Em Portugal, é assim…

Rir, pra não chorar! O resto aqui

Mário Lino, em Junho de 2007: “Na margem Sul jamais, jamais [em francês]”

O ministro da Obras Públicas recusou mudar o novo aeroporto da OTA para Alcochete. Mas a realidade desmentiu-o pouco depois

Manuela Ferreira Leite, Setembro de 2009: “É como o filho que mata o pai e a mãe para dizer que é órfão”

Citicando a vitimização de José Sócrates

Cavaco Silva, em Dezembro de 2007: “O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?”

Quando falava sobre a baixa natalidade

Porque no Norte é mesmo assim…riam, que hoje é sexta!

Carlos Barreira da Costa, médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro A Medicina na Voz do Povo, com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina. E dele não resisti a extrair verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico que decidi compartilhar convosco.

O DIÁLOGO COM UM PACIENTE COM PATOLOGIA DA BOCA, OLHOS, OUVIDOS, NARIZ E GARGANTA É SEMPRE UM DESAFIO PARA O CLÍNICO

– A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece, com sua licença, espermatozóides.

– Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa.

– Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho.

– Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido.

– Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída.

– Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saíam.

– Tenho a língua cheia de Áfricas.

– Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor.

– O dente arrecolhia pus, e na altura em que arrecolhia às imidulas, infeccionava-as.

– A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor.

AS PERTURBAÇÕES DA FALA IMPACIENTAM O DOENTE

– Na voz sinto aquilo tudo embuzinado.

– Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta.

– Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais.

– O meu pai morreu de tísica na laringe.

OS PROBLEMAS DA CABEÇA SÃO MUITO FREQUENTES

– Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João.

– Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é….

– Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós.

– Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima….

– A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar.

– Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal.

OS APARELHOS GENITAL E URINÁRIO SÃO OBJECTO DE QUEIXAS SUI GENERIS

– Venho aqui mostrar a parreca.

– A minha pardalona está a mudar de cor.

– Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas.

– Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza.

– Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?

– Quantos filhos tiveram? – Pergunta o médico.

Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três.

– Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada.

– Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos.

– Quando estou de pau feito… a puta verga.

– O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã.

AS DORES DA COLUNA E DO APARELHO MUSCULAR E ESQUELÉTICO SÃO DIFÍCEIS DE SUPORTAR

– Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta.

– O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura.

– Já tenho os ossos desclassificados.

– Além das itroses tenho classificação ossal.

– O meu reumatismo é climático.

– É uma dor insepulcrável.

– Tenho artroses remodeladas e de densidade forte.

– Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala.

O PORTUGUÊS BEBE E FUMA MUITO E DESCULPA-SE COM FREQUÊNCIA

– Tomo um vinho que não me assobe à cabeça.

– Eu abuso um pouco da água do Luso.

– Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool.

– Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem.

– Eu sou um fumador invertebrado.

O APARELHO DIGESTIVO ORIGINA SEMPRE MUITAS QUEIXAS

– Fui operado ao panquecas.

– Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina.

– Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo.

– Eu era muito encharcado a essa coisa da azia.

– Senhor Doutor, a minha mulher tem umas almorródias que, com a sua licença, nem dá um peido.

– Tenho pedra na basílica.

– O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás.

– Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa.

– Fiz uma mamografia ao intestino.

– O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenós (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda).

OS MEDICAMENTOS E OS SEUS EFEITOS PRESTAM-SE ÀS MAIORES CONFUSÕES

– Ando a tomar o Esperma Canulado – Espasmo Canulase.

– Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião – Sermion.

– Andei a tomar umas injecções de Esferovite – Parenterovit.

– Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada – Piprilim,

– Agora estou melhor, tomo o Bate Certo – Betaserc,

– Tomo o Sigerom e o Chico Bem – Stugeron e Gincoben.

– Ando a tomar o Castro Leão – Castilium.

– Tomei Sexovir – Isovir.

– Tomo uma cábulas à noite.

– Tomei uns comprimidos jaunes, assim amarelados.

– Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas.

– Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha.

– Estava a ficar com os abéticos no sangue.

– Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações.

– Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor.

– Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua.

– Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas.

O QUE OS DOENTES PENSAM DO MÉDICO

– Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns.

