Coisas que me enojam

– prepotência
– arrogância
– qualquer tipo de fanatismo
– qualquer tipo de idolatrismo
– cagões e snobs letrados.

Tudo isto sentido ao ler os comentários no Jugular sobre o caso da besta Otero (que eu cá já acabei a Faculdade há muito tempo e quero mais é que o gajo se foda e morra seco) na Faculdade De Direito de Lisboa. Ó gente estúpida!! Como é que se são SEQUER capazes de usar frases como:

Um bom jurista tem de saber argumentar. Não há cá áreas sagradas.

Para ter zero no teste? Já é difícil concluir a disciplina com positiva idas às aulas, estudo dos livros recomendados, participação nas aulas práticas, muito esforço nos testes e exames, etc.

O professor Paulo Otero é dos mais exigentes da Faculdade de Direito de Lisboa. Neste teste excedeu-se na elaboração do caso prático, ao criticar o legislador de forma implícita num teste da faculdade. Na maioria dos seus testes excede-se, normalmente por picuinhices. A maioria dos alunos reprova às suas disciplinas, tal é a quantidade de informação que é encessário memorizar para ter positiva nos testes e provas.

LAMBE BOTAS! CONAS!
Que pouca vergonha é esta de se achar que uma aluna não pode ser mais inteligente que o deficiente mental que está sentado na cadeira em cima do estrado?!
Que pouca vergonha é esta de se atrever a condenar quem foi capaz de expor a soberba dum Senhor Professor merdas Doutor?!
Sois todos uns debilóides, que pra minha infelicidade depois ides parar a cargos na função pública (no ofense) e usais da vossa incapacidade pra me dar cabo da paciência e encher a vossa vida inútil. Ou então ides com cunhas parar a tachos onde podeis demonstrar com veemência o quão estúpidos sois.
Esta merda de se acharem que uma cadeira é tão díficil e boa quanto a dificuldade em aprovar é algo que me tira do sério, aliás, como já deu pra ver. Esta cena de : 20 é pra Deus! 19 é pro Professor e a escala vem daí pra baixo é mesmo coisa há Portugal. É assim que nos moldam. Moldam-nos pra pensar que nunca valemos o suficiente, que temos de comer o pão que o diabo amassou pra saber ser gente, que somos todos uns ignorantes, uns iletrados, uns tristes, uns pobres coitados sem acesso à cultura. Mas o tempo do Eça já lá vai! Ou tou enganada?!
Só se suarmos até ao desumano é que fizemos um esforço! Só se morrermos a trabalhar 12 horas por dia é que somos trabalhadores! Só se formos burros e mulas de carga é que somos gente de valor!
Nojo, esta mentalidade enoja-me verdadeiramente. NOOOOJO.
Pra que caralho querem as notas? Pras comer ao jantar com as folhas de alface?
Pedantes de merda.
Que orgulho há ao dizer que metade dos alunos chumbam à minha cadeira? Quer isto dizer que 50% são burros, ou que EU serei burro por não saber ensinar os meus alunos o suficiente pra passar à minha cadeira?
Há coisas que realmente só em Portugal.
Como é que é possível que haja esta gentinha a pensar assim? Como??
Que pouca vergonha é esta de SEQUER entregar um exame deste calibre a um aluno?! Como é que se atreve?! Ah? Quem pensa o senhor Otero que é?
Espero sinceramente que o Conselho Disciplinar o ponha no sítio. Mais, desejo-lhe o olho da rua. Lá vai poder exercer bem o seu direito: sobre as pedras da calçada.

Vou aos Santos

Sofia :Tou na Graça!
Tininha: Vou aí ter. Que horas são?
Sofia: São um quarto pras 8.
Tininha: 8 e um quarto tou aí.
Hugo: Eu também vou aí ter.
Mano: E eu também, mas só chego lá pras 9.
Sofia: No prob. É uma imperial se faz favor. Uma tosta mista também.

Vou aos Santos e a Graça espera por mim, e eles também.

