com 24 rosas, e voltou pra Faculdade.
As outras duas foram pra casa a bater mal.
Quando a Joana chegou a casa disse-lhes que depois de elas terem saído, ele tinha aparecido com aquele ramo magnífico! Era ela a mulher mais afortunada do mundo, or what?!
Confrontada com a verdade e com o ror de mentiras que se prolongava há quase ano e meio, jurava a pés juntos que era verdade, que namorava com o Luís. Chorava copiosamente, era a cara da verdade, da pureza, da tristeza, do desentendimento. Só quem viu é que é capaz de entender o novo nome que ganhou a loucura no meu dicionário.
Eu falei pessoalmente com o Luís que apanhou o cagaço da vida dele e que só não foi falar com ela porque eu interferi e lhe expliquei que ela não fazia mal a uma mosca.
Era só uma pessoa tremendamente infeliz.
A Joana mudou de casa.
Eu acabei a Faculdade e nunca mais a vi.
Passados uns anos encontrei outra Colega da Faculdade no autocarro de Coimbra por Porto pra casa de quem a Joana se tinha mudado.
As histórias mirabolantes eram semelhantes, mas desta vez com contas de telefone astronómicas (com quem falaria ela nunca percebemos) e metia idas ao Porto e relatos de sexo escaldante com um suposto namorado que novamente, ninguém conheceu.
Os Pais dela só descobriram o que se passava (e mesmo assim duvido que saibam da missa a metade) passados 6 anos de termos entrado em Coimbra. Foram lá buscá-la porque ela nunca tinha acabado o curso, e há 2 anos que dizia que só lhe faltavam duas cadeiras.
Um mentiroso é sempre apanhado.
Será possível curar-se um doente? Alguém que recria o seu mundo de fantasia ao ponto de acreditar verdadeiramente nele? Eu acho que não.
No anos 50 (e hoje em dia) chamavam a esta gente maníaco-depressivos, mas nos fiftie’s faziam-lhes lobotomias. It’s just a thought you know. Just a thought.

Subscrevo inteiramente. Eu cá gosto e muito duma telenovela.

Embora na Holanda não as consiga ver porque não consigo pôr uma parabólica.
O meu guilty pleasure era a Operação Triunfo (alta fã desde o primeiro episódio até à 3° OT em que já não conseguia saber quem era quem). Vi a série Espanhola antes da Portuguesa numa das múltiplas viagens a Espanha e quando chegou a Portugal já eu estava mais que rendida.
O meu problema é que me canso e não consigo ser fiel a novela nenhuma nem a OT, nem afins. Mas gosto. E via (quando podia) o jornal da 2 porque é directo, curto e grosso, e porque tinha a Alberta Marques Fernandes de quem sou fã também.

O resto, a Patrícia explica tão bem, que vou deixar o post por conta dela 😉

Já repararam que ninguém vê novelas? É um bocadinho como a música pimba, ninguém ouve. Mas com a televisão é tão óbvio que dá vontade de rir. Ninguém vê novelas, nem os programas da manhã e ninguém desce tão baixo ao ponto de ver o programa da tia Júlia ou do tio Goucha. Mas todos sabem que existem, já viram pelo menos uma vez, mas apenas no consultório do dentista. Lá está, é como a música pimba. Ninguém ouve mas aposto que não existe (quase) ninguém que não saiba meia dúzia de músicas daquelas de cor.
A mim irrita-me um bocadinho esta mania de grandeza, de ser diferente. Mas de uma coisa tenho a certeza: eu conheço (quase) todos os espectadores do jornal da 10 (da 2). A maioria das pessoas que conheço só vê esse jornal. É que o da TVI é horrível, brega; o da SIC já não é o que era, e o da RTP1 desilude. O da 2 é que é, visto pela elite das elites e o único sociavelmente aceitável.