– Especialista, médico, mas entendido!

– Não sou muito afluente de vir aos médicos.

– Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores.

– Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém.

– Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer.

EM RELAÇÃO AO DOENTE O HUMOR DEVE SEMPRE PREVALECER SOBRE A SISUDEZ E O DISTANCIAMENTO.

Senão, atentem neste clássico

– Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação?

Ao que o médico retorque:

– Claro que pode. Mas se os tomar com água é capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor.

E vai levar na peida ó meu!

Nestas alturas, tenho MESMO muito muito orgulho no nosso Sr. Presidente Cavaco Silva!

Note-se que eu tenho uma ENORME simpatia pelos Catalães, mas AMEI ver como o Cavaco conseguiu “poner a parir” o jornalista Espanhol.

Brilhante!

Catalunya también siente simpatía por Portugal. 1640 no es una fecha del todo olvidada…

(reparem: 1640, altura em que demos um chuto no cú aos Espanhóis. MAS, na verdadeira Catalunha, Cataluña no es España, coño!)

Continua aqui (notícia do La Vanguardia), vale mesmo a pena ler!

OBRIGADA RITA!

Ser dador de medúla óssea

Há muitos anos atrás, mais propriamente há uns 6 anos, numa sessão de Doação de Sangue nas instalações da IBM, o Instituto Nacional de Sangue perguntou-me se eu queria ser Dadora de Medúla Óssea. Assenti com gosto, saber que poderia um dia salvar uma vida agradou-me, principalmente quando é tão difícil encontrar alguém compatível.

Anteontem ligaram-me do CEDACE (Registro Português de Dadores de Medúla Óssea) pra me dizer que sou compatível com alguém que precisa e que gostariam de saber se eu ia ficar muito tempo na Holanda ou se voltava pra Portugal dali a uns dias e se estava realmente interessada em ajudar.

Fiquei tristíssima ao dizer que não voltava amanhã, mas que se pudessem esperar um mês, que sim, que ia a Portugal fazer testes e tudo. Mas não podia ser.
Fiquei triste a sério. Eu imagino que enfiarem-me uma agulha nas costas não deve ser um processo agradável, mas chiça, podia salvar uma vida e nada me daria mais prazer.

Como tal achei que, já que tenho tanta gente a ler as tretas que eu escrevo, que deveria publicar algo que ajudasse realmente os outros e dar-vos os links e as informações necessárias, para, caso desejem, se tornarem também vocês dadores de medúla óssea. Eu agora passei para a base de dados Europeia.

Qual a probabilidade de encontrar um dador compatível?

Considerando todas estas abordagens, aproximadamente 80 por cento de todos os doentes têm, pelo menos, um potencial dador compatível. Esta percentagem subiu significativamente (em 1991 era 41 por cento) depois do esforço que foi feito mundialmente no recrutamento de dadores. Só que nem todos os doentes para os quais foi identificado um dador idêntico chegam à fase do transplante.

Pode um dador desistir do processo após saber que é compatível com um doente?

Como voluntário o dador não tem nenhuma obrigação legal. Um potencial dador com compatibilidade com um doente que necessite de transplante de medula pode, por diversas razões, retirar-se do processo. As decisões individuais serão sempre respeitadas.

É perfeitamente natural que apareçam duvidas, hesitações ou mesmo recusas quando um dador é contactado. Mas depois de ponderados os prós e contras, o dador deverá tomar uma decisão e saber que, se for alterada tardiamente, poderá ser fatal para o doente.

Quem paga o processo da doação?

Todos os procedimentos médicos que envolvem a doação são cobertos pelo subsistema de saúde do doente, bem como as viagens e outros custos não médicos. Os únicos custos que poderão vir a ser imputados ao dador são os referentes ao tempo que necessita despender no processo de doação.

Só se pode dar medula uma vez?

Não, a medula é um tecido que se regenera rapidamente, pelo que é possível fazer mais do que uma dádiva.

Adolescência, onde vais tu!

Hoje tive uma surpresa quando cheguei ao meu facebook.

– Tinham-me identificado numa foto. Até aqui normal.

– Eu tinha 15 anos!

(wow! Quem é que guarda fotos há 18 anos?)