Um Lux de vida


Hoje uma amiga mandou-me um mail com um artigo que tinha saído na Lux sobre um actor Gonçalo Waddington com uma escandaleira de arrepiar cabelo.
A minha Mãe tem um cabeleireiro há 40 anos. Desde que nasci que a literatura “cabeleireiral” (esta palavra não existe mas soa bem mal) no salão foi a Hola! (não consigo fazer o ponto invertido) também conhecida em Portugal como iola (é o que dá a malta não saber ler). Há anos que sabia dos Reis e Rainhas, Princípies e Princesas, seus amores e desamores em espanhol. Acho até que o facto de eu falar espanhol que nem um papagaio se deve a esta revista cor-de-rosa com fotos magníficas e cheias de coscuvilhice sobre casas de sonho, divórcios escabrosos, doenças devastadoras e afins. Segui a vida da Carolina do Mónaco, da Lady Di, da Isabel Presley (a p@ta da mulher continua a parecer uma barbie de plástico ao fim de 30 anos! Eu virei pessoa e ela tá igual desde que eu nasci. Haja cirurgião plástico, ah!), da Letícia e das Infantas Cristina e Elena e da Angelina Jolie e seu Pitt. Do Bisbal, do Julio Iglesias e sua fiel companheira, dos actores americanos e de todos aqueles que ganham dinheiro ao publicar as suas vidas privadas cheias de (aparente) glamour e “sei lás”.
Quando surgiu a Gente, a Caras, a Lux e eteceteras a minha Mãe continuou fiel à Hola!. Se havia coisa que pra mim definia o Salão, era a Hola! e que mostrava que a minha Mãe não era pindérica como as cabeleireiras normais (mas isso eu já sabia porque ela nunca usou unhas de gel imensas, nunca teve o cabelo com 4 cores garridas nem usa roupas leopardos e tigresas, graças a Deus!) e não ligava puto às “famosas” portuguesas que nunca pousaram nas nossas bancadas.
Depois desta manhã ter “lambido” as páginas da Lux fiquei orgulhosa da minha Mãezinha.
Eu confesso que li a revista na íntegra, fiquei a saber que a Alexandra Lencastre tá mais magra e ainda apaixonada pelo gajo que lhe deu com os pés, que a Pimpinha foi mãe e que a Águia Benfiquista foi cumprimentar o rebento (que mal nasceu e já tá a render que há que pagar as fraldas!), que o Gonçalo Waddington recebeu uma carta aberta da família (escabrosa, escabrosa!) em plena estreia da peça de teatro, que a Rita Guerra tem umas mamas novas e que o Castelo Branco foi convidado pra Red Carpet dos Óscars mas não foi porque a sua Betty robot tinha acabado de ser operada à anca.
Eu vi e li tudo e por momentos até me esqueci que vivia na Holanda. E não me senti orgulhosa de ser Portuguesa.
Eu li tudo e pensei, mas afinal o que é que esta bosta toda contribui pra minha felicidade? Porque raio li eu esta porcaria e traí a Hola!? Não se medirá o nível dum País pela quantidade de nojo que se vê publicada? Nem vou falar do Sol e do Face Oculta, nem vou falar dos telejornais da TVI ou da SIC, vou só falar da merda das revistas cor-de-rosa que em Portugal se devoram quais pãezinhos quentes e que mostram que não há classe. Que se continua a querer ser o que nunca se foi, com roupas emprestadas e convites pra festas em que a droga roda a jorros e em que a bebida é grátis. A Moda Lisboa que pretende equivaler-se à Moda Paris e que, coitadinha, morreu sem nunca ter nascido, cheia de gente que se veste mal mas copia o que vai nas revistas. Já nem posso ouvir falar da Cinha, da Pimpinha, do Castelo Branco ou da Lili Caneças. Gente brega, gente feia, pirosa, com cara de quem todos lhe deve e ninguém lhe paga, tesos, todos uns tesos a fazer de conta que as suas vidas amorosas são vibrantes de traições e paixões. Que gente aborrecida. Que tédio de gente.
Na última página o meu último pensamento foi: quão aborrecido e quão vazias terão de ser as vidas dos Portugueses para gostarem e comprarem a Lux?
Vou ali ver se consigo fazer download de algo que me volte a fazer sentir morena e pouco loira e já volto. A minha vida não é isto!

Americanismos

Trabalho numa empresa americana. No outro dia quis dizer em português aos amigos o que tinha sonhado e só me saiu a seguinte frase: estava tão cansada que sonhei que fazia upload de pessoas pra URT e que lhes fazia CBN. Entenderam? Imagino que não!
Também tá explicado porque é que eu raramente ou quase nunca falo de trabalho. É preferível não fazer destas figuras:

No Vias de Facto, escrito por Joana Lopes:

Mais vale rir: http://viasfacto.blogspot.com/

E já agora

pra rematar: os Holandeses podem não ser o povo mais entusiasmante ou simpático à face da terra, mas eu vivo na Terra deles e como tal: respeito-os.

E agora todos os Tugas que cá vivem e que por cá passam, se quiserem deixar o seu testemunho, serão mais que bem-vindos! Escrevam os vossos testamentos, be my guests!

Os Holandeses


Ao fim de dois anos não me considero douta na matéria, mas revendo as minhas experiências neste País, apraz-se-me dar algumas considerações que serão do interesse em geral, em particular de quem pra cá quer vir viver.
Eu gosto dos holandeses em geral mas embirro com algumas particularidades da Cultura. Não porque a cultura deles seja pior ou melhor que a nossa, é apenas muito diferente. Confesso que quando pra cá vir viver não esperava que o gap fosse tão acentuado. Mas é. Isso no entanto não é mau, pelo contrário, é enriquecedor. Às vezes é irritante, outras angustiante, mas no geral, “levadeiro”.

Pra início de conversa, 89% dos meus colegas são holandeses, 15% belgas e 5% são estrangeiros como eu.
Os holandeses são os Colegas de trabalho mais bem dispostos que já tive. São optimistas, são divertidos, são alegres e riem muito, sabem brincar com as situações, são sérios quando é pra ser sérios e acima de tudo, são profissionais e gostam de o ser.
Não são politicamente correctos, coisa que eu adoro. O que pensam, dizem. Pão, pão, queijo, queijo. Têm sempre, mas sempre uma opinião. Às vezes têm tanta opinião que até chateia, como quando comentam os meus sapatos ou a minha roupa à descarada, em frente de quem seja, e se acham no direito de comentar algo sobre o qual ninguém lhes pediu a dita opinião! Mas não são maldosos, são apenas sinceros.
Não falam mal pelas costas.
Não berram, não são peixeiros. Respeitam o silêncio do ambiente de trabalho.
São organizados e pontuais, são “straight to the point” e não admitem que numa reunião se discutam 500 assuntos paralelos ou se “lave roupa suja”. Isso é feito off-line e entre as duas pessoas em questão. Não há teatros para audiências.
São coscuvilheiros, mas como expliquei antes, são-no duma forma aberta e adoptam sempre a postura do: mas não é da minha conta, por isso não me meto. O que cumprem. Não se metem mesmo.
Falando quer dos meus colegas, quer do senhor que me vem arranjar o telefone a casa, ou da menina do service-desk do prédio, ou ainda do mecânico, refiro o seguinte que é fruto da minha experiência:
Não são pessoas de “solução”. Pra eles, ou está escrito no processo ou a desorientação e o caos chega rapidamente. Isto quando contraposto à cultura Portuguesa do desenrasca, arranja uma solução e tira daqui e põe dali pra manobrar a situação, não funciona lá muito bem. Mexe-lhes com o sistema nervoso. A eles e a nós!
Quando as coisas estão bem escritas e bem definidas, são cumpridores e o que fica feito, fica bem feito. Se o que lhes é pedido lhes for explicado e bem documentado, eles executam primorosamente. Pra fazerem alguma coisa eles têm de concordar com o que estão a fazer. Se entretanto quisermos mudar as regras do jogo pra dar alguma flexibilidade à coisa, se é preciso abrir uma excepção, eles ficam muito stressados! Como a “peça” não encaixa no “puzzle” dizem logo que não funciona. Têm uma checklist pros possíveis problemas que podem acontecer, se o problema que surgiu não está na checklist, não sabem o que fazer. Como Portuguesa confesso que me apetece abaná-los e invariavelmente a minha resposta é: THINK! Juntamente com uma alta carga de nervos.
Ir a uma Instituição Pública pedir uma explicação é um exercício de paciência. Aliás, tudo quando seja serviços nesta terra, seja os serviços institucionais, sejam serviços ao público como restaurantes, bares, turismo, o que seja!, é um exercício de paciência. Se não fizermos a pergunta correctamente não nos sabem responder. Até aqui ainda vai, o busílis vem quando não sabem dar solução à questão e como tal pura e simplesmente nos olham nos olhos e dizem: I really don’t know Mam, and I can’t help you. E é que não ajudam mesmo! Nem tentam! Ou tá nas FAQs, ou não sabem responder. E não tentam ajudar porque é uma perda de tempo e dá trabalho. Eu tenho de ser capaz de encontrar a solução sozinha. Invariavelmente também, isso passa por meter-me no site e traduzir as partes que me interessam e encontrar algo que lhes explique como solucionar a questão. Se não tiver no site e se eles não souberem responder, tenho de repetir tudo desde o início ao Chefe deles. Eu ir falar com o Chefe é tranquilo e: uma perda de tempo. Regra geral o chefe também não vai saber ajudar.
Se eu conseguir apresentar-lhes uma solução, dentro das regras, e que lhes permite solucionar o meu problema, abrem imenso os olhos e dizem-me: OK!! Sure! In that case, we can do it!
A seguir vão esbarrar com o Chefe ao qual têm de explicar o que lhes acabei de dizer, e lá voltam eles a dizer: I’m sorry Mam, it’s not in the book, we can’t do it.
Sinceramente, é EXASPERANTE.
Mas é uma lição aprender como dar-lhes a volta, e fico muito contente porque o tal exercício de paciência ao fim de dois anos deu os seus frutos e agora já não começo a berrar qual peixeira. Respiro fundo e pergunto: any ideas? How can I solve it then?
E às vezes lá vem uma forma by the book, dez vezes mais complicada que a que eu sugeri, que normalmente me faz perder dinheiro, mas que é a que pra eles faz sentido.
Enfim, o truque está em: saber fazer a pergunta. E isso leva tempo a aprendermos.