– Eu tenho a merda do soutien à vista porque pelos vistos a blusa era transparente e eu nunca soube!

(WTF??!?!?! O que vale é que o soutien é todo XPTO e dos bons, e pronto, também não se vê nada que não se visse se eu estivesse de bikini – e não, antes que perguntem, NÃO vou publicar!)

Além desta pérola que me fez chorar a rir, encontrei fotos de amigos que não vejo há muitos, muitos anos.

Que saudades meu Deus. E que época! Que cabelos! Que roupas! Que…
Que saudades…

Eu andei num Colégio que tinha Internato para rapazes. Eram 400 internos na altura. O Colégio nesse então tinha perto de mil alunos.
Dos 400, muitos eram filhos de emigrantes e só iam a casa nas férias. Os outros eram os alunos que tinham sido expulsos das escolas todas em redor e do seminário por serem…umas pestes.

Ao ser a mais baixinha das meninas, sempre sorridente e de resposta (muito) afiada e pronta, não recuando facilmente perante as parvoíces deles, sendo eu a única rapariga que ficava pra lanchar depois das aulas, quando eles já estavam todos no “salão” a estudar, fechados, sem contacto com o exterior, sendo eu a que escondia os pães com manteiga do lanche debaixo da camisola pra lhos dar cá fora, sendo eu a protectora dos rebeldes e a que, como estava sempre nas boas graças do Padre Marques, ia sempre pedir ao Senhor Padre que os perdoasse, que não os expulsasse, que eu tomava conta deles! Passei de uma gaija qualquer, a “mascote”.
Quando eu andei no liceu não era a “Miss Popular”, mas era com toda a certeza a “Miss Mascote”. Todos tomavam conta de mim, ninguém me tentava sequer chatear porque eu tinha um grupo de 5 “manos” a proteger-me. No mínimo. Se não estavam eles, estavam sempre outros.
Todos os filhos de emigrantes em França queriam ser “zulus”. Ser Zulu era todo um estilo que tinha a ver com andar de fato de treino, com boné, o símbolo de “peace” ao pescoço, ter um…ai, como é que se chama aquela cena que se põe nos 4 dedos e serve pra partir a boca e os dentes ao pessoal? não me lembro, adiante, se andavam de ganga tinham todos calças MUITO largas, com o cós quase nos joelhos.
Qual o nível de semelhança com a realidade actual?! Hum… Pois é!
Bom, o certo é que eu tinha 5 amigos com quem andava sempre, o Miguel (por quem fui apaixonada dos 13 aos 16. Levei 2 anos a declarar-me e levei uma tampa! Saudades…), o Toni (na foto), o Tó (na foto), o Alex (se leres as bacoradas da net e me contactares, prometo que te dou um abraço tão forte como o último!) e o Fraguinha (Vive na Suiça. Disse-me que se eu quisesse um tecto falso XPTO que me fazia um desconto! Sim, desconto. Grátis não!) .
Nesta foto estão então apenas dois deles. Um é Professor onde outrora foi aluno e o outro…tem paradeiro incerto…

Apelando à blogosfera e ao facto do mundo ser um bidé, se por milagre alguém reconhecer o Tó e souber onde ele anda, que mo “devolva” por favor, ficar-lhes-ia eternamente agradecida. Mesmo.
Este dia foi um BOM DIA.

Há sempre boas e EXCELENTES NOTÍCIAS!


Isto no seguimento (not) de que não sou uma pessoa romântica, vai correr muito bem pros comments, mas adiante!