A nível pessoal, não é fácil fazer um amigo Holandês, tal como em Portugal também não fazemos amigos por dá cá aquela palha nem somos tão abertos quanto gostamos de dizer. Digam-me lá quantos amigos estrangeiros têm no vosso grupo em Portugal? Pois é, bem me parecia: nenhum.
No caso dos Holandeses temos duas situações em que nos podemos encontrar:

1) Conhecemos o Holandês quando ele foi de férias a Portugal. Simpáticos como somos, durante aqueles dias levamo-lo a jantar fora e apresentamo-lo aos nossos amigos. Dependendo da ocasião, até pode vir aos anos do primo ou da Tia e conhece mais umas pessoas. Tudo isto pra nós é corriqueiro, normalíssimo, é mais um pro “molho”, é normal. Mas pra eles é o mais surpreendente que possam sonhar, eles ficam a achar que nós os tratamos como reis/rainhas e que somos o máximo e que somos uns borgas (porque saímos até às 5 ou 7 da manhã) e que somos realmente: a puta da loucura!
Neste caso, quando nos recebem na Holanda, não têm mais o que nos fazer e levam-nos a todos os lados, apresentam-nos os amigos todos, a família, o cão, o gato e o piriquito! Dão-nos de jantar, oferecem-nos a casa, são: DO BEST!
Quem tem amigos Holandeses que conheceram quando viviam em Portugal acham que os Holandeses são o povo mais porreiro, mais descontraído e mais hospitaleiro que já conheceram! Nem sequer se lembram que em Portugal lhes fizeram o mesmo, e assim que eu abro a boca pra dizer uma palha que seja sobre os Holandeses (por exemplo, que são “alérgicos” a guardanapos) saltam-me logo em cima a dizer que eu sou uma mal-agradecida, que eu não conheço Holandeses, que eu vivo cá e só tenho amigos Portugueses, e que assim e que assado.
A minha reacção: deixo a malta a falar sozinha e espero que venham pra cá viver. O resto resolve-se por si só. O bom filho, à casa torna.

2) Conhecemos o Holandês na Holanda: são simpáticos, a casa deles é um santuário familiar, logo só seremos convidados pra um jantar ou festa caso fiquemos meeeeeesmo muito amigos já que serviço é serviço, conhaque é conhaque. Isto eu acho muito bem, pra ser sincera. Qualquer holandês tem uma agenda (pelo menos, quando não tem duas ou 3) que cumpre religiosamente. Espontaneidade: ZERO! Se eu acabar o trabalho às 5 e me apetecer tomar um café, ligo a um Holandês e ele diz-me: vou ver na agenda. Passado 3 segundos diz: olha, posso na próxima quinta-feira!
WTF?!?!?! Nós: mas eu estava a perguntar se querias ir agora! Eles: AGORA??? Nem pensar! Tenho que ir ao ginásio, depois vou lavar o carro, ou vou ter com um amigo, ou…..
A agenda deles é horrorosa. Se marcarmos o café pra próxima 5° feira, estejamos nós com dores de dentes ou dores do período daquelas que mal nos conseguimos arrastar, temos que ir! Faça chuva ou faça sol! Porque é uma ofensa combinarmos alguma coisa e cancelarmos no último minuto tal como fazemos em Portugal. É que nem sonhar em cancelar! Ora vamos lá a ver: como car* é que eu sei se daqui a 15 dias me apetece ir ao cinema?!?! Sei lá eu se amanhã tou cá! Quanto mais daqui a 15 dias!
Ou seja, pra quem é Português, esta agenda holandesa torna as coisas bastante complicadas. Temos duas hipóteses neste caso: ou nos adaptamos, ou fazemos amigos Portugueses, Espanhóis, Italianos, enfim, de outras nacionalidades flexíveis e espontâneas como as nossas.
Pra nos adaptarmos temos de ser muito consistentes e persistentes e irmos combinando na agenda duns encontros pros outros e conseguirmos ganhar um espaço na agenda e no coração deles e passarmos a vê-los de 15 em 15 dias porque claro, pra fazer um amigo como deve ser, precisamos de vê-lo amiúde.
Eu tenho 4 amigos Holandeses (fora os meus excelentes colegas de trabalho que quem gosto mesmo muito, 3 feitos cá, e uma feita em Portugal. Pra combinar alguma coisa com eles só de agenda. Resultado: há mais de 8 meses que não vejo 3 deles e o quarto há já quase um ano que não consigo combinar nada com ele.

Isto já vai muito longo, mas não quero deixar de dizer o seguinte: eu não pretendi ofender ou julgar a cultura Holandesa. Se foi essa a imagem que vos passei, desenganem-se. Eu só quis mostrar as diferenças culturais. Nada do que os Portugueses fazem é perfeito, assim como nada do que os Holandeses fazem é perfeito.
As culturas são apenas muito diferentes.
E eu tenho aprendido muito com eles e crescido muito como pessoa, mas acho que também eles têm aprendido muito comigo. Aprendemos a aceitar-nos.

Nem tudo é mau! Nem tudo é bom! Haja balanço. Em Portugal também temos muita gente que não presta pra nada e temos pessoas excelentes! Temos coisas muitos boas e coisas que desesperam qualquer um!
Pra terminar, bora lá imaginar um Holandês a viver em Portugal(e como li numa revista semanário uma altura) a tentar imitar-nos: eu tenho um amigo que tem um amigo que …. (pick one) é canalizador, que é pintor, que faz mudanças, que tem uma esteticista espectacular, que conhece não sei quem que consegue desenrascar não sei o quê!

Groetjes!

Workshop Vida à tua medida

Há 4 anos atrás fui-me abaixo.
Depois de ter ouvido a Mafalda falar da Susana não fiquei com vontade de a conhecer, fiquei com vontade de bater na Mafalda. Eu não andava lá muito bem, but we all have been there, right?
Era demasiada boa disposição, a forma como ela explicava o efeito que uma Susana Cor-de-Rosa (WTF! Quem é que se chama Cor de Rosa??) tinha tido nela era uma cena marada. Too good to be truth. Achava aquilo tudo muito estranho.
O certo é que, apesar dos problemas (e eram bem pesados, não é daqueles estilo acabei com o namorado e estou depré. Não, eram coisas bem fortes de família, que eu própria não sei se teria tido estômago para lidar com) ela andava… feliz.
A palavra certa é esta: feliz. Irritantemente feliz. Aquilo fazia-me espécie.
Numa dada terça-feira, depois de uma dada notícia, fiquei em casa.
Chorei o dia inteiro.
Na quarta continuei sem ir trabalhar.
Ao meio-dia de quarta, com os olhos que nem batatas, fui ao quarto da minha outra colega de casa buscar uma camisola e encontrei um panfleto com um Workshop da Susana que ia ter lugar naquele fim de semana.
Eu estava tão na merda, mas tão em baixo, e queria tanto recuperar-me que peguei no panfleto, falei com a dita Susana, e na sexta apareci no seminário. Não sabia ao que ia. Só sabia que queria perceber porque raio é que a Mafalda andava tão contente?! Como? Porquê? Dão pílulas? Xanax sem receita? WHAT?
O fim de semana foi intenso. Foi giro, mas acima de tudo cansativo.
A Susana não tinha respostas, tinha perguntas. Deixou muitas perguntas no ar pra eu pensar. E eu pensei. E acabei cansada. Fui pra casa e dormi 12 horas seguidas.
Na segunda comecei o meu novo trajecto.
A Susana não tinha respostas directas como eu pensava. Ela não me disse como ultrapassar a minha crise. ELA ENSINOU-ME A ANDAR.
Foi com a ajuda dela que me dediquei a recuperar o melhor de mim.
Se hoje sou a pessoa que sou, se estou onde estou, a mim o devo. Mas a ela devo-lhe a oportunidade de RE-aprender a caminhar.