Ora “atonces”, a modos que, a coisa passou-se assim: corria o ano de 1998 e eis que Sofs Maria ganha uma bolsa pra ir fazer Erasmus pra Valladolid city. Quando lá chega encontra outra Tuga. Na primeira semana insultamo-nos de puta pra baixo. Foi ódio à primeira vista. Achava-mos que a outra era absolutamente insuportável, uma betinha nojente e arrogante. Ao fim da primeira semana decidimos ter a nossa primeira conversa porque havia mais gente à volta e parecia mal (not).
Eis pois que ganho uma das minhas melhores Amigas de por vida. Desde o dia 25 de Outubro de 1998 até hoje, a M. fez parte da minha vida e eu da dela. Já nos zangamos, já fizemos as pazes, já berramos uma com a outra, já choramos de felicidade abraçadas, já nos voltamos a insultar, e já voltamos a dizer continuamente uma à outra que nos adoramos. Estilo casamento, tem sido, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe.
No decorrer desse maravilhoso ano de Erasmus ela conheceu a sua meia-dose, um Italiano (baixinho pra condizer connosco – quando ele ler isto vai-me bater).
Uma das mais gratas recordações que temos as duas foi do dia em que, depois duma festa temática de Portugal que nós as duas organizamos, lhe pedimos que trouxesse a mochila da M. até à residência onde vivíamos as duas.
Mas em Valladolid tava um frio do car***, de tal modo, que quando a encomenda chegou ao nosso quarto, despachamos o mensageiro em 3 tempos, corremos ao quarto do Gigo pra pedir um saca-rolhas, despachamos o Gigo, metemo-nos no quarto nós, e UMA GELADA GARRAFA DE ALVARINHO SOALHEIRO. Eram 8 da noite, mas ainda não tínhamos jantado, logo, ao segundo copo já estávamos…alteradas, vá. Como tínhamos que “bajar al comedor a cenar” decidimos tentar disfarçar a bebedeira e vá de comer tostas com chouriço (que também vinha na mochila). Não surtiu muito efeito. A cena acabou comigo e com ela a tentar andar em linha recta seguindo as linhas da tijoleira no chão. NOT.
Quando o R. descobriu que na mochila ia vinho Alvarinho, quase que o namoro dos dois vai pro maneta e eu levo na tromba. Afinal tinhamo-lo deixado de fora, e isso não se faz a quem de nós tanto gosta!
Passado o eramus, a M. e o R. tentam continuar o namoro, mas a malta é jovem, intempestiva, e tal, e pronto, a coisa não correu bem e acabou-se a história, mas continuamos todos amigos.
Ele continuou no entanto a dizer que ela era a mulher da vida dele, e 10 anos passados conseguiu finalmente voltar a Portugal com o consentimento da M. (que dizia sempre que ele vivia no passado e era tolinho, que ela era agora a mulher da vida dele! Se ele já não era o homem da vida dela, que mania a dele! Que melga! Que gajo insistente!)
Tinham passado aí uns …. 10 minutos depois de ele sair do avião quando caíram novamente nos braços um do outro, e já na sanidade mental dos 30 e picos, decidem que são:

– parvos, por ter desperdiçado 10 anos.

– que sim, são a mulher e o homem da vida um do outro.

– CASAR.

E eu dei comigo histérica de contente, feliz de sorriso de orelha a orelha, porque afinal, o amor vence, e é poderosa, e a história deles continua a fazer-me acreditar que sim, há almas gémeas. Pelo menos, as deles.

PARABÉNS AMIGA!!! AUGURI CARIÑO MIO!!!

As cenas do próximo capítulo dar-se-ão quando eu emborrachar noivo e noiva no dia do casório em registo civil e capela incógnita no meio do Alentejo ou da Calábria, com Alvarinho, pois então!

Conversa de todAs as Expats 2 a 3 dias antes de embarcarem rumo a Portugal

Já marquei a depilação, a manicure, pedicure, cabeleireiro, e a limpeza de pele! Adoro a “minha” esteticista!

Sempre que vamos a PT fazemos uma espécie de “extreme make over” e vimos de lá mais “lavadinhas”.

Não é que cá (ou no País onde estamos seja ele qual for) não haja as ditas, mas entre os preços aberrantes, a falta de qualidade do serviço e a capacidade de barbárie das esteticistas, as “nossas” são indispensáveis, estejamos nós no cú do mundo!
Abençoadas sejam as esteticistas e cabeleireiras do nosso Portugalinho que nos deixam mais bonitas que nunca e recuperam a nossa feminilidade e beleza naturais!