Propôs-me fazer um Workshop na Holanda, e eu agarrei com as duas mãos esta chance de dar a conhecer a Susana aos meus amigos e conhecidos e a todos aqueles que se perguntam: MAS PORQUE RAIO ÉS TÃO FELIZ?!

Worshop Vida à Tua Medida, na palma da vossa mão.

A quem se destina:

A TI que queres crescer enquanto pessoa;
A TI que queres dar um novo rumo à tua vida;
A TI que queres modificar a percepção da realidade e sentires segurança, confiança e motivação para concretizares as tuas metas;
A TI que queres encontrar gratidão e conexão com as pessoas que amas.
A TI que queres ser tu próprio e encontrar felicidade no dia-a-dia;
A TI que pura e simplesmente tens curiosidade e queres saber mais;

SIM
Este Workshop faz Sentido.
É útil e Prático.

O Workshop realiza-se
Dia 8 e 9 de Maio, de 2010, Den Haag
HandsatWork Center, Laan van Meerdervoort 45
2517 AD Den Haag www.handsatwork.nl

Horário:
Dia 8 sábado: das 9.30h-13.30h e das 14.30h-19h
Dia 9 domingo das 9.30h-13.30h e das 14.30h-18.30
Há intervalos para lanches.

O Investimento é de 130€ por pessoa

É preciso estar inscrito até quarta-feira, 7 de Abril e ter pago 130€.

Para mais informações visite:
www.susanacorderosa.com

O workshop decorre em Português.

Rádio Marginal

A minha rádio favorita de há uns bons 8 anos pra cá é a Marginal.

Sonho acordada com o meu rádio em alto e bom som enquanto percorro a Marginal de Lisboa e olho pro mar, com os carros a apitarem-me a avisar que tou quase dentro de água ou a malhar da falésia abaixo.

Imagino-me sentada no Noobai a ver o Tejo, ou no Miradouro da Graça a beber uma imperial.

Se fizer mesmo muita força consigo cheirar o rio e ouvir os meus amigos, sentir o sabor do bolo de chocolate ou do cheese cake ao mesmo tempo que os sinto alojarem-se nas ancas.

Ou sentada no À Margem, ou no Teatro Taborda.
Ou um fim de tarde no Imagens ao pé do Castelo de S. Jorge.

Gosto. Gosto muito, gosto tanto.
Tenho tantas saudades, sonho tanto com todos estes sítios e o coração bomba mais forte, e a alegria entra-me na alma e no corpo e só me apetece teletransportar-me pro solinho de fim de tarde. E telefonar à Mafalda e à Tininha e irmos jantar as 3 ao Pateo de Alfama e comer umas sardinhas assadas ao som dum fado castiço posto em CD pra turistas.

A minha antiga colega de casa e adorada Mana emprestada, a minha Mafaldinha, tem uma colecção de CDs invejável. Não tem um único CD que digamos: cliché, básico, normal, não gosto.
É tudo boa música. Desde clássica a jazz, a bossa-nova, rock, enfim, só tem música com qualidade superior. Nem eu sei bem como ela faz, acho que pura e simplesmente tem bom gosto.

Quando me mostrou a dita colecção ensinou-me a amar Lisboa, a aproveitar cada recanto, a conhecer os meus bares e restaurantes favoritos, a saber ser e estar em Lisboa.

Não gosto de Tecno, transe, acid, etc. Não gosto, nem vou gostar.

Mas gosto de Jazz, gosto de blues, gosto de bossa nova.
Por favor, se alguém me souber dizer onde posso cheirar um pouco deste ar aqui na Holanda, eu ficar-lhe-ei eternamente grata, quase tão grata como à Mafalda.
(E dizerem Bimhuis não vale).

Preciso de gostar de recantos na Holanda, em Amsterdão, em Den Haag. Preciso de encontrar o café de fim de tarde, a música que me entra na alma, que me faz sentir bem. Contem-me, digam-me, por favor, ensinem-me a amar cá estar.