Não acho que seja uma pessoa romântica

Já fui, hoje não me considero uma pessoa romântica.
Já não vou a um hotel e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não entro num restaurante e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não viajo e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não ponho uma mesa bonita e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não me enrosco no sofá a ver um filme e penso: isto seria giro mas era a dois!
Já não acordo sozinha e penso: isto seria giro mas era a dois!
Continuo a gostar de ver aqueles filmes de pastelada romântica, mas será que isso faz de mim romântica?
Ou será que é porque há muito, mesmo muito tempo que não me apaixono a sério?
Os meus ex-boyfriends e os meus ex-flings perseguem-me com ideias de ir aqui e ali e mando-os pastar continuamente. Afinal, se são exs é por alguma coisa. Mas eles não entendem. E eu também não tenho vontade de fazer seja o que for só porque seria romântico ser a dois. E continuam a ser exs.
Nunca fui de coraçõezinhos e ursinhos de peluche ou baby talk. Sempre fui meiga, mas sempre detestei meladices. Sou capaz de ser um doce, mas sem “filmes”, pragmática.
Nunca vivi com um homem, talvez por isso, ao estar habituada a viver sozinha, não sinta falta de acordar a dois, jantar a dois, fazer programas a dois.
Eu durmo, janto, viajo e enrosco-me no sofá sozinha, e gosto. Gosto mesmo. A única coisa que me faz falta é a minha cadela. Com ela gosto de acordar de manhã, gosto de viajar, gosto de ver televisão e filmes e enroscar-me no sofá.
Quisás porque é pequenina, e não ocupa espaço, quisás porque não fala e como tal não me aborrece nos dias em que estou chateada ou irritada. A resposta dela a qualquer coisa que eu faça é sempre uma lambidela no nariz.
Sinto falta de um homem quando tenho que carregar malas, mudar de casa, ir ao supermercado (sempre ajudam a carregar os sacos) ou quando tenho problemas com o carro. E claro, de dar “beijinhos profundos”, como diz uma amiga, que eu também sou humana, não é!
Mas há os amigos que me preenchem e com quem viajo e passeio. E os exs que servem pro que servem. Todos me dão o meu espaço.
Sinto-me bem assim.
Talvez por isso o S. Valentim não me chateie e já não vá a jantares de solteiros, ou pragueje contra a publicidade cheia de manhas pra vender mais um par de boxers ou lugares em hotéis e restaurantes.
Pensando bem, acho que só me sinto realmente bem assim desde que vivo fora de Portugal.
Corrijam-me se estiver errada, mas no nosso rectângulo parece que há os casais e os solteiros, não necessariamente uma mistura.
Quando somos convidados pra jantar perguntam sempre: trazes alguém?
Quando se faz uma passagem d’ano, é composta por não sei quantos casais que se junta pra a fazerem em conjunto. Se fores solteiro até podes ir com a malta, mas na altura da distribuição dos quartos é bom que estejas já muito bêbado e te habitues à ideia que aquele sofá a sorrir-te na sala vai ser o teu melhor amigo.
Aqui há uns tempos falava com uma grande amiga que me veio visitar e ela concordava. A vida social dela parecia que só existia quando estava em casal. Por isso é que não se recorda muito bem de quando é que esteve solteira mais de 2 meses.
Pensem lá bem, os que estão em casal, quantas amigas solteiras é que convidaram lá pra casa desde que estão casada(o)s? E falo das amigas que conheceram depois de estarem casadas ou juntas, não é das amigas de infância ou de liceu ou faculdade. Amigas solteiríssimas da silva, boas amigas, boas pessoas, mas que…não têm namorado (ohhhhhh) e como tal…pois é, não dá lá muito jeito…se pelo menos ela tivesse namorado! E assim que têm um, é um rodopio de jantarinhos e eventos, porque agora já podem ir a quatro.
Fora do rectângulo, sejam portugueses ou de outra nacionalidade, nunca mais tive questões desse género. Será isto fruto de educação, religião, ou que realmente acho que é: sociedade?
Em Janeiro, quando estava sentadinha no cabeleireiro da minha Mãe, “mandei-me ao ar” com uma senhora que é, pronto, amiga vamos, da família. Dei-lhe os Parabéns pelo segundo bebé da filha com quem cresci, e ela mandou-me uma palmadinha nas costas, fez um sorriso entre o triste e o “que peninha” e disse: Estás a ficar p’ra trás, tens de te despachar. Um dia destes já não podes.
Só me faltou bater na mulher. Nunca gostei dela mesmo. Era a minha oportunidade! A minha Mãe não me deixou. Que peninha.
Ao meu lado estava uma filha duma amiga da minha Mãe. A Catarina é da minha idade, é médica, solteira da silva como eu, e vive sozinha sem cães ou gatos. Muito calmamente disse-me: tens que entender que na altura delas (as nossas Mães e tal senhora, pois tá claro) o objectivo final da mulher era casar e ter filhos. Hoje em dia já não é assim, e elas não conseguem compreender.
Eu não sei se é sociedade, se é cultural, se é assim em todos os países e eu é que acho que deveria ser diferente, o que eu sei é que me sinto muito bem assim. E por isso mesmo acho óptimo que se celebre o dia de S. Valentim, e que quem queira se empenhe em tornar esse dia especial. E acho muito bem que as pessoas andem apaixonadas e a ver corações e estrelinhas por todos os lados. Fico contente por elas, a sério.
Façam-me só um favorzinho: não me contem os vossos planos. Really. Não pensem que não vos quero ouvir porque tenho dor de cotovelo ou por amargura. Eu gosto mesmo muito de ser solteira, por isso, pelo amor de Deus, não me tentem arranjar amiguinhos ou caldinhos pra ver a “solteirice me passa”.
Eu só não sou romântica.

Um Domingo à maneira!

Depois das 500 mil tarefas executadas ontem (ah e tal, vives na Holanda, isso é uma emoção! Só deves ter aventuras…e viver sozinha e ser dona duma cadela e ter de tratar de casa, roupa, comida, e guito, não é aventura suficiente?!) como:
– ir aos correios,
– lavandaria (4 máquinas de roupa),
– abastecer-me no supermercado,
– organizar o correio e contabilidade caseira
– fazer um bolo de iogurte

– e é claro, pôr a Senhorinha em condições de ser usada

(mais o trabalho que continua a cair a rodos)

hoje achei que merecia o descanso do guerreiro.
Umas horas passadas em boa companhia pareciam-me um início de tarde fantástico. A seguir havia de voltar pra casa e trabalhar um cadito e tal, preparar as coisas da semana.
Em casa da Ceres é impossível!
Ora bem, a ideia era eu ir passear/ser passeada pelo Mozart porque vou ficar com o nosso amigo de 4 patas e 45 kilos durante 15 dias em Março e tenho de saber a rota habitual que ele faz. Cheguei atrasadíssima às 3 da tarde, logo a seguir a ter engolido o empadão.
Lá fui com o Homer da Ceres e a Petzi dar a voltinha e voltamos perto das 4. Não sei que coisa instintiva nos deu, mas decidimos sentarmo-nos na mesa à conversa e teca-teca-teca, abre-se o bolo (um bocado de borracha, mas saborosito), e “ó Homer, trás aí mais umas coisas pra acompanhar, faz-se um chá!”. E veio o chá, e as tostas, e o fiambre, e o queijo, e mais bolo, e muito boa conversa, mais histórias de família, mais umas gargalhadas valentes, e teca-teca-teca…eram 6 da tarde!
Eh pa, tenho de ir embora! “Então e se fizéssemos uma sopinha?” (diz o Homer).
Eh lá, então se calhar espero pela sopinha! (tenho cá uma lata!) e mais teca-teca-teca, a Bimby tratou da sopa, e mais umas gargalhadas e bolas! Já são 8 da noite! É agora que vou nessa!
E assim se passou uma tarde de Domingo cinzenta, que parecia aborrecida, e que prometia filmes no sofá e trombas na segunda de manhã.
Foi no entanto aquilo que eu considero UMA TARDE DE DOMINGO COMO EM CASA!
Eu explico: as minhas melhores recordações de domingo é sempre à volta duma mesa, a petiscar, a fazer o dito: lanche ajantarado!! Um domingo com lanche e petiscos é que era um grande domingo!! Em casa do meu Tio Aprígio, da minha Mãe, dos meus Primos, da minha Família, enfim, o que interessava é que ao Domingo se conversava à volta duma mesa e se cometia o pecado da gula do petisco!!
Nunca me tinha acontecido isso na Holanda, muito menos rematado com uma sopinha. Soube-me mesmo, mesmo muito bem!
Querida Ceres e querido Homer (e Mozart também, obscrosse!): MUITO OBRIGADA!! Tinha tantas saudades!VALEU!